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AMC Eagle, o pai dos crossovers

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AMC Eagle Sedan Limited

A AMC (American Motors Corporation) criou um veículo que foi revolucionário em sua época, dando origem assim a um segmento que ficaria muito popular no mercado automotivo mundial nos 25 anos seguintes, deixando um legado que é possível vislumbrar ainda nos dias atuais.

Roy Linn, engenheiro-chefe da marca americana, decidiu unir as capacidades de tração nas quatro rodas dos modelos da Jeep com o conforto e versatilidade de um automóvel de passeio. Assim, criou o “Project 8001 plus Four”.

O desenvolvimento começou em 1977 e consistia em introduzir um sistema de tração nas quatro rodas em um AMC Hornet com motor V8 e distribuição de torque de 33/67% nos eixos dianteiro e traseiro. No entanto, descobriu-se que o melhor equilíbrio seria com um motor seis cilindros em linha e transmissão automática TorqueFlite, chegando a 50/50%. Linn substituiu o Hornet pelo Concord e assim criou o Eagle.

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AMC Eagle – Raio-X

Eagle

O AMC Eagle surgiu como algo impensável no final dos anos 70. Era um automóvel de passeio com sistema de tração integral. Mais do que isso, envolvia uma tecnologia que superava os Subaru e os grandalhões 4×4 existentes no mercado americano.

Disponível em versões sedã, perua, cupê, liftback e Kammback, o AMC Eagle tinha um sistema de tração por acoplamento viscoso, que distribuía a força de forma suave, aliada ainda à boa transmissão TorqueFlite, fazendo o modelo ser agradável tanto na estrada quanto fora dela.

Desde o início, o foco da AMC foi ter no Eagle um carro de passeio e nunca um utilitário esportivo. Ele foi o primeiro carro com tração AWD feito em massa nos EUA e também foi o primeiro com suspensão dianteira independente num 4×4 e a usar o sistema FF (Fórmula Fergusson), que provia melhor condução no asfalto com tração total em tempo integral.

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AMC Eagle Wagon

Mais do que a tecnologia, o Eagle virou referência na formação de condutores no gelo, sendo o primeiro carro a ser usado em escolas do tipo nos EUA. A AMC prometia que seu carro “4×4” oferecia dirigibilidade superior em asfalto com neve, estradas de terra e em outras condições de piso escorregadio que os demais veículos, incluindo os Subaru não poderiam superar.

De fato, o conjunto do AMC Eagle foi declarado como o melhor existente no mercado, superando a Subaru. O modelo foi colocado como um meio-termo entre os AWD baratos da japonesa e os pesadões 4×4, mais caros e pouco adaptados ao dia a dia de muitos consumidores.

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Linha AMC Eagle

Uma família aventureira

Em 1980, a reputação da AMC elevou-se rapidamente com o Eagle, que logo se tornou o carro mais rentável da companhia, que atravessava uma difícil crise financeira. As vendas começaram em agosto de 1979 e não demorou a surgirem as críticas positivas ao projeto.

Com suspensão elevada, rodas aro 15 polegadas com pneus de faixa branca, guarnições de luxo, muitos cromados e outros confortos, o AMC Eagle aparecia com versões sedã, perua e cupê, medindo em torno de 4,72 m. Ele surgia também com proteção Ziebart de cinco anos contra corrosão, algo importante em um carro que faria sucesso sobre a neve.

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AMC Eagle Kammback

Partes da carroceria eram feitos em aço galvanizado e parafusos de alumínio forma utilizados em muitos componentes. Havia proteção adicional no revestimento interno e proteção de pintura e carroceria. Sem caixa de redução, o AMC Eagle tinha diferenciais Dana 30 e 35 na frente e atrás, assim como caixa TorqueFlite de três velocidades. O conjunto de tração pesava 136 kg. O modelo pesava pouco acima de 1.500 kg,

Entre os itens, havia também um sistema de autonivelamento de carga por ar comprimido, engates para reboque, chicote elétrico reforçado, radiador de óleo auxiliar e bateria mais potente. O motor era um seis cilindros em linha 4.2 de 112 cv e 29 kgfm. Em 1981, o motor GM 151 2.5 de 86 cv foi introduzido nas versões de entrada junto com câmbio manual de quatro marchas.

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AMC Eagle Sedan Sport

Select Drive

Foram lançados também as versões liftback (baseado no Spirit) e Kammback, sendo estes menores que as opções originais e dotadas de motor GM 151. Nesse ano surgiu a opção Select Drive, que permitia ao Eagle rodar com tração apenas nas rodas traseiras, selecionável com um botão no painel, mas apenas executado com o veículo parado.

As vendas da linha Eagle já apontavam uma preferência do consumidor, que seria crucial para a continuação de sua produção, a perua. Inicialmente ela só perdia para o liftback, mas em 1982, ela já vendia o dobro da versão menor e liderava as vendas.

O consumo com o Select Drive aumentava em relação às versões sem ele. Assim, nesse mesmo ano surgiu a função roda livre para economizar gasolina e assim toda a linha passou a dispor do seletor de tração. Em 1983, a AMC fez ajustes na linha de produção para reduzir custos e aumentar a produtividade na fabricação do Eagle. Liftback, Kammback e Coupe saíram de linha.

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AMC Eagle SX/4

No ano seguinte, sai o motor GM 151 e entra um 2.5 da própria AMC, mais econômico. O Select Drive foi atualizado e agora permitia mudanças de tração e roda livre durante a condução. A produção do Eagle foi transferida de Kenosha, Wisconsin, para Brampton, na província canadense de Ontário.

A Série 50 foi muito popular na gama de opções do Eagle e um facelift foi adotado em 1985. Rádio digital e keyless para travamento das portas foram adicionados. O Select Drive novamente foi atualizado. Em 1986, as vendas começaram a cair por conta do projeto antigo, herdado dos anos 70. Uma nova caixa de transferência foi introduzida.

Em 1987, o Eagle ganhava um novo motor seis cilindros 4.0 com injeção eletrônica, mas o motor não foi popular e então o velho 4.2 foi atualizado e mantido em serviço, sendo agora a única opção para o modelo da AMC. No ano seguinte, a Chrysler assume a AMC. O nome foi alterado para AMC Eagle e Eagle Wagon. A produção encerrou no dia 14 de dezembro de 1987 em Brampton. Apenas 2.306 foram vendidos em 1988.

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AMC Eagle Wagon Limited

Legado

Além das cinco variantes conhecidas, houve unidades do Eagle Sundancer, um conversível feito pela empresa Griffith entre 1981 e 1982. Além disso, a AMC imaginou também uma versão diesel e sete protótipos foram feitos com o motor VM Motori 3.6 de 150 cv e 31 kgfm.

Esta versão diesel era muito interessante, pois tinha tanque maior e transmissão com Overdrive, o que garantia nada menos que 2.414 km de autonomia! Mas o projeto foi cancelado em 1980 por causa do alto preço. A série ProRally tinha motor V8 da AMC e durou de 1981 a 1988, praticamente toda a vida comercial do Eagle, focando as competições de rali, autocross e pista.

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AMC Eagle Wagon e Sedan duas portas

A divisão Jeep-Eagle da Chrysler misturou produtos da Renault, AMC e Mitsubishi. O nome Eagle virou marca e a empresa tentou emplacar sucessores do original da AMC, sendo o Eagle Talon (base Mitsubishi) encerrado em 1998.

O fim do compacto da AMC deixou as portas abertas para a Subaru assumir o posto do segmento. Volvo, Audi, Volkswagen e outras passaram a explorar os crossovers de forma mais intensa a partir dos anos 2.000. Sem dúvida, o AMC Eagle é o pai dos crossovers e tem um papel importante na história do automóvel.





  • Eduardo Brito

    Mais de 1500Kg, motor de Opala 4 cilindros e tração 4×4… Esse AMC Eagle deveria andar muito! SQN. Não conhecia esse carro. Na época deveria ser revolucionário e ter vendido bem, tanto é que hoje existem vários crossovers no mercado.

    • Offspring

      Meu amigo, poh… Quer comparar um período de crise do petróleo com bom desempenho? Um não fala a língua do outro!…

  • Tosoobservando

    Incrivel a capacidade tecnica destas empresas americanas. Pena nao ter durado muito nem ter vindo pra ca.

    • afonso200

      amigo eu tenho diversos catalogos(brochures) de carros americanos(cadillac, lincoln, chrysler, ford, ford SW, GM, pontiac, pltmouth, enfim varios de 70 até 86, e voce nao tem noção do que os americanos faziam, front bumper, tinha uma mola no parachoque que voce podia bater até 3,5 milhas por hora que nao dava nada no carro, a cada ano introduziam mais coisas, nos anos 78 ja tinha injeção eletronica no carburador, em 86 a cadillac ja tinha injeção eletronica,,,,1001 tipois de carroceria, o Coupe, o Sedan, o Sedan Hardtop, Coupe Hardtop, a Station Wagon, o Convertible, o Bussinel Coupe, etc, etc, etc,,,,,,e tudo isso de apenas um modelo, a marca tinha outros varios, e varias marcas tinham outros varios, seria como hoje no brasil mas o triplo de modelos,,,,,a cada ano mudava quase tudo,,,,e aqui no BR continuava FUSCA, FUSCA e FUSCA,

      • Rodrigo

        Muito legal isso, mas se não estou enganado, no início da década de 80 o Alfa Romeu contava com injeção eletrônica monoponto aqui no Brasil. Era um carro muito à frente de seu tempo e trazia inovações como suspensão mcpherson e freios a disco nas 4 rodas.

        • CASSIO

          infelizmente os Alfa Romeu feitor aqui pela FIAT nunca tiveram tal recurso de injeção eletrônica mas realmente era super moderno pro seu tempo como cambio 5 marchas motor todo em alumínio , válvulas em aço inox com as de escape refrigeradas a sódio duplo comando no cabeçote e foi o único alfa feito fora da ITÁLIA era bem moderno pra época mesmo .

          • Rodrigo

            Acho que me confundi então, obrigado pela explicação. Eu era muito pequeno mas lembro que o Alfa era um carro muito imponente e confortável na época!

        • Osni Duarte

          Não, o Alfa Romeo (com O) não teve injeção eletrônica, sendo o Gol GTI de 1989 o primeiro carro brasileiro a usá-la. Mas o Alfa tinha duplo comando com duas
          válvulas por cilindro e freios a disco nas quatro rodas, o que para a época já era muita coisa!

          • Rodrigo

            Sim, Alfa RomeO (fui traído pelo corretor do celular :) ).
            O fato de não ter injeção eletrônica me surpreendeu. Provavelmente eu confundi a sigla Ti, que numa rápida pesquisa no Google me remeteu às iniciais de Tourismo Internazionale.
            Obrigado pelas explicações e esclarecimentos.

          • Paulo_Lustosa

            Alfa 2300 tem duas válvulas por cilindro.

            • Osni Duarte

              E eu disse algo em contrário?

      • Gustavo Miranda

        Verdade Afonso, sem contar os muitos carros americanos dos anos 50 já com bancos e vidros elétricos e a rápida popularização do câmbio automático naquele mercado. Em design e engenharia eles são insuperáveis, Nosso mercado é como peixinhos de aquário comparados a tubarões de oceano, dá até uma preguiça só de saber o que eles já tiveram por lá enquanto a gente chamava Puma de carro esportivo e Opala e Maverick de carrões…

      • Ev Gim

        é que aqui tivemos a “vitória dos confederados”!

        • Pedro Rocha

          Acho que foi a vitória dos da Intentona Comunista de 35 mesmo.

      • Jackson

        De acordo. Mercado americano tinha muitos modelos e tecnologia. Costumo assistir testes de carros dos anos 70 pelo youtube e é possível ver o quanto eram evoluídos para a época.

      • Offspring

        BUSINESS COUPE… Corrija ai…kkkkkkkkk

        Mas Cadillac não tinha este tipo de carroceria. Era Coupe DeVille, Brougham Sedan, Sedan DeVille, etc…

  • AHSOliveira
  • Pedro Henrique

    então a culpa foi dele!!

    calma galera, to só brincando…

  • Maycon Farias

    Super lindo.

  • pedro rt

    me lembrei do subaru leone

    • Foxtrot

      E eu do Outback.

  • Fábio S

    Esse não é aquele carro que o pai da namorada do Marty Macfly do De Volta Para o Futuro 1?

  • Bittencourt

    Muito bonito, a perua então!
    Essa seria a solução ideal para MUITOS clientes brasileiros, que enfrentam crateras, valetas, buracos, estradas ruins, etc, mas sem precisar encarar um Palio Way, pagar os olhos da cara numa Weekend Adventure ou comprar um “altinho” que não aguenta o tranco.

  • heliofig

    O verdadeiro pai dos crossovers foi o Aero Willys depois de 1963.
    Sedan familiar com elevada altura do solo e carroceria alta, com os passageiros sentados também em posição elevada.
    Ideal para as estradas de terra da década de 60, que ainda hoje seria muito útil na nossas estradas esburacadas.
    Era mais alto que qualquer outro carro dos anos 60 (vide Galaxie 500, por exemplo).

    • Offspring

      Nada a ver. O Aero Willys era alto porque era um projeto americano de 1952 (saiu de linha em 1955 nos EUA). A Willys mandou o ferramental para cá em 1960, dando início à produção de um carro já desfasado, que receberia uma carroceria nova feita no Brasil a partir de 1964. O Simca também era bem alto.

  • CanalhaRS

    Legal isso, não sabia.
    o modelo SX/4 é praticamente o avô do BMW X6, hehehehehe.

  • PEDAORM

    S60 cross coutry liked this

  • CASSIO

    bacana saber que o motor 4 cilindros do opala equipou este carro , agora sei de onde a engesa teve a ideia de colocar o motor 2.5 do opala num jipe mesmo sem reduzida…….

  • Garuda

    Infelizmente esta empresa faliu e para variar a Crhysler comprou ela a assimilou seus funcionários mas mesmo assim continuou fazendo merda e não a toa das três grandes ( inclusive muitos americanos nem consideram a Crhysler como grande ) foi a que mais se ferrou durante a crise de 2008

    Interessante que quando lançaram a Subaru Outback ela foi considerada pioneira nesta área
    afinal quem iniciou o ramo dos crossovers ?