Se o Jeep Compass é um ilustre desconhecido para nós, para os americanos ele é um carro que já tem bons anos de bagagem. Lançado em 2007, é o “menos Jeep” da gama de modelos produzida pela marca. Usando tração dianteira (embora no mercado americano, por exemplo, existam versões 4×4) e um câmbio CVT, já podemos notar o porquê dos admiradores da marca não terem gostado muito da ideia.
E o Compass que chega para nós já é o reestilizado, apresentado como linha 2011. Com basicamente mudanças na dianteira, teve como intuito deixa-lo mais agradável a um maior número de potenciais compradores além de lhe dar uma aparência de ser um “pequeno Cherokee”, em alusão ao Grand Cherokee.
Sei que muitos vão discordar, mas a antiga dianteira era mais interessante. Faróis redondos com as 7 aberturas usuais na grade dos Jeeps podiam não ser um exemplo de beleza, mas ao menos trazia alguma personalidade ao carro. Hoje o Compass sequer disfarça que é uma cópia menor (e mais sem graça) do Grand Cherokee.
A frente é formada pelos faróis retangulares emprestados do Grand Cherokee. A única diferença é que no jipão de luxo eles são de xenônio e no Compass usam lâmpadas. A grade com 7 aberturas, como todo Jeep, tem acabamento cromado tal qual seu irmão maior.
O capô, com um grande ressalto na parte central passa, assim como seus para lamas ressaltados, uma boa impressão de robustez. O mesmo porém não podemos falar do para choque. Com a área inferior preta (para elevar a altura visual) tem a parte central ressaltada para simular um quebra mato. E não passa do terreno das intenções.
Lateralmente vemos um dos maiores pênaltis do novo desenho. Sua dianteira ficou muito “bicuda”. Se a anterior era reta e alta, esta forma um bico que não se mostra elegante em algumas vistas. Para lamas com recortes retos ao invés de abaulados também remetem ao Jeep original. Para lamas volumosos fazem o carro parecer que é maior do que realmente é.
Portas são lisas, apenas com uma estampa na parte inferior, para não interferirem no visual robusto passado pelos para lamas musculosos. Parte inferior preta cumpre o mesmo papel dado aos para choques dianteiros e traseiros e faz com que o carro pareça mais alto em relação ao solo.
As janelas são discretas até chegar no último vidro, ocupante da coluna D. O recurso usado neste recorte diagonal tenta dar alguma personalidade ao desenho embora sacrifique muito a visibilidade. As maçanetas das portas traseiras camufladas na coluna C por sua vez tenta mostrar alguma esportividade.
Chegando a parte posterior do Compass, nos chama a atenção o volumoso para lama traseiro se prolongando até a lanterna e a envolvendo-a. Este é o recurso mais feliz de todo o desenho. Visto de trás, ele parece largo e forte. De resto não há muito o que falar da traseira do Compass.
Simples, linhas retas e uma inclinação do vigia traseiro até certo ponto surpreendente para um Jeep e dando uma impressão de dinamismo que não seria conseguido com a tampa traseira menos inclinada. Dentro, temos mais linhas que buscam referências nos seus antepassados.
Painel alto, linhas simples e um desenho até certo ponto austero. A alavanca de câmbio, porém, remeta as minivans e deixa claro que estamos em um crossover. O Compass é um projeto médio. Sem muita personalidade, ele é um interessante crossover para levar os filhos na escola, por exemplo.
Mas nem pense em coloca-lo em riscos, como uma estrada de terra mais acidentada, que terá problema. Ao que parece, a Jeep criou um paradoxo… Antes todos queriam ser Jeeps, ao menos na aparência. Hoje, a Jeep quer que se pareça com um carro normal. E o Compass é filho deste paradoxo.
Por Durval dos Santos Neto
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