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Audi F103 foi o primeiro da marca atual e quase virou nacional

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Audi 60

A Auto Union estava sob controle da Daimler-Benz desde 1958 e apenas tinha no Auto Union 1000 um produto novo após a Segunda Guerra. Este era derivado de outro produto da DKW, marca que fabricava veículos com motor dois tempos e que estava intimamente ligada ao fabricante de Ingolstad.

Diante da queda de popularidade dos carros “dois tempos” no mercado mundial, a Daimler-Benz decidiu vender tanto a DKW quanto a Auto Union. Quem se valeu disso foi a Volkswagen, que arrematou as duas empresas em 1964, fundindo-as.

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DKW F102

Todas as marcas que estavam sob controle da Auto Union passaram para a VW, com exceção da Horch, que ficou com a Daimler-Benz. Ainda assim, era evidente que o produto com motor de dois tempos não vingaria nos próximos anos. A Volkswagen queria apenas ampliar sua capacidade industrial, mas encontrou na nova aquisição a garantia de sua própria existência futura.

A Auto Union foi entregue à VW com alguns projetos em desenvolvimento. Um deles era um sedã chamado F103, que teria motor longitudinal de quatro cilindros e com quatro tempos. Isso sem contar outros projetos, que viriam a dar origem aos famosos VW Passat e Audi 80, além da tecnologia de motor que podemos contemplar até os dias atuais.

Derivado do anterior DWK F102, o F103 da Auto Union tinha como principal diferencial o uso de um motor quatro tempos desenvolvido inicialmente pela Daimler-Benz para uso militar, mas que nunca chegou a ser utilizado. Ele era apelidado de Mitteldruckmotor (motores de média pressão) e tinha 1.7 litro.

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Audi F103 “raio-X”

Audi

Posicionado de forma longitudinal e inclinado para a esquerda (olhando de frente), o propulsor era um enorme avançado para a Auto Union e a Volkswagen decidiu rebatizar este primeiro carro com o nome “Audi”, abreviatura de Auto Union Deutsche Industries.

Igual ao DKW F102, o Audi F103 tinha 4,38 m de comprimento, 1,62 de largura, 1,45 de altura e 2,49 de entre-eixos. Ele tinha duas ou quatro portas e logo em seguida ganhou uma versão perua, chamada Variant, esta somente com duas portas. Seu motor 1.7 refrigerado à água entrega 72 cv, suficientes para ir de 0 a 100 km/h em 14,8 segundos.

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Audi F103 – conjunto mecânico

O Audi F103 tinha – assim como o DKW F102 – câmbio de quatro marchas em longitudinal com diferencial integrado, provendo tração dianteira. Seus discos de freios eram posicionados junto ao conjunto motriz, a fim de reduzir a massa não suspensa. A suspensão traseira tinha eixo de torção com facões e uma barra estabilizadora que unia as rodas.

A produção começou em setembro de 1965 e no ano seguinte, o Audi F103 ganhou as versões 80 e Super 90, sendo que a primeira entregava 80 cv no 1.7, enquanto o segundo estreava o motor 1.8 de 90 cv, oferecido também para a perua Variant.

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Audi Super 90 Variant

Em 1968, surge o Audi 60, uma versão do F103 com motor 1.5 de 55 cv. Esta versão chegou a ter 65 cv e foi produzida até 1972. No ano seguinte, oficialmente o F103 original, batizado de Audi 72 (com 72 cv), passou a ser chamado de Audi 75. Nessa época, já havia surgido o mais moderno Audi 100 e ele passou a ser uma opção de entrada.

Em 1970, o visual frontal emprestado da já extinta DKW (o F102 saiu de linha em 1966), foi atualizado na parte frontal do F103 com novos faróis quadrados, cujo estilo ainda pode ser visto em alguns produtos da Volkswagen nos dias atuais. A traseira recebeu mudanças, assim como os para-choques. O painel também foi modificado.

Dois anos depois, diante a nova onda tecnológica que invadia a Volkswagen, oriunda da própria Audi, o F103 saiu de linha, deixando o espaço aberto para o mais moderno Audi 80, modelo irmão do VW Passat, que estava nascendo na mesma época.

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Audi 72

Quase foi brasileiro

Na segunda metade dos anos 50, a Vemag (Veículos e Máquinas Agrícolas S/A) passou a montar em SKD os carros da DKW no Brasil, surgindo também algumas variantes criadas aqui mesmo. Em 1964, os modelos já contavam com 100% de nacionalização, mas no ano seguinte, a VW comprou a Auto Union e a DKW.

Começaram então os rumores de que a produção da DKW seria encerrada, assim como sua fábrica. Diante disso, o presidente da empresa Lélio de Toledo Piza (1913-2008) teria partido para a Alemanha, onde se encontrou com Heinz Nordhoff, então presidente da Volkswagen.

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Audi Super 90

Este disse que a renovação do contrato de produção dos carros DKW seria encerrada quando vencesse, que no caso era o ano de 1967. Mas em contrapartida, Nordhoff teria oferecido a concessão de carros da Audi. O problema era que a Vemag não tinha capital suficiente para adquirir o ferramental necessário para produção dos carros dessa marca, já que as vendas dos DKW nacionalizados já não iam muito bem.

Sem dinheiro, só restou à Lélio esperar pelo fim e por uma oportunidade de venda da empresa para a Volkswagen, o que se deu em 1967 através de uma manobra audaciosa. A VW prometeu manter a produção por algum tempo, mas seguiu a tendência mundial e extinguiu o motor dois tempos em poucos meses.

Mas, e se a Vemag tivesse tido o dinheiro para assumir a concessão da Audi? Provavelmente, nessa condição, o modelo a ser montado e talvez até nacionalizado seria o F103, pois era o único produto da Auto Union que tinha motor de quatro tempos e um futuro pela frente. Após ele, quem sabe o que poderia ter acontecido com a Audi no Brasil. Cerca de 30 anos depois, a Senna Imports ganhava a representação no país e em 1999 surgia o primeiro Audi nacional, o A3.





  • Osni Duarte

    “Auto Union Deutsche Industries”? Nunca havia visto essa nomenclatura. A história que sempre li é de que August Horch, fundador da marca Horch, perdeu os direitos sobre ela e assim criou outra chamada Audi, que é em latim o verbo ouvir (no infinitivo), significado parecido ao de Horch em alemão. Mais adiante, Horch e Audi se uniram a Wanderer e DKW, formando assim a Auto Union.

    • CignusRJ

      Tb só conhecia esta.

    • Ric53

      Auto Union é o nome do grupo e Audi uma de suas marcas, porém o logo das 4 argolas era utilizado para representar a Auto Union e as 4 marcas sob o grupo, entre elas a Audi.

      • 4lex5andro

        era o grupo auto union, composto por audi, horch, dkw, wanderer, e por um tempo, nsu ..

        depois que a volks o comprou da mercedes, mudou a nomenclatura para audi, de quem passou a basear seus modelos de carro e motor..

        p.s. notavel a semelhança entre o fissore nacional e o dkw f102 ..

        • Christian Sant Ana Santos

          Foi o que achei também, apesar do Fissore ser 2 portas e ter sido desenhado na Itália, nitidamente inspirado. Tive o prazer de uma pequena viajem entre Três Corações e Monsenhor Paulo, em um 1966, azul claro, lindo. Na quatro rodas tem fatos muito engraçados do Bob Sharp sobre o envenenamento do Fissore…

      • Osni Duarte

        Foi o que eu escrevi acima: “Mais adiante, Horch e Audi se uniram a Wanderer e DKW, formando assim a Auto Union.”

    • Lorenzo Frigerio

      A Audi era parte da Auto Union, assim como a Hörch. A Hörch e a Audi foram fundadas pela mesma pessoa, mas como ele vendeu o nome Hörch à Auto Union nos anos 30 junto com a empresa, usou o mesmo nome em Latim ao fundar a Audi, mais tarde. É a segunda pessoa do plural do imperativo do verbo ouvir (Ouvi Vós). Se não me engano, Hörch era o sobrenome dele, mas ele explorou o trocadilho.
      No final, ambas as empresas acabaram na Auto Union, mas a Mercedes reservou a Hörch para si e vendeu o resto da Auto Union à VW. Então, a Auto Union foi rebatizada de Audi, agora como acrônimo, e as submarcas acabaram fundidas A marca Hörch acabou desaparecendo.

  • Paulo Henrique

    Tradição de berço

  • Filipe Machado

    Sedan com motor de 75CV e hoje em dia negada reclama que 1.0 com 82CV é manco

    Acho sensacional essa evolução da engenharia

    • pedro rt

      nao vi ninguem reclamando do 1.0 do up!

      • DevXav

        Muito menos do 1.0 TSI…

        “Benga é benga!” hahahaha

      • Bittencourt

        O Up! MPI já anda demais…imagino o TSI!

    • ALVIN_1982

      Já viu a potência do Golf 1995 1.8? Esteja sentado quando ver.

      • ARENANB

        Todos eram nessa média, o Kadett 1.8 lá no começo da década de 90 era 90 cv. Lembro o Gol quadrado 1.8 lá do mesmo tempo era pouco abaixo dos 90, e esse gol andava pra diabo!

        • ricmoriah

          Na Europa o Golf chegou a ter 75 cv no motor 1.8.

    • Lorenzo Frigerio

      Provavelmente o sedan era mais pesado que o Up! e o Fox, mas o motor era 1.7, portanto tinha bom torque já em baixa rotação, e para aquela época estava bom.

  • Valdemir Souza

    Nessa época design não era um dos “pontos fortes” Audi hahahahaha… o carro era feio demais.

    • Supernescau

      Na minha opinião, com algumas exceções, ainda hoje não é um dos pontos fortes da Audi.

  • CharlesAle

    Até que esse motor tem semelhança com o AP. até a inclinação é a mesma..

    • Paulo_Lustosa

      O AP na verdade é um motor projetado pela Mercedes-Benz e veio junto com a compra da Auto Union pela VW junto com o projeto do Audi 80 e dos carros da DKW junto com esse motor Mercedes de uso militar.

      • Por ser moderno, deve ser utilizado em carros “premium” como o Jetta Comfortline

        • Julio

          é… o projeto é tão ruim, que mesmo após quase 50 anos, ainda bate de frente com um monte de motor de montadora metida a besta. como pode né? que motor ultrapassado… coloca do lado pra ver se anda :)

          • FocusMan

            Ai meu Deus…. vc falou isso brincando né?

            • Julio

              po cara, nem falei brincando nao. quer um exemplo? procura o “jurássico” ap 2.0 com cabeçote 16v da parati gti, gol etc. procura ver o quanto essa carroceria andava com motor à gasolina e distribuidor. agora compara com os tempos que esses carros atuais flex fazem, pode comparar com esse “moderno” duratec do seu focus. procura saber a retomada e aceleração desses carros que vc vai ver que eram bem próximos dos motores atuais com avanço eletrônico, knock, etc. tanto que até os motores TFSI familia EA ainda são evoluções quase diretas do apzão “jurrássico” que a galera gosta de reclamar. a honda que o diga com os vtec. nem adianta discutir muito, nego gosta de contar idade de projeto. porém ninguém quando se trata de corolla, ninguém reclama né? agora nao dá pra comparar com turbina de geometria variável, mas não sei se é disso que voce esta falando, é?

              • FocusMan

                Cara, meu Focus ccom motor Duratec tem 178 cavalos com comando manso.

                Se eu usar a mesma fórmula desse AP e usar o mesmo tipo de calibração que ele usava para atender um nível de emissões da mesma época, o motor duratec dá 208 cavalos.

                Não começa com essa discursão não meu amigo. O Motor AP é como religião para algumas pessoas, mas eu sou ATEU beleza? Vai incomodar outro com essa ladainha.

              • FocusMan

                Outro fato é que meu carro pesa 1400 kg.

                Coloque esse mesmo motor num Fiesta que pesa o mesmo que que essa Parati e ele fará de 0-100 em 7 segundos.

                São outros tempos, outras coisas. Não mistura as coisas. Os motores atuais são amarrados pelo controle de emissões.

                • Julio

                  cara, não precisava me agredir. pelos motivos de: ofensa, contagem de cavalaria (rsrs), e argumentos sem fundamento como “comando manso” e emissão, não vou discutir com você. um abraço! vocês está absolutamente certo!

                  • FocusMan

                    kkk não queria te ofender.

                    Os argumentos não são sem fundamento não. Hoje emissões capam os carros em pelo menos 12% do que eles poderiam render em desempenho e 9% em relação a economia de combustível.

  • Alvaro Guatura

    Linda a Audi Super 90 Variant

    • Jackson

      Tive a mesma impressão, também achei muito bonita. Note que ela tem 2 retrovisores, encostos de cabeça e cintos dianteiros retráteis.

  • Lorenzo Frigerio

    Esse motor pelo visto ainda não é o 827… vê-se que tem comando no bloco.