Home Marcas Ford Avaliação completa da Nova Ford Ranger 2013




As picapes médias estão mais asiáticas do que nunca. Com os europeus ainda menos afeitos ao segmento por conta da crise e o desinteresse dos norte-americanos por picapes “pequenas”, as novidades começam a vir do lado oriental do Pacífico. A Chevrolet fez isso com a S10 – lançada primeiro na Tailândia –, e agora a Ford trouxe a nova Ranger, depois de testada pelos australianos.

Agora chamada de “global” – ainda que não seja mais vendida nos Estados Unidos – , ela custou US$ 1,1 bilhão para ser desenvolvida e tem a missão de vender bem nos 180 países onde será comercializada. O modelo deixou para trás as linhas e plataforma antigas – ainda da primeira geração, de 1993 – para dar lugar a um projeto inteiramente novo.

Segundo a marca, os oito meses que separaram o lançamento mundial da Ranger nos países de origem e no Brasil foram em função da demora na atualização da fábrica de General Pacheco, na Argentina. O visual foi pelas mãos dos australianos. A nova Ranger em nada lembra aquela picape “quadradona”, inspirada nas Ford F-150 dos anos 90. A linha de cintura alta, junto com a frente imponente formam um belo conjunto.

O perfil ficou mais esportivo, com o parabrisa bastante inclinado, que contribui para a aerodinâmica. No para-lama, uma falsa saída de ar esconde o acesso ao “tanquinho” das versões com motor flex. Nem mesmo o quase exagerado uso de cromados nas versões topo XLT e Limited tiram a atenção dos traços robustos e elegantes. A mais cara traz um santantônio estilizado, que acompanha as linhas e completam o ar esbelto da picape.

Sob o capô, motores totalmente novos. A versão a gasolina e etanol ganhou o 2.5 16V Duratec usado no Fusion, mas retrabalhado para fornecer até 173 cv com combustível vegetal. O torque chega a 24,7 kgfm. Ele irá empurrar as versões XLS, XLT e Limited com cabine dupla e XLS com cabine simples, todas sempre com câmbio manual de cinco marchas.

No entanto, a maior novidade é o motor diesel. Trata-se de um novo 3.2 litros de cinco cilindros em linha, produzido na Argentina, com 200 cv e 47,9 kgfm de torque, também disponível em todas as configurações. Junto, novos câmbios de seis marchas  – manual para XLS e XLT e automático para XLT e Limited.

Além deles, ainda há um novo 2.2 litros diesel com 125 cv reservado à versão XL – com cabine simples, dupla, ou apenas chassi, destinada a frotistas. Tração integral com acionamento eletrônico, apenas com motor diesel. O “pulo do gato” da nova Ranger é a injeção de tecnologia a bordo.

A Ford não economizou em itens de segurança e comodidade para fazer frente às versões topo da concorrência. A Ranger Limited, tanto diesel quanto flex, trazem de série airbags frontais, laterais e de cortina, sensores de estacionamento, câmara de ré, GPS integrado ao painel, bancos em couro e rodas de 17 polegadas.

Além deles, controle de estabilidade, tração com funções de assistente de partida em aclives e controle de velocidade em descida fazem parte da extensa lista. As versões mais simples perdem um pouco do arsenal – a XLT ainda mantém o ESP com todas as funcionalidades.

Todas, desde a XL, trazem airbag duplo, ABS, travas e vidros elétricos, direção hidráulica e ar-condicionado. A Ford também quis transformar os preços em mais um elemento de vendas. Eles começam em R$ 61.900 na XLS flex cabine simples e vão até os R$ 130.900 da Limited cabine dupla com motor diesel e câmbio automático.

Ponto a ponto

Desempenho – Os 200 cv do 3.2 Duratorq mal sentem os 2.198 kg da Ranger. Há disposição de sobra para empurrar a picape com decisão. No fora-de-estrada, os 47,9 kgfm de torque disponíveis já a 1.750 rpm ajudam bastante a escalar trilhas e caminhos difíceis. As acelerações são decididas e o propulsor mostra fôlego para encarar asfalto e terra com a mesma desenvoltura. Em usos menos severos, se mostra suave e trabalha em silêncio com boa reserva de potência. Nota 8.

Estabilidade – O acerto de suspensão é dos melhores. Os amortecedores copiam bem a superfície e filtram bem os solavancos. Mesmo na terra, a carroceria rola pouco e o motorista tem sempre pleno controle da Ranger. No asfalto, o centro de gravidade alto não perdoa e o modelo inclina, mas ainda assim longe de transmitir alguma insegurança. Em velocidade de cruzeiro na casa dos 120 km/h, a Ranger se mantém incólume. Nota 8.

Interatividade – O interior da Ranger lembra muito o de um carro de passeio. Os comandos estão à mão e têm fácil operação. Mesmo o sistema de som, com entradas USB e Bluetooth, possui teclas grandes e uso muito simples. O console alto aproximou do motorista itens como o seletor da tração e a alavanca de câmbio, que facilita bastante o manuseio. É fácil achar uma boa posição para dirigir, mesmo com o volante sendo ajustável apenas em altura. Nota 7.

Consumo – A Ford fala em cerca de 12 km/l de média para o motor diesel. O InMetro ainda não tem medições da versão. Nota 7.

Tecnologia – Ponto alto da nova Ranger. O motor 3.2 diesel é totalmente novo, com cinco cilindros e turbo variável. Além dele, a plataforma também é inédita. A marca ainda recheou a picape com itens importantes como airbags frontais, laterais e de cortina. O controle de tração e estabilidade também segura a picape em descidas íngremes e ajuda na hora de arrancar numa ladeira. Para estacionar, uma câmara de ré que projeta imagens no retrovisor interno facilita o trabalho. Nota 9.

Conforto – O modelo surpreende e se mostra bastante confortável, mesmo com rústicos feixes de mola na suspensão traseira. A caminhonete pula pouco e o rodar é macio. O ambiente a bordo também é agradável e silencioso graças ao bom isolamento acústico e de vibrações. Os bancos são confortáveis e há espaço suficiente no banco traseiro. Nota 8.

Habitabilidade – A Ranger é muito bem fornida de porta-objetos. Não faltam nichos para guardar garrafas e outros itens. As portas grandes facilitam o entra e sai do modelo e ninguém deve reclamar de aperto. O interior teve o espaço bem aproveitado, com um vão amplo para as pernas de quem viaja atrás. Nota 7.

Acabamento – Para uma picape, a nova Ranger é muito bem acabada. Os materiais são de boa qualidade, assim como os encaixes. O interior consegue exalar uma atmosfera de razoável requinte, mesmo com plástico rígido em algumas partes. O isolamento acústico é eficiente, já que pouco se ouve o motor trabalhar. Nota 7.

Design – A mudança definitivamente caiu bem ao modelo. As novas linhas são muito bonitas e harmônicas. A enorme grade dianteira cromada dá uma ótima impressão de robustez, confirmada pela linha de cintura alta e ascendente. É uma picape elegante, mesmo com os apliques cromados na carroceria e logotipos em alto relevo. Nota 9.

Custo/beneficio – A Ford aposta alto no bom custo/benefício da Ranger. Tanto que posicionou a versão topo Limited com motor diesel e câmbio autmático no mesmo patamar que as concorrentes, mas entregando um pacote mais completo de equipamentos. Por R$ 130.900, ela vem com seis airbags, ar-condicionado automático de duas zonas e controle de estabilidade. A intermediária XLT – de R$ 120.400 com câmbio automático – perde GPS e os airbags laterais e de cortina, o que a deixa equiparada a Chevrolet S10 LTZ e Volkswagen Amarok Highline, que custam respectivamente R$ 130.840 e R$ 134.500, quando equipadas à altura da Ranger XLT. Nota 8.

Total – A Ford Ranger Limited 3.2 somou 78 pontos em 100 possíveis.

Primeiras impressões – Bravura indômita

Salta/Argentina – No trajeto organizado pela Ford nos arredores de Salta, no Norte da Argentina, a Ranger mostrou muita valentia. A picape recebeu um ótimo acerto de suspensões, que deixou o rodar muito confortável – ponto alto do modelo. Mesmo sobre caminhos tortuosos fora do asfalto – como pedregosos leitos de rios, foco do percurso –, ela se mantém estável e trata muito bem os passageiros.

Não “chacoalha” tanto como normalmente acontece em picapes médias. Certamente parece ser menor que seus 5,35 metros de comprimento. Ao volante, não chega a ser o sedã de luxo que a Ford propagandeia, mas, como picape, a nova Ranger vai bem. E oferece uma boa posição de dirigir, muito próxima à de um carro de passeio.

O painel da versão topo Limited é bem completo – inclui ainda um GPS integrado, mas que merecia uma tela maior que a de 5 polegadas instalada – com botões grandes e fáceis de usar numa interface bastante intuitiva. O visual interno lembra o do New Fiesta, mas com menos extravagância. Atrás, dois passageiros se encaixam sem dificuldades e são surpreendentemente bem recebidos, com acomodações razoáveis e que não cansam mesmo após um par de horas sentado ali.

O acabamento é bom e os materiais são de qualidade. Como o couro que reveste bancos e parte das portas. Apesar de algumas peças mais expostas serem em plástico rígido, elas não denotam pobreza e contribuem para o ar de robustez da nova Ranger. Os encaixes são bons e nada faz barulho, ainda que o uso intenso por estradas mal pavimentadas possa cobrar um preço.

A maior estrela da nova picape, no entanto, é o motor diesel de cinco cilindros e 3.2 litros. Com saudáveis 200 cv e 47,9 kgfm de torque entre 1.750 e 2 mil rpm, o propulsor não demonstra dificuldades para carregar as mais de duas toneladas da picape cabine dupla.

A entrega de força é bem linear e o funcionamento suave, o que realça o eficiente trabalho da marca no isolamento acústico e de vibrações para o interior. O câmbio manual de seis marchas merecia engates mais precisos, mas junto com a embreagem leve, tem acionamento correto e alavanca muito bem posicionada – curta e próxima à mão do motorista.

Ficha Técnica – Nova Ford Ranger 2013

Motor 3.2: Diesel, dianteiro, longitudinal, 3.198 cm³, cinco cilindros em linha, turbo, quatro válvulas por cilindro e sistema de abertura variável de válvulas. Injeção direta e acelerador eletrônico.

Motor 2.5: A gasolina e etanol, dianteiro, longitudinal, 2.488 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e sistema de abertura variável de válvulas. Injeção eletrônica multiponto e acelerador eletrônico.

Motor 2.2: Diesel, dianteiro, longitudinal, 2.184 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, turbo e injeção direta. Acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio manual ou automático com seis marchas à frente e uma a ré. Tração traseira, integral por acionamento eletrônico e reduzida. Oferece controle de tração. (Câmbio manual de cinco marchas à frente e uma a ré. Tração traseira. Sem controle de tração nas versões com motor a gasolina e etanol.)

Potência máxima:  200 cv a 3 mil rpm (Motor 2.5: 168 cv com gasolina e 173 cv com etanol a 5.500 rpm. Motor 2.2: 125 cv a 3.700 rpm).

Torque máximo: 47,9 kgfm a entre 1.750 e 2.500 rpm (Motor 2.5: 24 kgfm com gasolina e 24,7 kgfm com etanol a 4.250 rpm. Motor 2.2: 32,0 kgfm entre 1.500 e 2.500 rpm.).

Diâmetro e curso: 89,9 mm X 100,7 mm. Taxa de compressão: 15,5:1 (Motor 2.5: 89,0 mm X 100,0 mm. Taxa de compressão: 9,7:1).

Suspensão: Dianteira independente com molas helicoidais e amortecedores a gás. Traseira com eixo rígido, feixes de molas e amortecedores a gás. Barras estabilizadoras na frente e atrás. Oferece controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 265/65 R17.

Freios:  Discos ventilados na frente e tambores atrás. ABS, EBD, assistente de frenagem de emergência e controle de frenagem em curvas.

Carroceria: Picape com carroceria sobre chassi, com quatro portas e cinco lugares. Com 5,35 metros de comprimento, 1,85 m de largura, 1,84 m de altura e 3,22 m de distância entre-eixos. Airbags frontais, laterais, para os joelhos dos ocupantes dianteiros e do tipo cortina.

Peso: 2.198 kg.

Capacidade da caçamba: 1.180 litros.

Tanque de combustível: 80 litros.

Produção: General Pacheco, Argentina.

Lançamento mundial: 2012.

Itens de série da Nova Ford Ranger 2013:

XL: Ar-condicionado, direção hidráulica, vidros, travas e retrovisores elétricos, computador de bordo, freios ABS, rodas de aço de 16 polegadas;

XLS: adiciona para-choques e retrovisores na cor do carro, rodas de liga-leve de 16 polegadas, som com CD/MP3/USB/iPod com tela LCD de 4,2 polegadas (adiciona airbags frontais apenas com motor diesel)..

XLT: adiciona à XLS rodas de liga-leve 17 polegadas, volante multifuncional, ESP com Hill Holder e controle de descida, ar-condicionado automático de duas zonas, controlador de velocidade de cruzeiro, vidros elétricos com acionamento por um toque, grade dianteira, capas dos retrovisores e estribos cromados;

Limited: adiciona à XLT rádio/CD/MP3/USb/iPod/Bluetooth com tela de 5 polegadas, GPS, bancos dianteiros com ajustes elétricos, airbags laterais e de cabeça, sensores de estacionamento, sensor de chuva e crepuscular, santantônio esportivo e câmera de ré.

Preços da Nova Ford Ranger 2013:

XL cabine simples diesel: R$ 77.900

XL cabine dupla diesel: R$ 92.500

XLS cabine simples flex: R$ 61.900

XLS cabine dupla flex: R$ 67.600

XLT cabine dupla flex: R$ 75.500

Limited cabine dupla flex: R$ 87.500

XLS cabine simples diesel: R$ 97.900

XLS cabine dupla diesel: R$ 106.900

XLT cabine dupla diesel manual: R$ 114.900

XLT cabine dupla diesel automática: R$ 120.400

Limited cabine dupla diesel automática: R$ 130.400.

Por Auto Press



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