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O lançamento do Uno duas portas, em fevereiro de 2011, representou um grande salto para a Fiat. A marca acertou em cheio um mercado de cerca de 520 mil unidades anuais, representativos 20% do segmento dos hatches compactos no Brasil. O apelo é para o bolso dos compradores.

A versão de duas portas representa uma economia de R$ 1.830, quase 7% sobre o modelo Vivace 1.0 de quatro portas – e é vendida por R$ 26.650. Dinheiro importante para orçamentos apertados e principalmente, em aquisições para frotas, grandes compradoras destes carrinhos.

Além do preço menor, os frotistas procuram essas versões para tentar reduzir o uso social de seus carros, enquanto o público em geral vê as duas portas como sinal de esportividade. Ou, simplesmente, não precisa das portas extras. A versão de duas portas foi estendida a toda a linha, e aproximou ainda mais os preços de Uno e Palio Fire.

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Equipada com o motor 1.0 8V, a Vivace duas portas se insere num nicho cada vez menor no Brasil. Hoje povoado apenas por compactos de entrada, como Palio Fire, Chevrolet Celta, Renault Clio, Ford Ka e pelo defasado Gol Geração 4, além do Volkswagen Fox, que mantém a opção pelas duas portas em toda a linha, e ainda o Peugeot 207, a versão atende a um público geralmente restrito a variantes “depenadas” de modelos antigos.

Mas a Fiat aposta alto no segmento. Tanto que hoje a variante de duas portas corresponde por 25% da produção da versão Vivace e 20% de todos os Uno feitos. Na gama Gol G4 e Fox, os duas portas correspondem por cerca de 20% dos compactos vendidos. Na Peugeot, apenas a versão mais simples do 207, a XR 1.4, pode vir com duas portas, e ainda assim representa cerca de 11% das vendas.

O fator novidade foi crucial para o sucesso do modelo da Fiat, além de poder ser comprado em configurações superiores às comumente selecionadas pelas empresas. De série, apenas o essencial, como dois encostos de cabeça traseiros, terceira luz de freio, banco traseiro reclinável e o econômetro – que nada mais é que um medidor de consumo econômico –, que ajuda o motorista a manter o propulsor na faixa de maior economia, ainda que um conta-giros fosse mais eficiente.

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Há opção de equipá-lo com airbags, freios ABS, sistema de som, e até mesmo “personalizar” o visual do carro, com uma série de adesivos decorativos vendidos nas concessionárias tal qual as versões quatro portas, tradicionalmente mais procuradas. É pouco, mas representa atenção ao comprador desse segmento. Ainda que o Uno deixe óbvia a proposta de ser um carro barato e simples.

A configuração tradicional – motor 1.0 8V Flex de 75 cv e 9,9 kgfm com etanol rebatizado de Evo pela Fiat, após sofrer modificações internas para reduzir o atrito entre as peças e assim, diminuir o consumo – empresta ao Uno aquele ar de “mais do mesmo”.

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Principalmente quando comparado ao rival Palio Fire, que custa cerca de R$ 1 mil a menos. Mas o visual moderno marca a diferença a favor do modelo. As portas ausentes não interferiram nas linhas e nem empobrecem o carro. Apesar do motor 1.0 e do acabamento simples, o Uno Vivace duas portas acaba se mostrando a opção mais atual e rentável desse espremido segmento.

Ponto a ponto

Desempenho – O 1.0 8V gira solto e parece gostar de rotações mais elevadas, mas não há milagre que faça o propulsor entregar um desempenho que surpreenda. O motorzinho bem que se esforça, mas o Uno acaba se mostrando um carro lento e, por isso, cansativo. Se na cidade ele já sente a falta de fôlego, na estrada pede paciência e muito espaço para ultrapassagens. Parece entregar menos que os 75 cv indicados com etanol – arranca de zero a 100 km/h em 16,8 segundos de acordo com a Fiat. Manter velocidades acima de 110 km/h em rodovias é um trabalho inglório. Nota 5.

Estabilidade – Com tradicionais arranjos de suspensão, o carrinho se comporta bem e não assusta o motorista. As saídas de frente em curvas de alta velocidade são facilmente contornáveis. Mas quando alguém consegue levá-lo acima de 130 km/h, o Uno começa a flutuar e transmitir insegurança. O ABS também entra em ação cedo demais nas frenagens mais bruscas, pois a transferência de peso para a frente é muito abrupta. Nota 7.

Interatividade – Os comandos são leves e estão à mão do motorista. Mesmo no console central, os botões dos vidros elétricos são fáceis de usar e possuem função um-toque. O porta-luvas é pequeno, assim como os nichos das portas. Ao menos, o ajuste de altura do banco facilita encontrar uma posição de dirigir confortável. A visibilidade é boa para todos os lados – apenas atrás, culpa das colunas largas, a visão é um pouco comprometida. O painel possui somente um “econômetro”, que ajuda a manter o propulsor na zona de maior economia. Um conta-giros seria mais útil. Nota 6.

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Consumo – O motor deu conta de rodar mais de 8 km/l com etanol em percurso estritamente urbano. Segundo o InMetro, a versão Vivace 1.0 roda 8,3 km/l na cidade, e 12,3 km/l na estrada quando abastecido com etanol. Nota 7.

Conforto – É complicado exigir muito de um modelo de entrada. O Uno até entrega algum conforto, mas denuncia seu baixo custo no isolamento acústico eficiente apenas até a casa dos 100 km/h. Atrás, as formas quadradas da carroceria privilegiam o espaço para a cabeça dos ocupantes, mas um terceiro passageiro adulto transformará o banco traseiro em ringue de MMA. A suspensão macia contribui para o rodar agradável. Nota 8.

Tecnologia – Nada a destacar. Airbags frontais e freios com ABS são opcionais e há ainda o sistema de som Connect – também opcional –, que inclui uma entrada USB e conexão para iPods. Nota 6.

Habitabilidade – Apesar de o espaço interno do Uno ser limitado, existe uma mínima preocupação da Fiat em priorizar a vida a bordo. O acesso é facilitado pelo ângulo de abertura das portas, mas a versão de entrada mantém os tecidos mais simples e não oferece muitas opções. Nota 6.

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Acabamento – Apenas condizente com uma versão básica. O painel tem plástico simples e algumas rebarbas visíveis. Ao menos, nada parece fazer barulho graças aos encaixes bem feitos. Há possibilidade de personalização da parte plástica no alto do painel, que pode ganhar estampas e cores chamativas. Nota 7.

Design – O maior chamariz do Uno é o visual. O carrinho lembra muito o Panda europeu e dá um ar de modernidade ao segmento. As formas quadradas de arestas arredondadas ainda chama atenção, especialmente em cores berrantes. Nota 9.

Custo/Benefício – A Fiat cobra R$ 26.650 pelo Uno Vivace sem opcionais. A unidade testada era equipada com direção hidráulica, vidros e travas elétricas, sistema de som, além dos simpáticos adesivos para a carroceria, o que elevam o preço para R$ 30.060. Completo, com ar-condicionado, airbags frontais e freios ABS, o modelo encosta nos R$ 35 mil. Um Renault Clio com o mesmo nível de equipamentos – exceto airbags e ABS – fica em R$ 30.200, mesmo patamar do Chevrolet Celta, que sai por R$ 30.700. O Gol “G4″ vai a R$ 31.760, enquanto o Palio Fire chega aos R$ 32.413 já com os equipamentos de segurança. Nota 7.

Total – O Fiat Uno Vivace 1.0 8V somou 68 pontos em 100 possíveis.

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Impressões ao dirigir – Alma zen

O Uno é um carro agradável de conviver. O interior bem arejado – ajuda das grandes janelas – e o bom aproveitamento do espaço interno fazem do compacto um modelo simples, prático e eficiente para o dia a dia das grandes cidades.

A posição de dirigir é boa, ainda que os bancos mereçam uma espuma mais densa – a atual cansa o corpo em viagens mais longas. Mesmo com duas portas, o acesso é facilitado pelo sistema que faz os bancos dianteiros correrem para frente quando rebatidos, ampliando o vão de entrada para os assentos de trás. O acabamento também deixa um pouco a desejar.

Apesar de bem desenhado, o painel tem plástico simples demais e até algumas rebarbas aparentes. Entretanto, é mesmo na hora de viajar que surge o maior problema. O modelo se ressente da falta de um motor mais esperto. Ele até acelera macio, mas não entrega muita força e torna o Uno algo moroso, mesmo na cidade.

O rendimento só não foi pior porque a unidade testada não possuía ar-condicionado, responsável por refrescar o ambiente e roubar mais alguns cavalos do motor. O câmbio – de engates fáceis e precisos – é bem escalonado, com marchas mais longas, que tentam privilegiar a economia de combustível e manter as rotações mais baixas em velocidades de cruzeiro – ainda que não muito elevadas – na estrada.

A suspensão é bem acertada e se, não dá show de estabilidade, também não assusta o motorista. Além disso, passa confiança para encarar a buraqueira das ruas e estradas brasileiras sem reclamar. O comportamento dinâmico lembra muito a primeira geração do Palio, com a frente algo chacoalhante em pavimentos ruins, culpa da carga exagerada dos amortecedores dianteiros.

Mas, no geral, o comportamento é bem neutro em curvas tanto de alta, quanto de baixas velocidades. Mesmo com qualidades louváveis, como o desenho que foge do lugar-comum entre os modelos de entrada e o interior bem resolvido, o Uno Vivace padece com um motor fraco demais, mesmo para o segmento. O desempenho decepcionante acaba ofuscando o bom conjunto oferecido pela versão.

Ficha técnica – Fiat Uno Vivace 1.0 8V duas portas

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, comando duplo no cabeçote. Injeção eletrônica multiponto sequencial e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.

Potência máxima: 73 cv com gasolina e 75 cv com etanol a 6.250 rpm.

Torque máximo: 9,5 kgfm com gasolina 9,9 kgfm com etanol a 3.850 rpm.

Diâmetro e curso: 70,0 x 64,9 mm. Taxa de compressão: 12,2:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com braços oscilantes inferiores transversais e amortecedores hidráulicos. Traseira semi-independente, com eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Não oferece controle de estabilidade.

Freios: Discos sólidos na frente e tambores atrás. ABS e EBD como opcionais.

Pneus: 175/65 R14.

Carroceria: Hatch em monobloco com duas portas e cinco lugares. Com 3,77 metros de comprimento, 1,63 metro de largura, 1,49 metro de altura e 2,37 metros de distância entre-eixos. Oferece airbag duplo frontal como opcional.

Peso: 909 kg em ordem de marcha, com 400 kg de capacidade de carga.

Capacidade do tanque de combustível: 48 litros.

Capacidade do porta-malas: 280 litros.

Produção: Betim, Minas Gerais.

Lançamento mundial: 2010. Lançamento no Brasil: 2010.

Por Auto Press



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