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Quando foi lançado no Brasil, em setembro do último ano, o objetivo da Nissan com o March era bem claro: ganhar representatividade. Em bom português, isso significa que, com mais carros da marca andando pelas ruas, mais gente pode lembrar dos automóveis da Nissan como possibilidade de compra.

A partir daí, se torna quase um ciclo vicioso. A estratégia de deixar a marca mais “popular” também passou pelo sedã Versa, mas é no dois volumes que está o carro-chefe da nova empreitada da marca no país. A explicação é fácil. O March é um carro versátil e muito abrangente, além de ser mais barato.

Sai na versão de entrada com motor 1.0 e com preço abaixo dos R$ 30 mil e ainda oferece uma configuração com apelo e desempenho esportivo, a topo de linha 1.6 SR. E, em pouco mais de quatro meses, o modelo já mostrou a que veio. Conseguiu bons números de vendas e ajudou a marca japonesa a ter o seu melhor ano desde o início das suas atividades no Brasil.

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Desde setembro, já foram mais de 11 mil unidades comercializadas. Uma média que beira os 3 mil carros mensais. Na apresentação, a expectativa era que, a partir de maio, as vendas se estabilizarem entre 4 mil e 5 mil exemplares por mês.

Óbvio que ainda não é o bastante para incomodar a liderança do segmento de compactos. Mas foi importante para fazer a Nissan crescer 88% em 2011 quando comparado com o ano anterior. No total, a fabricante conseguiu emplacar pouco mais de 67 mil veículos.

E a tal versatilidade do March tem se mostrado presente também na divisão de vendas entre as versões. A proporção entre os carros com motor 1.0 e 1.6 está em meio a meio. Ou seja, o carro está sendo procurado tanto como modelo de entrada, quanto como um compacto mais equipado e potente.

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Se a procura for pelo carro menos completo, a versão 1.0 S traz basicamente tudo que um carro urbano precisa ter, por R$ 33.390. De série estão itens como ar-condicionado, direção elétrica, airbag duplo, computador de bordo, vidros, travas e retrovisores elétricos, volante e banco do motorista com regulagem de altura.

A configuração de entrada, chamada apenas de 1.0, mantém apenas as bolsas infláveis, o computador de bordo e o banco ajustável e vale R$ 27.990 nas revendas da marca. Sob o motor, no entanto, nada de novidades ou de surpresas. Está lá o mesmo motor 1.0 que atualmente equipa o Renault Clio.

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Com etanol e gasolina, ele rende 74 cv a 5.850 rpm e 10 kgfm de torque a 4.350 rotações. Nas versões superiores, a combinação de 111 cv e peso de 980 kg é animadora. Na de entrada, no entanto, a relação peso/potência de 12,6 km/cv é na média da concorrência. O câmbio é outro equipamento que vem do compacto da marca francesa e traz cinco relações.

Por enquanto, a Nissan se beneficia diretamente do acordo comercial que o Brasil tem com o México. Tanto March como Versa vêm da fábrica de Aguascalientes e não pagam nem imposto de importação nem o IPI aumentado para importados.

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Apesar de improvável, a queda integral do acordo tornaria impossível a manutenção dos preços praticados pela Nissan. Isso pelo menos até a virada de 2013/2014. Nessa época, a fábrica que está sendo levantada em Resende, interior do estado do Rio de Janeiro, ficará pronta e terá capacidade de produzir 200 mil veículos anuais. Até lá, a expectativa é que o March continue a sua – até então – bem-sucedida ascensão no mercado nacional.

Ponto a ponto

Desempenho – Como qualquer compacto com motor 1.0, para alcançar um desempenho mais animador, é necessário deixar o conta-giros rodeando as 3 mil rotações. No caso do March, pelo menos, isso traz realmente um comportamento digno. O baixo peso de cerca de 930 kg ajuda muito. Assim, quando os giros sobem, o compacto consegue se movimentar de maneira bem razoável. Em faixas inferiores, no entanto, pisar fundo no acelerador não acarreta muita emoção. Nota 7.

Estabilidade – A rigidez torcional do March é até elogiável. Mesmo com a suspensão que deixa a carroceria adernar nas curvas, não se sente a estrutura torcer muito. Em frenagens, o comportamento também é adequado e o veículo pouco embica. O grande problema está nos finos pneus do hatch. Com apenas 165/70, eles oferecem pouca aderência para o modelo da Nissan. Assim, o modelo acaba saindo de frente antes do que o resto de seu conjunto dinâmico poderia permitir. Em retas, o carro não é dos mais estáveis. A 120 km/h já se tornam necessárias correções no volante. Nota 6.

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Interatividade – Um dos destaques do March é a sua direção elétrica, extremamente leve. Ela ajuda muito na hora de manobrar o pequeno carro. E não chega a ser imprecisa em altas velocidades. O câmbio também agrada. Tem engates precisos, apesar de ser um tanto áspero e “seco”. Alguns comandos do interior poderiam ser mais bem localizados, como o controle dos retrovisores elétricos, escondidos atrás do volante, mas o aspecto geral é correto. Uma falha é no tamanho dos retrovisores externos. Eles são muito pequenos e pouco ajudam na hora de mudanças de faixa, por exemplo. Nota 8.

Consumo – O March não entrou na lista de veículos testados pelo InMetro em 2012. O computador de bordo marcou uma boa média de 11,8 km/l de gasolina e 8,8 km/l de etanol. Nota 8.

Conforto – Ser um compacto significa algo bem claro: pouco espaço interno. Na frente, até que os ocupantes conseguem “se virar”, sem maiores excessos, mas atrás não há milagres. Apenas duas pessoas conseguem viajar ali sem se espremer. A suspensão parece ser devidamente calibrada para lidar com as esburacadas ruas brasileiras. As pancadas são absorvidas com competência. Nota 6.

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Tecnologia – A plataforma B-zero do March é usada por diversos modelos recentes da aliança Renault Nissan e é bastante versátil – está até no utilitário esportivo Renault Duster. Um dos destaques do compacto da Nissan está também na sua lista de equipamentos de série. Desde a versão de entrada, ele vem com airbag duplo e computador de bordo. Na configuração testada, a 1.0 S, aparecem alguns itens importantes como ar-condicionado e direção elétrica. Nota 8.

Habitabilidade – As dimensões compactas do March não ajudam muito na tarefa de entrar e sair do carro. No interior, existem bons vãos para guardar objetos de uso pessoal. O porta-malas é menor do que o da concorrência, mas não chega a ser tão ruim – leva 265 litros. Nota 7.

Acabamento – O aspecto geral é razoável. Os plásticos rígidos são bem espalhados e parecem ter uma boa textura. Entretanto, algumas rebarbas foram notadas, principalmente na parte superior do painel. Nas juntas da tampa do airbag do passageiro também se nota um vão que tira um pouco da qualidade da cabine. Nota 6.

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Design – É um carro de origem japonesa. Mas falta personalidade. Não é que seja particularmente um carro feio, mas é um tanto sem graça. A parte que agrada um pouco mais são os “felizes” faróis dianteiros, que dão ao modelo um simpático “look” oriental. Nota 7.

Custo/benefício – Talvez seja o principal atrativo do March. Afinal, na concorrência, é difícil achar um carro de R$ 33.390 já com airbag duplo, ar-condicionado, direção e trio elétricos e computador de bordo. É um pacote completo para um compacto nacional. O único item que fica faltando até como opcional é o ABS. Mas nem isso tira o brilho mercadológico do March. Nota 8.

Total – O Nissan March 1.0 S somou 71 pontos em 100 possíveis.

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Impressões ao dirigir – Justo e recatado

O Nissan March mostra a sua procedência na cara. E nem precisaria a campanha de marketing pesada da marca reforçando sobre a sua origem nipônica. O desenho não engana. Lá está aquela cara de “pokemon”, com direito a olhos, boca e até orelhas. O lado negativo é que nem assim o March consegue impressionar. Na verdade, também não chega a desagradar. Ao menos, outras qualidades são bem mais palpáveis.

O interior é bem pensado, com lugares para guardar objetos e ajustes de altura no banco e na coluna de direção nesta versão 1.0 S. A partir desse nível, o March também recebe a direção elétrica, muito efetiva na hora de manobrar e relativamente precisa em altas velocidades.

Como compacto que é, falta espaço no interior. Com o banco em posição elevada, os motoristas altos correm risco de bater com a cabeça no teto. O acabamento parece ser robusto e bem feito. Mas existem alguns vãos nos encaixes que pioram a impressão geral.

Em movimento, o motor 1.0 de 74 cv “funciona” apenas em rotações altas. Aí, o peso baixo contribui para que o carro fique relativamente esperto para um “mil”. A Nissan até declara um promissor zero a 100 km/h feitos em cerca de 14 segundos. O câmbio acompanha o sentimento geral com trocas precisas, mas ligeiramente “secas”.

O que faltou foi combinar com a engenharia da marca. As rodas escolhidas para ir junto com o motor 1.0 foram muito finas. Olhando de trás, dá aquela impressão de “pneu de bicicleta”. Assim, existe falta de aderência em alguns momentos e o carro tende a sair de frente.

Isso até ajuda a ofuscar um possível bom comportamento dinâmico. A rigidez torcional é decente e a suspensão é calibrada em um meio termo entre rigidez e conforto. E as acelerações e frenagens não trazem tantas “emoções” em termos de rolagem da carroceria.

Mas é no pacote de equipamentos que a Nissan acerta a mão. Desde a versão básica, a lista seduz frente a uma concorrência bem menos ousada. No posicionamento de mercado, o arrojo foi essencial. E, por enquanto, se mostrou acertado.

Ficha técnica – Nissan March 1.0 S

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 999 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio manual de cinco à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.

Potência máxima: 74 cv com gasolina/etanol a 5.850 rpm.

Torque máximo: 10,0 kgfm com gasolina/etanol a 4.350 rpm.

Diâmetro e curso: 69,0 mm X 66,8 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção com molas e amortecedores hidráulicos, sem barra estabilizadora.

Pneus: 165/70 R14.

Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Não oferece ABS de série.

Carroceria: Hatch compacto em monobloco com cinco portas e cinco lugares. Com 3,78 metros de comprimento, 1,66 m de largura, 1,53 m de altura e 2,45 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais de série. Não oferece airbags laterais ou de cortina.

Peso: 938 kg.

Capacidade do porta-malas: 265 litros.

Tanque de combustível: 41 litros.

Produção: Aguascalientes, México.

Lançamento mundial: 2010.

Lançamento no Brasil: 2011.

Itens de série: Airbag duplo, ar-condicionado, direção elétrica, trio elétrico, computador de bordo, conta giros, banco do motorista e coluna de direção com regulagem de altura, rodas de aço de 14 polegadas e preparação para áudio.

Preço: R$ 33.390.

Por Auto Press



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