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Dentro do mercado automotivo brasileiro, poucos segmentos serão tão movimentados em 2011 como o de sedãs médios. E, para se sair bem com o Fluence, a Renault resolveu apostar em uma estratégia que já deu certo dentro da sua própria linha de compactos: melhorar o custo/benefício. É com essa proposta quase óbvia que funcionou recentemente com o veterano Clio e com a dupla Logan e Sandero que a marca francesa pretende emplacar o seu sedã em terceiro lugar na briga dos médios, desbancando rivais de peso como Chevrolet Vectra, Citroën C4 Pallas e Ford Focus e ficando atrás apenas dos japoneses Honda Civic e Toyota Corolla. No lançamento do modelo, em dezembro de 2010, a fabricante francesa estipulou uma otimista meta de 20 mil carros vendidos por ano, algo como 1.600 por mês. O carro está em sistema de pré-vendas, mas sua chegada às mais de 170 concessionárias Renault no Brasil será ainda esse mês.

Dentro de tal estratégia de oferecer mais por menos, a Renault encheu o Fluence de equipamentos de série e limitou a lista de opcionais a poucos itens. Além disso, jogou o preço inicial lá embaixo. São R$ 59.990 – um valor simbolicamente abaixo dos R$ 60 mil – cobrados pela versão de entrada Dynamique manual. Essa versão já inclui de série equipamentos como o ar-condicionado automático dual-zone, direção elétrica, airbags frontais, laterais e de cortina, ABS, EBD, AFU, rádio/CD/MP3/AUX/USB/Bluetooth, computador de bordo, rodas de liga leve de 16 polegadas, sensores de chuva e luminosidade e chave-cartão. Por mais R$ 5 mil, o cliente ganha o câmbio CVT X-Tronic – o mesmo do Nissan Sentra. Os únicos opcionais são os bancos de couro e o teto solar.

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Na configuração testada, a topo de linha Privilège, o Fluence ainda ganha GPS integrado ao painel com tela de 5 polegadas, rodas aro 17, sensores de estacionamento e bancos de couro. Nesse caso o preço é de R$ 75.990 – já com o câmbio CVT. Como itens a parte, só o teto solar e os faróis de xenônio que sobem o valor para R$ 79.990. Mesmo com todos os equipamentos disponibilizados pela Renault, o Fluence tem preço bem competitivo em relação aos seus concorrentes. As versões “top” dos líderes Toyota Corolla Altis, por R$ 88.250 e Honda Civic EXS, por R$ 86.750, ficam acima. O recém lançado Peugeot 408 tem preço idêntico ao Fluence na variante “top”. Só Citroën C4 Pallas parte de R$ 72.400 na configuração Exclusive e Chevrolet Vectra Elite, por R$ 75.522, ficam com preço abaixo do que a Renault pede para a versão “top” do seu novo sedã.

Por ser um carro voltado para mercados emergentes – será vendido em 80 países –, a fabricante francesa preferiu não ousar no design. As linhas são as mesmas criadas em 2009 pela Samsung, subsidiária sul-coreana da Renault que lançou o sedã em abril de 2009 com o nome de SM3, e focam na elegância e sobriedade. Muito por isso, o Fluence não chega a ser um veículo que chame demasiadamente a atenção por onde passa, mesmo sendo inédito nas ruas brasileiras. Mas seu estilo impressiona e certamente vai se destacar bastante entre seus pares nas vitrines das concessionárias Renault.

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Os belos faróis são espichados para as laterais do veículo, enquanto o capô abriga dois fortes vincos que seguem até a coluna dianteira. A grade dianteira é pequena e fica abaixo do símbolo da Renault. Na base do para-choque, o destaque vai para os faróis de neblina, que contam com aros cromados. A lateral é discreta, sem marcas ou ressaltos na lataria. O ponto mais instigante é o caimento do teto em direção à traseira, que remete aos cupês. Na parte posterior é o onde o Fluence mais mostra a sua personalidade, através das grandes lanternas que vão em direção a lateral. Um friso cromado sob o nome do carro e sobre a placa ajudam a dar uma dose extra de classe ao sedã.

O desenho mais contido do Fluence ajuda a realçar outro bom argumento de vendas: o porte. Com 4,62 metros de comprimento, 1,80 m de largura e entre eixos de 2,70 m, é o maior carro do segmento de sedãs médios no Brasil. O motor, outro já conhecido do Nissan Sentra, é um 2.0 16V Hi-Flex que rende 140/143 cv de potência. O torque máximo é conseguido a 3.750 rpm e atinge 19,9/20,3 kgfm. Com esse sedã de dimensões generosas e trem de força conhecido, a Renault quer provar que os seus 15 anos de experiência no Brasil serviram para aprender a vender seus automóveis por aqui.

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Instantâneas

# Na Europa, o Fluence divide espaço na gama da Renault com terceira geração do Mégane.

# O Fluence é produzido na fábrica da Renault em Santa Isabel, na Argentina.

# Existe uma versão elétrica do Fluence, chamada de Fluence Z.E., que começará a ser vendido na Europa ainda em 2011.

# A única opção de motor do Fluence para a Europa é o 1.5 a diesel. Esse propulsor desenvolve 110 cv de potência.

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Ficha técnica – Renault Fluence Privilège 2.0 16V

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.997 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando duplo no cabeçote e comando variável de válvulas na admissão. Injeção e acelerador eletrônicos.

Transmissão: Câmbio automático do tipo CVT com opções de trocas sequenciais de seis marchas na manopla. Tração dianteira. Controle eletrônico de tração somente na versão Privilège

Potência máxima: 140 cv com gasolina e 143 cv com etanol a 6 mil rpm.

Torque máximo: 19,9 kgfm com gasolina e 20,3 kgfm com etanol a 3.750 rpm.

Diâmetro e curso: 84 mm X 90,1 mm. Taxa de compressão: 10,2:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braço inferior triangular, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos. Traseira por eixo rígido, molas helicoidais, barra estabilizadora integrada e amortecedores hidráulicos telescópicos. Oferece controle eletrônico de estabilidade somente na versão Privilège.

Freios: Discos ventilados na frente e discos sólidos atrás. Oferece ABS, EBD e assistente à frenagem de emergência.

Pneus: 205/55 R17 em rodas de liga leve.

Carroceria: Sedã com quatro portas e cinco lugares. Com 4,62 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,47 m de altura e 2,70 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e do tipo cortina.

Peso: 1.372 kg em ordem de marcha, com 413 kg de carga útil.

Capacidade do porta-malas: 530 litros.

Capacidade do tanque de combustível: 60 litros.

Produção: Santa Isabel, Córdoba, Argentina.

Lançamento mundial: 2009 (como Samsung SM3).

Lançamento no Brasil: Fevereiro de 2011.

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Ponto a ponto

Desempenho – Mesmo com uma boa potência de 143 cv no motor 2.0 16V, o Fluence não inspira o motorista a pisar fundo no pedal do acelerador. Isso porque o sedã médio é claramente um carro voltado para o conforto. O câmbio CVT, que não tem trancos, também ajuda a passar essa sensação. Mesmo assim, o Renault é um carro bastante ágil. O torque máximo de 20,3 kgfm chega a 3.750 rpm e colabora para levar o Fluence aos 100 km/h em 10,3 segundos. Uma boa marca para um modelo médio. Nota 8.

Estabilidade – Por ser primariamente um veículo familiar, o Fluence conta com uma suspensão bastante macia. Isso significa que a estabilidade fica prejudicada em manobras radicais. Não é preciso achar uma curva tão fechada para que a carroceria tenda a rolar, mesmo que de forma discreta. Pelo menos, o ESP está disponível nessa versão topo de linha para manter o sedã em sua trajetória caso o motorista exagere no arrojo. A comunicação entre rodas e volante é bastante precisa até a faixa dos 160 km/h Nota 7.

Interatividade – A posição de dirigir do Fluence é um de seus pontos fortes e é achada com facilidade através de todas os ajustes disponíveis no sedã francês. O câmbio CVT tem opção de trocas manuais na alavanca – ele simula 6 marchas. O grande problema é o sistema multimídia. O rádio até que é bom, com uma qualidade de som decente e com diversas funções, mas utilizá-lo é outra história – bem mais complicada. O botão redondo maior, por exemplo, intuitivamente deveria ser o que controla o volume, mas no Renault ele troca as músicas ou estações de rádio. Nota 6.

Consumo – Em trajeto 2/3 na cidade e 1/3 na estrada, o Renault Fluence Privilège conseguiu a média de 7,2 km/l usando apenas etanol. Nota 7.

Conforto – Definitivamente o melhor atributo do Fluence. Além da suspensão macia, que permite que as buraqueira das cidades seja facilmente superada, o câmbio CVT com funcionamento suave e o isolamento acústico são excelentes. Mesmo em altas velocidades, é dificil ouvir o que se passa do lado de fora. O espaço interno também é muito bom, garantido primariamente pela ótima distância entre-eixos de 2,70 metros. No banco traseiro só um quinto ocupante ficaria um pouco mais apertado. Nota 8.

Tecnologia – A plataforma do Fluence é utilizada pela Renault especificamente para países emergentes e não conta com muitos requintes. Ao menos o motor 2.0 16V e o câmbio CVT – provenientes da Nissan – são modernos e eficientes. Outro ponto a favor do francês é a vasta lista de equipamentos de série. Destaque para os itens de segurança, como seis airbags, ABS, controle de tração e ESP. Nota 8.

Habitabilidade – Existe uma razoável oferta de porta objetos dentro do Fluence. O maior deles fica no descansa-braços e oferece bom espaço para armazenamento. As portas grandes ajudam o acesso para todos os ocupantes, mas os que forem sentar no banco traseiro podem ter problemas por causa do caimento do teto, que rouba um pouco de espaço da cabeça. O porta-malas se destaca dentro do segmento com ótimos 530 litros, mas conta com braços que invadem a área da bagagem. Nota 8.

Acabamento – A primeira vista, o aspecto geral do interior do Fluence aparenta boa qualidade, com seu estiloso painel pintado em duas cores. Mas, quando se olha mais de perto, se percebe que a maior parte dos materiais tem aspecto simples demais para um sedã médio em versão “top”, que custa mais de R$ 75 mil. Já o revestimento dos bancos, em couro claro, agrada bastante. Nota 6.

Design – Sem dúvida, o Fluence é um carro elegante. Além disso, tem porte de carro maior do que os seus concorrentes. O desenho é igual ao do Samsung SM3, apresentado em 2009 pela subsidiária sul-coreana da Renault, e agrada. As linhas são bonitas e finalmente conseguem fazer um Renault ficar bem na briga com seus rivais. Nota 8.

Custo/Benefício – A estratégia da Renault com o Fluence é apostar no boa relação custo/benefício, mesmo na versão topo de linha Privilège. O modelo chega por R$ 79.990 já com equipamentos como ar-condicionado digital dual zone, airbags frontais, laterais e de cortina, ESP, GPS e teto solar. Com uma lista menor de equipamentos, Toyota Corolla Altis e Honda Civic EXS batem os R$ 88.250 e R$ 86.750, respectivamente. Nota 8.

Total – O Renault Fluence Privilège 2.0 16V somou 74 pontos em 100 possíveis.

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Impressões ao dirigir – Para esquecer do mundo

A primeira sensação que se tem quando se entra no Fluence é de conforto. Os bancos aconchegantes, a suspensão macia, o grande espaço interno e o câmbio CVT são itens que ajudam a realçar este sentimento. Isso acontece mesmo quando se pisa fundo no pedal do acelerador e os 143 cv do bom motor 2.0 16V acordam. O modelo da Renault ganha velocidade com rapidez, mesmo sem parecer. Ponto também para o ótimo isolamento acústico.

Mesmo assim, o desempenho impressiona. O zero a 100 lm/h, por exemplo, é feito em 10,3 segundos, uma boa marca para um sedã médio. O comportamento vigoroso surpreende também que está do lado de fora. Isso porque o visual do Fluence não inspira a esportividade. O carro é classudo, lembrando até modelos de proporções e classe superiores.

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O câmbio CVT – herdado do Nissan Sentra, assim como o propulsor – ajuda a deixar os giros do motor na melhor faixa para o momento e ajuda a economizar combustível. Mesmo sendo um câmbio continuamente variável, o Fluence conta com opção de modo sequencial, onde simula seis marchas. Assim, o carro fica mais esperto, principalmente em acelerações e retomadas.

Na hora de parar, o novo sedã da Renault também cumpre sua função com competência. Os freios a disco nas quatro rodas – ventilados na frente e sólidos atrás – junto com o sistema ABS ajudam a evitar um eventual acidente e transmitem sensação de segurança ao motorista.

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As características dinâmicas do sedã médio ficam ressaltadas na cidade, aonde ele se encaixa perfeitamente. É onde a suspensão macia se dá melhor, ao filtrar com muita competência as imperfeições das ruas. Nas estradas com trajetos sinuosos, no entanto, a carroceria torce um pouco mais do que deveria. Nada que chegue a comprometer o prazer de dirigir, nem a segurança.

Assim como o exterior, o habitáculo agrada, embora pudesse ter recebido mais capricho em relação ao acabamento do painel. Mas o que mais irrita o motorista é o sistema de multimídia. Os comandos do rádio e do GPS são confusos e pouco intuitivos. É dificil realizar uma função com perfeição ao mesmo tempo que se está dirigindo.

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Por Rodrigo Machado – Auto Press





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