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Assim como ocorreu com ar-condicionado, direção hidráulica e trio elétrico, o câmbio automático gradativamente deixa de ser visto como item de luxo para se tornar um aliado contra o tédio do tráfego lento e congestionado das grandes cidades brasileiras.

As fabricantes de automóveis estão de olho nos consumidores que buscam a comodidade das transmissões que dispensam o pedal da embreagem. É o caso da Renault, que estendeu o câmbio automático a alguns modelos de sua gama de compactos, como Sandero e Logan. No caso do sedã, o câmbio automático é ofertado como opcional na versão Expression com motor 16V.

A Renault resgatou o câmbio automático de quatro velocidades que já havia aparecido por aqui em modelos da segunda geração da linha Mégane equipados com motor 2.0 litros 16V. A transmissão, antigamente batizada de Proactive, foi acoplada ao motor 1.6 litro 16V flex, que entrega 112/107 cv de potência a 5.750 rpm e 15,5/15,1 kgfm torque a 3.750 rpm, quando abastecido com etanol e gasolina.

O câmbio automático do Logan é auto-adaptativo e avalia a marcha mais adequada para cada situação, a partir de uma central eletrônica. Segundo a Renault, o mecanismo se ajusta ao estilo de condução do motorista, de uma direção mais suave até um desempenho mais esportivo.

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Em relação ao motor 1.6 8V que equipa o Logan Expression com câmbio manual, o ganho de potência fica em 17 cv, graças à adoção do cabeçote com quatro válvulas por cilindro. A potência extra, no entanto, compensa a presença do câmbio automático – este tipo de transmissão costuma diminuir o desempenho do propulsor.

Com isso, os números das duas versões ficam bastante próximos: 11,7 segundos na aceleração de zero a 100 km/h e 171 km/h de velocidade máxima para o Logan automático abastecido com etanol, contra 11,8 segundos e 175 km/h do sedã com câmbio manual.

O Logan Expression Automatic parte de R$ 41.950, equipado com motor 1.6 litro 16V flex. A versão Expression com o tradicional câmbio manual e motor 1.6 litro 8V sai por R$ 38.450. O câmbio automático de quatro marchas, com opção de troca sequencial na alavanca, e o motor 16V agregam R$ 3.500 ao valor do carro. O Logan automático emplaca, em média, 165 unidades por mês e responde por 5% das vendas do modelo da Renault desde setembro.

Entre os itens de série da versão Expression – que é a configuração intermediária, acima da Authentique e abaixo da Avantage – estão direção hidráulica, ar-condicionado, computador de bordo, detalhes cromados na carroceria e vidros dianteiros elétricos.

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Airbag duplo, freios com ABS, volante em couro, CD player com MP3, rodas de liga leve de 15 polegadas e vidros traseiros elétricos constam apenas como itens de um pacote de opcionais, vendido por R$ 3.650. Completo, o Logan automático sai por R$ 45.600.

No segmento dos sedãs compactos automáticos, o modelo da Renault sustenta vantagem expressiva diante de seu principal concorrente – o Peugeot 207 Passion – quando o assunto é preço. O sedã da Peugeot com transmissão automática de quatro velocidades com o mesmo nível de equipamentos custa R$ 51.990.

O recém-lançado Chevrolet Cobalt se juntará à categoria no segundo trimestre de 2012, quando a versão com motor 1.8 litro e transmissão automática de seis velocidades chegar ao mercado nacional. Os automatizados também reforçam a oferta.

Em configurações semelhantes, o Fiat Siena Dualogic custa R$ 49.622, e o Volkswagen Voyage i-Motion sai por R$ 51.290. Além da comodidade, o Logan automático também quer atrair o consumidor pelo espaço interno, uma das características que destacam o modelo da Renault entre os sedãs compactos nacionais.

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O porta-malas do Logan comporta até 510 litros, marca superior à dos principais rivais. O Siena, por exemplo, recebe 500 litros de bagagem, enquanto 207 Passion e Voyage trazem 420 e 480 litros, respectivamente.

Ponto a ponto

Desempenho – O conjunto mecânico do Logan não esbanja potência, mas sabe utilizar bem o que o motor 1.6 litro com 16V oferece. No trânsito pesado e lento, o câmbio automático é eficiente e apresenta trocas suaves. A transmissão só peca quando o condutor precisa de ganho de potência imediato, por causa do escalonamento longo demais das marchas. O câmbio automático de quatro velocidades não é totalmente eficaz em situações de ultrapassagem, mas tem comportamento muito superior aos concorrentes automatizados no tráfego intenso das grandes metrópoles. Nota 7.

Estabilidade – O sedã compacto não surpreende o condutor em curvas mais acentuadas. A aderência ao solo é adequada no caso de manobras mais agressivas. A carroceria do sedã tende a sair de frente se a curva for feita em alta velocidade – em velocidades civilizadas, o comportamento é bem mais amigável. A suspensão macia filtra bem as imperfeições do piso, mas não chega a ser “molenga”. A performance dos freios agrada e o trabalho conjunto com a transmissão automática garante uma condução sem transtornos. Nota 8.

Interatividade – Os comandos da cabine são bem posicionados e o painel de instrumentos é bastante intuitivo e simples de ser utilizado. O volante e o banco do motorista têm regulagem de altura de série. O motorista, no entanto, não conta com a opção por comandos no volante. Outro ponto fraco é o sistema de trocas manuais na alavanca, que precisa ser posicionada para a esquerda, o que faz com que a perna direita do motorista fique em contato com a manopla e incomode durante a condução. Nota 7.

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Consumo – O Renault Logan automático marcou uma média de 7,8 km/l com etanol em circuito com 2/3 de percurso urbano e 1/3 em estrada. Essa versão do sedã da marca francesa ainda não foi incluído no Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro. Nota 8.

Conforto – Quem anda nos bancos de trás do Logan não repete críticas que são recorrentes em outros modelos compactos. O espaço para as pernas nos bancos traseiros é suficiente para receber bem os ocupantes e conferir um aspecto de habitáculo de segmentos superiores. Os passageiros da frente também andam bem. Outro quesito elogiável é o isolamento acústico. Ruídos e vibrações são discretos em velocidades baixas. A visibilidade e a posição de dirigir também reforçam a sensação agradável da vida a bordo do Logan. Nota 8.

Tecnologia – A plataforma do Logan, desenvolvida pela subsidiária romena Dacia, foi bem adaptada à realidade brasileira e se mostra moderna. A versão intermediária Expression conta com bom nível de equipamentos, como computador de bordo e direção hidráulica com regulagem de altura do volante. Mas a adição do pacote de opcionais se torna quase obrigatória para fazer jus ao nível de exigência do perfil de consumidor que a Renault quer atrair. De série, o Logan traz sistema de travamento das portas em velocidades acima de 60 km/h, mas os itens de segurança mais importantes, como airbag duplo e freios com ABS, só estão disponíveis no pacote, por mais R$ 3.650. Sensor de estacionamento traseiro não consta nem como opcional. Nota 6.

Habitabilidade – O porta-malas de 510 litros só é superado pelo recém-lançado Chevrolet Cobalt, que comporta 563 litros. A maior inconveniência é o sistema de abertura por alças metálicas, que dificulta a organização das bagagens. A distância entre-eixos, com 2,63 metros, aliada à disposição eficiente dos elementos da cabine, garante conforto para todos os ocupantes. Até o passageiro do meio usufrui de espaço suficiente, apesar de o túnel central sacrificar o conforto. O apoio de cabeça para o terceiro passageiro também está incluído no pacote de opcionais. Nota 7.

Acabamento – O acabamento da versão topo de linha do Logan é apenas correto. Assim como os outros sedãs compactos do segmento de entrada, não há requinte e esmero. Mas os plásticos rígidos e os revestimentos simples dos bancos são arrematados com o mínimo de qualidade, sem rebarbas expostas. Nota 7.

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Design – Este é, sem dúvida, o ponto fraco do Logan. O carro foi lançado pela Dacia, subsidiária romena da aliança Renault-Nissan, em 2004. O modelo que estreou no Brasil em 2007 passou por uma reestilização em 2010, mas os retoques na grade dianteira e na traseira não foram suficientes para livrar o sedã de seu visual antiquado. O friso cromado na traseira até empresta certa elegância, mas não consegue remediar o anacronismo generalizado das formas. Nota 5.

Custo/benefício – O Logan Expression automático briga em um segmento ainda embrionário no mercado brasileiro. Até a chegada do Chevrolet Cobalt automático, o rival mais próximo é o Peugeot 207 Passion, que atinge os R$ 51.990. Neste caso, a versão intermediária do Logan, incrementada com o pacote de adicionais, chega a R$ 45.600, e se mostra como opção mais em conta que o sedã da Peugeot. Os automatizados Fiat Siena Dualogic e Volkswagen Voyage i-Motion custam R$ 49.622 e R$ 51.290, mas não oferecem o mesmo espaço interno nem o desempenho amistoso da transmissão automática do Logan. Nota 8.

Total – O Renault Logan Expression automático somou 71 pontos em 100 possíveis.

Impressões ao dirigir – Redutor de estresse

O Logan Expression Automatic reforça a oferta de sedãs compactos com câmbio automático, segmento até então formado pelo Peugeot 207 Passion e pelos automatizados Fiat Siena e Volkswagen Voyage. A incorporação da transmissão automática no Renault Logan explora o potencial de um novo nicho de mercado e se mostra uma aposta acertada.

Ao contrário da caixa automatizada que equipa Fiat Siena e Volkswagen Voyage, o câmbio automático do Logan prima por trocas de marchas eficientes, principalmente no trânsito lento das grandes cidades. A mesma agilidade não aparece quando o motorista tem a pista livre e quer exigir mais do motor. A transmissão de quatro velocidades leva mais tempo que o desejável para encontrar a marcha adequada e ganhar potência.

O comportamento do câmbio automático não deixa o motorista com saudade da embreagem. Mas quando o condutor quer mais agilidade nas respostas do câmbio, encontra alguns empecilhos pelo caminho. As trocas manuais na manopla do câmbio são inconvenientes, porque a alavanca precisa ser deslocada para a esquerda e passa a encostar na perna direita do motorista.

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A experiência chega a ser desagradável e faz a ideia de dirigir de modo manual ser aposentada rapidamente. No uso cotidiano, a praticidade do Logan automático compensa os R$ 3.500 cobrados a mais na versão Expression Automatic. A suspensão acertada filtra as imperfeições do asfalto sem parecer macia em excesso, e também contribui para o conjunto mecânico se mostrar bem adequado à cidade.

O primeiro contato com o Renault Logan é marcado pela frieza, uma vez que o design não contribui em nada para aumentar a expectativa de dirigir o sedã da marca francesa. O visual pouco inspirador pode até criar alguma barreira inicial.

Mas o desempenho satisfatório do câmbio automático ameniza as primeiras impressões visuais. O contato segue positivo em relação ao habitáculo, que se destaca principalmente pelo bom aproveitamento do espaço interno. Os ocupantes também encontram comandos dispostos de maneira eficiente.

O pacote de opcionais disponibilizado para a versão Expression, por R$ 3.650, inclui volante em couro, que valoriza consideravelmente o aspecto geral do acabamento.

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Ficha técnica – Renault Logan Expression Automático

Motor: A etanol e gasolina, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio automático de quatro marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.

Potência máxima: 112 cv e 107 cv a 5.750 rpm com etanol e gasolina.

Aceleração 0-100 km/h: 11,7 segundos com etanol e 11,9 segundos com gasolina.

Velocidade máxima: 171 km/h e 169 km/h com etanol e gasolina.

Torque máximo: 15,5 kgfm e 15,1 kgfm a 3.750 rpm com etanol e gasolina.

Diâmetro e curso: 79,5 mm X 80,5 mm. Taxa de compressão: 10:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com triângulos inferiores, amortecedores hidráulicos telescópicos com molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira com rodas semi-independentes, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais com barra estabilizadora

Pneus: 185/65 R15.

Freios: Dianteiros com discos sólidos de 259 mm de diâmetro e traseiros com tambores de 203 mm de diâmetro. Oferece ABS como opcional.

Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,28 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,53 m de altura e 2,63 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais como opcional.

Peso: 1.132 kg.

Capacidade do porta-malas: 510 litros.

Tanque de combustível: 50 litros.

Produção: São José dos Pinhais, Paraná.

Lançamento mundial: 2004.

Lançamento no Brasil: 2011.

Itens de série: Ar-quente, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, computador de bordo, conta-giros, direção hidráulica, travas elétricas das portas, vidros dianteiros elétricos.

Itens opcionais da versão testada: Airbag duplo, freios com ABS, volante em couro, CD player com MP3, rodas de liga leve de 15 polegadas e vidros traseiros elétricos.

Preço inicial: R$ 41.950.

Preço da versão testada: R$ 45.600.

Por Auto Press





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