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Na semana que passou o presidente da Renault, Carlos Ghosn, anunciou que poderia ser vendido no mercado brasileiro um modelo de baixo custo que concorrerá com o Tata Nano na Índia, por cerca de 10 mil dólares incluindo tudo, inclusive nossos altíssimos impostos.

Este valor corresponde a cerca de 16 mil reais. Bem mais barato que o mais barato dos carros nacionais, que na verdade nem é o mais barato, pois um chinês já é o mais barato. Isto também falaremos adiante.

A Renault, comandada por um brasileiro, parece ir na contra-mão da indústria nacional que se antecipou e tentou jogar um pá de cal no projeto de um carro super barato no mercado nacional. A redução de custos para produção de automóveis não é apenas uma realidade da Índia, mas de todo o mundo atualmente.

Emergentes automotivos

Segundo analistas do mercado automotivo nacional, 20 milhões de brasileiros passaram das classes D e E para a classe C, nos últimos anos. Assim, fica evidente que o consumo aumentou em face da nova realidade economica nacional e as vendas de automóveis também cresceram, tendo hoje o mercado nacional suas maiores marcas em toda sua história.

Esse crescimento é justamente pelo novo consumidor de carros novos que surgiu no horizonte economico brasileiro, comprando em sua maioria, modelos de entrada que além de terem preços altos, não oferecem muitos itens de conforto e segurança, que em outros mercados são indispensáveis.

Hoje em dia muito gente não pode comprar um carro novo ou se pode, muitos não podem ter o que desejariam neles. Assim, carros com um custo de produção e aquisição mais baixos, acabam sendo alvos de uma faixa da população que deseja os mesmos com um preço menor.

Baixo custo e baixo preço

Carros como o Bajaj e Nano, foram desenvolvidos para a Índia em especifico, mas com possibilidades de entrarem em outros mercados mais exigentes, segundo seus construtores.

A industria nacional rejeita que modelos assim, sejam feitos ou vendidos aqui, pois não ofereceriam conforto e segurança adequados. Mas, as montadoras locais não pensam o mesmo em relação aos seus produtos que mais vendem, os modelos de entrada.

Como a palavra de ordem no mundo é baixo custo, baixo consumo, baixo nível de emissões e baixo preço, o setor automotivo nacional também abraçou a bandeira, exceto no que diz respeito ao baixo preço.

Assim, com carros mais caros, mas menos seguros e confortáveis, um enorme nicho abriu-se para que chineses e no caso da Renault e Tata, indianos venham vender seus modelos baratos para quem não consegue o tão sonhado zero km.

Fatia esquecida

Não existe nada entre 16 e 20 mil reais no mercado nacional. Recentemente apenas um chinês da Effa Motors, conseguiu a façanha de ser vendido a menos de 20 mil reais! Mas, o mesmo é uma picape e o brasileiro quer um carro de passeio. Ou pelo menos um que possa levar inclusive a família.

Muito recentemente, algo de duas semanas para cá, a tendência tem mudado no setor automotivo, pelo menos é a ponta de um iceberg ainda sem tamanho definido.

Um carro de entrada, o Mille, antes o mais barato do mercado, agora é mais economico e teve seu preço reduzido, mas muito pouco. Outro concorrente, a Volks anunciou que seu modelo mais vendido teria o preço do Mille, ou seja, seu preço cairia.

Tudo isto é a favor do consumidor? Sim, mas não em virtude do mesmo, mas pela guerra da liderança de mercado. Já se prevê dentro da industria que chineses entrarão de fato no mercado com preços menores e que carros de baixo custo como os dos indianos, poderão estar entre os mais baratos, senão forem os mais baratos!

Mas, já se prevê também que eles não crescerão em mercados como México e Brasil, devido a qualidade inferior da maioria de seus produtos.

Carros melhores

O governo por sua vez, não reduz impostos ou favorece o mercado com incentivos para que o próprio mercado acabe abrigando melhor este novo contingente de consumidores de automóveis que buscam algo mais do que carros novos, buscam carros melhores. O brasileiro está mais exigente e pensa muito mais na hora de comprar.

Itens como freios com ABS ou bolsas infláveis, já estão disponíveis em alguns modelos do segmento de entrada, que é o que mais vende no país, mas seu custo ainda tornam estes itens proibitivos ao consumidor que não tem renda para sua aquisição.

O governo tenta tornar obrigatório a instalação dos mesmos em toda a frota, acenando com a possibilidade de incentivos fiscais para a instalação dos mesmos nos modelos nacionais. Isso já será uma vitória para o consumidor, pelo menos em termos de segurança.

No restante, ainda falta uma nova visão de mercado para o setor automotivo nacional, onde o pensamento de “apenas o necessário” parece dominar a ordem do dia.

Impostos e taxas maiores?

Mas, além disso tudo, ainda há uma previsão bem pessimista em relação a forma de venda para estes novos consumidores. Carros mais caros e renda ainda menor, embora crescente, faz crescer o índice de vendas através de financiamento a perder de vista.

A grande maioria dos consumidores não tem renda para adquirir um carro novo à vista ou em poucas prestações. Assim, o futuro de um mercado em crescente rota ascendente tem como perigo iminente parar sua subida e descer de forma ainda mais rápida, estagnando-se ou entrando em crise.

Impostos mais altos e taxas de juros maiores, são o efeito colateral de um consumo acelerado baseado sobretudo no financiamento, sendo assim as armas do governo e do mercado para frear essa rápida subida evitando o pior e mantendo a sustentabilidade economica.

Liderança mundial

Hoje em dia, quem mais consome produtos novos pela primeira vez são os consumidores emergentes tanto aqui como no resto do BRIC, que hoje já representam 70% do crescimento mundial. Os carros de baixo custo são indispensáveis ao crescimento e sustentabilidade do mercado mundial.

Mercados maiores e mais antigos, como o europeu e americano, não conseguem crescer mais e inclusive estão diminuindo suas vendas, que são praticamente de reciclagem de frota. Vendo dessa forma, o baixo custo dos emergentes parece ser a bola da vez.

Fonte: Uol Carros.





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