Home Usado da semana Carro da semana, opinião de dono: Chery QQ 2011

chery qq 2011 preto 1 Carro da semana, opinião de dono: Chery QQ 2011




Boa tarde visitantes do NA. Meu nome é Paschoal, tenho 30 anos, sou de Fortaleza-CE, e compartilho com vocês minha “incrível” experiência com um Chery QQ 1.1 16v 2011/2011. Adquiri o carro em julho/2011, por R$ 23.990,00, pois tinha acabado de casar e minha esposa precisava de um carro. Na época, o QQ havia sido recém-lançado, e resolvi apostar na ideia, já que o carro era todo completo, por menos de R$ 25.000,00.

Esperamos em torno de 30 dias pela chegada do carro. Já sabia da desconfiança de carro chinês, mas arriscamos em nome de um carro mais completo que os pés de boi nacionais. O carrinho até que é bacana. É preto, completo com ar, direção, vidro elétrico (4 portas, e não aquele absurdo nacional de vidro elétrico só na dianteira), trava elétrica (sem alarme de fábrica), airbag duplo, ABS, som com mp3, sensor de ré, etc.

Foi uma escolha puramente pensada no valor. O que me pareceu melhor de ser comprado foi o chinesinho! Eis alguns aspectos que gostaria de compartilhar:

ACABAMENTO

Tosco. O acabamento do carro é algo de dar calafrios. Rebarbas por todos os lados, bancos com tecido pra lá de vagabundo, interior muito claro, suja com facilidade. Os plásticos são duros, mas de toque agradável. As montagens são todas desalinhadas. O miolo da direção parecia que ia saltar, de tão desalinhado que é. O porta luvas tem uma fresta que passa quase um dedo! Acabamento de chinês mesmo. O tecido dos bancos, em especial do motorista, simplesmente desfiou como se fosse papel molhado. E foi trocado por um novo, que desfiou ainda mais! Minha esposa passou 2 meses sentada na esponja!!! Absurdo!!

chery qq 2011 preto 2 Carro da semana, opinião de dono: Chery QQ 2011

DESEMPENHO E CONSUMO

O motorzinho ACTECO 1.1L 16v, com 68 cv, não faz tão feio não. É até espertinho para uso na cidade. O câmbio, porém, é muito impreciso e mal escalonado. É comum tentar passar uma 4ª e entrar a 2ª. O consumo informado quando da venda era de 12 km/l na cidade. O carro nunca fez mais de 8 km/l. A estabilidade é o ponto crítico do carro. A sensação de insegurança, de que o carro vai capotar em qualquer curva é de causar medo. O carro é estreio e alto, com centro de gravidade muito elevado. Além disso, os pneus “salsicha” aro 13 não colaboram.

MANUTENÇÃO

Acredito que o ponto que mais mete medo em todos. Em quase dois anos, o carro rodou apenas 8 mil km. Portanto, não dá pra tirar uma ideia muito precisa da manutenção a longo prazo. A primeira revisão, feita aos 2.500km, custou R$ 89,00, sem alinhamento e balanceamento, apesar da insistência da concessionária. Porém o carro sofreu com os seguintes defeitos, todos reparados na garantia (após muita briga e espera):

1. Break light acende sozinho;
2. Sensor do ABS com defeito (alegaram que trocaram, mas apenas repararam);
3. Sensor do ABS novamente com defeito (era outra roda);
4. Sensor do ABS mais uma vez com defeito (roda diversa);
5. Sensor do ABS outra vez defeituoso (desta vez, parece que trocaram a peça);
6. Radiador perfurado pelo eletro ventilador;
7. Bancos do motorista e passageiro desfiando igual a papel molhado;
8. Após trocados, banco do motorista novamente desfiando;
9. Aerofólio do carro simplesmente se desprendeu (substituído por outro que era de outra cor, e pintado de forma ridícula de preto);
10. Aerofólio “novo” descascando e com pintura totalmente fosca;
11. Alavanca da seta direcional se soltou;
12. Palhetas dos limpadores enferrujadas com menos de 6 meses de uso (a dianteira foi trocada e enferrujou novamente. A traseira sequer foi trocada).
13. Porcas e suportes do motor e bateria totalmente enferrujados;
14. Pintura da tampa traseira estourando.

Apesar dos reparos na garantia, tudo demorava muito. As peças levaram uma eternidade para chegar, e o procedimento de garantia é muito burocrático. Diante dos problemas, pedi para falar com o diretor da concessionária, mas a “rainha da Inglaterra” se recusou a me atender, talvez esquecendo que somente ganha dinheiro porque trouxas como eu embarcaram na ideia de comprar carro chinês.

ESPAÇO

O carro é pequeno, mas andam 4 pessoas com relativa tranquilidade. Tenho quase 1,90m e, como o carro é alto, cabia com tranquilidade. O porta malas não cabe mais do que uma mala pequena. Meu grande problema foi com a chegada do bebê. O porta malas não cabia o carrinho. Por isso me desfiz do carro.

SUSPENSÃO

O carro chacoalha muito e faz muito barulho. Não importa quantas vezes a suspensão seja reapertada, vai ficar tudo frouxo em questão de dias. Falta qualidade de construção.

PÓS-VENDA

Aí é onde o bicho pega. A concessionária em Fortaleza é horrível. Parece coisa de amador. Os funcionários não sabem de nada, a rotatividade de funcionários é altíssima, as peças não chegam, e os serviços feitos pela oficina são de péssima qualidade (o carro voltou várias vezes para refazer serviços já feitos).

Na hora de vender, tudo era às mil maravilhas. Depois da venda, veio a tormenta. Aqui em Fortaleza, o carro pegou fama de mico, em razão da concessionária. Isso porque, no caso de veículos batidos, não há estoque de peças e nem previsão de chegada. Essa incompetência da concessionária contaminou a marca.

Ao tentar colocar o carro na negociação com um novo, quando dizia que era um QQ, o que mais ouvi foi: QQ é isso? Não faça isso comigo! Ninguém quer o carro, exatamente porque dizem que não tem peça. Na troca por um carro zero km, consegui passar o QQ por míseros R$ 10.000,00. O carro era 2011, com 8 mil km, e vendi por R$ 10.000,00. Na verdade, como era troca, consegui um preço melhor, porque a média estava em R$ 8.500,00. (Ridículo, não?).

Ah, ia esquecendo. Um dos avaliadores olhou o carro e viu todos os parafusos e itens de ferro (suportes) no cofre do motor já enferrujando, mas isso é problema para o novo proprietário!

RESUMO

O carro em si não é de todo ruim. Apesar das falhas de construção e acabamento, é esperto e completo. O motor dá conta do recado, já o câmbio é ruim. O nível de equipamentos embarcados não existem em qualquer nacional do mesmo preço. É um carro de cidade, e cumpre bem seu papel.

A garantia deu conta do recado, ficando apenas o incômodo das visitas constantes à concessionária. O pós venda da Chery em Fortaleza é que acaba com o carro. O carro dá pro gasto. Mas se você estiver em Fortaleza, aí recomendo que nem passe perto do QQ, pra não ficar nas mãos da incompetente concessionária, onde o diretor, verdadeira rainha da Inglaterra, sequer atendeu aos seus súditos. Salve a rainha!!! (Ou não).



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