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Supermini 4 Carros: projetos brasileiros (parte 3)




Chegamos aos anos 90 e ao começo do século 21 em nossa série de matérias sobre projetos brasileiros. Aproveite!

1992 – Gurgel Supermini

Importância: Atualização de um projeto 100% brasileiro de uma empresa 100% brasileira

O sr. Gurgel tinha conseguido sucesso com a venda do BR-800, um pequeno carro com um motor de 800cc de pouco mais de 3m de comprimento. Para se capitalizar, o comprador comprava uma cota da fábrica e esta após algum tempo, devolvia o valor investido com o produto. O sucesso da empreitada foi enorme, mas o carrinho era muito inferior ao que tínhamos até então. Com o lançamento do Uno Mille em 1990, o fator preço deixou de ser sua arma, a única além do baixo consumo. Sabendo que seu projeto era inferior e feio, a Gurgel tratou de melhorar o carrinho e em 1992 surge o Supermini, um BR-800 amplamente reformado e anos luz do carro que o originou.

Se o BR-800 parecia um projeto da ex-URSS, o Supermini era muito mais simpárico e com boas idéias, como as portas com dobradiças inclinadas, que quanto mais abertas, maior era a diferença do bico inferior em relação ao solo. O interior ganhou um painel arredondado e tinha até mesmo contagiros. Pena que após vários problemas financeiros e políticos, a Gurgel pediu falência, em 1995. Curiosidade: Apesar de ser bem diferente do BR-800, seus faróis e lanternas são idênticos. Após 1993 porém, as lanternas traseiras passaram a ser da Pampa.

1993 – VW Logus/Pointer

Logus 4 Carros: projetos brasileiros (parte 3)

Pointer 3 Carros: projetos brasileiros (parte 3)

Importância: Primeiro projeto originado entre duas marcas associadas no Brasil

Se o Apollo era um Verona com maquiagem, a dupla que o substituiu era muito mais que isso. Partindo de um projeto da Ford europeia, o Escort, foram criados dois novos médios de desenhos diferentes e belos. Se o Escort e o Verona eram idênticos aos seus pares da Europa, o Logus e o Pointer eram criações nacionais e que conseguiram superar suas origens. O Escort foi apresentado no salão de 1992, trazendo um estilo em sintonia com o lançado poucos meses antes na Europa (algo raro). Logo após surge a variação sedã… mas com a marca VW. Surge o Logus, um três volumes duas portas de linhas arredondadas, frente em cunha e traseira alta. As lanternas traseira grandes e seus para choques envolventes eram muito bem inseridos. Seu sucesso foi imediato.

Após o lançamento do Verona, ainda em 93, com seu desenho idêntico ao Orion europeu, surge um hatch que completaria a linha. Do tamanho do Escort, surge o Pointer, um hatch de 5 portas com linhas mais esportivas ainda que o Logus, principalmente graças ao seu aerofólio estampado na tampa traseira. A dupla trouxe uma bem vinda ousadia aos pátios das concessionárias VW, que foi bem recebida. O que não contavam era com um projeto mediano, com sérios problemas nas suspenções e de ferrugem. E isso não foi bem recebido. Ambos morreram em 1996 após a dissolução completa da Autolatina. Curiosidade: Apesar de ter o desenho mais esportivo dos quatro, o Pointer pesava inacreditáveis 1.190Kg. Muito para um carro de pouco mais de 4 metros de comprimento.

1994 – VW Gol

Gol Bolinha 1 Carros: projetos brasileiros (parte 3)

Importância: Um projeto amplamente reformado e que não podia dar errado

Em 1993, um ano antes, a GM sacudiu o mercado com o Corsa, um projeto em sintonia com o moderno mercado europeu. Se tínhamos como o mais moderno, o Uno, lançado 9 anos antes, como parâmetro, o que surgiu foi quase algo de outro mundo. Sucesso de público e de crítica, o Corsa deixou seus concorrentes em choque. A resposta da VW veio no ano seguinte.

Partindo da plataforma ampliada do Gol, um projeto de 1980, foi feito um novo carro. De linhas arredondadas e um espaço interno sem comparações com o projeto antigo, não só estremeceu o mercado como continuou garantindo a liderança. Conhecido como Gol “bolinha”, é em sua essência o que conhecemos hoje como Gol G4. Curiosidade: Devido a seu motor estar em posição longitudinal, quando o GTi ganhou um motor com 16v, o capô foi obrigado a ganhar uma “bolha” para acomodá-lo.

1996 – Fiat Palio

Palio 3 Carros: projetos brasileiros (parte 3)

Importância: Projeto de um novo carro que seria principalmente vendido no Brasil

O Fiat Palio foi um projeto tocado na Itália, é verdade, mas que teve forte influência brasileira. Apesar de ser um projeto mundial, era aqui seu principal mercado. O substituto do Uno era diferente do substituto da Europa, o Punto. Aqui deveria ser um projeto mais barato e mais robusto, além de ser um carro que geraria uma família completa. De desenho refinado, o Palio surgiu como um passo importante para a Fiat na busca pela liderança no mercado.

E se assim como o Uno ele constituiu família, difere dele devido ao sucesso que esta família faz até hoje, com Siena, Strada e Weekend. Curiosidade: Existe um outro integrante da família que não conhecemos, o Albea. Feito na plataforma da Weekend (com entre eixos 9 cm maior que o Palio/Siena), ele faz o papel de um carro médio em países como Turquia e Índia.

1996 – Chevrolet Corsa sedã

Corsa sedan 2 Carros: projetos brasileiros (parte 3)

Importância: Projeto brasileiro sobre um já consagrado projeto

Assim como seu concorrentes Uno/Palio e Gol, o Corsa também teve aqui no Brasil, que ampliar seus usos. Se na Europa era vendido com 2 e 4 portas e Combo, um furgão para carga ou para passageiros, aqui ele ganhou uma simpática (porém pequena) pick up, um sedã e ainda ganharia em 1998 um perua.

Sendo essencialmente brasileiro, este projeto criou um sedã pequeno e de formas equilibradas, com traseira curta e alta e um terceiro vidro na coluna traseira, para deixar o desenho mais leve. Seu desenho fez tanto sucesso que outros países o produziram com sucesso, como o México e a China. Comparado ao Clio sedã por exemplo, fica fácil ver que este sucesso não foi à toa. Curiosidade: sua carreira embalou mesmo após o lançamento da versão 1.0, em 1998. E dura até hoje.

1999 – Fiat Palio Adventure

Adventure 1 Carros: projetos brasileiros (parte 3)

Importância: Criação de mais um nicho de mercado

Vários carros aqui citados criaram nichos de mercado. A Fiat pode ser acusada de tudo, menos de não ser corajosa. Criadora dos mercados de carros populares, pick ups pequenas, populares “de luxo” entre outros, este talvez seja a jóia da coroa.

Com vistas nas pessoas que sonhavam em ter um utilitário (que naquela época nem eram conhecidos como SUV) mas não tinham dinheiro para isso e somando ao fato de as pessoas que compravam os utilitários quase nunca se valiam da tração integral, ela travestiu uma Palio Weekend com quebra mato, pneus maiores e com alguma capacidade para enfrentar lama, suspensão mais alta e pronto, estava criado o novo mercado. O sucesso foi tão grande que virou um linha de veículos (pick up, Doblò e Idea) e foi intensamente copiada pela concorrência. Curiosidade: Quando foi lançada, a Adventure não era a mais cara da linha Weekend, isso cabia a versão Stile.

1999 – VW Gol G3

Gol G3 3 Carros: projetos brasileiros (parte 3)

Importância: Atualização ampla de um projeto antigo

A VW não poderia levar outros 14 anos para atualizar seu campeão de vendas. Com a chegada do Golf, agora produzido no Brasil e logo após a introdução do Audi A3 nacional, o Gol não poderia ficar longe dos seus irmãos mais ricos. Em 1999 foi apresentado uma reestilização do Gol “bolinha”. Mas como era ampla, passou a ser chamada de G3. Seu exterior foi modificado menos que o visual sugeria, mas os faróis retangulares de superfície complexa assim como as lanternas traseira amplas trouxeram um frescor ao desenho.

Se a parte externa melhorou, a interna teve um salto de qualidade muito maior. Instrumentos idênticos aos dos irmão maiores, materiais mais nobres (nas versões mais caras) e novos cuidados construtivos davam um ar de projeto novo. Curiosidade: No começo existiam tantas opções que era possível montar tanto um 1.0 8v com rodas de liga leve aro 15”, interior preto e Air Bags quanto um 2.0 sem ter sequer limpador/lavador/desembaçador traseiro.

2000 – Chevrolet Celta

Celta 2 Carros: projetos brasileiros (parte 3)

Importância: Fazer um carro novo sobre uma plataforma antiga e com novos meios de produção

Após o boom de novas fábricas no Brasil, após a segunda metade da década de 90, o país estava vivendo uma ressaca. Vindo de três crises seguidas (a russa em 1997, a asiática em 1998 e a nossa em 1999), o mercado estava reduzido e não conseguia absorver toda a produção. Quanto mais barato era o carro, mais chances tinha de sobreviver, assim como a fábrica. Com os incentivos dados na época, a GM decidiu implementar uma nova fábrica no Rio Grande do Sul.

Esta fábrica faria um projeto novo e com um novo conceito de produção, onde vários fornecedores estariam sob o mesmo teto, agilizando assim a entrega e montagem dos componentes. Com o desejo de ser o carro mais barato do país (algo que não se realizou), o que surgiu foi um carro novo feito sobre uma plataforma já existente, a do Corsa lançado em 1994. O sucesso foi alcançado, sem dúvidas. Mas seu conceito é mais importante que o produto em si. Curiosidade: No lançamento era ofertado apenas um pacote de opcionais o qual entre os itens aparecia bateria com maior capacidade (45Ah). O ar condicionado passou a ser ofertado alguns meses depois.

2002 – Chevrolet Meriva

Meriva 2 Carros: projetos brasileiros (parte 3)

Importância: Um projeto brasileiro que era tão bom que quase foi roubado pelos europeus

O Corsa tinha ido lançado em sintonia com o europeu. Como já existia o Celta, aqui ele pode ficar em um patamar mais alto. O sedã era sucesso e foi lançado junto com o hatch. A pick up estava a caminho. Mas a perua não gozava do mesmo sucesso. Decidiu-se então a substituição por uma minivan pequena, menor que as Renault Scénic e Citroen Picasso e principalmente sua irmã Zafira. Com linhas de alguma forma já antecipadas por um carro conceito chamado Sabiá e exposto nos EUA, surge a Meriva, uma minivan menor de desenho harmônico e ousado.

O sucesso do desenho foi tanto que o pessoal da Opel não disse logo de cara que o desenho era brasileiro, algo que foi reconhecido depois. Devido ao seu equilíbrio nas linhas, faróis grandes mas proporcionais e lanternas emoldurando cuidadosamente o vigia traseiro, certamente ela terá lugar entre os clássicos brasileiros um dia. Curiosidade: Opcionalmente ela podia vir com um sistema de rebatimento do banco traseiro onde a parte central era suprimida e as laterais viravam duas confortáveis poltronas, mais distantes das portas.

Por Durval dos Santos Neto


  • Jeremy_Hall

    Eu jamais diria que a Meriva era um projeto brasileiro…

  • DOUGLAS_DANIEL

    E não é, a frente diferente que é brasileira, assim como a frente do Corsa C que aqui é diferente do que era vendido na Europa.