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chevrolet tracker 1 Chevrolet Tracker é bom, valente e barato, mas ultrapassado




Este texto é do UOL Notícias e não necessariamente é a opinião do NoticiasAutomotivas.com.br

A volta do Chevrolet Tracker ao mercado brasileiro no fim do ano passado deu a impressão de que, finalmente, surgia um rival mais competitivo para o EcoSport. Afinal, o utilitário esportivo da General Motors (montado em CKD na Argentina e baseado no Suzuki Grand Vitara) conta com muito mais ímpeto “off-road”. E poderia ameaçar, mesmo que timidamente, a liderança isolada do exemplar da Ford, que vende mais de 3.500 unidades/mês.

Só que a limitada capacidade da planta portenha, aliada ao visual datado do modelo e, mais recentemente, ao lançamento de uma nova geração do Grand Vitara lá fora, atrapalharam qualquer perspectiva para o jipinho da Chevrolet, que não ultrapassa as 500 unidades mensais. Afinal, no preço o Tracker não deixa de ser bastante competitivo. A GM pede R$ 59.990 pelo modelo. O utilitário esportivo compacto da Ford, na versão XL 1.6, por sua vez, parte dos R$ 49.680. Mas na configuração mais barata com motorização 2.0, a XLT, sai por R$ 62.490.

chevrolet tracker 2 Chevrolet Tracker é bom, valente e barato, mas ultrapassado

O modelo da Chevrolet leva a vantagem por ter tração 4×4 com reduzida e uma lista de equipamentos que inclui ar-condicionado, direção hidráulica, freios com assistentes ABS e EBD, airbag duplo frontal, teto solar e trio elétrico. O único EcoSport com tração nas quatro rodas e nível de itens de fábrica semelhentes, a versão 4WD, que não dispõe de reduzida, custa iniciais R$ 66.120.

A idade e o conjunto do Tracker, contudo, jogam contra. O modelo dispõe de um eficiente, mas antigo, motor 2.0 litros de 128 cv a 5.900 rotações; o EcoSport 4WD tem propulsor 2.0 de 147 cv. O torque máximo do propulsor da GM é de 17,7 kgfm a 4.300 giros. Isso sem contar o visual defasado do jipinho argentino. Com linhas quadradonas até normais em um SUV, ele conta com um desenho bastante comportado e conservador, que fica evidente já no conjunto ótico retangular com uma grade trapezoidal ao centro.

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Tudo em linha reta
Nas laterais, nenhuma ousadia. Molduras na parte posterior das portas e musculosidades no pára-lamas traseiro. A parte de trás ostenta o indefectível estepe pendurado na tampa do porta-malas. O vidro e a carroceria têm cortes predominantemente retos e apenas os pára-choques possuem alguns detalhes mais bojudos. As lanternas verticais e majoritariamente retas completam o visual.

De qualquer forma, o Tracker não deixa de oferecer uma interessante relação custo/benefício. O modelo conta ainda com regulagens de altura do banco do motorista e da coluna de direção, rodas de liga leve aro 16, bagageiro no teto, console central, espelhos cortesia nos pára-sóis, rádio/CD player, ajuste lombar do assento do condutor, comando interno de abertura da tampa do porta-malas, banco traseiro bipartido e relógio digital. Só que o futuro do modelo é duvidoso. A Suzuki já faz um novo Grand Vitara (da mesma plataforma de onde surge o Tracker) e a GM não confirma se vai partir para a nova versão do jipe.

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IMPRESSÕES AO DIRIGIR: CHEVROLET TRACKER
O clone do Suzuki Grand Vitara tem um desempenho e um ímpeto fora-de-estrada bastante interessantes. O motor de 128 cv entrega boas arrancadas e respostas rápidas às investidas no acelerador. As retomadas é que são um pouco mais lentas, devido ao torque tímido de 17 kgfm disponível somente aos 4.300 giros.
O comportamento estável do SUV compacto pode ser considerado razoável. Nas curvas em velocidade, a carroceria torce um pouco. As frenagens bruscas, porém, são exemplares. Auxiliadas pelo ABS e EBD dos freios, o utilitário não sai da trajetória.

Mas é no fora-de-estrada que o Tracker se revela mais divertido. Com a tração 4×4, o jipe encara bem trechos esburacados de terra e até uma laminha mais inocente. A suspensão mais ajustada para o “off-road”, porém, compromete um pouco o conforto dos passageiros, já que reflete as irregularidades do terreno. Ainda no conforto, o espaço para cabeças é bom, mas o vão para as pernas é limitado e o assoalho elevado não garante uma boa posição para os passageiros. De qualquer forma, dois adultos e uma criança conseguem viajar atrás.

No que diz respeito ao condutor, o banco estreito é um aspecto negativo e desconfortável. Mas a posição de dirigir é facilmente encontrada com as regulagens de altura do banco e o ajuste da coluna de direção. Além disso, a comunicação rodas/volante é precisa, assim como os engates do câmbio, mas os cursos poderiam ser mais curtos. Nas manobras, o problema é o estepe, que prejudica a visão. E as aventuras “off-road” custam: o Tracker teve a sofrível média de 6,2 km/l com gasolina.

Matéria do UOL Notícias, por Fernando Miragaya



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