Home Etc Comprar carro para deficiente físico: uma labuta

Esta matéria é da Agência Autoinforme – A lei diz que o deficiente físico tem direito de comprar carro automático com descontos de IPI e ICMS, mas se conseguir este benefício não é coisa simples. Para romper todos os trâmites é preciso que se aguarde cerca de seis meses. Mas, dependendo do grau da deficiência e o estado que se mora, o benefício pode não ser completo.




Erothildes Amanias de Medeiros, que mora em Brasília, precisou abrir mão do desconto do ICMS para adquirir um Fit automático. Segundo ela, esta perda do benefício obrigou-a a pagar mais R$ 10 mil do que realmente custaria o carro, caso aceitassem seus documentos.

Segundo Erothildes, foram quatro meses para preparar a documentação, mas quando estava tudo pronto enfrentou o primeiro problema:

“A funcionária da Honda afirmou que não estava sendo aceita a atualização do laudo médico, que é preciso fazer toda vez que se quer comprar um carro. Mandei cartas para jornais e procurei saber como um órgão público não aceita o laudo de outro órgão público. Então liberaram o laudo”, diz Erothildes.

Quando tudo parecia que daria certo, Erothildes teve a informação de que não seria possível liberar o ICMS porque, como ela era moradora do Distrito Federal, não tinha como provar que realmente tinha feito a adaptação no carro. Mesmo ela argumentando que enviaria a nota fiscal da oficina credenciada, não foi aceito.

Erothildes complementa dizendo que “para não perder o desconto do IPI, que tem prazo de 180 dias, abri mão do desconto do ICMS, que era de R$ 10 mil. Fica claro que os estados não estão querendo dar este desconto”.

Observando com atenção a lei, é fácil perceber que o deficiente precisa provar que tem condições de ter um carro adaptado, e o valor não pode ultrapassar R$ 60 mil, coisas que uma pessoa normal não necessita.

Veja o que diz a lei:

Cláusula primeira

Ficam isentas do ICMS as saídas internas e interestaduais de veículo automotor novo com características específicas para ser dirigido por motorista portador de deficiência física, desde que as respectivas operações de saída sejam amparadas por isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, nos termos da legislação federal vigente.

§ 1º O benefício correspondente deverá ser transferido ao adquirente do veículo, mediante redução no seu preço.

§ 2º O benefício previsto nesta cláusula somente se aplica a veículo automotor novo cujo preço de venda ao consumidor sugerido pelo fabricante, incluídos os tributos incidentes, não seja superior a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais).

§ 3º A isenção de que trata esta cláusula será previamente reconhecida pelo fisco da unidade federada onde estiver domiciliado o interessado, mediante requerimento instruído com:

I – laudo de perícia médica fornecido pelo Departamento de Trânsito do Estado – DETRAN, onde estiver domiciliado o interessado, que:

a) especifique o tipo de deficiência física;
b) discrimine as características específicas necessárias para que o motorista portador de deficiência física possa dirigir o veículo;

II – comprovação de disponibilidade financeira ou patrimonial, do portador de deficiência, suficiente para fazer frente aos gastos com a aquisição e a manutenção do veículo a ser adquirido;

III – cópia autenticada da Carteira Nacional de Habilitação, na qual conste as restrições referentes ao condutor e as adaptações necessárias ao veículo;

IV – cópia autenticada da autorização expedida pela Secretaria da Receita Federal para aquisição do veículo com isenção do IPI;

V – comprovante de residência.

§ 4º Não será acolhido, para os efeitos deste convênio, o laudo previsto no inciso I do parágrafo anterior que não contiver detalhadamente todos os requisitos exigidos pelo mencionado dispositivo.

§ 5º Quando o interessado necessitar do veículo com característica específica para obter a Carteira Nacional de Habilitação, poderá adquirí-lo com isenção sem a apresentação da respectiva cópia autenticada.

§ 6º Sem prejuízo do disposto nesta cláusula, a unidade federada poderá editar normas adicionais de controle, bem como definir os casos de deficiência para os quais o benefício se aplica.

§ 7º A autoridade competente, se deferido o pedido, emitirá autorização para que o interessado adquira o veículo com isenção do ICMS em quatro vias, que terão a seguinte destinação:

I – a primeira via deverá permanecer com o interessado;

II – a segunda via será entregue à concessionária, que deverá remetê-la ao fabricante;

III – a terceira via deverá ser arquivada pela concessionária que efetuou a venda ou intermediou a sua realização;

IV – a quarta via ficará em poder do fisco que reconheceu a isenção.

§ 8º O adquirente do veículo deverá apresentar à repartição fiscal a que estiver vinculado, nos prazos a seguir relacionados, contados da data da aquisição do veículo constante no documento fiscal de venda:

I – até o décimo quinto dia útil, cópia autenticada da nota fiscal que documentou a aquisição do veículo;

II – até 180 (cento e oitenta) dias:

a) cópia autenticada do documento mencionado no § 5º;
b) cópia autenticada da nota fiscal referente à colocação do acessório ou da adaptação efetuada pela oficina especializada ou pela concessionária autorizada, caso o veículo não tenha saído de fábrica com as características específicas discriminadas no laudo previsto no inciso I do § 3º.

§ 9º O benefício previsto nesta cláusula somente se aplica se o adquirente não tiver débitos para com a Fazenda Pública Estadual ou Distrital.

Cláusula segunda

O adquirente deverá recolher o imposto, com atualização monetária e acréscimos legais, a contar da data da aquisição constante no documento fiscal de venda, nos termos da legislação vigente e sem prejuízo das sanções penais cabíveis, na hipótese de:

I – transmissão do veículo, a qualquer título, dentro do prazo de 3 (três) anos da data da aquisição, a pessoa que não faça jus ao mesmo tratamento fiscal;

II – modificação das características do veículo, para lhe retirar o caráter de especialmente adaptado;

III – emprego do veículo em finalidade que não seja a que justificou a isenção;

IV -não atender ao disposto no § 8º da cláusula primeira.

Parágrafo único.

Não se aplica o disposto no inciso I desta cláusula nas hipóteses de:

I – transmissão para a seguradora nos casos de roubo, furto ou perda total do veículo;

II – transmissão do veículo em virtude do falecimento do beneficiário;

III – alienação fiduciária em garantia.

Cláusula terceira

O estabelecimento que efetuar a operação isenta deverá fazer constar no documento fiscal de venda do veículo:

I – o número de inscrição do adquirente no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda – CPF;

II – o valor correspondente ao imposto não recolhido;

III – as declarações de que:

a) a operação é isenta de ICMS nos termos deste convênio;
b) nos primeiros 3 (três) anos, contados da data da aquisição, o veículo não poderá ser alienado sem autorização do fisco.

Cláusula quarta

Ressalvados os casos excepcionais em que ocorra a destruição completa do veículo ou seu desaparecimento, o benefício somente poderá ser utilizado uma única vez, no período previsto no inciso I da cláusula segunda.

[Fonte: Agência Auto Informe]





Se você não está vendo os comentários, desabilite extensões do tipo Adblock (que impedem a exibição dos comentários), ou adicione nosso site como exceção.