Home Comprando e Vendendo Deficientes estão passando a comprar mais automóveis

O mercado automobilístico para pessoas portadoras de deficiências físicas está em alta. E não é de agora. Os negócios no setor têm apresentado um aumento de 20% a cada ano. Mônica Cavenaghi, diretora comercial da empresa de adaptações Cavenaghi, acredita que o sucesso está ligado diretamente ao aumento da capacidade de compra deste tipo de público. “Com a aprovação da lei de cotas de emprego para eles mais pessoas passaram a trabalhar e, conseqüentemente, a consumir mais.” De acordo com a norma, que entrou em vigor em 1991, os deficientes devem preencher 2% das vagas de empresas com número de funcionários entre 100 e 200.




Na hora de comprar um carro zero, um portador de deficiência encontra algumas vantagens. Ele pode ter descontos de até 30%. Isto é, assegurado por lei, esse cliente fica imune de impostos, de acordo com a sua necessidade.

Do IPI (Impostos sobre Produtos Industrializados), fica isento o portador de deficiência física, visual, mental ou o autista. Já do ICMS (imposto sobre operação relativas à circulação de mercadorias e sobre prestação de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação) é livre somente o deficiente físico que comprar um carro com até 128 cv de potência. O mesmo vale para o IOF (Imposto sobre Operação Financeira).

Com isso, o carro novo é vendido com um desconto médio de 28%, e o deficiente é obrigado a ficar com ele por, no mínimo, três anos. Outro benefício para ele é ficar livre do rodízio. Em alguns Estados, o IPVA também não é cobrado.

Mercado e perspectivas

Atualmente, a Cavenaghi equipa, em média, 300 carros por mês no Brasil. Em 2002, este número não chegava nem à metade. A empresa, uma das maiores do Brasil, trabalha com acessórios específicos como o fixador de cadeiras de rodas, mas também com itens ligados diretamente à dirigibilidade, adaptando freios, aceleradores e embreagens, entre outros. A expectativa da empresa é de um crescimento de até 30% neste ano.

Se somados volumes da compra do carro e as adaptações que são feitas, o mercado movimenta R$ 320 milhões por ano. “Ultimamente, as montadoras têm prestado mais atenção nesse público”, afirma Rodrigo Rosso, promotor da Reatech 2006, a feira internacional de tecnologias em reabilitação, inclusão e acessibilidade. Aproximadamente 10% de toda a produção da Honda e da Toyota, por exemplo, é destinada a esse setor.

Rosso revelou que o segmento atende a 24 milhões de portadores. Deste número, 46% pertencem às classes sociais A e B, 41% à C e 13% às classes D e E. Na lista dos mais vendidos, os primeiros são: Classic, Fit, Corolla, Astra, Vectra e Civic.

De acordo com o consultor de negócios Marcelo Mello, do Grupo Vigorito, concessionária da GM, um carro de deficiente físico, que pode dar um lucro de R$ 3 mil, não passa de R$ 800,00 numa venda normal, que precisa pagar todos os impostos. Portanto, pode ser um segmento interessante para as lojas.

O lado ruim

Porém, nem tudo é festa. Apesar dos descontos, alguns deficientes estão insatisfeitos. Principalmente, por dois motivos: a burocracia para obter a vantagem e os modelos oferecidos pelas montadoras, considerados caros.

Para se ter idéia, o carro com câmbio automático mais barato no mercado é o Classic (Corsa com carroceria velha), com motor 1.6 a gasolina e direção hidráulica. Ele custa R$ 35 mil e, com o desconto, sai por R$ 25 mil. Para o portador de deficiência física Sérgio Gonçalves, o valor é inviável. “Nem todos têm R$ 25 mil para comprar um carro. As montadoras também poderiam pensar nos deficientes pobres. Por que não vender o Mille (que custa a partir de R$ 21 mil) para eles?” questiona.

O Mille, assim como os demais populares, não está preparado para receber o câmbio automático, requisito da maior parte de deficientes que compram carros. Mas, se o cliente tiver um laudo médico que autorize a compra do modelo sem este equipamento, o veículo pode ser vendido.

A demora e o trabalho para conseguir os descontos é outro problema. Nivaldo dos Santos Junior sentiu isso na pele: “A documentação é muito complicada. Tenho que ir a vários lugares e isso é difícil para mim. Não sei se vale a pena tanto esforço. Talvez o carro usado saia mais em conta.”

Para garantir o benefício, o cliente precisa conseguir uma comprovação médica de sua deficiência, expedida pelo Detran e, posteriormente, ir à Secretaria da Receita Federal. Toda essa burocracia “é apenas um instrumento para evitar fraudes”, segundo o promotor da Reatech, Rodrigo Rosso.

Outro ponto negativo é o tempo que uma concessionária leva para entregar o carro ao cliente. Cada deficiente tem uma necessidade específica e, por isso, o veículo é feito especialmente para ele. Em alguns casos, a loja demora até 60 dias para entregar o produto.

[Fonte: Agência AutoInforme]





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