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mitsubishi minica 1 Direto do Japão: O (ex) carro mais barato do Japão – Mitsubishi Minica




“Japão,terra dos veículos ecológicos e de míticos esportivos com a mais alta tecnologia embarcada, carros com toda a variedade de equipamentos de convniência e segurança ” – Muitos pensam dessa maneira, acham só rodam carros deste tipo e nem imaginam que existem modelos quase tão pelados quanto um carro popular brasileiro. Terra de contrastes automotivos, o mercado japonês também tem os seus “Fiat Mille ” – veículos baratos e depenados que não tem nenhum compromisso com os modismos de hoje em dia.Suas funções são apenas o de transportar pessoas e objetos com economia e um mínimo de conforto e segurança,o restante é supérfluo.

Os Kei van são modelos bastante despojados e usufruem dos benefícios fiscais que os veículos utilitários tem (como o imposto anual mais barato, 77 reais no caso dos kei van). Podem ser monovolumes ou pequenos hatches. Mas hoje vou apresentar o automóvel que mais possuiu semelhanças (pelo menos em conceito)com o carro ítalo-brasileiro e também foi o mais barato (até o último dia 30 de junho, data em que saiu de linha e que coincidentemente este texto estava sendo escrito) comercializado no Japão – 583.000 ienes ou 11.250 reais… O Mitsubishi Minica – abreviação de mini carro em japonês (mini kaa).

Um dos últimos remanescentes da primeira geração de carros que foram lançados com o novo tamanho regulamentar dos kei cars em 1998,o Minica foi comercializado com várias versões de acabamento – inclusive uma minivan com o nome de Toppo,,que morreu em 2003 e voltou ao mercado em 2008.Entretanto, o tempo foi passando, outros modelos da marca foram canibalizando as suas vendas (como o EK Wagon) e seus rivais evoluíram.

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Com o dinheiro em caixa curto para realizar grandes modificações em seu carro de entrada – pois como o grande recall de 2001 no Japão e o desenvolvimento de novos modelos para tentar reerguer a marca (Lancer,Colt e i) demandaram bastante investimento,o pequenino Mitsubishi parou no tempo e foi praticamente abandonado pela empresa.

Entrar no Minica é como voltar nos anos 90. Exatamente igual nos 12 anos de produção – a última versão que existiu foi a de carga, o modelo apresenta um acabamento espartano com apenas 1 para-sol, plásticos duros no painel e nos revestimentos das portas. Instrumentos apenas com o essencial – porém com um útil termômetro, algo raro nos keijidousha de hoje em dia.

A alavanca do câmbio é espetada no assoalho e o volante é duro que nem o de um Gol CL 1991. Os bancos dianteiros são de encosto alto e o banco traseiro… Bem, se é que pode se chamar aquilo de banco pois até bebês ficariam espremidos ali… Mas o fato é que no Japão um utilitário obrigatoriamente deve ter este
tipo de assento traseiro (ou não ter nenhum), para uso apenas quando necessário, ocupar um espaço menor quando levantado e permitir um piso plano quando em desuso, para favorecer a acomodação dos objetos. Obviamente, o porta-malas é até generoso.

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Na carroceria de 3 portas,esqueça o trio elétrico (R$809),limpador e lavador do vidro traseiro (R$263), som (R$363), ABS e airbag (R$1.820), tudo era opcional – na versão de 5 portas (R$14.480,00) apenas o ABS e o CD player eram pagos a parte. Contudo, ar condicionado e direção com assistência elétrica sempre foram de série em todas as versões. Apesar de ter sido um projeto antigo para os padrões japoneses, o Minica aparentemente foi um carro seguro.

O Toppo, que é basicamente o mesmo veículo mas com o teto mais alto, ganhou 4 estrelas no teste do JNCAP, um
numero muito bom para um projeto do século passado. O baixo peso de 680 kg ajuda o antigo motor de 3 cilindros e 50 cv a ter um desempenho satisfatório (com câmbio manual, pois o automático de 3 marchas é lento), apropriado ao seu uso. Mas os pneus 145/80R12 desencorajam qualquer abuso.

Apesar do preço baixo,suas vendas nos últimos anos tinham sido fracas.Apenas frotistas ou senhores de idade que queriam um carro básico (apenas para não pegar chuva e frio)e barato de manter foram os seus clientes, além disso, o Minica sofreu com a concorrência interna do Minicab (tipo towner), de utilidade muito maior e pouca coisa mais caro.

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Ele foi o contraste dentro da marca entre o mais antigo dos kei cars e o mais moderno da categoria, o iMIEV – embora poucos saibam, o Minica também foi um exemplo de economia e ecologia. Querendo mostrar a avançada tecnologia da empresa, no início do ano 2000 a Mitsubishi fabricou 50 unidades do Pistachio, um Minica de
1.100 cm ³ que tinha muitos detalhes que hoje em dia são comuns como sistema start-stop, injeção direta de combustível, componentes em alumínio e vidros mais leves. Atingia 30 km/l, um número revolucionário para a época.

Depois de 49 anos e 8 gerações o Minica vai embora da mesma forma que foi apresentado aos japoneses, simples e racional, mas por causa das vendas escassas acabou sendo esquecido pela marca. É um triste mas necessário fim para um carro que ajudou a motorizar o Japão. Agora o título de carro mais barato do país fica com o bem mais moderno Daihatsu Mira van, que custa 670.000 ienes (R$12.900,00).

Ficha técnica – Mitsubishi Minica Lyra 3 portas

Dimensões e capacidades

carroceria Hachback/3 portas/4 passageiros
comprimento/largura/altura: 3,40/1,48/1,51m
entre-eixos: 2,34m
peso: 680 kg (relação peso/potência 13,6 kg/cv)
tanque de combustível: 30 litros, gasolina comum
velocidade máxima: 140km/h
aceleração de 0 a 100 km/h: 19s
consumo médio: 23,5 km/l (norma 10-15 mode), 21,4 km/l (norma JC08)

Motor:

tipo 3G83, 657 cm ³, dianteiro, transversal, 3 cilindros, OHC 12V
diâmetro e curso: 65,0 x 66,0 mm
taxa de compressão: 10.2
potência: 50 cv a 6.500 rpm (potência específica 76,1 cv/litro)
torque: 6,3 kgfm a 4.000 rpm

Transmissão:

manual de 5 marchas, tração dianteira.
relações de marcha frente 1 ª :3.538,2 ª :2.052,3 ª :1.393,4 ª :0.970,5 ª :0.810/ré 3.500/
diferencial: 5.200
câmbio automático de 3 marchas (R$2.080) e 4WD (R$3.510) também disponíveis.

Direção:

tipo pinhão e cremalheira com assistência elétrica, 4,4 m de diâmetro de curva.

Suspensões:

Mc Pherson (D), braço arrastado (T)

Freios:

disco sólido (D)/tambor (T)

Rodas e pneus:

aço estampado/145/80R12

Notas no crash test JNCAP*–proteção para motorista/passageiro: 4/4 estrelas (de 6 possíveis)
*notas referentes ao Toppo, que usa a mesma plataforma.

Por João Paulo Vizioli.





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