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EA 48, o “MINI” da Volkswagen – Compacto alemão surgiu antes do famoso inglês

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No Brasil, o primeiro carro da Volkswagen com motor dianteiro refrigerado a ar foi o Gol em 1980. Antes dele, veio o Passat em 1974. Na Europa, o mesmo modelo chegou um ano antes, mas a VW já tinha o ex-NSU K70 a partir de 1969.

No entanto, muito antes disso, a Volkswagen já pensava em um carro com motor dianteiro e proposta semelhante ao do Gol, embora tendo muitas semelhanças com um rival em potencial, o MINI Cooper. O protótipo EA 48 foi um pequeno hatch e, apesar do que parece, surgiu dois anos antes do clássico britânico.

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Não se sabe se o projeto EA 48 influenciou Sir Alec Issigonis, o criador do MINI, mas seu projeto acabou se tornando um sucesso mundial, enquanto o alemão ficou no limbo. As semelhanças entre os dois são notável, mas no caso da VW, o “mini” tinha motor boxer a ar e tração dianteiros.

O projeto tinha no espaço interno seu objetivo principal, sendo que o conjunto motriz praticamente não invadia o habitáculo. Com duas portas, capô curto e teto reto, o EA 48 foi o primeiro carro desenvolvido internamente pela Volkswagen, já que Fusca e Kombi haviam nascido das mãos de Ferdinand Porsche.

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Mais barato que o Fusca

A proposta era ter um carro mais barato que o Fusca, embora este já fosse muito barato e simples para a época, especialmente nos EUA. O ano era 1955 e para que fosse mais em conta que o clássico besouro, a Volkswagen precisou cortar mais custos do projeto.

O motor boxer tinha dois cilindros e 700 cm3. Ele entregava apenas 19 cv, pouco para a época, mas não surpreendente. A caixa de mudanças era acoplada ao motor, que possuía ventoinha frontal para refrigeração, assim como no Gol a ar. A suspensão dianteira era McPherson com molas e amortecedores. Não havia grade na frente, apenas duas aberturas.

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Apenas quatro anos antes, essa configuração surgia nos EUA e o EA 48 foi o primeiro carro feito com esse sistema e tração nas rodas dianteiras. Os pneus foram desenvolvidos pela Continental especialmente para o EA 48, sendo os diagonais 4.80 em rodas de aço aro 13 polegadas. Elas eram presas aos tambores de freio por três parafusos.

Visualmente simples, o EA 48 certamente teria remotorizado a Europa do pós-guerra bem mais rápido e também teria sido um cult em muitos lugares do mundo, assim como o Fusca. Talvez, o MINI teria tido uma história muito diferente se isso tivesse acontecido. Hoje, como sabemos, o inglês venceu a batalha dos subcompactos e com ajuda do governo alemão.

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Na época, a administração da República Federal da Alemanha advertiu a Volkswagen para que não entrasse num segmento abaixo do Fusca, pois isso poderia prejudicar as vendas de outros fabricantes do país, tais como Glas, Borgward, Golias e Lloyd, por exemplo.

O fim do EA 48 em 1955 abriu caminho para que Issigonis emplacasse seu MINI inglês dois anos depois e entrasse para a história automotiva. Mas as consequências também foram positivas para um produto da Volkswagen, o Fusca.

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Caso o “mini” alemão saísse das linhas de Wolfsburg, o besouro e toda uma geração de derivados de motor traseiro teriam um destino muito diferente daquele que conhecemos. Provavelmente, a Volkswagen acabaria perdendo sua própria essência, a peculiaridade de ser um grande fabricante moldado em carros de motor traseiro a ar.

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No Brasil?

Sem dúvidas o EA 48 seria um produto apto a ser vendido no Brasil, especialmente a partir dos anos 50, evoluindo junto com a indústria automotiva e o mercado nacional. Ele poderia ter adiantado em 15 anos a tarefa que seria atribuída à Brasília nos anos 70. Embora o Fusca fosse popular no Brasil, não era exatamente barato o suficiente para a maioria.

O EA 48 teria sido mais inteligente, econômico e versátil (o protótipo surgiu como um furgão leve) que o besouro e teria certamente criado um perigoso fogo amigo dentro do lineup da Volkswagen. Por este motivo, as chances dele por aqui seriam poucas. Você teria tido um na garagem?





  • A concepção lembra a do nosso Gurgel: “meio motor” de Fusca, dois cilindros e 800 cc.

  • Autofahrer!

    Realmente, o Morris Mini-Minor é muito semelhante. Seria uma briga boa, caso tive sido produzido.

  • A concepção lembra a do nosso Gurgel: “meio motor” de Fusca, dois cilindros e 800 cc.

    • Jad Bal Ja

      Nessa foto fica bem claro o quando o projeto do Gurgel era meio tosco. Eixo cardã num carrinho desse tamanho e a suspensão traseira de feixe de molas, pouco melhor que uma carroça.

      • Acho coerente com aquela época em que asfalto nos bairros era ainda mais raro.

        • Jad Bal Ja

          Não vejo nada coerente em obrigar um carro pequeno a carregar um pesado eixo cardã, isso ocorria simplesmente por a Gurgel não conseguiu projetar e produzir a tração dianteira para o carro e aproveitou o eixo do Chevette.

          Tbm não se justifica o uso dos feixes de mola, solução que na época só era usada em camionetes e outros utilitários.

          Assim como tbm não fazia sentido algum tentar produzir um carro de grande produção em fibra de vidro.

          A coisa é simples basta comparar o BR800 com o Uno e ver a diferença abissal que existia entre os dois modelos.

      • Henrique Schulz

        Boa, estrutura feita em uma serralheria qualquer ai, kkkkk…

  • Bartolomeu

    Começo e ….Hans Dieter Poetsch, novo chairman da VW em entrevista vê o escandalo do dieselgate como a maior ameaça a existencia da VW. Deve estar muito preocupado. O Credit Suisse estima que o prejuizo da VW possa chegar a U$ 87 bilhões entre multas, custos de recall e indenizações relativos aos 11 milhões de carros afetados, sendo que hoje a empresa vale cerca de U$ 60 bilhões.

    • RafaelC

      Valor é diferente de futuramente, assim como futuramente líquido é diferente de futuramente bruto,.

      Mas é feia a situação mesmo

  • Mr. Bola de FOGO!

    Olha que ele não era feio…

  • Uber

    Me fez lembrar do BY que seria menor que o Gol.
    Só achei essa foto da traseira:

  • Jad Bal Ja

    Acho que foi o carro mais triste que já vi na vida. Fiquei ate meio deprimido, vou ali tomar uma Fanta uva ou algo doce e colorido para me sentir melhor….

    • jaderf

      hahaha boa…carinha de tristeza dele mesmo…parece um bagre desanimado

    • Gian

      kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  • Gustavo Miranda

    Uma coisa é certa, nessa época todo carro tinha um apelido aqui, se ele tivesse sido lançado aqui seria chamado ou de “VW Pé-de-boi” ou então de “Tristonho” devido ao desenho frontal.

  • Osni Duarte

    Corrijam aí: a Kombi não foi criação de Ferdinand Porsche, mas do importador holandês da VW, Ben Pon.

  • Bittencourt

    Eu devo estar ficando louco…
    Na foto de perfil, da porta para trás, eu consigo ver traços do Mercedes 300 SL Gullwing!

  • Gian

    Segunda foto com a tradicional cambagem positiva dos VW a ar antigos

  • J_Eduardo

    Se custasse a metade do preço do fusca poderia ter motorizado o país de verdade e hoje seriamos um mercado muito mais maduro, com preços mais realistas frente outras nações, isso entre várias outras vantagens, pois sobe rodas as pessoas viajariam mais e a economia se desenvolveria mais fazendo de locais até pouco tempo turisticamente limitamos mais avançados…e isso uns 30 anos antes…Imagine o nordeste brasileiro com uma economia mais desenvolvida e uma força turística maior já nos anos 70. Ou mesmo pense nestes carros na zona rural motorizando o setor, poderia ter sido o “T” brasileiro dadas as devidas proporções…Mas como dizem em história não existe o “e se…”

  • Lu RS

    VW Up! é vc?
    hauahauahaau
    Zoadinha básica com os Vw lovers!!

    Ah mas este não tem o Tsi embaixo!!!