Fabricantes internacionais suspeitam que a China vai impor regras de certificação

08/02/2016

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Homologar carros na China é, em teoria, muito fácil. O país não exige uma certificação local para os fabricantes de automóveis, desde que o produto tenha uma certificação internacional. Como quase todos os fabricantes estrangeiros presentes no maior mercado do mundo possuem tal registro, não é exigido quaisquer mudanças para atender a legislação nacional, mas isso pode mudar.

Fontes locais dizem que a China está movendo-se na direção de uma certificação nacional para automóveis, o que pode levar a enormes custos em mudanças nos projetos oferecidos para aquele mercado. Uma certificação nacional chinesa começou a ser levantada com base em suspeitas dos fabricantes instalados no país. O caso mais notório foi a exigência na mudança de posição das lanternas traseiras de um modelo da Nissan, não revelado.

Mudanças quanto à resistência de para-choques, posição de luzes e retrovisores, entre outros, significam revisar os processos de produção e engenharia de produto, levando mesmo a substituição de maquinário e moldes para atender à legislação local.

Os custos seriam de milhões de dólares para muitos projetos. Os fabricantes sabem que os padrões exigidos atualmente pela China, especialmente no que se refere à segurança, estão ultrapassados, mas devido ao enorme tamanho do mercado, uma mudança agora representaria um investimento gigantesco.

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A preocupação é que avanços técnicos sejam postergados para que o investimento seja feito apenas para adequar os produtos à normativa nacional. Um analista chinês diz que as pessoas pensam que o país não tem padrões adequados e é por isso que a qualidade do carro nacional é inferior.

A explicação do motivo pelo qual a China não exigiu há mais tempo uma certificação nacional é que, sem padrões mais rigorosos, tais como da Europa, os fabricantes locais ficariam protegidos de pesados investimentos que não poderiam arcar, a fim de competir com as marcas internacionais.

Para analistas internacionais, o mercado chinês ficará estável nos próximos anos, garantindo assim a sobrevivência dos fabricantes locais e estrangeiros após anos de crescimento de dois dígitos. Se a elevação anual continuasse no ritmo que vinha, certamente as marcas nacionais não sobreviveriam no futuro, dada a preferência do consumidor pelas estrangeiras. Para a Geely, por exemplo, não há certeza de que a não certificação trouxe benefícios para as marcas chinesas.

Outros setores defendem que não houve proteção aos locais e muito menos dificultar a vida das estrangeiras. Ainda assim, as montadoras permanecem observando o que o governo chinês fará daqui em diante.

Honda e Toyota não comentam sobre uma certificação nacional e a associação dos fabricantes europeus disse que as montadoras devem se adaptar se exigido, mas que haverá prejuízo para a China em termos de evolução tecnológica, pois a introdução de inovações seria muito mais custosa e inviável, deixando o país atrasado em relação ao mercado internacional.

[Fonte: Reuters]













  • leandro

    Esse seria um passo natural para melhorar a qualidade dos seu produtos e consequentemente com o tempo poderia melhorar a fama dos automóveis chineses, desde que não crie jabuticabas por lá. Mas no curto prazo isso iria prejudicar principalmente as chinesas pois as internacionais já são altamente adaptáveis para atender diversas legislações.
    Um exemplo que tenho na minha garagem é o new fiesta sedan que aqui no Br possui a seta traseira na cor vermelha compartilhando a lâmpada do freio, como isso não é permitido na europa mesmo o meu carro já tem a cor âmbar e o local para a lâmpada separa disponível não exigindo grandes mudanças para adaptar ao outro mercado

    • Diego Lip

      Acho tosco isso, fabricar carro sem as setas na cor âmbar não pode, mas importas pode. Deveria-se proibir isso, pois muitas vezes confunde o motorista.

    • Diego Lip

      Acho tosco isso, fabricar carro sem as setas na cor âmbar não pode, mas importar pode. Deveria-se proibir isso e as montadoras adaptarem esse detalhe para o Brasil assim como fazem pra outros países, pois muitas vezes confunde o motorista. Na China, o Camaro tem setas na cor âmbar, por exemplo.

      • leandro

        Pior q a cor das setas acho as luzes traseiras de neblina não ter uma padronização de posição ou quantidade, eu particularmente acho desnecessário pois se a lanterna fosse de led já melhoraria a visibilidade e evitaria o incômodo que elas causam acesas desnecessariamente..
        Mas aqui no Br não tiveram coragem de resolver nem o ESP e aviso sonoro de cinto com descendia e pra piorar ainda estão discutindo o retorno do extintor de incêndio….

  • No_Name

    Acho difícil isso vingar, ir adiante. Os carros vendidos lá em sua maioria têm especificações européias, portanto em conformidade com as normas mais avançadas existentes.

    • Thales Sobral

      Rapaz, pode ser que tecnicamente não seja necessário, mas se a sanha de legislar chegar por lá também…

  • sushi man

    India esta crescendo mais q a China

  • Willian

    Acabou a festa?

  • Diego Lip

    A China amadureceu, falta o Brasil endurecer algumas regras também.

    • Thales Sobral

      Mais? Veja que a gente recebe os carros 2 a 4 anos depois deles serem lançados na europa justamente por causa dessa “dureza” toda nossa. E o que ganhamos com isso?

      • Diego Lip

        A demora de vir pra cá é culpa da montadora, pois os países têm suas regras que devem ser obedecidas, senão vira uma bagunça. Se as marcas europeias fazem isso, mas japonesas são rápidas e lançam aqui em menos de um anos após a estreia mundial.

  • Senhora Liberdade

    Se isso for adiante, as marcas chineses que falsificam projetos nao iram adiante