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Falcon, o pequeno grande da Ford ainda resiste ao tempo

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Ford Falcon Futura Sprint Hard Top

No final dos anos 50, ficou provado que as montadoras americanas não poderiam ficar de braços cruzados diante da chegada de marcas estrangeiras com grande apelo popular, especialmente de origem germânica.

Para ter um produto menor, mais barato e atraente, as Big Three partiram para projetos nesse sentido, sendo que o Ford Falcon foi um deles. O modelo foi idealizado pela marca americana sob forte influência de Robert S. McNamara, então presidente da empresa.

No entanto, a ideia de McNamara era inverter a situação diante dos novos rivais europeus e japoneses, revidando com um carro de perfil global, que pudesse ser vendido e produzido também fora dos EUA. Assim, o Falcon – nome usado pela primeira vez em 1935 – seria uma resposta adequada à concorrência e também significaria a expansão da Ford mundo afora.

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Ford Falcon Ranchero

Com sete gerações ao todo, o Ford Falcon teve três destinos diferentes e foi breve em sua própria casa. Nos EUA, ele apareceu em 1960 medindo 4,59 m de comprimento e 2,78 m de entre-eixos, tendo basicamente um motor seis em linha 2.4 de apenas 95 cv. Ele vinha com transmissão manual de três (direção) ou quatro marchas (túnel central), além de automática de apenas duas velocidades.

As opções de carroceria eram variadas, tendo versões sedã com duas ou quatro portas, perua com duas ou quatro entradas, cupê duas portas, conversível, furgão e a precursora picape Ranchero (cujo nome anda circulando nas listas da Fenabrave), a primeira derivada de um automóvel de passeio. A van Ford Ecoline surgiu a partir do modelo, sendo hoje a famosa Série E nos EUA.

O estilo do Ford Falcon era simples, elegante, limpo e fluído, destacando-se a grade cromada com dois faróis circulares, reproduzidos na traseira com duas lanternas de mesmo formato. Essa primeira geração é considerada a mais emblemática do modelo, pois foi fabricada em três plantas nos EUA, mais Canadá, México, Chile, Austrália e Argentina. Nos dois últimos, seguiu rumos diferentes.

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Ford Falcon Futura Station Wagon

Além do seis em linha 2.4, o Ford Falcon recebeu também um similar 2.8 de 101 cv e um V8 4.3 de 164 cv em 1963. No entanto, esse foi o ano derradeiro para a primeira geração nos EUA, que seguiu em linha do país. Já a segunda geração “americana” cresceu apenas 2 cm e ganhou linhas mais quadradas e robustas. Seu projeto acabou influenciando o surgimento do Mustang e do Mercury Comet.

A partir daí, o Ford Falcon fez mais uso do motor V8 Windsor, tendo versões 4.3, 4.7 e 4.9, bem como mantendo os seis em linha Thriftpower 2.4, 2.8 e 3.3 litros. Uma caixa automática de três marchas foi adicionada, sendo esta a chamada Cruise-O-Matic. Mas, esta geração só duraria três anos, sendo substituída pela terceira, a última originalmente americana.

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Ford Falcon 429 Cobra Jet

O Falcon ficou maior em 1966, passando a ter 4,68 m de comprimento e 2,81 de entre-eixos. O estilo ficou um pouco mais encorpado, mas apenas três carrocerias foram oferecidas: sedã quatro portas, perua quatro portas e cupê duas portas. Interessante é que esta geração foi feita no Chile e também no Canadá, onde a segunda havia sido retirada. O México fez as três gerações.

Em 1 de janeiro de 1970, a Ford oficialmente transferiu o nome Falcon para a versão de entrada do Fairlane, constituindo assim o chamado ½ Falcon que manteve as carrocerias, exceto a cupê, convertida em sedã duas portas. Esse modelo chegou a ter motor V8 429 Cobra Jet 7.0. Não durou mais do que um ano apenas. Chegava ao fim a história do Falcon com sua pátria-mãe.

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Ford Falcon Sprint (Argentina)

Argentina

Em 1962, a Ford começa a produzir o Falcon em General Pacheco, Argentina. As peças eram inicialmente importadas em CKD e apenas o sedã foi feito, mas depois surgiram a perua com quatro entradas – chamada Rural – e uma picape duas portas com estilo cupê, a chamada Ranchero.

O motor era o Ford Pinto de quatro cilindros 2.3, tendo ainda os seis cilindros 2.8, 3.1 (da versão Futura e com 116 cv) e 3.6, bem como um diesel 2.4 da VM Motori. A versão esportiva Sprint de 1966, entregava nada menos que 166 cv.

Em 1982, o Falcon argentino recebia sua quinta e última renovação visual, na qual ganhou o diesel 2.4 de 70 cv, chegando a ter 140 cv na versão 3.6 Ghia SP. O fim chegou em 1991, quando foi definitivamente retirado de linha. A Ford produziu mais de 466 mil unidades no país vizinho.

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Ford Falcon (Austrália)

Austrália

Em 1960, o Ford Falcon também começava a ser feito na Austrália. No continente dos marsupiais, o “isolamento” daquele mercado fez com que o modelo evoluísse até os dias atuais, ganhando em tamanho e potência.

Designado por letras em suas atualizações, o Ford Falcon australiano foi feito em dois lugares do país e também na Nova Zelândia. Desde sempre, seu objetivo era combater a Holden, braço local da GM. O modelo foi introduzido nas versões sedã quatro portas, perua quatro portas, picape cupê (como a Ranchero, mas chamada Ute) e furgão duas portas.

O motor Falcon Six 2.4 e 2.8 inaugurou a linha do Ford Falcon australiano, cujo modelo XK foi substituído pelo XL em 1962 e assim sucessivamente pelos XM e XP, respetivamente em 1964 e 1965.

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Ford Falcon GT Interceptor Pursuit XB (filme Mad Max)

A segunda geração surgiu em 1966 com o XR, sendo até o momento semelhante em estilo ao americano. Os modelos XT, XW e XY ganharam contornos mais exclusivos e visualmente lembram muito nosso saudoso Chevrolet Opala de 1968.

Em 1972, a Ford introduz a terceira geração de seu Falcon australiano, que ficou famoso com o modelo XB Interceptor, usado no filme Mad Max. Desde a segunda geração, o modelo vinha ganhando força com motores V8 cada vez mais potentes. Agora, com 4,73 m de comprimento e um perfil mais esportivo, o Falcon ficou mais agressivo. O XA tinha uma versão GT com um V8 5.8 de 300 cv.

O Falcon XB ganhou as telas de cinema e a adoração de milhões de fãs em todo o mundo, sendo pilotado insanamente por Mel Gilbson nos dois primeiros filmes da produção americana e retornando no recente filme Mad Max – Fury Road. A versão GT Coupé 1973 foi a usada na produção. O XC foi feito de 1976 a 1979.

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Ford Falcon GT Tickford (EB)

Na quarta geração, o Ford Falcon australiano passou a ter estilo mais europeu, por mais próxima que a cultura local seja da americana. O chamado Projeto Blackwood tem influência inglesa e assim fez nascer o XD. Seu estilo era semelhante ao do Ford Granada europeu. Ainda assim, seus motores eram somente de seis cilindros e V8, indo de 3.3 a 5.8 litros.

Apesar disso, a Ford Austrália cogitou o fim do Falcon V8 em favor de um modelo com quatro cilindros, o chamado Projeto Capricórnio. No entanto, este foi cancelado em 1981. O “europeu” XD foi substituído pelos XE, XF, XG e XH até 1988, quando surgiu a quinta geração. O nome Fairmont se tornou popular no sedã.

O Falcon EA era ainda mais europeu que o XD anterior, ficando muito semelhante ao Ford Scorpio. Foi o modelo de maior mudança em termos técnicos até então, com mudanças significativas em motor, câmbio, suspensão e plataforma. Ele custou AU$ 700 milhões e foi o que durou mais tempo em linha até então.

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Ford Falcon (EA)

Com os modelos subsequentes EB, ED, EF e EL, ele voltando a ter estilo mais próximo dos americanos. Os motores iniciais 3.2 e 3.9 no final foram substituídos pelos seis em linha 4.0 e V8 5.0 Windsor. O tamanho já ultrapassava os 5 metros.

A sexta geração AU ficou mais arredondada, adotando o estilo New Edge dos anos 90. Foi produzido nas versões Forte, Si, Futura, Fairmont, Ghia, XR6 e XR8, entre outras. Foi nessa geração que o Falcon ganhou suspensão traseira independente pela primeira vez na história. Misto dos estilos americano e europeu, o modelo teve as variantes BA e BF.

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Ford Falcon (FG)

Em 2008, a Ford Austrália gerava o último Falcon local com a sétima geração, iniciada pelo modelo FG e finalizada pelo FG X, tendo ainda versões XR6, XR8, Ghia, entre outras. É vendido atualmente, mas será retirado em 2016. Sua produção acabou em outubro de 2014. É o primeiro Falcon australiano com motor quatro cilindros, sendo este o 2.0 EcoBoost.

Ele é equipado também com motores de seis cilindros em linha 4.0 e V8 5.0 ou 5.4. Apenas as versões sedã, picape e picape sem caçamba são comercializadas. Ele mede 4,95 m de comprimento e 2,85 de entre-eixos. Seu estilo é semelhante ao do Fusion, cuja presença na gama da Ford australiana o indica como seu sucessor, embora o Novo Taurus chinês possa ocupar seu lugar.

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Ford Falcon Sedan

Brasil

O Ford Falcon nunca foi produzido ou vendido oficialmente no Brasil, mas bem que poderia ter sido. Seu tamanho médio era adequado ao Brasil dos anos 60 e 70, ficando assim como um intermediário entre o Corcel de 1968 e o Galaxie/Landau da mesma época, ocupando talvez melhor o lugar que foi do Maverick.

Provavelmente, dado a interrupção das importações em 1976, acabaria ficando como o argentino, apenas na primeira geração ou no máximo na terceira, tendo um fim certo com a Autolatina. O Sierra teria sido um bom sucessor no começo dos anos 80, dando continuidade na evolução local da marca.





  • Tosoobservando

    Ja joguei muito com Ford Falcon.

  • pedro rt

    acho mais provavel o fusion ficar no lugar dele q o taurus chines

    • Filipe Augustus

      Ele é grande, era concorrente do Holden Commodore (Chevrolet Omega) na Austrália e tem tração traseira, o Fusion é pequeno, o Taurus é o mais indicado, ainda mais pois pode receber um V8 embaixo do capo! Se não estou enganado o que desabona o Taurus é a tração dianteira, porem nada que um sistema 4WD não resolva!

  • Felipe Alfano Perrone

    Gostava mais do ronco dos Falcon V8, sobretudo os da FPV, do que o ronco dos Commodore HSV
    E gostava também das cores exóticas

  • Jackson

    O modelo Falcon Sprint foi o carro que os militares utlizavam na repressão argentina. Quatro portas, espaçoso e rápido.

    • Hernan Carlos Granda

      nao, voce esta errado. eram falcon standard de color verde, 3.0, 3 velocidades doble asiente entero capacidade para 6 pessoas

      • Jackson

        Si, estás cierton. Ya he visto en peliculas en color verde. Pero en este informe lo mas cercano fué el Sprint.

    • mjprio

      O preferido pra levar a comunada argentina pra vala!! Igual a veraneio aqui no Brasil, que deve causar arrepios neste “dream team” que (des) governa o Brasil

  • Hygor Mayrink

    Vai ser um dos meus carros quando eu me tornar milionario =). Acho o Falcon Hard Top 63 simplesmente um dos muscle mais lindos de todos.

  • Osni Duarte

    Nos anos 80 eles eram comuns no verão de Santa Catarina, quase sempre lotados com famílias argentinas. Muitos em estado deplorável, mas com um charme inconfundível.

  • Gian

    No programa “dupla do barulho”, eles fizeram um Falcon branco (semelhante ao da primeira foto) preparado para corrida. Ficou muito muito irado.

  • Bittencourt

    Esse Cobra Jet é lindo!!!
    Só conhecia o Argentino; lá em Córdoba tem vários!

  • Gustavo Miranda

    O Falcon / Torino é muito bonito, que pena que não era para o nosso bico… O motor do Torino Cobra mais uma carroceria menor e mais leve como a do Mustang foi a matemática genial do Carol Shelby para fazer o Mustang Cobra…

    Nossa, esse bicho feio do último Falcon argentino era bem popular no litoral paranaense, parecia um cruzamento mal sucedido de um Galaxie com um Corcel… Mas se por um lado a Ford de lá tinha essa diabrura, também tinha o belíssimo Fairlane, que, mesmo tendo um V8tão pré-histórico era algo que estava além dos nossos padrões de conforto, além do Taunus com n, muito mais moderno e que fez falta aqui para rivalizar com o Opala; sem falar no fantástico Sierra, que a tonga da montadora poderia ter lançado aqui para brigar com o Monza…

  • Marcello Caetano

    Ótima matéria.

  • mjprio

    Um Classico argentino, dizia a propaganda. Toda vez que viajo pra Argentina tiro umas fotos de alguns modelos que vejo por lá. Me lembro quando atracava no Porto de Mar del Plata e tinha um modelo GL 3.0 Econo-Max da guarda portuária, em estado impecável, com as mesmas calotas do del Rey Ghia pré autolatina. Simplesmente lindo. Estive ano passado lá e pra minha tristeza não vi mais o modelo. Porém tive a felicidade de encontrar um 1966, motor 188 argentino de um surfista , com direito a pneu banda branca, estofamentos em couro marfim completamente impecavel e , claro com uma baita prancha de surf no teto.