VW Fusca – Reclamações e Problemas

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Hoje vamos falar de um clássico, talvez “o” clássico supremo, o saudoso VW Fusca, que tem a fama de inquebrável, rodar na terra, lama e até na água, é bem verdade que ele foi projetado para durar e rodar em condições extremas, mas até nosso querido besouro tem seus defeitos e problemas, vamos falar aqui sobre eles.

A história do Fusca é um tanto quanto controversa, seu projeto teve início na década de 30, na Alemanha, e, se você não matou as aulas de história, sabe o que estava acontecendo por lá nessa época.

O então líder do país solicitou ao Ferdinand Porsche o projeto de um “carro do povo” ou “Volkswagen”, traduzindo para o alemão, o carro deveria ser barato, confortável e levar até 5 pessoas ou 3 soldados e uma metralhadora.

No Brasil as primeiras unidades começaram a chegar só na década de 50, bem depois do fim da segunda guerra mundial, e a produção nacional começou em meados de 1959, em sua história teve motores 1200cc, 1300cc, 1500cc e 1600cc (o Fuscão), nunca teve muitos opcionais, eles eram basicamente o rádio, vidros verdes e faróis auxiliares, ar-condicionado e direção hidráulica são basicamente impossíveis no projeto.

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Abaixo vamos listar os principais problemas que o Fusca enfrenta nos dias de hoje, tenha em mente que na época de sua concepção o Brasil (e o mundo) eram totalmente diferentes do que são hoje e essas características não eram um problema, necessariamente, para o mercado.

Consumo alto

Apesar da baixa cilindrada, o Fusca é beberrão para os padrões atuais, dependendo do ano e da motorização, faz entre 7 e 9 km/l na cidade e 9 e 11 km/l na estrada. Na época do lançamento poderiam ser bons números, hoje já não são.

Desempenho fraco (principalmente no 1200 e 1300)

Essa é a parte mais triste do fusca, na minha opinião, para os dias atuais chega a ser inviável utilizar algumas versões originais do Fusca em uma rodovia, a versão 1200cc fazia de 0 a 100 km/h em 39s! Sua velocidade máxima é de 112 km/h, com o motor “esgoelando”. A versão 1300 fazia essa mesma aceleração em 32s com máxima de 115 km/h.  O 1500 já era bem mais esperto, com 0 a 100 km/h em 23s e máxima de 125 km/h.

O Fuscão 1600 já não sofre desse mal, inclusive deixa vários carros bem mais modernos no chinelo, fazendo 0 a 100 km/h em 14s e máxima de 140 km/h.

Fogo no Fusca

Não era uma cena muito rara ver um Fusca pegar fogo, dois eram os principais causadores, a bateria fica em baixo do banco traseiro, que era confeccionado em fibra natural, altamente inflamável, qualquer faísca ou curto nela fazia com que o banco (e o carro) pegasse fogo. Outro foco era no motor, mangueiras não originais, de material plástico que ressecam e rasgam, despejando combustível no motor, que, quando quente, incendiavam.

Folga na direção

Se você já dirigiu um Fusca ou Kombi, sabe bem do que estou falando. Para manter o carro andando em linha reta, precisa ficar girando o volante de um lado para outro, e as rodas só respondem à mudança de direção no volante após alguns instantes, devido à enorme folga na direção.

Bobina fervendo

Eventualmente seu Fusca pode apagar e parar de funcionar por alguns minutos, e “milagrosamente” voltar a funcionar, o causador disso?  A bobina, que naturalmente já esquenta, e ainda era montada em uma região quente próxima ao motor, existem adaptações para acabar com esse problema, ou andar com o bom e velho pano molhado no carro, e coloca-lo sobre a bobina para refrigera-la se o carro parar.

Estabilidade

O Fusca não corre muito, é verdade, mas mesmo assim consegue te colocar em perrengues nas curvas, ele não gosta delas, é muito fácil se perder na direção se não estiver habituado a conduzi-lo.

Segurança zero

Nem sei por onde começar a falar da ausência de segurança do Fusca (e de todos os carros dessa época), airbags e ABS só se for em algum filme de ficção científica, na verdade ele tinha sim um airbag, era o para-brisas, em uma pancada mais forte o motorista poderia dar de cara com o vidro, imagine só, devido à ineficiência do cinto de segurança.

O tanque de combustível fica na dianteira, e era de metal, numa batida pode rachar, derramar combustível e ainda gerar faísca, tudo isso ao mesmo tempo.

Tempo de uso

Já não existe Fusca novo, o máximo que vai encontrar é uma relíquia com baixa quilometragem, mas ainda assim é um idoso, a lataria, motor, acabamentos já sofreram com a ação do tempo, fique atento ao assoalho que costuma trincar, o principal foco de trincas é próximo ao pedal de embreagem e no pé direito do passageiro dianteiro. O acabamento do painel costuma trincar com facilidade.

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Bateria acabando

Principalmente nos modelos mais antigos que usavam dínamo no lugar de alternador, a taxa de carregamento da bateria pode ser inferior ao seu consumo, em trânsito intenso por exemplo, fazendo com que ela acabe e o carro não ligue mais.

Atenção às versões especiais e peças de acabamento

Algumas peças mais exclusivas de acabamento podem custar verdadeiras fortunas, por sua baixa disponibilidade, e mesmo algumas peças mais comuns de acabamento podem custar caro, as paralelas são muito mal construídas e as originais são absurdamente raras, então certamente não são baratas, compre uma unidade bem conservada!

Porta-malas minúsculo

Dentro do porta-malas não cabe uma mala, por incrível que pareça, são menos de 200 L somando todos os compartimentos de bagagem do carro.

Visibilidade ruim

Tanto no quesito iluminação, quanto no quesito de pontos cegos, o Fusca deixa muito a desejar, é bem difícil enxergar a rua com clareza especialmente pelos retrovisores, se estiver chovendo ou à noite então… complica mais ainda.

Barulho

Tentar conversar dentro de um Fusca é uma tarefa complicada, principalmente se for com alguém que está no banco de trás, o isolamento acústico é inexistente e o motor é bem barulhento.

Conclusão

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Na época de seu lançamento, o Fusca cumpriu com louvor sua proposta e se tornou  o eterno “carro do povo” e hoje traz seu status de clássico, o que permite que, mesmo com tantos problemas nos dias de hoje, ainda seja um carro desejado, pela sua história e as histórias que proporciona pra quem o possui.

É aquela velha história, só quem já teve um Fusca sabe como é. Já tive um exemplar em casa e posso falar com propriedade, é um carro que traz alegrias, e histórias pra contar mas não é para o dia-a-dia moderno.

Se está pensando em ter um para dar rolê no fim de semana ou usar esporadicamente durante a semana, vá em frente, é muito bom para isso, mas comprar um para ir trabalhar todo dia, eventualmente numa rodovia, não é uma boa ideia.

Principalmente pela segurança (ou falta dela), qualquer acidente envolvendo um clássico é mais grave, sem contar que o Fusca que você desliga hoje, não é o mesmo que você liga amanhã, tem dias que ele resolve não pegar e te deixa na mão, por coisas bobas, que apesar de baratas, são incômodas e podem arruinar os seus planos.

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Autor: Luca Magnani

Engenheiro mecânico na indústria automotiva, pós graduado pela Universidade da Indústria do Paraná em Engenharia de veículos elétricos e híbridos.