Home Marcas Fiat Fiat Grand Siena Tetrafuel: versatilidade, mas versão rende poucas vendas ao líder

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O apelo da versão Tetrafuel do Fiat Siena sempre foi de possibilitar mais economia para o motorista. A introdução do kit GNV proporciona não apenas menos dinheiro gasto na hora de abastecer, mas também a confiabilidade de ter a instalação do equipamento feita na própria fábrica.

Foi com essas premissas que a configuração foi bem-sucedida desde o seu lançamento, em 2006. Quando a nova geração do sedã chegou, em março deste ano, a proposta mudou ligeiramente. O sistema multicombustível abandonou a carroceria antiga do compacto e foi incorporado ao Grand Siena.

A versão Tetrafuel oferece uma versatilidade única para o Grand Siena, mas a proposta mais econômica do modelo entra em choque com o novo sedã, que é maior, melhor acabado, mais refinado e, consequentemente, mais caro. Tanto que, com a mudança de geração, a versão Tetrafuel perdeu muito em participação.

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Quando equipava o Siena mais simples, o share dentro da linha era por volta de 30%. Hoje, representa menos de 5% da soma das vendas de Siena EL, de arquitetura antiga, e Grand Siena – ou 10% de todos os Grand Siena comercializados.

Apesar da pequena ajuda, até novembro, o sedã da Fiat acumulou mais de 91 mil unidades comercializadas, com uma média de 8.300 carros mensais. Logo atrás aparece o Chevrolet Classic, vendido apenas em configurações de entrada, e o Volkswagen Voyage.

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Como o próprio nome denuncia, o diferencial do Tetrafuel está na versatilidade de combustíveis que o motor 1.4 Fire Evo aceita. Além dos tradicionais etanol e gasolina brasileira, ele pode ser abastecido com gasolina pura – sem adição de etanol, vendida na Argentina, por exemplo – e o GNV. Para este último foram feitas algumas adaptações importantes. Além da introdução dos cilindros de 6,5 m³ cada, o sedã ganhou uma suspensão traseira com molas mais rígidas e barra estabilizadora.

O funcionamento do sistema GNV da Fiat é diferente do de veículos adaptados a rodar com gás natural. O motorista pode escolher usar apenas GNV, apenas combustível líquido ou então deixar a escolha a cargo da central eletrônica. Ela é capaz de variar a alimentação de combustível de acordo com a necessidade, independentemente da ação do motorista.

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Em velocidades baixas ou acelerações suaves, situações de baixa necessidade de potência, o gás é usado. No caso de se exigir mais força do motor, a gasolina ou o etanol são utilizados. No geral, o motor 1.4 Fire Evo desenvolve 85 cv com gasolina, 88 cv com etanol e 75 cv com GNV, todos no regime de 5.750 rpm. O torque é de 12,4, 12,5 e 10,7 kgfm, respectivamente.

De série, o Tetrafuel é o Grand Siena mais caro à venda. Com preço de R$ 44.830, ele fica acima até do Essence Dualogic. Ao menos, traz lista de equipamentos completa. Ar-condicionado, direção hidráulica, vidros dianteiros e travas elétricas, airbag duplo e ABS são itens de fábrica.

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Entre os opcionais mais importantes estão o rádio/CD/MP3/USB/Bluetooth, retrovisores elétricos, sensor de estacionamento a até um vistoso teto solar. Com eles, a conta sobe para mais de R$ 50 mil. Valor salgado para um tipo de consumidor que abre mão de potência e torque para economizar no combustível.

Ponto a ponto

Desempenho – Se o motor 1.4 já sofre um pouco para mover um Grand Siena “tradicional”, com o peso extra do cilindro de GNV, então, o desempenho fica ainda mais tímido. Com gasolina ou etanol, é preciso alguma paciência nas ultrapassagens. Mas nada fora do comum. O zero a 100 km/h é feito em 13 segundos. Com GNV, a marca sobe para mais de 15 segundos e o comportamento se assemelha ao de um hatch 1.0. Ao menos, o motor 1.4 8V “não reclama” ao rodar em altos giros, onde oferece um desempenho um pouco mais aceitável. Nota 5.

Estabilidade – É uma das boas evoluções do Grand Siena em relação à geração anterior. O carro é notavelmente mais estável e responde melhor à mudanças de direção. Mesmo com um acerto de suspensão voltado ao conforto, não há rolagem lateral excessiva nas curvas. O peso extra do cilindro faz pouca diferença em termos dinâmicos. Nota 7.

Interatividade – O Grand Siena é um carro simples de usar. Os comandos estão todos à mão e são intuitivos. O câmbio continua com engates pouco precisos. O funcionamento do sistema Tetrafuel também é simples e pode independer da ação do motorista, o que é muito vantajoso. Nota 7.

Consumo – O InMetro ainda não testou o Grand Siena Tetrafuel. O resultado do computador de bordo, no entanto, foi animador. Com gasolina no tanque, o sedã fez média de 10,6 km/l em um trajeto misto. O sistema não mede o consumo do GNV, mas o seu uso aumenta a autonomia em cerca de 120 km, dependendo da utilização. Nota 9.

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Conforto – Espaço não falta no interior do sedã da Fiat. Dá para levar cinco ocupantes sem grandes sacrifícios. Os bancos apoiam bem o corpo e há uma sensação geral de conforto. A suspensão mais macia contribui para isso ao absorver com competência a buraqueira. Nota 8.

Tecnologia – O Grand Siena é um carro recente, que recebe uma plataforma moderna, que tem elementos da usada no Uno e no novo Palio. O motor é antigo, ainda da família Fire. Ele não trabalha com folga para puxar os 1.207 kg do sedã, mas, pelo menos, fornece ótimo consumo. A lista de equipamentos de série é boa, com recursos desejáveis como airbag, ABS, ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas. Nota 8.

Habitalidade – Porta-objetos não existem em abundância no interior do Grand Siena. Mas isso não chega a incomodar. Basta procurar para guardar itens de uso rápido. É no porta-malas que as perdas são mais acentuadas. No modelo “tradicional” ele é de bom tamanho, com 520 litros, mas 130 litros deles são “roubados” pelo tanque de GNV. Isso prejudica ligeiramente a proposta familiar do carro. Nota 7.

Acabamento – Há boas sacadas como o aplique transversal na parte central do painel que melhora a sensação geral. Mas o cenário é dominado pela simplicidade. O Grand Siena é recheado de plásticos rígidos, como seus rivais, e mostra encaixes imprecisos. Nota 7.

Design – O Grand Siena se tornou um carro mais imponente na troca de geração. O sedã ganhou porte e visual próprio, distante do Palio. A frente é o destaque, bem harmoniosa. A traseira é menos criativa, com lanternas com filetes de luz que imitam leds – numa referência às dos sedã da BMW. Nota 7.

Custo/benefício – O Grand Siena vem de fábrica já adaptado ao uso de GNV – recurso que adiciona R$ 5 mil ao modelo. A vantagem é que a instalação do equipamento pela própria montadora dá mais confiabilidade ao conjunto e ameniza as perdas de potência comuns à conversão. A lista de equipamentos é completinha, com direito a ar-condicionado, direção hidráulica, airbag duplo e ABS de série. Só que o preço do modelo completo beira os R$ 50 mil. Não é exatamente um carro muito em conta. Nota 6.

Total – O Fiat Grand Siena Tetrafuel somou 71 pontos em 100 possíveis.

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Impressões ao dirigir – Potência variável

Não há como fugir. O grande diferencial do Grand Siena Tetrafuel é a versatilidade de aceitar três combustíveis diferentes – o quarto, gasolina pura, é também marketing puro. Claro que o desempenho do carro varia com eles. Com gasolina brasileira e etanol a diferença é quase nula.

O Grand Siena precisa de tempo para acelerar e é preciso cálculo prévio para fazer algumas ultrapassagens. O carro até se dá bem na cidade, onde não se exige um comportamento extremo, mas falta motor para rodovias e auto-estradas. Com o GNV, a situação piora. O sedã fica ainda mais “murcho”. Nesse caso, o comportamento se assemelha ao de um modelo 1.0.

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A Fiat tenta amenizar a diferença com uma inteligente central eletrônica que injeta cada combustível dependendo da aplicação. Em situações tranquilas, o gás é usado. Quando é preciso mais força, a escolha é pelo combustível líquido. O funcionamento do conjunto é muito suave e quase não dá para perceber quando o sistema troca entre GNV e gasolina, por exemplo. É uma boa maneira de amenizar a invariável perda de desempenho de um carro com kit GNV.

No resto, o Tetrafuel se assemelha a qualquer outro Grand Siena. Isso significa que ele é um carro espaçoso, com área para levar até cinco adultos sem grandes problemas. O acabamento é bom para o segmento, com um bonito aplique na parte central do painel.

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Nas extremidades existem algumas rebarbas. O comportamento dinâmico é bom, sem diferenças acentuadas entre o Tetrafuel e os “normais”. O peso extra não muda as respostas do carro em situações urbanas, quando se mantém na mão. O acerto que se volta para o conforto só prejudica em condições extremas.

Ficha técnica – Fiat Grand Siena Tetrafuel

Motor: A gasolina, etanol e GNV, dianteiro, transversal, 1.368 cm³, com quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.

Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração.

Potência máxima: 88 cv com etanol, 85 cv com gasolina e 75 cv com GNV a 5.750 rpm.

Torque máximo: 12,5 kgfm com etanol, 12,4 kgfm com gasolina a 3.500 rpm e 10,7 kgfm com GNV a 2.500 rpm.

Diâmetro e curso: 72,0 mm X 84,0 mm. Taxa de compressão: 12,3:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com braços oscilantes inferiores, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente com eixo de torção, molas helicoidais , amortecedores hidráulicos e barra estabilizadora.

Pneus: 185/65 R14.

Freios: Dianteiros com discos ventilados e traseiros a tambor. Oferece ABS com EBD.

Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,29 m de comprimento, 1,70 m de largura, 1,50 m de altura e 2,51 m de entre-eixos. Airbags frontais de série.

Peso: 1.207 kg.

Capacidade do porta-malas: 390 litros.

Tanque de combustível: 48 litros.

Produção: Betim, Brasil.

Lançamento no Brasil: 2012.

Itens de série: Ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e travas elétricas, airbags frontais, ABS com EBD, volante com regulagem de altura e visor digital no quadro de instrumentos.

Preço: R$ 44.830.

Por Auto Press



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