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Fiat inaugura nova fábrica de motores da família GSE Firefly em Betim

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Com 40 anos de funcionamento, o complexo industrial da Fiat em Betim/MG, ganha mais uma plannta de produção, agora dedicada à nova família de motores GSE, batizada de Firefly, e que estreia do Uno 2017 em versões 1.0 e 1.3.

O prédio de 22 mil m2 já existia, mas a Fiat fez um remanejamento interno em Betim e equipou todo o local com maquinários de última geração para produzir 400.000 motores por ano. A planta recebeu 186 robôs para um processo de usinagem de cabeçote, bloco e virabrequim totalmente automatizados.

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Visitamos a área de produção, onde robôs fazem todo o processo de fabricação do motor através de várias estações de trabalho e linhas de deslocamento elevadas para movimentação dos robôs e transporte dos propulsores. Ao mesmo tempo, unidades de três ou quatro cilindros podem ser feitas normalmente, onde cada robô é ajustado conforme o tipo de motor.

O trabalho humano se resume à entrega de peças para a montagem robótica e introdução de cabos e outros periféricos de cada propulsor. Os robôs fazem o restante do serviço, desde a colocação de sede de válvulas até montagem de pistão na biela e sua colocação no bloco, incluindo os casquilhos (bronzinas) no virabrequim, por exemplo.

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Estamparia e montagem de veículos

Durante a visita ao complexo da Fiat em Betim, percorremos também as plantas de estamparia (funilaria) e montagem de veículos. Na primeira unidade, conhecemos as prensas que moldam as partes da carroceria de um veículo, feitas em moldes de 35 toneladas e em velocidade de até 16 peças por minuto.

No mesmo local, há também a inspeção de componentes da lataria para envio às linhas de montagem. O processo continua em outro prédio, onde as peças moldadas chegam para serem soldadas em máquinas automáticas ou manuais. É nessa fase que o carro toma forma com assoalho, laterais, teto e outras partes soldadas por robôs e soldadores manuais, em alguns casos onde o robô não teria acesso fácil.

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Partes de vários modelos são unidas nessa planta. A Fiat construiu linhas de transporte de peças e carroceria elevadas entre os prédios da fábrica para flexibilizar a produção. Na linha de montagem propriamente dita, as partes já soldadas e pintadas – um novo prédio de pintura está em construção – se unem ao conjunto motriz/suspensão, no que é chamado de “casamento”.

Portas, painel, bancos, estepe, rodas e outros itens são montados por trabalhadores que totalizam 3 mil pessoas dentro de um prédio onde funcionam três linhas para 15 modelos e 136 versões diferentes. No final, fica a inspeção e deslocamento de veículos para testes de suspensão para posterior envio ao pátio. A linha do Mobi, por enquanto, é exclusiva do modelo.

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A fábrica, de acordo com um engenheiro, tem capacidade para até 4,5 mil carros/dia em três turnos. O complexo de Betim ainda dispõe de pista de testes e um novo centro de pesquisa e desenvolvimento está em construção, assim como um prédio dedicado à criação de novos produtos. No total, 800 mil carros por ano podem ser feitos no local, que já produziu 15 milhões de veículos, sendo 3 milhões exportados.

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Motor Firefly

O projeto global GSE começou a ser executado no Brasil. A Fiat está lançando a partir do Uno 2017 os novos motores Firefly, que substituirão futuramente o atual Fire. Feitos em alumínio (bloco e cabeçote), os propulsores 1.0 e 1.3 apresentam respectivamente três e quatro cilindros.

A nova arquitetura é composta por um bloco com virabrequim integrado ao corpo, cuja parte inferior é colada à parte superior, mantendo assim o eixo de manivelas dentro do conjunto. O cárter é adicionado logo abaixo.

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Com duas válvulas por cilindro, o Firefly foi concebido para entregar mais torque em baixa rotação, por conta de ter um tamanho menor em cm3, melhorando as respostas no dia a dia e ultrapassagens mais seguras.

O 1.0 entrega até 77 cv e 10,9 kgfm a 3.250 rpm, enquanto o 1.3 oferece até 109 cv e 14,2 kgfm a 3.500 rpm, este último com potência específica de 82 cv/litro. Durante a apresentação do Uno 2017, a Fiat mostrou dois comparativos eficiência energética dos Firefly em relação aos concorrentes do mercado nacional (confira fotos na galeria).

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De ciclo Miller, combustão em baixas cargas e com médios regimes de rotação, o Firefly tem comando único com variador de fase e as válvulas (posicionadas fora da linha do comando) são acionadas por balancins, lembrando uma configuração SOHC. O sistema de injeção de combustível tem pré-aquecimento para partidas a frio, dispensando o velho tanquinho.

O acionamento do comando é por corrente, que dispensa manutenção e tem durabilidade de mais de 200 mil km. O óleo lubrificante do Firefly é o 0W20. Em resumo, a construção em alumínio reduziu o peso em sete quilos e a vida útil mínima do propulsor é de 240.000 km.

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O 1.0 tem 333 cm3 em cada cilindros e com a adição de um quarto (1.3), o volume sobe para 1.332 cm3. Ou seja, ambos possuem uma construção modular e compartilham quase que totalmente os mesmos componentes, reduzindo custos de desenvolvimento, produção e manutenção.

Galeria de fotos da fábrica da Fiat em Betim:

Viagem a convite da Fiat.





  • Luciano Lopes

    Admiravel a limpeza e organização, da orgulho tanto trabalho dedicado em nosso pais. Parabens Fiat !

    • T1000

      gostei da fábrica, que integra inclusive linha de motores. parabéns

  • Cardoso

    Boas informações técnicas.
    (1) parece que o óleo 0w20 está virando moda entre os carros nacionais também. Já é usado em esportivos de ponta há anos (que naturalmente são vitrine de tecnologia), e foi então introduzido pela Honda, depois Chevrolet (Onix) e agora está presente no Uno. Dada a vertiginosa evolução dos lubrificantes, parece que, de uma vez por todas, os dias dos infames aditivos de óleo estão definitivamente contados… Se bem que ainda hoje tem gente que compra bilhete premiado na saída da Caixa Econômica Federal…
    (2) associado ao comentário anterior, é incrível saber que a montagem é toda feita por meio da automação. Provavelmente, a montagem é o que mais próximo se pode chegar da perfeição nos dias de hoje, falando em folgas e ausência de contaminantes.
    (3) bloco em alumínio, corrente metálica, velas de irídio e bobinas individuais são elementos que eliminam muita manutenção de antigamente (substituição de velas, limpeza e troca de líquido de radiador, troca de correia, cabos de velas, etc).
    (4) a boa oferta de potência/torque a baixos giros realmente é muito mais útil que um número chique de pico máximo de potência, este quase sempre mais mercadológico do que efetivamente útil. Só que uma coisa me deixa intrigado: essa farta oferta de potência pode ser associada ao uso do álcool, beneficiando-se da alta taxa de compressão desse motor, o que pode não ser “tão ótimo assim” quando se usa gasolina, que é a realidade de grande parte do Brasil.
    Vamos aguardar os testes

    • th!nk.t4nk

      É isso mesmo. Você sabe a qualidade de fabricação de um motor (em grande parte) pelo óleo que ele utiliza. Apesar disso os GM com óleos espessos eram aplaudidos anos atrás, enquanto unidades modernas com óleos “finos” eram ridicularizadas (“não vai durar, é porcaria”). Que bom que a FIAT parece estar voltando devagarzinho aos bons tempos, quando investia mais em tecnologia.

      • Diego

        O problema acontece quando proprietários que não entendem ou querem poupar, colocam óleos de baixa qualidade ferrando com o motor!

        • T1000

          aqueles óleos a R$9,90 20w50, aí é dureza.
          certa vez levei meu celta vhc para troca de óleo. Levei o 5w30 recomendado no manual, o mecânico se recusava a colocar aquele óleo, falava que era muito fino, de máquina, que ia dar problema.
          Não precisa falar que troquei de mecânico né

  • Ítalo Martines

    Confesso que quando ouvi falar que o novo motor da Fiat seria de 2 válvulas eu questionei por ser inadequado à tecnologia de hoje (muitos compartilhavam da minha opinião), mas esse motor se saiu muito melhor do que o esperado. Agora é aguardar a versão 1.3 turbo que deve substituir os 1.6 e.torq e futuramente uma atualização que traga melhorias como 12v e duplo comando assim como os concorrentes.

  • Franco da Silva

    Fala, pessoal do NA! Já andaram no carro?! Quero saber na prática se ficou bom, pq nos números nota-se um malabarismo do marketing da FIAT falando em “melhor da categoria” sendo que ele tem 0,0000001% mais torque e blá blá blá.
    Claro que, perto do Fire, a melhora deve ser gritante mas… vamos ver…

  • th!nk.t4nk

    Gringo “Que motor ter esse carro?”
    Brasileiro: “Ah, Vaga-lume 1.0…”
    Gringo: “DAFUQ?!”

    • Louis

      Também achei bem brega o nome, mas é a cara da Fiat esses nomes.

    • kkkkkk

  • Eduardo Jorge R. A. Silva

    Ciclo Miller envolve o uso de turbocompressor para compensar a fase de compressão com as válvulas abertas, acredito que a informação esteja errada.

    • VaeVictis

      Informação esta correta. Sendo que o motor tem uma válvula EGR, pode utilizar o ciclo Miller sem turbocompressor.

  • visanpai

    Em nenhum dos comparativos apresentados pela Fiat consta o Up!

    • Bruno Eduardo Resende

      Percebi o mesmo

      • Guilherme Ferreira

        Acredito que a Fiat quer deixar o Mobi com esse motor para ser comparado com o UP.

        • GPE

          Exatamente

    • dallebu

      Eles compararam o Novo Uno com os carros com os quais ele quer concorrer.
      O Up! eles consideram concorrente do Mobi, contudo, se você for olhar a tabela do Inmetro, verá que o Up! MPI é um pouco menos econômico…

      Uno 1.0 Firefly
      Gasolina: 13,1 km/l na cidade e 15,1 km/l na estrada – Consumo combinado = 14,1 km/l
      Etanol: 9,2 km/l na cidade e 10.4 km/l na estrada – Consumo combinado = 9,8 km/l

      Up! 1.0 MPi
      Gasolina: 13,2 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada – Consumo combinado = 13,75 km/l
      Etanol: 9,1 km/l na cidade e 9.9 km/l na estrada – Consumo combinado = 9,5 km/l

    • Duh

      Down concorre com o Pobi.

    • Márcio GO

      Ela está comparando por categoria. Isso por conta do peso. O Uno é maior e mais pesado que o up!. Quando a VW lançar o Golf com o motor 1.0 turbo, você vai ver que o consumo e desempenho dele vai ser bem diferente do que o up!, mesmo os dois tendo o mesmo motor.

      • Zoran Borut

        As dimensões são bem semelhantes e os preços também. No fundo a Fiat quer usar a tática de subir o Uno de categoria e desvinculá-lo de sua versão bonsai, o Mobi.

  • Murilo Soares de O. Filho

    O processo de produção todo robotizado, remete ao Fire, por isso o nome Fire Fly…

  • VeeDub

    É ciclo atkinson ! Ciclo Miller, é o atkinson com turbocompressor.

    • Retrato do Papai

      apenas 2 válvulas por cilindro + ciclo atkinson devem ser suficientes para explicar a baixa potência de pico

      • VeeDub

        Não chega a ser um ciclo atkinson puro…. é um semi-atkinson, deixando a válvula de exaustão um pouco aberta durante a compressão.

  • Danilo

    É impressionante o tamanho da estrutura montada pra se produzir este motor. E tinha um monte de gente metendo o pau no motor pelo simples fato de ser 2 válvulas por cilindro. Será que um grupo do tamanho da FCA hoje em dia cometeria um erro deste tamanho, lançando um produto que não fosse, no mínimo, igual aos seus concorrentes? É de se admirar o tamanho da ingenuidade de alguns comentaristas de sites automotivos.
    Outra coisa que observei é, se as fotos foram mesmo tiradas no mesmo dia, a presença do palio Fire na linha de produção. Muitos diziam que o carro tinha morrido e só seria comercializado os que estavam nos pátios. Mais uma informação errada (se as fotos são atuais).

    • Angelo_RSF

      Acho que o Palio Fire vai continuar em produção enquanto o número de vendas compensar…mas acredito que a tendencia é que as vendas do Palio Fire caiam gradativamente enquanto as do Mobi subam…Então chega num ponto em que a Fabrica “empurra” a novidade e descontinua o modelo antigo para dar uma enxugada na linha de montagem uma vez que o Mobi compartilha mais peças com o Uno, Novo Palio etc do que o Palio Fire.

    • Vinicius LMS

      Fui na concessionária Fiat na segunda-feira fazer revisão do meu carro, e tinham 5 Palios Fire a venda no show-room, tinha mais Palio Fire do que Strada a venda no show-room para você ter ideia.

      • Danilo

        Seria muita burrice até da Fiat de tirar um produto de boa saída numa crise tão profunda dessa. Se tem que mexer na linha de produção, que mexa quando o momento for favorável.

  • Diego

    Motores 3 cilindros Disponíveis no Brasil:
    Ka TiVCT 1.0 12v – 85cv 10,7kgfm 13,0/15,1 km/l
    Fiesta Ecoboost 1.0 12v – 125cv 17,3kgfm 12,2/15,3 km/l
    up! MPI 1.0 12v – 82cv 10,4kgfm 13,2/14,6 km/l
    up! TSI 1.0 12v – 105cv 16,8kgfm 13,8/16,1 km/l
    March 1.0 12v – 77cv 10kgfm 12,9/15,0 km/l
    HB20 Kappa 1.0 12v – 80cv 10,2kgfm 11,8/14,0 km/l
    HB20 Kappa Turbo 1.0 12v – 105cv 15,0kgfm 10,0/13,4 km/l
    QQ Acteco 1.0 12v – 69cv 9,4kgfm 12,3/13,8 km/l
    208 puretech 1.2 12v – 90cv 13kgfm 15,1/16,9 km/l

    Uno Firefly 1.0 6v – 77 cv 10,9 kgfm 13,1/15,1 km/l

    • Raimundo A.

      Por esses dados, a Fiat conseguiu entregar potência de um March, que é 3cil 12V aspirado, torque acima dos concorrentes, embora em alguns casos pode-se dizer um empate, e consumo na média. Não adianta criticar ser 6V, pois potência você vai perceber quando se quer andar mais rápido, e nenhum popular aspirado é carro de corrida, nem as rodovias tem limite acima de 130km/h.
      E se tivesse 12V com Multi Air? Acredito que sem dificuldade chegaria aos 88cv.

      Sobre o 1.3 4cil 8V, por exemplo, são 101/109 cv e 13,7/14,2 kgfm. Enquanto isso, o 1.4 16V MultiAir Flex do 500 Sport Air tem 105cv/107cv e 13,6kgmf/13,8kgmf. O 1.3 nem precisou de duplo comando e o Multi Air para entregar potência máxima superior e da mesma forma, torque. Apesar que no caso do 1.4 citado, penso que a Fiat não está explorando demais o motor.

      O atual 1.4 Fire EVO com 88cv salta para 109cv no Fire MultiAir 16V. São 21cv de diferença. Se for manter a diferença para um previsto 1.3 FireFly 16V Multi Air Flex, virtualmente teríamos 130cv sem apelar para o turbo.

    • Retrato do Papai

      comparando com os 1.0 aspirados, em termos de potência o firefly fica na zona da degola… mas em termos de torque, não só ele fica na liderança como também consegue isso em uma faixa de giro muito interessante (250rpm mais cedo que o 2o colocado, Ka)… se for como os 8v tradicionais, a curva de torque em giros baixos deve ser bem plana, o que vai dar agilidade e ajudar a diminuir a sensação de perda de força ao ligar o ar condicionado ou andar com o carro carregado, além de dar números de retomada interessantes…

      ao meu ver a ideia de apenas 2 válvulas por cilindro foi acertada, sacrificaram a potência de pico (o que prejudicará os números de 0~100km/h e reduzirá a velocidade máxima) a favor do torque em baixa, muito útil no trânsito em cidade, que é o foco desses motores pequenos aspirados… as eventuais versões turbo devem suprir de forma aceitável essa falta de potência

  • Diego

    Os primeiros motores vão ser o teste para ajeitar ele no mercado, uma bomba comprar agora. Mesmo que aconteceu com o Gol em 2009.

  • Sam86

    Esse variador de fase seguiria o mesmo esquema do variador de fase do motor 1.8 do Brava HGT?

    Ou uma variação de válvulas como dos motores atuais?

  • pedro rt

    nao da pra acreditar q a weekend continua em producao… deu pra ver na 1° foto

  • CanalhaRS

    É desanimador ver Fiat com todos esse carros defasados. Com exceção da Toro, todos os modelos atuais se originam de plataformas dos anos 90. Os motores também estão bem defasados, apenas agora estão chegando esses novos 1.0 e 1.3 mas que não são completamente eficientes por falta de multivávulas.
    Enfim, outra marcas das “4 grandes” que dormiu em berço esplêndido…

  • Pedro Cunha

    Motor “1.nada” para cruzar a barreira dos 200mil km…
    É o que veremos daqui uns 3~5 anos. Mas, realmente não duvido dessa marca, já que mesmo motores 1.nada mais “jurássicos”, como o FI da GM(Corsa/Celta/Classic), com os cuidados em dia, chega fácil nessa marca sem incomodar. Acredito que o “plus” do firefly será mesmo dispensa da troca de correia dentada.