A Fiat sabe onde pisa quando dá visual “off-road” a um veículo urbano. Tanto que as versões nomeadas Adventure estão entre as mais caras de cada linha e ainda assim têm uma participação significativa no mix de vendas dos modelos. Caso da minivan Idea. Mesmo sendo um modelo com uma explícita vocação familiar, encontra um número significativo de consumidores interessados na versão com adereços estéticos aventureiros. O Idea Adventure corresponde atualmente a 30% dos emplacamentos do modelo.
Já foi melhor. Em 2009, respondia por 40% das vendas. Na época, no entanto, dividia espaço apenas com as versões 1.4 ELX e HLX 1.8. A queda na participação seria reflexo direto da maior diversidade de configurações e motores. Atualmente, a Adventure 1.8 é oferecida ao lado da versão de entrada Attractive 1.4 – que corresponde a 40% das vendas –, Essence 1.6 – que ganha 25% dos consumidores – e Sporting 1.8 – que representa apenas 5% do share de vendas.
No segmento de monovolumes, que equivale a 6% do mercado automotivo nacional – comercializa cerca de 12 mil veículos por mês –, o Idea consegue se destacar pelo design descontraído e jovial. O estilo robusto da minivan, que já chamava a atenção antes do face-lift desse ano, foi ainda mais reforçado depois que a Fiat investiu R$ 200 milhões e 24 meses no projeto de remodelação do Idea.
A versão Adventure, lançada em 2006, foi a mais afetada na recente atualização. E para o bem. As mudanças visuais incluíram grade cromada com a inscrição “Adventure”, novos capô e faróis com lente escurecida. Os faróis auxiliares também ganharam molduras que imitam o alumínio. Nas laterais, as molduras plásticas foram refeitas e têm agora linhas mais retas, que contornam todo o veículo, partindo do para-choque dianteiro e chegando até a parte traseira da minivan. Junto com a “maquiagem”, o Adventure adotou o novo motor 1.8 16V E.torQ da FPT, com 130/132 cv de potência e torque de 18,4/18,9 kgfm, com gasolina e etanol.
Assim como deve ser em toda a versão mais incrementada, a Adventure tem lista de equipamentos recheada. Entre os itens de segurança estão airbags duplos, freios com ABS e faróis de neblina. Para reforçar o conforto, estão presentes computador de bordo, ar-condicionado, travas, vidros e retrovisores elétricos, direção hidráulica e CD Player com MP3. Outros adereços de série, como bússola e inclinômetro, rodas de liga leve e rack de teto, fazem parte da ornamentação. Tudo incluso por R$ 56.900.
A versão testada veio com todos os opcionais – com exceção do teto solar elétrico. Juntos, somam R$ 7.111 ao preço do carro, chegando a exagerados R$ 64.011. Com design mais atual e acabamento caprichado, o destaque entre esse nicho fica para o Citroën C3 Aircross, oferecido por R$ 53.900 na versão de entrada GL, que vem menos equipado e tem motor mais fraco – 1.6 litro de 113 cv com etanol.
Nas versões mais completas, o Aircross fica com preço bem semelhante ao do Idea Adventure. Outra minivan com visual lameiro é a Nissan Livina X-Gear. Ela também é menos potente – 1.6 litro de 104 cv –, mas aparece por R$ 52.900 e chama a atenção pelo nível interessante de equipamentos. Tem freios ABS com distribuição eletrônica de frenagem e assistência de frenagem, airbags duplos dianteiros, além de “básicos”, como direção elétrica, travas, vidros e retrovisores elétricos e rádio com CD e MP3 com entrada auxiliar. Na disputa com os principais rivais, a Fiat se garante no pioneirismo para continuar emplacando uma média de 1.200 unidades mensais do Idea Adventure.
Ponto a ponto
Desempenho – O motor E.torQ 1.8 16V do Idea Adventure tem bom apetite. Abastecido com etanol, o propulsor oferece bastante vigor e consegue tirar os 1.325 quilos da inércia e alcançar os 100 km/h em 10,8 segundos, enquanto a velocidade máxima é de 180 km/h. Os 132 cv de potência resultam em acelerações bastante eficientes, mas que se manifestam com mais “vigor” acima das 2.500 rpm. Nota 8.
Estabilidade – Nas retas, o Idea Adventure consegue manter a precisão no solo até os 130 km/h, quando começa a pedir correções. Até nas curvas mais acentuadas, a estrutura torce muito pouco. Nas freadas bruscas, o ABS e EBD ajudam a manter a trajetória. Nota 7.
Interatividade – É um dos pontos fortes do Idea Adventure 1.8. O computador de bordo possui funções interessantes como consumo médio, autonomia, temperatura e velocidade média. Os comandos do painel são bastante intuitivos e de fácil acesso. O volante e o banco do condutor com regulagem de altura proporcionam boa posição para dirigir. Além da boa área envidraçada, a manobrabilidade é facilitada pelos sensor de obstáculo. Nota 8.
Consumo – O Idea Adventure obteve média de 6,6 km/l em percurso 2/3 urbano e 1/3 rodoviário. Nota 6.
Conforto – Como uma versão topo de linha, o Idea Adventure preza pelo conforto. Na parte da frente, motorista e carona não sofrem apertos, assim como os passageiros que sentam no banco de trás – espaço decente para um bom representante de veículo familiar. O apoio de braço central e o apoio para o pé esquerdo são funcionais. A suspensão prima pela maciez e é capaz de filtrar e amortecer bem os buracos no asfalto. O isolamento acústico é eficiente e o barulho do motor só incomoda em giros mais altos. Nota 7.
Tecnologia – O Idea Adventure utiliza a mesma plataforma desde que a minivan foi lançada no Brasil, em 2005. A novidade da versão é o face-lift, que estreou em “parceria” com o novo motor 1.8 16V. Entre os itens de seguranças estão os airbags duplos frontais e freios ABS. Nota 8.
Habitabilidade – Existe boa oferta de porta-objetos e porta-copos no Idea Adventure. O console central de teto traz um prático porta-objetos, além do espelho vigia e das portinholas no teto. O porta-malas abriga razoáveis 380 litros de bagagem e o acesso ao veículo é facilitado pelas amplas portas. Nota 8.
Acabamento – Apesar de a versão aventureira ser a mais “caprichada” de todas, o acabamento interno comete alguns pecados, como o uso de materiais plásticos mais rígidos. É possível ainda encontrar rebarbas em algumas peças. No entanto, o Idea Adventure tenta compensar com o console central em duas cores, banco revestido parcialmente em couro, suave ao toque – mesmo sendo opcional. Nota 7.
Design – O face-lift deu um arrojo visual muito bem-vindo, especialmente no Idea Adventure. Com novo capô, para-choque preto e grade cromada com a inscrição “Adventure”, a versão aventureira ficou com aparência mais agressiva, complementada pelos faróis de contorno irregular com máscara negra. Na traseira, o indefectível estepe permanece na nova tampa com aerofólio integrado e novo vidro. Nota 8.
Custo/Benefício – A versão Adventure 1.8 16V é a topo da linha da minivan Idea e chega por R$ 56.900. Vem bastante recheada de itens de segurança e entretenimento, além do novo motor, que alcança bons 132 cv. Na lista de equipamentos estão ar-condicionado, vidros, travas e espelhos retrovisores elétricos, direção hidráulica, rádio com CD/MP3, airbags duplos dianteiros e freios com ABS. Mesmo assim, faltam algumas bossas de série como o sistema de bloqueio diferencial Locker – opcional por R$ 1.485 –, vidros elétricos traseiros, Bluetooth e até uma simples entrada USB. Nota 7.
Total – O Fiat Idea Adventure 1.8 somou 74 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir
Fetiche “off-road”
Desde que lançou o Idea Adventure em 2006, a Fiat tentou conquistar um público além do familiar. A estratégia deu certo. Na reestilização da minivan, a versão aventureira foi a que conseguiu melhores resultados visuais e segue na busca de um nicho cada vez mais interessado na proposta lameira urbana.
Com bom nível de conforto – esperado para a versão, que é top de linha – e roupagem “off-road”, o Idea Adventure tem suspensão elevada. O arrojo visual pode ser comprovado também ao volante do modelo, que traz o moderno propulsor 1.8 16V, bastante vigoroso na cidade com seus 132 cv – quando abastecido com etanol. A Fiat fala em 10,8 segundos para sair da inércia e alcançar os 100 km/h.
As retomadas também não decepcionam, embora precisem ser feitas em rotações altas, quando o motor parece responder melhor ao comando do pedal da direita. Na estabilidade, o centro de gravidade um pouco elevado faz com que o Idea se incline, principalmente na entrada de curvas. Em trechos sinuosos com velocidades elevadas, a carroceria torce a ponto de afetar o equilíbrio. Nas freadas bruscas, o ABS de série mantém o modelo na trajetória. A suspensão reforçada e alta, pelo menos, absorve bem as irregularidades da pista sem refletir no interior. Nas retas, a comunicação entre rodas e volante só se mostra vacilante por volta de 130 km/h. A Fiat fala em uma velocidade máxima de 180 km/h.
Em termos de dirigibilidade, a posição de dirigir elevada facilita a condução, o volante oferece boa pegada e a ergonomia é elogiável, com os principais comandos bastante intuitivos e ao alcance dos olhos e das mãos do motorista. O espaço interno é um trunfo do modelo, que oferece espaço para que três passageiros ocupem o banco traseiro sem demasiados apertos.
Quanto ao conforto, o Idea Adventure chega bastante equipado. Na lista de opcionais estão volante em couro, vidros elétricos traseiros, sensor de estacionamento, bloqueio do diferencial, teto solar panorâmico, bancos revestidos parcialmente em couro, airbags laterais e rádio com CD Player/MP3, viva-voz, Bluetooth e entrada USB. Com exceção do teto, todos estavam presentes na unidade testada. De qualquer forma, o custo/benefício não é bem um dos atrativos no modelo.
Ficha técnica
Fiat Idea Adventure 1.8 16V
Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.747 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando simples de válvulas no cabeçote. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.
Potência máxima: 130 cv com gasolina e 132 cv com etanol a 5.250 rpm.
Torque máximo: 18,4 kgfm com gasolina e 18,9 kgfm com etanol a 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 80,5 mm x 85,8 mm. Taxa de compressão: 11,2:1
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores, braços oscilantes inferiores transversais e barra estabilizadora. Traseira semi-independente, com molas helicoidais, amortecedores telescópicos verticais e barra estabilizadora.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores atrás. Oferece ABS de série.
Pneus: 205/70 R15 em rodas de liga leve.
carroceria: Monovolume em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,95 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,70 m de altura e 2,51 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais.
Peso: 1.325 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 380 litros.
Tanque de combustível: 48 litros.
Produção: Betim, Minas Gerais.
Lançamento: 2006.
Face-lift: 2010
Por Karina Craveiro - Auto Press
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