Home Antigos Inspeção Veicular é dor de cabeça para donos de carros antigos

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Desde 2009 vigora na capital paulista o Programa de Inspeção Ambiental, que no ano seguinte se tornou obrigatório para toda a frota registrada na capital. O programa que visa a diminuição dos poluentes emitidos por automóveis na atmosfera se tornou uma grande dor de cabeça para os donos de carros antigos.
Apesar do programa isentar os veículos placa preta (de coleção), muitos carros antigos em bom estado com placa cinza precisam passar pelo teste do Controlar. E aí começa o problema…

De acordo com os parâmetros definidos pela Cetesb para o programa, um carro fabricado até 1980, pode emitir até 6% de gás carbônico CO no teste. Porém, estudos feitos pela Bosch (equipamento EFAW 173) na época em que estes carros eram lançados, mostram que esse critério é no mínimo irreal uma vez que os modelos originalmente poluem mais do que pede o programa de Inspeção.

Um Dodge Charger, por exemplo, emitia 10% de CO2 em 1971. Um Dodge Dart chegava a 9%. O Aero Willys 2600 atingia 8,5% e um Fusca equipado com motor 1500 atingia 7,6%. Os limites de hidrocarbonetos são os mesmos para todos os carros (700 ppm de hexano), o que também é falso. Afinal, um carro com motor pequeno como um Fusca 1300 ou um Gordini deve atender o mesmo critério que um motor seis cilindros Chevrolet ou um propulsor V8.

A grande questão que persegue os donos de carros antigos é a seguinte: como um carro de uso eventual, bem cuidado, em boas condições mecânicas, e conservado com todos os itens originais deve poluir menos do que suas especificações originais? Isso sem querer discutir o mérito dos carros antigos que não são de uso diário, e portanto não poluem o ar todos os dias parados no transito caótico da metrópole.

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Inspeção “na vida real”

Por isso fizemos um reality show usando um modelo antigo e sua saga rumo à aprovação no teste do Controlar. O clássico em questão é o popular Fusca, que ainda roda por muitas cidades brasileiras como carro de uso de muita gente e também como o primeiro carro antigo de muitos antigomobilistas. Equipado com motor 1300 de 46 cv, o carro é totalmente original (69 mil Km rodados), sem qualquer alteração mecânica, portanto, tal como foi lançado em 1979, ano de sua fabricação. O carro pertence ao jornalista que vos escreve, e só roda aos finais de semana em passeios ou encontros de carros antigos.

O carro foi levado a oficina Adilvox, no bairro de Moema, em São Paulo, para fazer os testes prévios. A chamada “pré inspeção veicular” inclui o teste de vedação e das emissões do carro. Ao ligar o Fusca e conectá-lo na sonda computadorizada, uma surpresa: o nosso clássico seria reprovado caso fosse retirado da garagem direto para o posto de inspeção.

No teste de Co2 (gás carbônico) o carro marcava 7,0 ( sendo que o limite é 6,0) com índice de HC (Hidrocarbonetos) em 1500 (mais que o dobro do limite, que é 700). E isso não significa que está desregulado: o carburador Solex foi revisado e ajustado seguindo os parâmetros originais e catálogo do fabricante.

De acordo com Adilson Castaldelli, proprietário da oficina, o teste na máquina é fundamental para os ajustes prévios. “Se o carro estiver bem regulado, basta ajustar para se adequar aos padrões do scanner, e a aprovação fica fácil”, diz o especialista que recomenda também a manutenção preventiva, que inclui a troca de óleo e dos filtros, bem como a checagem das velas, bobina, cabos e distribuidor. No caso do Fusca, velas e filtros também são novos, trocados uma vez ao ano junto com o óleo, uma vez que o carro roda em média 2 mil Km por ano.

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A solução para regular a mistura ar/combustível foi uma só: “atrasar” o ponto de ignição para poder se enquadrar nos parâmetros definidos pela Cetesb. O desempenho do carro fica prejudicado, mas regras são regras. Após a regulagem: o carro marcava 5,1 de Co2 e 320 de HC, portanto deve ser aprovado pelo Controlar. Por esse motivo muitos proprietários de carros antigos fazem mudança no ponto de ignição para se enquadrar aos parâmetros e depois voltam o carro às especificações originais.

Uma dica especial para os motores Volkswagen a ar é verificar o coletor de admissão nos carros que tem um carburador, como o nosso Fusca 1300 com carburador simples. O coletor deve estar ligado ao escapamento e a mangueira do respiro do Carter deve estar presa ao filtro de ar. Nunca é demais lembrar que fumaça aparente, furo no escapamento, vestígio de combustível no carburador ou carro fora das especificações originais é motivo de reprovação imediata.

Agora o Fusquinha parece pronto para se submeter ao teste no posto de inspeção da Controlar. Vamos ver se ele será aprovado e na próxima semana relataremos o resultado do teste.

Marcos Camargo Jr é jornalista, pós graduado em Comunicação Corporativa e escreve sobre carros antigos para diversos sites, revistas e programas de TV.





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