Janus foi o único automóvel “indo e vindo” da Zündapp

26/03/2016

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Zündapp Janus

Claude Dornier era um fabricante alemão de aeronaves que atuou intensamente na produção de aviões militares para a Wehrmacht durante a Segunda Guerra Mundial. Com o fim do conflito, a Dornier Flugzeugwerke foi impedida de fabrica-los na Alemanha.

Dornier decidiu então diversificar a produção para outros setores e acabou encontrando uma oportunidade de entrar no importante mercado automotivo. Ele havia desenvolvido um estranho carro de quatro lugares com duas portas que, no entanto, ficavam na frente e na traseira do veículo, batizado de Dornier Delta.

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Dornier Delta Protótipo

Mas sem experiência para produzir automóveis, a Dornier teve que buscar um parceiro no setor. Na mesma época, início dos anos 50, a fabricante de motocicletas Zündapp, famosa pelas “autoblindas” do exército alemão na Segunda Guerra, buscava também fazer um veículo fechado.

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Zündapp Janus

Zündapp Janus

A Zündapp procurou três fabricantes pequenos do setor automotivo, mas sem sucesso, acabou se unindo à Dornier, que permitiu a produção e comercialização do Delta sob a marca de motocicletas. No entanto, o nome foi substituído por Janus, um deus romano que tinha duas faces. No caso do carro, ele possuía portas nas extremidades e desenho simétrico, daí surgindo o apelido “indo e vindo”.

O protótipo da Dornier foi atualizado e ganhou formas mais retilíneas, mas preservando o estilo e as portas na dianteira e traseira. A solução frontal era semelhante à proposta pelo contemporâneo Iso Isetta, de projeto italiano.

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Zündapp Janus Raio-X

Com 2,89 m de comprimento, 1,41 de largura, 1,40 de altura e 1,82 de entre-eixos, o Zündapp Janus tinha dois assentos duplos voltados para as respectivas portas, colocando assim os ocupantes como se estivessem em um trem. Ou seja, de costas uns para os outros.

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Zündapp Janus com portas abertas

Pesando apenas 425 kg, o veículo tinha um motor de moto de 245 cm3 com dois tempos, 14 cv e 2,2 kgfm. O câmbio tinha quatro marchas e o pequeno propulsor conferia ao Zündapp Janus velocidade máxima de 80 km/h. A suspensão era McPherson nos dois eixos, que tinham freios a tambor ventilados e acionados hidraulicamente. Motor era central, mas a tração era traseira.

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Zündapp Janus Apresentação

Mas, apesar do projeto parecer equilibrado, em realidade não era. O Zündapp Janus sofria de instabilidade com apenas o condutor ou dois passageiros dianteiros, pois era mais leve demais na parte traseira. Além de não ser bonito, também ficou caro demais. A produção começou em 1957 e durou até o ano seguinte. Mesmo fracassando precocemente, foram feitas 6.902 unidades.

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Zündapp Janus Posição da direção

A Zündapp desistiu do Janus e da fábrica, que foi vendida para a Bosch. Nunca mais a empresa apostou em carros. Posteriormente, a Donier insistiu no projeto – agora para seis pessoas – com um fabricante de trailers, mas a ideia não foi adiante. No filme Carros 2, o Professor Zündapp é um Janus 1957. Se tivesse chegado ao Brasil, provavelmente sofreria o mesmo destino do Romi-Isetta, por conta de seu desenho.













  • Ailton Junior

    carrinho interessante

  • Diego Sampaio Vieira

    Carros 2

  • afonso200

  • Mumm Rá

    Que ” toskeira ” mas interessante a história desse carro

  • Marcos Souza

    O motor ficava praticamente entre os bancos…imagina o barulho dentro do carro…
    Mas achei simpático.

  • Luis Burro

    Peca de colecionador!Gostaria de uma matéria com uma marca alemã q produziu mini carros.

  • invalid_pilot

    Pós Guerra nos deu essas bizarrices

    Os mais bem sucedidos foram Fusca, Fiat 500 e Mini que continuam de certa forma até hoje

  • Claudio Abreu

    Vale pela genialidade e criatividade em um tempo onde o automóvel ainda era um campo aberto de possibilidades. É um pioneiro, como tantos outros, a quem devemos respeito.

  • Uber

    Ergonomia passou longe desse carro! Não se pensou em porta-malas?
    E outra bola fora é a porta traseira não abrir para o mesmo lado da dianteira, tampando o caminho para a calçada.

  • V12 for life

    Talvez não, o problema do Romi-Isetta foi a lei de incentivos que só considerava carros veículos com duas portas o Zundap as possui, mas isso nunca saberemos.

  • HENRY ME

    Gostei do desenho e proposta interessante de sair e entrar do carro.