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Mitsubishi: Os diamantes sobre rodas do Japão

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Mitsubishi A

Descendente de samurais, Yataro Iwasaki (1834-1885) fundou uma empresa de transportes chamada Mitsubishi em 1870. Logo de início, a empresa começou a diversificar suas atividades, especialmente porque a época era posterior à Restauração Meiji, o que possibilitou uma rápida expansão comercial.

A Mitsubishi passou a atuar em vários ramos do comércio e da indústria do Japão, tendo banco, seguradora, estaleiro, mineradora, indústria pesada, nuclear, eletrônicos, entre outros. Mas no que diz respeito aos automóveis, a companhia começou sua jornada sobre quatro rodas começou em 1917, quando a divisão de construção naval partiu para fazer carros.

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Mitsubishi PX33

A primeira tentativa foi com o modelo Mitsubishi A. Este foi o primeiro carro feito em série no Japão, mas era uma adaptação do Fiat Tipo 3 e era caro demais para fazer, tanto que só vendeu 22 exemplares até 1921, quando a produção foi encerrada. Ele levava o logotipo de três losangos ou diamantes em formato de triângulo, uma referência a origem da marca e do clã Tosa, que foi o primeiro empregador de Yataro.

Só em 1937, a Mitsubishi volta a fazer um novo carro, desta vez um modelo para uso militar e chamado de PX33. Ele era feito pela divisão de aeronáutica da empresa, a mesma que criou o temível caça Zero da Segunda Guerra Mundial. Foi o primeiro carro de passeio com tração nas quatro rodas do Japão.

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Mitsubishi 500

Evolução no pós-guerra

Após o conflito, a Mitsubishi voltou a fabricar veículos, tendo as divisões de ônibus Fuso, a de veículos comerciais leves Mazushima e a de scooters Silver Pigeon. Mas a empresa foi dividida em três pelos aliados no ano de 1950.

Assim, surgiram a East Japan Heavy-Industries, que passou a importar o sedã Henri J da Kaiser-Fraser dos EUA, logo sendo feito em CKD. A Japan Central Heavy-Industries importou e fabricou o Jeep Willys, cuja licença de produção durou até 1998. A West Japan Heavy-Industries se juntou às outras duas em 1964, que já formavam a Shin-Mitsubishi desde 1953.

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Mitsubishi Debonair

O Mitsubishi 500 foi o primeiro carro de grande volume da empresa, sendo lançado em 1960. Logo depois surgiram os modelos Minica e Colt 1000, todos no segmento de kei cars. O Debonair foi o primeiro carro grande e de luxo da marca nipônica, lançado em 1964. Cinco anos depois, surge o clássico Galant.

Em 1970, a Mitsubishi se une à Chrysler para expandir suas exportações, especialmente para os EUA. A americana chegou a adquirir 15% da japonesa no processo e o primeiro carro a chegar à América do Norte foi o Dodge Colt, que era uma versão do Galant. Três anos depois, aparece o Lancer, que deu origem a modelos da Chrysler.

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Mitsubishi Galant

Em 1977, o mesmo modelo era vendido como Chrysler Sigma na Austrália. Outros produtos da Chrysler usaram a mesma base deste no final dos anos 70. Em 1978 surge a picape Triton, nomeada também L200, que se tornou um grande sucesso da marca.

No começo dos anos 80, a Mitsubishi compra a divisão australiana da Chrysler, que estava em crise. A empresa passou a vender vários modelos nesse país, entre eles os Tredia, Cordia e Starion. O Pajero é lançado em 1982 e se torna um sucesso dentro da empresa. Em 1986, a marca chegou ao mercado chinês após Daihatsu e Suzuki.

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Mitsubishi Pajero

Parcerias

Um ano antes, surge a Diamond-Star, uma joint-venture com a Chrysler, que deu origem aos modelos Mitsubishi Eclipse, Eagle Talon e Plymouth Laser. Em 1990 surge o Diamante. Entre 1992 e 1993, a companhia briga no mercado financeiro para adquirir a Honda, o que não deu resultado. Em 1991, a Chrysler vende sua parte na Diamond-Star.

Mitsubishi e Volvo firmam uma parceria em 1991 para produção de carros na Holanda, onde surgem os Volvo S/V40 e o Mitsubishi Carisma, feitos todos na NedCar, que mais tarde faria o Colt.

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Mitsubishi L200

Em 1999, uma parceria é fechada com a PSA para o desenvolvimento de motores com injeção direta de combustível (gasolina) e mais tarde passa a dispor do Outlander como Peugeot 4007 e Citroën C-Crosser. Os franceses também vendem seus equivalentes do elétrico i-MiEV.

Com a fusão de Daimler e Chrysler, a Mitsubishi acaba formando outra parceria, a DCX. O grupo teuto-americano adquiriu 34% da Mitsubishi. Em 2001, a participação aumentou para 37,3% com a entrada da Volvo. Mas a Mitsubishi passou a capitar dinheiro e através da Phonix Capital, reduziu a participação da Daimler-Chrysler até esta sair do negócio em 2005.

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Mitsubishi Eclipse

A parceria com os alemães após o fim da aliança ainda resultou no Smart Forfour (Mitsubishi Colt europeu), Mitsubishi Raider (Dodge Dakota) e na produção da picape Triton na África do Sul, onde foi feita pela Mercedes-Benz.

A Mitsubishi fez várias parcerias e ajudou na evolução de alguns fabricantes, entre eles Hyundai, Proton e Hindustan. Mais recentemente a Mitsubishi direcionou seus esforços para os segmentos de utilitários esportivos, tendo ASX, Outlander e a família Pajero como destaques.

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Mitsubishi Diamante

No segmento de carros populares, lançou um novo Mirage, bem como seu sedã Attrage. Suspeita de desejar sair do mercado americano desde a saída da Suzuki, a Mitsubishi deixou de fazer os modelos Galant e Eclipse, não apontando sucessores. O Lancer, um dos sedãs mais famosos da marca, continua firme, mas com futuro incerto. O próximo Evolution será um crossover de alta performance.

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Mitsubishi Lancer Coupé

Brasil

No Brasil, a Mitsubishi chegou com sua linha de veículos importados no começo dos anos 90, mas com o Grupo Souza Ramos e seu sócio o Banco Pactual, a marca japonesa começou a ter produtos montados no país a partir de 1998 com a L200.

De lá para cá, a MMC tem feito em Catalão/GO vários modelos e versões próprias da família Pajero, bem como o crossover ASX e o sedã Lancer, além da picape Triton em sua segunda geração.





  • Khusller

    Bons tempos de Supra e Eclipse.

    • André Maia

      Eclipse foi o sonho de consumo do final dos anos 90 por aqui. Eu morava em Manaus e lá tinha vários no começo do século.

      • Bittencourt

        O de segunda geração então…

  • Marcio Luiz

    O Debonair é uma cópia cuspida e escarrada do Lincoln Continental 1961! Depois falam dos chineses copiadores…. rrs

    • Augustus

      Mas, naquela época, os japoneses eram considerados os chineses de hoje.

      • André

        Com uma diferença importante, os carros japoneses sempre foram de qualidade, motivo pelo qual fizeram sucesso no ocidente rapidamente.

        • Augustus

          Discordo, os carros japoneses eram vistos da mesma forma que os coreanos na década de 80 e os chineses atualmente. Somente após a crise do petróleo de 73 é que os japoneses começaram a deslanchar nas vendas.

      • Marcello Caetano

        Não mesmo. Em 1960 a Mazda já exportava para os EUA.

        • Augustus

          Exportava, porém os carros japoneses só emplacaram no mercado norte americano na década de 70.

          • Marcello Caetano

            Sim. Porque começaram a abrir as fábricas e a reputação já estava construida. Muito diferente dos chineses hoje que não se atrevem a mandar seus carros para lá.

    • pedro rt

      todas as marcas asiaticas começaram copiando modelos ingleses e americanos vai dizer q nao sabia disso? o problema nao e copiar e sim insistir no erro

  • Ramom Alencar

    [OFF-TOPIC] se a moda pega…

    • afonso200

      a man, nao estraga o inicio da semana

    • Ricardo

      Não é tudo isso! O superlucro é maior que os impostos!

      • Eduardo Brito

        O “superlucro” só existe aqui no Brasil por que o governo, além de cobrar muitos impostos, é protecionista.

        • Foxtrot

          Ah! E o cartel da ANFAVEA.
          E também pq o brasileiro aceita pagar.

        • Paulo

          Ainda bem que é protecionista, assim temos um mínino de insdustrialização e tecnologia. País que compra tudo pronto também fica nas mãos dos importadores, é a lei da oferta e da procura. O preço de um produto é formado pelo próprio consumidor, se compram gol mil por 40 pilas, pra que baixar?

          • Eduardo Brito

            Ainda bem que é protecionista? O Brasil é a Economia mais fechada do G20. Tudo que lá fora é coisa comum, barata, aqui é vendido como luxo. Nossa industria é ultrapassada e ineficiente, precisamos de uma abertura comercial modernizá-la, e não ficar investindo no agronegócio para vendermos apenas commodities para o exterior.

      • Deadlock

        Como pode o “superlucro” ser maior que os impostos se os impostos representam mais de 50% do valor do carro? Eles têm que investir em fábricas, contratar empregados, comprar matéria-prima, ter um centro de desenvolvimento, pagar frete, etc. E os governos arrecadam a maior parte sem fazerem absolutamente nada.

        • João Paulo

          Não adianta dizer isso, o típico idiota brasileiro é ensinado desde a infância a demonizar a iniciativa privada e enaltecer o estado!

          • Ricardo

            Os 3 maiores culpados para carros serem tão caros no Brasil: impostos, superlucro e consumidor, sindo o consumidor o maior culpado de todos.

        • Ricardo

          Como vc explica então um carro que sai da montadora por 10 mil e chega ao consumidor por 40 mil!!??

          • João Paulo

            Eu explico: A instabilidade econômica e insegurança jurídica brasileira comprometem o planejamento a longo a prazo, nesse período o governo pode meter os pés pelas mão e enfiar o país numa recessão como estamos agora, ou então pode barrar a entrada de componentes importados por exemplo, prejudicando assim parte da cadeia produtiva que contava com esses materiais e agora terá que se reorganizar para comprar ou produzir (e pagar mais caro também) no mercado nacional. Não dá pra comparar países que são um porto seguro com outros que são totalmente imprevisíveis, é evidente que o lucro no últimos será maior tendo em vista o risco que é investir ali.

      • Louis

        Lucro é justo, as montadoras trabalham para isso.

      • Marcello Caetano

        Fontes:

      • Carlos H. Ferreira

        Pensa bem … Se vc tem um sócio que não investe nada , e te leva a metade do lucro , por isso as montadoras não aceitam ganhar pouco no BR!

    • Deadlock

      O que eu temia aconteceu, o governo é o sócio majoritário desse Golf.

    • arzanette

      isso não e somente imposto e a revendedora não tem lucro nem 1 para revender o carro ????

    • pedro rt

      seria bom se essa moda pegasse pra ver se os estupidos brasileiros abrem os olhos pros absurdos do nosso país

      • Ramom Alencar

        pois é, eles já estão vendendo pouco, se a moda pega ai é que eles náo vendem nada kkkkkkkk
        mas foi uma boa iniciativa

  • afonso200

    e o popular MIRAGE que ia ser feito aqui no BR com 1.0 3cil ??????? no japao ele tem até cambio CVT

    • Diego

      Acho que teve o msm fim do Honda Brio…
      Imagino que ambas desistiram já que o publico de carros compactos não parece gostar tanto dos carros japoneses, Etios e March vendem muito menos do que se esperava…

  • matheusguila

    A Mitsubishi foi a responsável por produzir um dos carros mais admirados por mim durante a infância. A dupla Eclipse/Lancer foram meus sonhos de consumo, e acho que de boa parte dos admiradores da franquia Velozes e Furiosos. Cresci vendo o lancer nas ruas e sonhando em um dia poder guiar um, aliás, não diria guiar e sim pilotar no melhor sentido da palavra. O carro é foda e mostra que os japoneses também possuem um know how incrível, comparável aos alemães.

    • Anderson Rezende

      Nunca curti o Eclipse, mas já sonhei com o Lancer também!

  • Pipo pipo

    Tanto ela quanto a Suzuki poderiam ser exploradas pelas próprias matrizes, não desgosto do atendimento da Souza Ramos, só acho que estão acanhados demais, as duas marcas têm muito potencial a ser explorado.

  • Marcus Vinicius

    Até hoje a Daimler fábrica a picape L200 na África do Sul !

  • Diego Mello

    Já conhecia a historia da MIT exelente marca.

  • Marcello Caetano

    Além do trio Mitsubishi Eclipse, Eagle Talon e Plymouth Laser, também é relevante mencionar os irmõas maiores Mitsubishi 3000GT VR4 e Dodge Stealth.

  • 1945_DE

    Mitsubishi, cadê a substituta da TR4? No ano que vem vou ter que comprar uma Gran Vitara 4×4 semi-nova. Ela é a única SUV nesta faixa de preço que realmente anda no fora de estrada. Todas as outras SUVs são para fazer adventure urbano.