Mercado Montadoras/Fábricas

Montadoras pedem políticas de longo prazo para mercado voltar a crescer

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O protecionismo do mercado automotivo nacional agora é criticado não só pela Mercedes-Benz. Outras montadoras e empresas do setor também estão seguindo a mesma linha de pensamento e acreditam que o modelo atual de negócio no Brasil não tem futuro.

Depois da declaração de Philipp Schiemer, de que a indústria brasileira pode sumir se o panorama atual não mudar, mexeu com o setor automotivo ao ponto de outras empresas começarem a ter a mesma preocupação do chefe da Mercedes-Benz.

No fórum de Direções, promovido pela revista Quatro Rodas, Stefan Ketter, presidente da FCA Latin America, também se posiciona contra os subsídios que alimentaram a indústria e o mercado ao longo dos anos, após a crise econômica de 2008/2009. Para Antônio Megale, presidente da Anfavea, a saída agora é a negociação de um programa industrial de longo prazo.

Megale disse que negocia com o governo um plano de dez anos para o setor automotivo, pois as montadoras querem agora estabilidade para poder investir e fazer o mercado voltar a crescer. No entanto, na época dos subsídios, as montadoras acenavam com demissões e ganhavam IPI reduzido, o que virou uma rotina a cada três meses. Elas alimentaram o um negócio que o governo acreditou ser a solução, mas que na verdade estrangulou o setor após a crise internacional acabar.

O economista Marcos Lisboa, presidente da Insper e ex-secretário de Política Econômica, criticou os fabricantes, pois estes aceitaram os subsídios do governo, que levaram à ruína da produtividade. O setor, de acordo com ele, é o mais protegido do país. De fato, mesmo com a alta do dólar e a recessão, o IPI majorado de 30% continua em vigor, tendo sido alvo de inúmeras reclamações oficiais na OMC.

Hoje, as empresas querem novas regras tributárias e trabalhistas, bem como fim do atual modelo de conteúdo local, que impede as empresas de adquirir mais peças no mercado internacional, o que reduziria os custos de produção, favorecendo as vendas e as exportações.

Atualmente, o custo de transporte no Brasil é 83% maior que nos EUA. Sem liberdade para importar e aumentar a produtividade, as empresas encolhem cada vez mais o quadro e a produção. As equipes das filiais nacionais chegam a ser maiores que em outros países por conta da complexidade tributária. O plano de longo prazo é visto como a única saída viável para o setor automotivo.

[Fonte: Revista Quatro Rodas]





  • Fanjos

    A unica politica que importaria seria:
    Reforma tributaria e importação justa para todos sem muitas burocracias para veículos novos e usados.

    • Heisenberg

      Para a reforma tributária seria preciso antes uma reforma política… e o atual cenário político inviabiliza algo que vem se arrastando desde sempre.

      • Martini Stripes

        Os políticos governam para se reelegerem, não para o país/estado/cidade

    • edgar__rj

      Acrescento “menos ágio”, pois existe impostos super elevados e dificuldades na entrada de montadoras que não fabricam na America Latina… Mas o ÁGIO cobrado pelas montadoras também é super elevado…

      • Heisenberg

        Não pode existir essa cobrança… assim como não pode existir uma cobrança de reduzir o valor de um produto pq a empresa recebeu algum benefício e afins. Isso é um dever de quem compra combater o ágio não comprando (e isso já parte par outra complexidade).

      • Mas o ágio vai mais da concessionária do que da montadora.

  • Codicilo

    Tá bom que as montadoras vão abandonar o Brasil…
    É claro que as vendas diminuíram e os lucros reduziram… Mas reduziram e não acabaram. Nem de longe.
    Tudo bem em reduzir o IPI, que é exagerado, mas eu tô até vendo que os preços NÃO vão baixar, ante a desculpa de que precisam recuperar o dinheiro perdido nesses anos de recessão.
    Alguns incentivos realmente são necessários, pois eles podem “ameaçar” de abandonar suas fábricas e deixar milhares de famílias sem emprego, mas se o governo der o dedo já querem o braço…
    Outra coisa: dar uma maior possibilidade de importação de peças é bom, mas quer ver o governo desconversar e convencer eles a produzirem aqui, e para isso abrir empréstimos do BNDES a juros de 7% a.a.? (que é o nosso dinheiro)

  • Gustavo Miranda

    O sonho delas é poder comprar quase a totalidade dos componentes da china com impostos reduzidos e trazer o máximo possível de subprodutos em CKD para continuar oferecendo esses carros depenados a preço de ouro…

    • Thiago

      Concordo com você. Apesar que se tirarem o tal de IPI majorado de 30%, imagina Mercedes, BMW, AUDI, Citroen e por aí vai, vendendo seu carros top de linha a preços mais baratos, automaticamente ia fazer com que as montadoras nacionais abaixassem os preços, visto que aumentaria a concorrência. Apesar de achar que deveria também acabar com os cartéis, pois eles iam cair matando em cima das importadas e estabelecer o preço médio do mercado, ou as importadas, manteriam os preços altos para também elevarem o lucro.

      É……..tá difícil…….nem sei para onde correr rs

      • William

        Mas pelo menos o mercado fica mais aberto e mais justo. Diminuir o IPI e também reduzir a carga tributária das empresas que estão aqui no Brasil, já facilitaria a queda dos preços e o próprio mercado se ajusta com preço médio de acordo com as vendas.

    • Diego

      Boa visualização.

      Tenho a mesma opinião.

    • Zoran Borut

      Engano seu. O sonho dos acionistas dessas empresas é poder importar tudo pronto e sem impostos dos países com a moeda mais desvalorizada e a mão-de-obra mais próxima do nível escravo possível, o que por enquanto se consegue na China. E, claro, sem abaixar os atuais patamares de preço – até aumentando se possível for.

  • saulo

    Reclamam de tudo isso mas nao cometam o exorbitante lucro que tem

  • Freaky Boss

    Protecionismo nunca funcionou e nunca funcionará como medida sustentável (ou seja, que olha o hoje E O AMANHÃ), justamente porque você cria um ciclo vicioso que termina em produtos caros e ruins (isto é, péssimo para o público em geral), e o setor cada vez mais dependente de ajuda de governo (que tem outras coisas mais importantes para fazer com o $ dos nossos impostos).
    Sustentável é melhorar a condição do negócio (racionalizar impostos, etc) , complementar produção com importação (porque não dá para produzir tudo) , e aí o negócio para de pé.
    Mas a própria Anfavea ajudou a cavar esse buraco….

  • CanalhaRS

    Fizeram a festa quando as vacas estavam gordas, apoiando o protecionismo do governo e redução de impostos, sem contra partida nenhuma (em parte por culpa do próprio governo que não exigiu), agora que festa acabou e ficou essa lambança toda para resolver, ficam querendo novamente incentivos (implícitos nesse “mea culpa”) sob a velha ameaça de fechar as portas e abandonar o país. É sempre a mesma lenga-lenga desta corja, que só quer encher os cofres, deixando o consumidor na mão com produtos inferiores e caros.
    Tá mais que na hora de abrir o mercado para os importados e deixar essas multinacionais correrem atrás. Chega de vantagens e benefícios se eles não trazem reais vantagens para nós.

  • Mario

    Difícil!

  • Freaky Boss

    Bom, mas eu só acredito vendo….Porque aqui no Brasil muita gente pede “mais capitalismo” (eu inclusive), isto é, competição mais livre, menos regulamentação, menos subsídio, ambiente melhor de negócio, risco (ônus) e bônus são da empresa, etc. Mas na hora que o governo vai tirar o apoio do seu setor, é gritaria.
    É aquele negócio: no dos outros é bom, no seu não…
    Ou muda-se a mentalidade geral , melhorando um pouco o ambiente mas aceitando-se correr riscos, ou vai ficar só no discurso mais uma vez.

    • Existe uma expressão de um filósofo brasileiro para ela situação. Segundo ele existem dois tipos de dinheiro, existe o meu dinheiro e o dinheiro dos outros. No dinheiro dos outros o governo deve cobrar impostos e não dar subsídios, as empresas não podem demitir funcionários, devem honrar seus compromissos e por aí vai. Já no meu dinheiro o governo não pode mexer em hipótese alguma, se eu não pagar uma conta não permito o cancelamento do serviço, se com meu dinheiro eu não pagar a doméstica considero injusto ela me processar, mesmo não tendo condições de pagar por um produto ou serviço quero ter acesso ao mesmo. Com meu dinheiro eu considero justo não pagar Ipva e condomínio, mas acho um absurdo o meu vizinho fazer a mesma coisa com o dinheiro dele (porque o dinheiro dele não é meu)

  • Ahammm… que tal as montadoras abrirem seus balanços anuais??? Por qual motivo são de capital fechado??? Porque será que alguns modelos fabricados aqui são vendidos no México pela metade do preço, mesmo pagando o transporte de navio para lá?
    Em resumo, aqui, os carros brasileiros são até 100% mais caros do que no México… Políticas de longo prazo – hummm

  • tjbuenf

    Só quero antecipar aos sonhadores que nenhuma política apoiada pelas montadoras favorecerá a redução no preço dos veículos.

    • Zoran Borut

      Favorecer até vai, acontecer é que não vai. O que vai acontecer é a montadora embolsar a diferença, como sempre fizeram em todas as partes do mundo. E ainda receber financiamento com dinheiro oriundo do imposto sobre o produto, pago pelo consumidor.

  • Edu.ch

    O país é dependente (muito) da indústria automotiva. Uma das piores burradas que o governo passado fez foi esse super IPI. Assim os carros das coreanas (em especial o suvs) que ganhavam parcela considerável do mercado saltaram imediatamente cerca de R$ 15 mil no preço. Incrivelmente o mercado ainda suportava esse aumento que puxou o preço para cima de todos os outros carros causando uma inflação generalizada. Só após sucessivos aumentos nesses últimos dois anos é que o mercado despencou de vez.

  • Junior_Gyn

    Agora que acabou a “mamata” do governo abrir as pernas e conceder isenção de IPI as montadoras querem algo mais sério né. Que coisa. Enquanto tinham a “teta” pra mamar era uma beleza, agora que a fonte secou queremos uma política mais concreta. Ta certo. Coitada dessas montadoras, vendem seus veículos quase a preço de custo, não possuem condições de sobreviver no Brasil. A concorrência aqui é pesada, margem de lucro apertado, como diz o japonês mala da ANFAVEA.

    • celso

      “(…) Coitada dessas montadoras, vendem seus veículos quase a preço de custo, não possuem condições de sobreviver no Brasil. A concorrência aqui é pesada, margem de lucro apertado…”
      Isso só pode ser brincadeira, né ?

      • CanalhaRS

        Claro, ele está sendo irônico.

  • carroair30

    O Negocio é menos ESTADO ,eu nao sei pq aqui no Brasil o setor automotivo é tratado como se fosse uma JOIA nos EUA e na EUROPA quem produz CHICLETE e quem produz CARRO é tratatado a LUZ dA LEI da mesma forma e quem nao estiver contente que PEÇA PRA SAIR,agora aqui é diferente,empresarios e sindicatos disputam quem fala mais alto,é por isso que o setor ta nesssa M….

  • Tosoobservando

    kkkkkkkkkkkkkk esse povo nao cansou de ganhar dinheiro no lombo dos brasiloides nao? Querem mais agora?

  • É sempre assim, é igual a banco: Lucro sempre é privado, prejuízo é de todos.
    Basta a porca torcer o rabo que as montadoras ficam desesperadas. Na época do IPI reduzido era um mar de rosas, ninguém reclamava de protecionismo…

  • Gustavo73

    Sim nossos impostos são muito altos, o custo Brasil também. Mas os senhores também tem um lucro maior ppr unidade aqui não é verdade!? Querem uma mudança no mercado, bom vocês podem começar então que tal? Sufocaram tanto a galinha dos ovos de ouro que agora ele está quase morrendo. Antes do médico chegar e o remédio fazer efeito que tal tirarem a mão do pescoço dela para ela poder respirar.

  • Guilherme, o site não abusa de nada. As chamadas ad networks tem seus anúncios e sempre está entrando propaganda nova, não temos como controlar isso. O que você pode fazer é nos avisar por email que entramos em contato com a empresa responsável pela propaganda para que ela a adeque ao site. Lembre-se de que fazem apenas 5 dias que mudamos completamente o visual, então um tempo de adaptação é necessário. Sua reclamação foi encaminhada para a empresa em questão, mas é porque vi seu comentário, se não tivesse visto não teria adiantado você reclamar no comentário ao invés de nos mandar um email, pois não vemos cada um dos mais de 500 comentários que recebemos diariamente.

  • Zoran Borut

    Eu fico comovido quando escancaram com tanta clareza qual é o valor moral mais sagrado para o Ocidente: a hipocrisia.

  • Miguel

    Ninguém é santo nessa história. Primeiro deveriam pedir pro governo tirar as desonerações dos impostos pagos pelas montadoras, baixar sim o IPI para carros importados, trazer mais concorrência pro país.
    Nosso mercado parece aberto, mas com a aberração dos carros fabricados aqui a preços estratosféricos! Parece até que o consumo está maior que a demanda, quando no momento está exatamente ao contrário!
    E as montadoras enfiam a faca assim como os bancos. Não temos clientes suficientes? Crise? Atocha no povo!
    É claro que tem os empregos, ninguém quer ficar desempregado, mas o governo sempre abriu as pernas para as montadoras, e as montadoras sempre se aproveitaram disso!

  • Ovo com Fundo Roxo

    Já que EUA e Europa devem aumentar o protecionismo, com a chegada ao poder dessa nova direita “neoconservadora”, provavelmente essas montadoras vão precisar importar para cumprir alguma espécie quota, a lá Cristina Kirchner, em um futuro muito próximo. Isso vai ter de ser estudado, gostando dessas empresas ou não.

    Engraçado, a direita passou anos lutando contra a esquerda pela Globalização “opressora” e pelo livre mercado “explorador”, e agora a própria destruirá tudo em nome do nacionalismo e da política das raças. Que bizarrice.

  • Martini Stripes

    “mas que na verdade estrangulou o setor após a crise internacional acabar.”

    Ufa, ainda bem que os EUA nem estão querendo subir a taxa de juros e a China não pára de reduzir a previsão de crescimento.
    Tampouco a zona do Euro, bastante estável.

  • Marcos Pastori

    O protecionismo tem que passar a ser do consumidor e não do bolso dos governantes.

    Tem que vir políticas pesadas em cima dessas montadoras, da mesma forma que existem na Europa.

    Quer vender carro aqui ? Se lesou o consumidor, toma. Se passou o limite de emissões, toma. Se vende carro inseguro, toma. Se faz a festa e demite em massa em nome da margem de lucro, toma.

    Quer entrar no bolo, entra na regra. Senão, cai fora do país, e perde uma fatia deste enorme mercado.