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corsa cargo argentina Muito cuidado com agências de carros usados




Entre todas as relações de consumo de produtos e serviços existentes, as agências e concessionários de veículos estão entre as mais odiosas, sem dúvida alguma. Quem não tem um caso de problema para contar, ou no mínimo, conhece alguém próximo que tenha? Recentemente, meu irmão comprou um Corsa em uma agência de Belo Horizonte, a Ribeiro Car, localizada na avenida Cristiano Machado, um dos principais corredores da capital mineira.

Em uma primeira olhada, o Corsa, estava em boas condições gerais. Acabamento interno razoável e pintura OK, pedimos para dar partida no motor para checar as condições do motor, avaliando ruídos e tentando identificar qualquer anormalidade. Nesse momento, descobrimos o primeiro defeito no veículo: A bateria não tinha carga suficiente para dar partida no motor, providenciaram uma bateria maior, de picape, para auxiliar a partida do motor.

Motor funcionando, não gostei do ruído produzido pela correia de serviço, responsável pelo acionamento do compressor do ar-condicionado e alternador somente, já que o veículo não possui direção hidráulica. Foi quando o vendedor veio com aquele papo de minimizar defeitos e dizer que poderia ser apenas ressecamento devido ao longo prazo de motor parado. Não muito preocupado com isso, afinal, trocar uma correia de serviço e eventualmente um rolamento não seria problema, entrei no veículo e acionei o ar-condicionado, que não funcionou. O vendedor argumentou a possibilidade de ser necessário “completar o gás do ar-condicionado”.

Antes de fechar negócio, meu irmão argumentou com a loja os defeitos do ar-condicionado e da bateria com pouca carga, insuficiente inclusive para dar partida no motor. O vendedor comentou que trocaria a bateria do carro, mas que nada faria a respeito do sistema de ar-condicionado, e concederia um desconto para que o negócio fosse fechado. Mas, antes disso, como nem carro zero quilômetro se compra sem fazer um test-drive, pedimos ao vendedor para andar no carro para sentir melhor as condições de rodagem.

Depois de alguma má vontade e deixar a entender que em virtude de uma volta o negócio já estaria selado, conseguimos andar no carro. Verifiquei um leve empenamento na roda traseira direita e alguns outros defeitos menores fáceis de serem resolvidos. Meu irmão gostou e resolveu fechar o negócio. Passado alguns dias, em virtude de uma série de contra-tempos no financiamento de parte do veículo, fui com meu irmão até a Ribeiro Car retirar o carro. Ao chegar na loja, o vendedor mostrou o carro em um galpão vizinho à loja, dizendo que estava “tudo liberado”. Ao chegar no veículo, ele já estava com o motor em funcionamento, o motivo, só fomos descobrir alguns minutos mais tarde.

Ao entrar no carro, meu irmão logo percebeu que o tanque estava praticamente vazio, sendo que abastecê-lo seria necessário logo no primeiro posto de combustíveis que aparecesse. Paramos no posto Shell da mesma Cristiano Machado, onde meu irmão abasteceu com módicos R$ 30,00, sendo que ao término do abastecimento, o motivo do carro ter sido entregue já funcionando foi descoberto: A bateria, que segundo o vendedor seria substituída por outra, não fora trocada. Com isso estávamos com um carro comprado há minutos, já apresentando um primeiro defeito, muito embora havia sido prometido o conserto.

Tentamos de imediato contato por telefone, através do celular do vendedor, que não nos atendeu após algumas tentativas. Apesar de já desconfiarmos que a situação fosse realmente de ele não querer no atender por já conhecer qual seria o assunto, retornei no meu carro até a agência, onde fui informado que o vendedor havia “dado uma saídinha”. Resolvi dispensar conversa com um sujeito dessa estirpe e fui comprar uma bateria para o carro do meu irmão.

Fizemos uma partida “no tranco” e nos dirigimos até a BHZ auto peças, onde meu pai tem vários amigos. Compramos uma bateria da Magnetti Marelli para substituir a “sem marca” que lá estava. Quando do procedimento da substituição, percemos mais um problema: A bateria estava sem o seu suporte, que também compramos e instalamos. No dia seguinte ao problema da bateria, meu irmão resolveu completar o tanque do Corsa, de forma a possibilitar a medição do consumo médio de gasolina do veículo.

Até aquele momento, já estávamos decididos em não incomodar uma empresa tão vagabunda como a Ribeiro Car, incapaz de trocar uma bateria de um carro de seu estoque. Porém, mais um defeito apareceu, no segundo dia após a compra do carro: A mangueira do respiro do tanque estava danificada, deixando a gasolina do tanque escorrer rua afora. Aproximadamente oito litros de gasolina foram perdidos no intervalo entre perceber o problema e chegar no mecânico para a substituíção da mangueira defeituosa.

Na semana seguinte, meu irmão resolveu avaliar as condições do ar-condicionado do carro. Ao checar o sistema contra vazamentos, percebeu que o condensador do sistema estava repleto de furos, impedindo a recarga do sistema. Foi comprado um condensador novo e instalado em seu lugar. O condicionador de ar funcionou por algumas semanas, até que voltou a vazar, ainda em local não identificado.

Durante esse tempo, também diagnosticamos o elevado consumo de combustível do Corsa, medido em algo por volta de 8 km/L. Avaliando as condições dos componentes da injeção eletrônica, encontramos a causa do excessivo consumo: A sonda lambda, responsável pela medição dos gases do escapamento, parâmetro que influencia diretamente na relação ar/combustível aplicado pelo gerenciamento eletrônico, estava parcialmente quebrada. Apesar de a luz de anomalia não acusar o problema, com a substituíção do componente o carro passou a rodar 12 km/L.

Para finalizar a onda de problemas, na semana passada o Corsa estourou o radiador do sistema de arrefecimento, sendo necessária a troca do radiador e de uma das mangueiras de conexão, que havia sido adaptada, e por não ser original fazia pressão na lateral do radiador, de plástico, que provavelmente contribuiu para o rompimento. Então trocamos desta vez o radiador, a mangueira em questão e ainda completamos todo o sistema com aditivo para sistemas de arrefecimento, como recomenda o fabricante.

Portanto, vale alertar para os cuidados que sempre devemos ter com as agências de carros. Nunca acreditar nas justificativas ou promessas desses lojistas é a primeira regra. Eles não se preocupam em atender os clientes e simplesmente desaparecem se você tenta procurá-los para exigir o reparo de um problema. Tentamos posteriormente receber apenas o valor pago na bateria, que depois de algumas tentativas de contato com o proprietário da empresa, se redimiu de qualquer responsabilidade.

Em caso de problemas que causem qualquer prejuízo , reúna toda a documentação fiscal de seus gastos e procure o PROCON para orientações de como recuperar o seu dinheiro.

Texto de Raphael Hagi


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