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 Novo Peugeot 408   avaliação completa




Desde 2006, a estranha traseira criada pelos designers do 307 sedã custa caro à Peugeot. Ao perder a chance de transferir para o sedã o estilo “bonitinho” do 307 hatch, a marca francesa teve de se contentar com o papel de figurante do 307 sedã na briga dos três volumes médios. Apesar do evidente insucesso, a Peugeot demorou para preparar um substituto – talvez temerosa de errar novamente. Até que, em abril do ano passado, o 408 apareceu na China. E só agora desembarca por aqui, na versão produzida na fábrica da PSA Peugeot Citroën em Palomar, na Argentina.

O 408 substitui de uma só vez dois sedãs pouco badalados da marca: o médio 307 e o médio-grande 407. Para evitar a rejeição à traseira que ocorreu com o 307 sedã – que não se integrava à charmosa dianteira herdada do hatch – o designers da marca fizeram de tudo para que o 408 não ficasse com cara de “sedã derivado de hatch”. Tanto que a frente do sedã é diferente do frontal do hatch médio 308, o substituto do 307 apresentado em Frankfurt em 2007 ­– com chegada ao Brasil prevista para o início de 2012, também produzido na Argentina. A necessidade de corrigir o “equívoco” do 307 sedã inverteu a ordem dos lançamentos no Brasil e dessa vez o sedã chega primeiro.

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O 408 tem linhas fluidas e harmoniosas, sem grandes arroubos estilísticos mas que dificilmente desagradam. Alguns elementos sóbrios e elegantes do moderno design chinês também se fazem notar – afinal, o sedã foi apresentado inicialmente no mercado da China. Os faróis são bem amplos e um dão ao modelo um ar um tanto felino – algo que não cai mal em um Peugeot. Entre eles, na ponta do capô, o logo do leão recentemente reestilizado, que cabe ao 408 apresentar no Brasil. As lanternas traseiras são elípticas e também generosas, tanto que invadem a tampa do porta-malas e a lateral. Um leve arrebitado no ângulo do porta-malas evoca um aerofólio. No perfil, chama a atenção o generoso entre-eixos – são 2,71 m. O comprimento total é de 4,69 m, a largura é de 1,81 m e a altura é de 1,52 m.

No interior, destaca-se o requinte. O painel exibe entradas de ar e mostradores redondos, todos com frisos cromados, que também se espalham pelo sistema de som e alavanca de câmbio, além de puxadores das portas. O acabamento usa materiais de aparente qualidade e muitos revestimentos “acolchoados” e de toque suave. Travamento automático das portas, direção hidráulica, ar-condicionado, regulagem do volante em profundidade e altura, vidros elétricos com função “um toque” nas quatro portas, computador de bordo, volante de couro e chaves com abertura da porta à distância são de série em todas as versões. GPS com tela eletricamente rebatível de sete polegadas, faróis bi-xênon direcionais, auxílio ao estacionamento na parte dianteira e ajuste elétrico do banco do motorista são os benefícios do 408 Griffe em relação ao intermediário Feline. As versões Feline e Griffe incorporam teto solar e seis airbags de série – a Allure vem com duplo airbag.

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Os preços da 408 começam em R$ 59.990 para a versão básica Allure, com câmbio manual de cinco velocidades – com o automático de quatro velocidades, sai por mais R$ 5 mil. A versão intermediária Feline parte de R$ 74.900 e só está disponível com o câmbio automático, assim como a “top” Griffe, que começa em R$ 79.900. Todas tem o mesmo motor 2.0 litros flex de quatro cilindros e 16 válvulas, que consegue 151 cv com etanol e 143 cv com gasolina. O torque é de 22 kgfm com etanol e 20 kgfm com gasolina. Para o segundo semestre, será apresentada uma nova versão “top”, com um novo trem de força, composto por um motor a gasolina 1.6 litro Turbo High Pressure de 165 cv – o mesmo do crossover 3008 – e uma caixa automática sequencial de seis velocidades.

A Peugeot fala em vender cerca de 1.100 unidades por mês no Brasil, a partir da segunda quinzena de março, quando o modelo chega às lojas. Não dá para ameaçar os líderes Corolla e Civic, mas vai bem além das 220 unidades mensais do extinto 307 sedã em 2010 – no mês passado foram apenas 89 –, e colocaria o 408 na frente de C4, Focus e Vectra e na briga pela terceira posição com o Kia Cerato. Além desses, o 408 vai encarar também o recém-lançado Fluence – a Renault imagina para ele algo próximo das 1.800 unidades mensais. Como são aguardados para esse ano o lançamento do Chevrolet Cruze e as versões renovadas de Corolla e Civic, a briga dos sedã médios vai se tornar bem mais instigante no segundo semestre.

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Instantâneas

# Segundo a Peugeot, a criação do 408 reuniu profissionais dos centros tecnológicos da marca em Paris, Xangai e São Paulo.

# O 408 Allure, o mais básico, traz de série duplo airbag, freios a disco nas quatro rodas, faróis de neblina, travamento automático das portas, direção hidráulica, ar-condicionado, regulagem do volante em profundidade e altura, vidros elétricos com função “um toque” nas quatro portas, computador de bordo, volante de couro, retrovisores e maçanetas na cor da carroceria e chaves com abertura da porta à distância, entre outros.

# A linha 408 tem 3 anos de garantia.

# O projeto do 408 começou no entro tecnológico da Peugeot em Vuizy, na França, há três anos. Na época, o futuro sedã era conhecido como “Projeto T73”.

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Ficha técnica - Peugeot 408 Griffe

Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.997 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro com comando variável de válvulas. Bloco em alumínio. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio automático Tiptronic de quatro marchas à frente e uma a ré, com opção de acionamento manual na manopla. Tração dianteira. Não oferece controle eletrônico de tração nem tração integral.

Potência: 143 cv com gasolina a 6.250 rpm e 151 cv com etanol a 6 mil rpm.

Torque: 20 kgfm com gasolina e 22 kgfm com etanol, ambos a 4 mil rpm.

Diâmetro e curso: 85 mm x 88 mm. Taxa de compressão: 10,8:1.

Suspensão: Dianteira independente pseudo McPherson, com molas helicoidais, amortecedores hidráulicos pressurizados e barra estabilizadora desacoplada. Traseira por travessa deformável, barra estabilizadora integrada e amortecedores hidráulicos pressurizados. A versão oferece controle eletrônico de estabilidade ESP, com funções ASR e CDS.

Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS, AFU, REF e EBD na versão.

Pneus: 225/45 R17 em rodas de liga leve.

Carroceria: Sedã em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. 4,69 metros de comprimento, 1,81 m de largura, 1,52 m de altura e 2,71 m de entre-eixos. A versão “top” oferece airbag duplo frontal, airbags laterais e de cortina.

Peso: 1.527 kg em ordem de marcha.

Capacidade do porta-malas: 526 litros.

Capacidade do tanque de combustível: 60 litros.

Produção: Palomar, Argentina.

Lançamento: 2010 na China e 2011 no Brasil.

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Ponto a ponto

Desempenho – Os 151 cv com etanol e 143 cv com gasolina são suficientes para mover os 1.527 kg do 408 Griffe com elegância, mas sem arroubos de esportividade. As retomadas são oferecidas de forma comedida e o escalonamento do câmbio automático de apenas quatro marchas certamente não colabora com a eficiência do conjunto. Em Drive, o propulsor demora a reagir ao pedal do acelerador e, quando instigado a trabalhar mais através de pisadas vigorosas no acelerador, acaba se tornando um tanto barulhento. Usar o modo de acionamento manual do câmbio Tiptronic dá um pouco mais de vigor à performance. A Peugeot fala em 11,9 segundos para o zero a 100 km/h e 208 km/h de velocidade máxima nas versões automáticas. Nota 6.

Estabilidade – O 408 transmite a sensação de ser bem construído. Torce pouco nas curvas e se mostra equilibrado mesmo em altas velocidades. Os pneus de perfil baixo 225/45 R17 da versão Griffe e a calibragem esportiva da suspensão certamente ajudam nesse aspecto. Nas freadas bruscas, o modelo mergulha dentro do previsível e os discos nas quatro rodas – auxiliados por dispositivos como ABS, AFU, REF e ESP – ajudam a manter o carro na trajetória e sob controle do motorista. Nas retas, há boa comunicação entre rodas e volante se fez notar até os 150 km/h, a máxima alcançada durante o teste. Nota 8.

Interatividade – O novo sedã da Peugeot oferece posição confortável de dirigir e ótima visibilidade dianteira, graças à ampla área envidraçada. A retrovisão não é tão boa, mas pelo menos as manobras são facilitadas pelo sensor de obstáculos. Os comandos estão ao alcance das mãos e o volante oferece ajustes de altura e de profundidade. Apenas a versão “top” possui regulagens elétricas do banco do motorista. Comandos do som e do GPS são práticos e quase sempre intuitivos. A visualização do quadro de instrumentos é bastante clara. Nota 8.

Consumo – Ao final dos quase 180 quilômetros do teste de apresentação, o computador de bordo acusava a média de 8,5 km/l, em uso predominantemente rodoviário e com gasolina no tanque. Nota 7.

Tecnologia – O 408 usa uma plataforma apresentada mundialmente em 2007, com o hatch 308, numa versão alongada. O motor 2.0 é flex, mas o torque máximo surge só nos 4 mil giros e a potência máxima aparece apenas nas 6 mil rpm. O novo câmbio automático AT8 de quatro marchas tem relações de transmissão pouco integradas ao desempenho do motor – a rotação cai nas trocas de marcha – e deixa a desejar. Em termos equipamentos de segurança, o 408 está sintonizado com o que há de mais moderno na Europa. O GPS rebatível eletricamente – de série na versão Griffe – é muito funcional, eficiente e permite boa visualização. Nota 8.

Conforto – Os mesmos pneus 225/45 R17 da versão Griffe e a calibragem esportiva da suspensão que ajudam o 408 a fazer bonito no quesito estabilidade assumem o papel de “vilões” no quesito conforto. O pneu de perfil baixo faz com que boa parte das irregularidades das vias seja instantaneamente transmitida à suspensão e ao volante, o que incomoda um pouco. O interior do sedã passa uma sensação de amplitude graças à ampla área envidraçada. O vão para cabeças é bom na frente e atrás e todos os ocupantes também desfrutam de bom espaço para pernas – o entre-eixos alongado em relação ao 307 sedã faz muita diferença. Atrás, dois adultos e uma criança viajam sem apertos. O isolamento acústico se mostra eficiente, desde que o motorista não resolva acelerar forte – nesse caso, o barulho do motor se apresenta com certo alarde. Nota 7.

Habitabilidade – Para um sedã, é bom o acesso ao interior do carro, tanto na frente como atrás. No habitáculo, os porta-objetos são numeroso e bem concebidos. Os porta-mapas são pouco práticos, mas conseguem acomodar garrafas pequenas. O porta-luvas refrigerado é amplo e pode abrigar até uma garrafa, de 1,5 litro. Os porta-copos são bem posicionado e cumprem sua função com eficiência. O porta-malas acomoda generosos 526 litros e as dobradiças pantográficas não invadem o seu interior. Nota 8.

Acabamento – É um dos pontos altos do 408. O uso intensivo de materiais emborrachados e os diversos detalhes cromados transmitem ao interior do 408 um nível de sofisticação incomum entre os sedãs médios. Painéis, bancos e forrações tem design elegante e usam materiais agradáveis ao toque e aos olhos. Fechamentos e encaixes são bastante precisos e não foi percebida qualquer rebarba. Nota 9.

Design – Outra “bola dentro” da Peugeot. A marca francesa substituiu um sedã esquisitinho por um modelo bem mais instigante e inequivocamente contemporâneo, embora sem maiores ousadias. As linhas robustas são complementadas com detalhes sofisticados e o resultado se traduz em um estilo harmonioso e simpático. Nota 8.

Custo/benefício – O 408 começa nos R$ 59.500 da versão básica Allure com câmbio manual e vai até os R$ 79.900 da atual “top” Griffe. Para o segundo semestre, deve surgir uma nova versão “top”, com o motor 1.6 THP a gasolina de 165 cv, equipamentos exclusivos e preço não divulgado. Com seu bom nível de acabamento, muitos equipamentos de série, design moderno e o “efeito novidade”, as versões básica e intemediaria poderão se tornar competitivas. Já a Griffe pode enfrentar um “fogo amigo”. Afinal, seu preço é o mesmo do crossover 3008, que já traz de série o moderno motor 1.6 THP, desenvolvido em parceria com a BMW. Nota 6.

Total – O Peugeot 408 Griffe somou 75 pontos em 100 possíveis.

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Primeiras impressões - Cadência sóbria

Ao longo dos mais de 180 quilômetros do teste de apresentação do 408, entre o Rio de Janeiro e a cidade serrana de Petrópolis, foi possível avaliar o comportamento de novo sedã da Peugeot em variadas situações. Desde as românticas ruas de paralelepípedo da bem conservada “Cidade Imperial” ao asfalto liso e bem cuidado de alguns trechos da BR-040, do pesado trânsito carioca à pacata movimentação dos petropolitanos na hora do almoço. Em todos os lugares, o 408 Griffe testado passeou de forma elegante e seu estilo sempre chamou a atenção. É um carro que “faz vista”.

A bordo, não é difícil achar uma boa posição para dirigir. A ergonomia é bastante correta, o painel de instrumentos é bem projetado e a visibilidade é privilegiada pela área envidraçada bastante grande para um sedã. Texturas agradáveis de todos os revestimentos e o moderno design interior ajudam a tornar a viagem mais agradável.

Em termos de estabilidade, o modelo se mostrou bastante eficiente nas retas, curvas e frenagens. Não exibiu sinais de flutuação nas retas até os 150 km/h nem adernou excessivamente nas curvas, mesmo em velocidades elevadas. Quando o freio foi acionado, parou sempre de forma precisa e equilibrada. O pneu de perfil baixo 225 / 45 R17 da versão Griffe transmite ao habitáculo boa parte das irregularidades do piso, mas contribui de forma bastante efetiva para o equilíbrio do modelo.

Já em termos dinâmicos, o novo sedã da Peugeot não chega a decepcionar, mas também não cativa. Acelera de forma cadenciada e comedida, o que não agrada os que apreciam um modo de direção mais esportivo – para esses, recomenda-se utilizar sempre o modo manual do câmbio Tiptronic, embora o fato dele só oferecer quatro marchas seja um óbvio limitador à performance.

No modo Drive, usar o recurso do “kickdown” – uma pisada vigorosa no acelerador para subir o giro e “acordar” o motor – não dá muito resultado. Em vez de oferecer a força extra exigida, o motor rosna alto, mas continua acelerando as rodas de forma gradual e sem arroubos. Ou seja, o 408 não é mesmo de acelerar rápido e atingir velocidades mais elevadas requer alguma paciência. Quando finalmente se chega lá, pelo menos o modelo se mostra bem “na mão” e transmite sensação de consistência e confiabilidade.

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Por Luiz Humberto Monteiro Pereira – Auto Press



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