Home Etc O álcool, os jovens e a condenação por homicídio doloso no trânsito

Algumas pesquisas científicas nos dão a verdadeira dimensão sobre a questão do progressivo uso de bebida alcooólica pelos jovens, onde muitos, ainda bem cedo, adquirem tal hábito num quadro preocupante para toda a sociedade.

Num artigo publicado num jornal de grande circulação, no Rio de Janeiro, envolvendo a questão do uso de álcool e direção, o médico psiquiatra e especialista em dependência química Arthur Guerra de Andrade, informa que numa recente pesquisa do Ministério da Saúde (Vigitel, Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas não Transmissíveis por meio de Inquérito Telefônico), realizada com 54.144 pessoas, no ano de 2011, revelou que 4,6% dos entrevistados afirmaram dirigir após o consumo de bebidas alcoólicas. Tal comportamento foi mais frequente na faixa etária de 25 a 44 anos e entre os homens.

Num estudo publicado na revista científica “Addiction” – que analisou 1.495.667 acidentes automobilísticos fatais ocorridos entre 1994 e 2008, os indivíduos que consumiram alguma bebida alcoólica estavam mais propensos a dirigir em alta velocidade, não usar cinto de segurança e conduzir o veículo causador da colisão, quando comparados aos motoristas sóbrios. Além disso, verificou-se que quanto maior a concentração de álcool no sangue, maior a gravidade dos ferimentos causados pelo acidente.

Arthur Guerra alerta para o fato de que nos países em desenvolvimento o custo com acidentes de trajeto pode chegar a 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o estudioso, caso as tendências se mantenham nas próximas décadas, tais acidentes continuarão a crescer, atingindo principalmente as populações mais vulneráveis e os países em desenvolvimento. Atualmente, informa Arthur Guerra, os acidentes de trânsito são a décima causa geral de mortalidade e a nona de morbidade no mundo, ocasionando 1,2 milhão de óbitos/ano e gerando até 50 milhões de feridos.

Na cidade do Rio de Janeiro -não deve ser muito diferente na maior parte do país- adolescentes consomem bebida alcoólica livremente em bares. Graças à pouca fiscalização aos ambulantes fica fácil encontrar menores consumindo álcool na noite do Rio.

A Diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) a psicanalista Ivone Ponczek, conforme recente matéria jornalística, conta que 30% dos pacientes em recuperação, no citado núcleo, são menores de idade. Num bar, na Zona Sul do Rio, num meio de um grupo de jovens sentados à mesa e consumindo cerveja, um estudante de 16 anos disse: – “Acho que nenhum lugar deveria vender. Mas isso depende da cabeça de cada um. Não vejo nenhum mal em beber uma cervejinha. Mas tenho amigos alcoólatras, que gostam de beber até vomitar”.

Se considerarmos que muitos desses jovens, após o consumo de bebida alcoólica e energéticos, assumem a direção de um veículo, boa parte inabilitados, conduzindo em excesso de velocidade nas pistas livres das madrugadas e efetuando manobras arriscadas, é presumível que tragédias continuem a ocorrer em rodovias e vias urbanas. O álcool afeta diretamente o cérebro onde são processadas as informações necessárias para a condução veicular. Segundo o Ministério da Saúde cerca de 50% dos mais graves acidentes de trânsito envolvem motoristas alcoolizados no país.

CONDENAÇÃO DE HOMICÍDIO DOLOSO POR EXCESSO DE VELOCIDADE

Um homicida do volante, dirigindo em alta velocidade e com sinais de ingestão de bebida alcoólica, na Rodovia RJ-102, fato ocorrido em 2006, perdeu o controle de sua picape e bateu de frente com um outro veículo. Matou a motorista e uma criança de 10 anos. Feriu gravemente mais dois menores e a babá que também estavam no referido carro. A babá ficou cega.

A menina morta, Isabella Gautto Caruso, era filha do cartunista Chico Caruso do GLOBO. Recentemente, o motorista foi condenado por homicídio doloso duplamente qualificado, a um total de oito anos e nove meses de prisão em regime fechado. A sentença foi considerada, no meio jurídico, cita a notícia, uma mudança histórica no paradigma da Justiça para tratar crimes cometidos por excesso de velocidade. O Tribunal do Júri de Cabo Frio considerou que o motorista cometeu dolo eventual, assumindo o risco de matar ao se comportar irresponsavelmente na condução de seu carro.

Ainda que a pena tenha sido pequena para a a tragédia que causou, o fato de ter sido condenado pelo excesso de velocidade e sem a materialidade da comprovação da ingestão de bebida alcoólica, não deixa de ser um avanço para desencorajar os assassinos em potencial do volante e pode servir de base para o julgamento de casos análogos, até que a proposta de homicídio doloso por excesso de velocidade e por direção alcoolizada façam parte integrante dos crimes em espécie no capítilo pertinente no Código de Trânsito Brasileiro.

MOTOCICLISTAS INABILITADOS

Para finalizar o quadro de irresponsabilidade no trânsito, uma pesquisa do Setor de Ortopedia do Hospital da Posse, no município de Nova Iguaçu / RJ, identificou que a maioria (52%) dos motociclistas envolvidos em acidentes de trânsito não possuia habilitação. É a imprudência e a irresponsabilidade que continuam matando, mutilando e causando tragédias no trânsito brasileiro. As estatísticas comprovam.

Milton Corrêa da Costa é tenente coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro



  • Rods

    Porque jovem acha que beber até cair é bonito?! Olha essa foto…. Que tristeza.

    Bom pra quem fabrica a cerveja.,…

    Será que a vida é tão miserável que precisam fugir dela constantemente?!

    Aceitam qualquer delírio absurdo em vez de encarara realidade….

  • farleytito

    confesso já bebi e dirigi.mas hoje não faço mais porque depois de ver um acidente causado por essa combinação mudei minha maneira de ver a vida. hoje eu acho que quem faz isso é um perfeito idiota que não ta nem ai com a sua vida e nem com a das outras pessoas. sou completamente a favor de uma lei mais rígida e que de fato seja cumprida, assim como nos estados unidos e em outros países. o transito brasileiro mata mais do que os conflitos no Iraque, e boa parte dessas mortes pode ser debitada na conta do álcool. atualmente muito se fala em uma reformulação do código penal brasileiro e acho que seria a melhor hora para se fazer uma mudança de postura em relação aos crimes de transito que ocorrem no brasil e simplesmente caem no esquecimento.

    • Pedro_Rocha

      Esquece, já que nessa reforma estão querendo liberar as demais drogas e aí veremos como vai ficar o trânsito. Acho que vou comprar uma Dodge 2500 Laramie usada no futuro para me salvaguardar…

      • farleytito

        agora nosso transito vai ficar doido (literalmente).

  • Debraido

    No caso das motocicletas uma medida simples seria a obrigatoriedade da habilitação para aquisição do veiculo, o que impossibilitaria a compra por qualquer pessoa.

    • Pedro_Rocha

      Geralmente essas motos sequer são emplacadas. Moro no Estado do Rio e isso é normal, já que o IPVA de 4% mais o DPVAT absurdo das motos constrange até mesmo os cidadãos honestos a não emplacarem o, muitas vezes, único meio de transporte do qual dispõem. Ademais, se ainda temos territórios não-controlados pelo Estado, por que os favelados iriam emplacar motos e tirar carteira, já que moram em terrenos invadidos, não pagam impostos, água nem luz e ainda ganham bolsa-família?

      • Debraido

        Isso complementa o que eu disse. Talvez a obrigatoriedade do veiculo estar devidamente documentado para ser entregue ao comprador também possa ajudar.

  • Fnbard

    A lei já é rígida, basta cumpri-la. Mas acho que o problema não se resume simplesmente em beber e dirigir. Eu não gosto de bebida alcóolica então nem sei como é dirigir sob efeito de álcool, mas tenho certeza que os acidentes mais graves são causados por aqueles que não conseguem nem ficar em pé e pegam o volante. Outro problema que percebo bastaste é a necessidade dos adolescentes em se auto-afirmarem diante de seus colegas. É raro ver um cara sozinho fazendo barbaridades no trânsito, normalmente tem mais gente dentro do carro e o motorista só quer se exibir. Se tiver mulher no carro então nem se fala.

    • farleytito

      mas a lei tem brechas pra todo lado e ela ainda é branda, essa é minha opinião. e mesmo aqueles bêbados que não estão trocando as pernas representam um risco enorme (experiencia própria).

    • renangeo29

      Não concordo Fnbard, o álcool mesmo em doses "moderadas" aumentam nossa confiança, influem na concentração, reflexos e consequentemente os riscos de acidentes aumentam, falo porque, quando mais jovem, provei dos efeitos da combinação álcool e volante optando por decisões pulsivas e estupidas, no entanto não provoquei nenhum acidente. Mesmo gostando de uma cervejinha sou totalmente favorável ao aumento da carga tributária das bebidas alcoólicas, bem como campanhas rígidas nos meios de comunicação advertindo sobre os malefícios do seu uso, a exemplo do cigarro, cujos resultados foram positivos na redução do consumo, creio que com álcool não será diferente. No momento em que escrevo esse texto recebo a notícia de mais uma vítima do consumo excessivo de álcool, câncer, esposo de uma colega de trabalho.

  • AndredeAzambuja

    Repito o que eu já disse aqui mesmo no site em outros posts sobre o mesmo assunto:

    Legal, beber e dirigir é errado, bla bla bla. Mas e quem não é milionário para gastar dezenas (ou centenas) de reais em taxi bandeira 2 a cada saída ou não tem um amigo que mora minimamente próximo para dar carona, faz como? Afinal, nos países que o Brasil se espelhou para aplicar a lei existe transporte público eficiente e que funciona madrugada adentro, isso quando não é 24 horas. Aqui, metrô e trens param meia-noite. Ônibus funcionam com 5% da frota depois da meia-noite, e nem são todas as linhas. Estou falando de São Paulo, cidade mais rica da América Latina, cidade mais populosa do Ocidente e gigante em área.

    Você não pode dirigir depois que bebe, mas não tem como ir pra casa também, o poder público não dá alternativas. São Paulo tem um dos taxis mais caros do mundo e um dos piores transportes públicos, relativamente a sua população.

    • Louis

      E mais… Beber cervejinha no restaurante, ou alguns goles de vinho não faz ninguém assassino. Quem mata são os que querem fazer graça ao volante embriagados, ou os que não conseguem parar em pé de tão alcoolizados.

    • Alec_T

      Desculpa cara, mas eu não corrijo um erro com outro.

      Eu não bebo, mas se eu o fizesse, eu nunca usaria essa justificativa para dirigir bebado por aí.

      Se eu não posso bancar um carro, eu não compro.
      Se eu não posso bancar um filho, eu ensaco o palhaço.
      Se eu não posso bancar minha balada, bebo em casa.

    • MM_

      Sério André, vc não pode esperar que o poder público lhe dê alternativas se no final das contas vc q vai se prejudicar, além de poder prejudicar outras pessoas.

      Se um dia vc sofrer um acidente depois de ter bebido, não vai conseguir se livrar da culpa e da cadeia, alegando que o poder público não te deu alternativas.

      Também acho que é errado não ter transporte, mas por outro lado notei que eu achava caro sair a noite de taxi mas que a maioria das vezes a conta do bar era mais alta que a conta do taxi – que é muito mais BARATO que em outros países. Além disso, se uma pessoa mora na Zona Leste, por exemplo, não adianta querer ir beber na Zona Oeste. Vai sair caro mesmo. Uma das alternativas que encontrei pra evitar fazer essa besteira de beber e dirigir, além de fazer churrascos com os amigos em casa, foi de ir beber em bares mais perto de casa, assim o taxi saia mais barato.

      Alternativas existem, é só querer encontrar e pararmos de culpar o governo, pq sabemos q eles não fazem nada mesmo. Até o momento que aprendermos a votar.

      • Renatc_

        Ou Seja, apesar de clichê: SE BEBER NÃO DIRIJA. Não importa se são 2 copos ou 100. Se houver acidente e matar alguém, a pessoa (com um mínimo de consciência) vai ficar lamentando que se não tivesse bebido não haveria causado o acidente.

        Portanto se vai beber, nem sai de casa ou arruma um pra levar e trazer.

        É como o amigo ai de cima falou, não adianta culpar o poder público. Até temos lei, mas não tem fiscalização para executar. Portanto cabe a nós encontrar alternativas.

        Então novamente: Essa de beber só um pouquinho, não rola. Ou bebe ou não.

    • Herumor_

      já pensou nessa alternativa??: NÃO BEBE ENTÃO!!!

      tão simples e o pessoal sempre esquece dela… alem de economizar com taxi vai economizar com a balada oh! ¬¬

    • victorbueno10

      cara são paulo o taxi e barato prto da minha cidade pra andar 5km sao 20 reais no fim de semana é 40 sei disso pois ja fui em SP e é muito brato os táxis de lá

      • CharlesAle

        Nossa Victor,é a primeira vez que vejo alguém dizer que o taxi paulista é barato,pois nós paulistanos só pegamos taxi em último caso,pois consideramos caro,aqui no ABC é a mesma coisa da capital…..

        • MM_

          Charles, o maior problema que veja aqui no ABC é que as cidades são muito próximas, as vezes parecem bairros da mesma cidade, mas ainda assim vc tem que pagar adicional. Outro dia tinha deixado o carro na revisão e precisei ir até o supermercado (Sonda), que fica a uns 2 ou 3 quarteirões da divisa de SA com SBC. Perguntei se o taxi cobraria o adicional e depois da afirmativa, pedi para ele me deixar na divisa, e andei os 200 ou 300m.

          Sobre SP, acredito que vale o parâmetro de comparação. Quem está acostumado com taxis do Rio, realmente vai achar SP caríssimo. Por outro lado, quem costuma fazer viagens internacionais, principalmente para alguns lugares específicos, vai achar SP bem barato.

    • Felix_S

      Dividir o táxi com os amigos não sai caro! Fazia isso direto quando era estudante aí na capital. Dá pra dar um jeito sim.

    • bedotRJ

      Vc pensa como gente de primeiro mundo e não como esse pessoal atrasado que enxerga o Estado como mero tutelador e não como fornecedor de serviços públicos.

      Eu sou contra a Lei Seca exatamente pelos motivos que vc elenca. Ela não é justa em um país que não trata ANTES de oferecer ao cidadão uma alternativa decente, barata, abrangente e segura de transporte público. E ela não ataca o principal: a leniência do Poder Público em oferecer condições seguras de trafegabilidade. Pois, ao contrário do que diz a patuleia, o álcool raramente é o principal responsável pelos acidentes, mas sim as más condições de ruas e estradas. O álcool, quando aparece, é elemento concorrente apenas.

      Quanto à questão do homicídio doloso para acidentes de trânsitos, é mera demagogia prá jogar o culpado pro Tribunal do Juri. Parte do pressuposto de que a pessoa "assumiu o risco" do homicídio, o que, obviamente, é falso. Por essa lógica, em vários aspectos do cotidiano já estamos assumindo riscos análogos. Trata-se de uma jabuticaba tupiniquim, mas daquelas bem estragadas, prá ludibriar incautos.

      • KawasakiNinja

        "O álcool raramente é o principal responsável pelos acidentes" Cara, em q planeta vc vive? O carro se transforma em uma arma nas mãos de um idiota sob efeito de substâncias estupefacientes como o álcool e outras drogas, os reflexos e até a própria acuidade visual ficam prejudicados. Isso não é teoria, é fato comprovado. A pessoa q dirige embriagada ou sob efeito de qualquer outra droga e q provoca um acidente grave com vítimas fatais, deve sim ser acusado por homicídio doloso(dolo eventual) pois é previamente consciente q essa atitude pode causar a morte de pessoas.

        • bedotRJ

          O carro se transforma em uma arma também na mão de motoristas imperitos, motoristas sob o efeito de calmantes, motoristas que dormiram mal à noite e também de motoristas cuidadosos trafegando nas vias ruins que o Poder Público do Brasil entrega ao usuário. É a esse Poder Público, omisso, incompetente, corrupto e perverso, que vc quer entregar a prerrogativa de restringir a liberdade de uma pessoa, independentemente dela ter causado um acidente? Desculpa, mas o planeta em que vc vive é muito mais atrasado do que o meu.

          Não aceito que se criminalize uma pessoa porque ela dirigiu após beber. O máximo que se pode aceitar são sanções administrativas. Infração c/ multa média; na reincidência, infração c/ multa grave; na reincidência, prestação de serviços públicos. E por aí vai… Se não causou acidente com mortos e feridos, não tem que passar disso. Se causar, aí o Código Penal tem como se encarregar do cidadão.

          • MM_

            Por essa lógica, se eu andar pela rua com uma metralhadora eu também não deveria ser criminalizado, afinal ainda não matei ninguém?

            • bedotRJ

              Sou a favor da liberação da posse de arma no recinto residencial, aqueles definidos como 'casa' (invioláveis) pela Constituição.

              Ainda assim, a analogia não procede. Não se pode comparar um meio de transporte, que, eventualmente, por diversos motivos (o álcool é apenas um deles) pode levar à morte, com um objeto que se relaciona diretamente a esse intento. À priori, ninguém pega um carro com intenção deliberada de matar. Quando isso acontece, insisto, o Código Penal já consagra as devidas tipificações.

            • KawasakiNinja

              Certamente se tivesse um ente querido morto por um motorista bêbado, ele não pensaria dessa forma.

              • MM_

                Acho q vc respondeu para a pessoa errada.

                • KawasakiNinja

                  Não, era pra vc mesmo. Fiz um comentário sobre o q penso sobre ele(BedotRJ)

              • bedotRJ

                Essa é mais uma daquelas respostinhas padrão dos lobotomizados. Não quer dizer absolutamente nada. Porque o meu sofrimento pela perda de um ente querido em um acidente de trânsito não teria diferentes níveis de gradação em razão da presença ou não de álcool como elemento concorrente de causa. É você quem, por questão de lógica, deveria desde já abrir mão do sofrimento e da responsabilização, caso o seu ente viesse a óbito em razão de uma das inúmeras razões pelas quais também se morre no trânsito sem a participação do álcool.

                Vou falar pro meu amigo, cujo pai foi colhido por um ônibus em um acidente na madrugada (sem álcool): "ó meu amigo, foi só um acidente, circunstância da vida, o seu sofrimento é menos legítimo do que o dos parentes dos mortos com participação de álcool, valeu?"

                Tenha santa paciência…

                • KawasakiNinja

                  Não tenho dúvida nenhuma. É óbvio q o sofrimento é muito maior no caso q envolve o álcool. Uma coisa é perder alguém em um "acidente". É uma coisa terrível, porém compreensível. Agora, ter uma vida ceifada por um cretino bêbado ao volante, além do sofrimento, certamente provoca uma grande revolta pelo simples fato de que, sem o álcool, o evento não teria ocorrido . Tenho certeza d q a dor do seu amigo seria muito maior no segundo caso.

          • KawasakiNinja

            Hum, interessante seu pensamento, então vamos esperar até q ela mate uma pessoa ou até uma família inteira, para q só então ela tenha uma punição mais sevara por dirigir sob efeito de psicotrópicos. Então EUA, Canadá, Japão e todos os países da Europa estão errados em criminalizar motoristas bêbados e nós, brasileiros, na contramão de todo o mundo civilizado é q estamos certos?

      • MM_

        Desculpa Beto, mas moro entre o ABC paulista e uma região dos Estados Unidos que não existe transporte público algum de madrugada. E ninguém dirige bebado pq sabe que vai colocar a sua vida e a vida dos outros em risco, al~em de ser contra a lei e isso dá cadeia mesmo.

        Pensar como tutelador é achar que eu não preciso me preocupar com alguma situação pq o Estado falhou em criar as condições necessárias que eu acho que preciso pra fazer o que eu quero.

        • bedotRJ

          Acho que as pessoas estão meramente lobotomizadas por maciças campanhas públicas que, simplesmente, eximem o Estado de qualquer responsabilidade pelos acidentes de trânsito. Quando sabemos que uma eficiente ação do Estado, no sentido de cumprir sua obrigação de devolver nossos escorchantes impostos em vias e rodovias decentes, minimizaria ISSO SIM os acidentes. Mesmo alguém que dirija sob o efeito de álcool traria menos riscos se a rua fosse larga, bem pavimentada e bem iluminada. Então que o Estado faça o seu dever antes de querer restringir direitos do cidadão. Ou que ofereça alternativas como, por exemplo, abatimento tributário de quem utilizar transporte público nos horários noturnos. Só cobrar, cobrar e cobrar sem entregar nada – e as pessoas ainda aplaudirem isso? Não dá. É muita falta de cidadania.

          • MM_

            Entendo sua revolta com o nosso (des)governo, Beto, entretanto nesse caso não existe restrição de direitos do cidadão, afinal beber e dirigir não consiste em um deles.

            E outra, não se engane. Grande parte dos acidentes que vemos nas madrugadas de SP, ocorrem em ruas largas, bem pavimentadas e bem iluminadas. É o mesmo que acontece nas rodovias. Outro dia estava na Rod. Bandeirantes, que o limite é 120km/h. Após uma curva, olhei no retrovisor e fui para a esquerda realizar uma ultrapassagem e estava a uns 130km/h. Surgiu um Audi "do nada" e se não volto rapidamente de pista, teria sofrido um acidente que talvez fosse fatal. O cara não estava a menos de 200km/h, pela velocidade que apareceu. Culpariamos a Rodovia ou um infeliz que acha que a vida dos outros vale o mesmo lixo que a dele, por andar nessa velocidade?

            • bedotRJ

              Culparíamos coisa, EXCETO o álcool. A menos que o álcool estivesse presente, o que deveria tão somente AGRAVAR a situação. Assim como alguém que trafega a 90km/h em uma rodovia limitada a 80km/h pode receber uma MULTA, que é uma situação de AGRAVAMENTO em relação a quem não excedeu o limite. Mas penalizações similares (reclusão) para o ato de dirigir sob o efeito de álcool e para o ato de causar um acidente com vítimas fatais? Sem chance.

          • KawasakiNinja

            Mas o Estado não está restringindo nenhum direito. Qualquer pessoa pode se entupir de bebida até cair pelas sarjetas, só não pode dirigir após ter bebido, apenas isso. Em relação as "vias decentes", parece q muitas vezes o resultado é contraproducente. Na Estrada de Jacarepaguá, há um trecho de mão dupla de aproximadamente 1,5km de curvas cujo asfalto era horrível, cheio de ondulações e buracos e não havia calçada. Pois bem, a prefeitura pavimentou, alargou, pintou faixas, fez calçada com ciclovia, o asfalto ficou perfeito, lisinho. Logo após a liberação completa do trecho, o pessoal começou a correr tanto no local q parecia mais um autódromo e uma garota voltando de uma balada às 8:00 da manhã, capotou uma picape matando um idoso q fazia uma caminhada na calçada. Após isso, a prefeitura encheu o trecho de quebra molas, ou seja, por causa de imbecis q não respeitam seus semelhantes, todos temos q pagar o pato, freiando e desgastando a suspensão do carro umas 10 vezes ao passar pelo trecho. Não adianta amigo, o ser humano, sobretudo o brasileiro, só começa a ter algum respeito pelo próximo, quando coagido por uma expectativa de punição. "Consciência social de brasileiro é medo de polícia", já dizia Nelson Rodrigues.

            • bedotRJ

              E cadê o álcool nessa história aí?

              Defenda a proibição TOTAL do uso de carros por particulares, de forma que o número de mortes em acidentes de trânsito seja virtualmente reduzido a ZERO. Essa é a proposta sem seletividade moral para quem se preocupa com essas mortes, pois descarta aquele elemento de valoração, tipo, até X mortes é aceitável, porém a partir de um nº > X de mortes, aí não! Ou seja, há os mortos da causa e os mortos sem causa. Jogo duro.

              • KawasakiNinja

                Na história da mulher? Bom, certamente ela estava sob efeito de alguma droga, pois, além de estar voltando de uma "rave", ela se recusou a soprar o bafômetro na delegacia. Eu penso q um veículo só deve ser conduzido por uma pessoa q apresente um perfeito equilíbrio do seu sistema nervoso central, ou seja, q apresente perfeitas condições motoras para tal. Parece q vc não compartilha desta idéia, mas td bem, vivemos em uma democracia.

          • luta4ever

            Falta de cidadania é você querer que a sociedade tome iniciativa antes do individuo, isso não existe!!! Se o país é corrupto é porque as pessoas são corruptas. Se você é um criminoso que dirige sob efeito de álcool pq o político também não pode ser criminoso e desviar verba?????

            • bedotRJ

              Inversão total de termos, caracterizando sofisma.

              Dirigir sob o efeito de álcool passou a ser crime agora. Trata-se de uma mera convenção, que pode ser tranquilamente derrubada. Já o desvio de verba pública é vilipêndio da função pública, não só do ponto-de-vista da tipificação legal, mas também do ponto-de-vista moral: ninguém que defenda abertamente o desvio de verba conseguirá exercer a função pública – terá que ludibriar pessoas. Ao passo que a direção sob o efeito de álcool está longe de guardar relação conclusiva, de causa e efeito, com as mortes no trânsito (há, se tanto, uma correlação – e não em todos os casos).

              Melhore o argumento.

    • renangeo29

      André, admiro sua sinceridade em afirmar que bebe depois de dirigir, mas a deficiência nos transportes públicos não legitimam seu erro. É fato que a combinação barzinho, balada, álcool, mulher, carro e motel é lógica seguida pelos jovens de São Paulo ( não estou dizendo que esse é seu caso) mas digo que a maioria dos meus colegas podem sim "meiar taxi" mas quebra a combinação triunfal da noite.

  • PERICLES_EDU

    A Maior parte dos jovens=Imbecis, burros, ignorantes, irresponsáveis. Culpa disso são os respectivos pais que são imbecis, burros, ignorantes e irresponsáveis.
    Brasileiro quer que o Brasil seja de primeiro mundo com o comportamento e a cultura de quarto mundo.
    Reclamam de tudo, mas não tem nada a oferecer. Se temos uma Lei (CTB) que a maioria banaliza e depois ainda querem que as coisas dêem certo.
    Rico comete infração de trânsito e acha que pode porque tem dinheiro e acha que tem cultura. Pobre comete infração porque se acha inustiçado e porque é ignorante (porque não sabe da Lei). Esse é o típico comportamento e a cultura de um país de terceiro mundo. DNA de 500 anos de história de ladrões e bandidos que vieram para cá a contra gosto. Mas quando são vítimas do trânsito aí querem justiça, independentemente da classe social. Essa foto retrata grande parte da juventude atual, ou seja, a Geração I….. de IMBECIS…

  • http://www.historias-de-minha-vida.blogspot.com/ olhandoalua

    É um problema de responsabilidade e uma geração criada a leite com pera e ovomaltine… Hoje a mulecada vira "expert do sexo" cada dia mais cedo e cria responsabilidade cada vez mais tarde…
    Com ou sem bebida a mulecada faz merda e causa muitos acidentes, o álcool no sangue acaba sendo apenas um "potencializador"…

    • MM_

      Eu já acho que é o inverso. Tenho 40 anos, não fui criado com ovomaltine, mas venho de uma geração que era normal beber e dirigir. Sem usar cinto de segurança, obviamente. Meus pais faziam isso e meus avós também.

      A molecada de hoje simplesmente está fazendo o que sempre foi feito e aí que está o problema. Temos que mudar essa cultura, coisa que não é nada fácil.

      • zeuslinux

        Eu tenho mais de 40 anos e antigamente já dirigi várias vezes depois de ter bebido moderadamente e algumas vezes até após ter bebido bastante. Apesar disso, nunca me envolvi em acidentes e posso dizer que mesmo bêbado dirijo melhor e mais seguro que a grande maioria das pessoas sem ter bebido. Não mudo de personalidade e nem viro irresponsável sob efeito do álcool, que apenas diminuiu os meus reflexos e me dá mais sono. Por isso mesmo, quando dirigia depois de usar álcool, dirigia bem mais devagar que o normal, dava mais distância dos carros da frente, não pegava estradas (que dão sono), andava na direita e evitava fazer ultrapassagens e mudanças de pista.

        Mas não dirijo mais depois de beber, mesmo que seja apenas uma lata de cerveja, só porque se acontecer qualquer acidente a moda hoje em dia é crucificar o motorista, mesmo que o acidente tivesse acontecido sem o uso de álcool ou mesmo que a culpa seja do outro motorista. Com isso, hoje compro meus vinhos e cervejas para beber em casa e acabo até bebendo mais, por custar mais barato e estar mais ao alcance das mãos.

        Acho que a falta de perícia e a imprudência por falta de juízo e de inteligência mesmo causam muito mais acidentes e insegurança do que o álcool em si. O problema é que estes imb.ecis com muito álcool na cabeça se tornam ainda mais malucos e imb.ecis.

        Sou a favor sim de penalização de motoristas bêbados, mas com níveis elevados de álcool no sangue, mas usando critérios científicos e diferenciando as pessoas pelo sexo, peso, etnia (sim, já foi provado que homens e de certas etnias suportam maiores teores de álcool sem grandes efeitos), se bebeu sem comer algo junto, etc.

  • johnsecret

    É obvio que ninguém quer matar ninguém, mas só com penas mais duras é que realmente se muda a sociedade, quando a lei enxergar que no bolso é que brasileiro sente mais, ela acorda e passa a dar sentenças com pensões vitalicias as famílias prejudicadas, além de penas mais duras aos motoristas que cometeram o crime.

    • Pedro_Rocha

      LEFT MODE ON

      Isso é a criminalização da pobreza, já que a burguesia tem motorista particular, pode beber à vontade e pode pagar quantas pensões quiser. Reacionário só pensa em ferrar os pobres para poder desfilar os carrões importados sem os pobres para atrapalhar.

      LEFT MODE OFF

      No Brasil da Constituição Bandida, no qual terrorista pega só 3 anos de prisão, faz faculdade PÚBLICA e depois vira presidente? Difícil!

      • CharlesAle

        Pedro,aqui é o paraiso dos corruptos e marginais,seja eles terroristas,mensaleiros,empresários bandidos ou seja lá o que for,nunca vi um país com uma justiça tão canalha como a nossa,por exemplo,ver o verdadeiro chefe dos mensaleiros(sapo pinguço)tirar onda do STF e posar de santo,sendo que é um dos maiores corruptos que este país já viu(basta ver a fortuna do lulinha,que dirá o pai)e de dar nojo deste país….

        • renangeo29

          É Lula, mensalão, petrossauros, bolsa esmola. Cuidado em, o baluarte da moral e bons costumes Demostenes Torres se revelou da mesma turma dos petralhas kkkkkk

          MEU PAI, CADA RUMO OS TÓPICOS TOMAM KKKK

  • sandrodiasadv

    Quem bebe não pode dirigir, isso todo mundo sabe e também conhece os riscos desta prática, porém, o que estamos vendo nestes casos em que há uma condenação por dolo eventual é uma banalização, uma tentativa do judiciário de corrigir um erro do legislativo que não conseguiu, até agora, criar uma lei que puna de verdade esta atitude, então eles tentam ficar encaixando essas condutas de forma errada. O novo Código Penal já está em tramitação e vai resolver isso se passar pelo legislativo.

  • Herumor_

    quanto ao assunto de beber e dirigir eles deviam mudar a frase…

    de: "Se beber não dirija" para: "SE FOR DIRIGIR NÃO BEBA!"

    acho que a irresponsabilidade começa quando o animal estaciona o carro e vai pra algum lugar beber…

  • AntonioCarn

    Fico abismado em observar o consumo de bebidas alcoolicas nos postos de gasolinas com o "caba" sentado bem no capô do carro…Será que está esperando o papai buscar ele? Acho que não.. Sei que o consumo destas bebidas podem ser em qualquer lugar e depois a pessoa pegar o carro, sei que acima da educação do trânsito vem a conscientização de cada indivíduo… blá, blám blá… Mas a cena das conveniências dos postos de gasolinas são tão explícitas.

  • victorbueno10

    é meu amigo tem gente q acha q a vida é igual no GTA…

  • KawasakiNinja

    Tenho vários colegas q dirigem alcoolizados aqui no Rio. Eles entram no Twitter para ver onde estão instaladas as blitzes da Lei Seca e fazem uma rota alternativa. Já desisti de pensar q algum dia o Brasil será um país minimamente decente, pq o problema está no povo, q infelizmente, é egoísta, amoral, individualista e não tem apreço nem pela própria vida, o q dirá pela vida dos outros. Isso mudaria após uns 30 anos de pesados investimentos em educação, mas como isso jamais irá acontecer, estamos fadados a ser eternamente uma nação excrementícia.
    EU TENHO VERGONHA DE SER BRASILEIRO

  • BlueGopher

    Uma das maiores empresas de marketing do mundo resolveu passar uma mensagem para todos através de um vídeo criado pelo TAC (Transport Accident Commission) e teve um efeito fantástico na Austrália..
    Depois desta mensagem, 40% da população da Austrália deixou de usar drogas e de consumir álcool pelo menos nas datas comemorativas:

    [youtube Z2mf8DtWWd8 http://www.youtube.com/watch?v=Z2mf8DtWWd8 youtube]

  • hugogyn94

    Por isso tem manes gostam arriscar a vida e achando,pra que serve o taxi ne ?

  • CharlesAle

    Todos deram sua opinião a respeito de dirigir embriagado,sofre esse fato não culpo só jovens,pois tem muito barbado fazendo molecagens por ai,tem de ser assim,se teve um acidente,obrigatoriamente tem de passar por exames,se for constatado embriagues,perde a carta,se causou acidente fatal,cadeia,simples assim,independente da vitima fatal estar errado ou não,pois dirigir alcolizado já assume o risco de morte de si e de outrem……

  • Jason

    É mais do que certo que, quando a pessoa assumir o risco, ela tenha de assumir a consequência pelos atos que comete. Assim é tudo na vida, por que não haveria de ser no assunto transito?

    Cedem à tentação e à pressão social, viciam-se em uma droga que nada de bom acresentará à vida apenas para sentirem-se socialmente integrados, e no final das contas cometem erros. É um longo círculo vicioso. A educação deve começar em casa, e as punições na frente devem ser severas, sim. Acho que tem que ser meio 8 ou 80, e sem penas brandas.