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volkswagen gol 2009 O aumento da quantidade de carros no Brasil

O Brasil atualmente é o 4º maior mercado automotivo do mundo. Mas quais fatores contribuíram para o grande aumento de veículos no Brasil? O crédito fácil, a melhora do poder aquisitivo do brasileiro e as necessidades das pessoas.

O que é comum nos grandes centros urbanos? O transporte público. Mas em sua grande maioria, o transporte público é precário. Há mais de um ano que eu não ando em transporte público. Hoje fui levar a minha moto para a revisão e tive que pegar o busão (baú em Brasília, Coletivo no interior de Sampa…). Mas nomenclatura à parte, o busão que eu andei estava com o assoalho solto, bem no caminho onde as pessoas entram (pela frente) e seguem em direção à roleta. O assoalho estava remendado com arames, e no painel do busão acendia uma luz vermelha indicando óleo do motor baixo. Há ainda histórias não divulgadas que são cabulosas, mas isso é para outra discussão.

Mas enfim, o que eu quero dizer é que o brasileiro é humilhado, essa é a verdade. A maioria vai para o trabalho de transporte público, tem que enfrentar o ônibus, metrô ou trem superlotado; sofrem humilhação no serviço, etc… E nos dias de chuva? E quando o cidadão acorda atrasado? E quando o ônibus quebra? A tensão é muito grande e o estresse é constante. E ainda tem que sentir o fedor do suor alheio!

Quem depende do transporte público em Brasília chega a gastar 1/3 do salário com transporte. Claro que eu estou contando com o benefício que o cidadão recebe da empresa. Dependendo do lugar em que a pessoa mora aqui em BSB o trabalhador precisa pegar duas conduções.

Agora vamos recorrer à matemática: o transporte de ônibus em BSB tem valores de R$ 1,50 a R$ 3,00. O metrô é R$ 3,00. Já no entorno, como Águas Lindas de Goiás – GO o valor chega a R$ 4,75. Se o cidadão precisar de duas conduções, ele gastará R$ 12,00 por dia e passará 3 horas ao todo no transporte público. Se morar no entorno, esse valor sobe para R$ 15,50 e 4 horas no transporte público. Óbvio que eu não estou levando em consideração dias chuvosos ou quando há acidentes, blitz… Sem contar o cidadão que vai para a faculdade ou algum curso.

Ainda na matemática, o cidadão trabalha em média 25 dias por mês. O trabalhador que pega apenas duas condições gasta por mês R$ 150,00 mais o desconto de 6% de seu salário. Tomando como base o salário mínimo, o desconto é de R$ 33,00. Ao todo lhe resta R$ 117,00 para gastar com transporte. Mas o cidadão que pega duas conduções terá o dobro do gasto, sendo de R$ 300,00 menos R$ 33,00. Resta-lhe R$ 267,00 para gastar com transporte. Há empresas que não pagam esse transporte adicional. Nesse caso o trabalhador terá que desembolsar R$ 183,00. Já o morador do entorno recebe R$ 237,50 restando-lhe R$ 204,50. O que pega duas conduções recebe R$ 387,50 restando-lhe R$ 354,50. O que não recebe o benefício do segundo também terá de arcar com R$ 183,00.

A maioria dos brasileiros é apaixonada por automóveis desde criança. É cultura. Admiramos muito os automóveis. Contribui para isso o fato do brasileiro gostar de ser aceito na roda de amigos, fazer charme para as minas, deixar seu vizinho com inveja e até fazer competição de som, de qual carro é melhor e por aí vai. Agora pensa: você acha que todo brasileiro aguenta fazer compra e voltar de busão cheio de sacolas? Chamar uma mina pra sair de busão lotado? Viajar com a família no busão? Uma hora a panela de pressão explode! Aí o cidadão olha as propagandas de carros com financiamento em 60 vezes (já chegou a ser em 72) com parcelas que cabem no orçamento. O cidadão vê aí uma solução pra ele. Um automóvel é mais seguro, mais cômodo, mais confortável que andar de busão; carrega a mina, a família e as compras; se protege da chuva e ainda ganha status. Esses fatores às vezes estão no subconsciente da pessoa, causado pelas propagandas.

O brasileiro ao comprar o carro para suprir suas necessidades, muitas das vezes não olha o preço em si, como um todo. Vai da cultura familiar, da concepção formada pelos seus parentes, como por exemplo: “VW aguenta qualquer parada”; “GM tem o melhor conjunto”; “FIAT tem melhor agilidade e autonomia”; “Ford é raça forte”… Entre outros. Hoje com muitas ofertas, muitos consideram a beleza, a funcionalidade, e principalmente se o modelo escolhido vai suprir suas necessidades. O cidadão às vezes nem se importa com o preço. Ele quer mesmo é se livrar do estresse do dia-a-dia. Não importa se pagar o valor do carro duas vezes, o importante é sair com o carro, seja usado ou 0Km. Claro, um carro usado na concepção da maioria trará problemas, enquanto um 0Km com garantia ele ficará longe de problemas. Concepções formadas.

Ainda há aqueles quem compram o carro mais pela emoção. Viu a “promoção imperdível” no feirão, e vai correndo, como uma criança corre atrás do presente, para o anzol do vendedor que ilude o cidadão fazendo-o ficar com um carro que às vezes ele nem gosta, mas pela sua necessidade esse modelo poderá resolver seus problemas. A situação é tal que muita gente que anda de carro 0Km paga aluguel. Isso é um absurdo. Mas fazer o que.

Tudo o que eu quero dizer é que muitos brasileiros andam de carro 0km “pé-de-boi” sem se importar se o veículo tem itens de segurança. Ou isso ou andar no precário e humilhante transporte público. Nesse caso, é mais seguro andar de Fusca do que de busão.

O primeiro carro de minha família foi um Fusca 1976. Meu pai pagou R$ 3.000,00 com muito sacrifício e contou com a ajuda de meu avô. Isso foi uma vitória, pois estávamos deixando o transporte público e entrando numa outra vida, numa outra dimensão, onde o carro resolveria os nossos problemas. Resolveu! Mas trouxe outros: combustível (na época R$ 0,40) manutenção, quebras inesperadas, etc… E a maioria dos brasileiros se esquece desses detalhes no ato da compra.

Assim sendo, como o brasileiro vai exigir carros melhores? Ele necessita do carro, e vai compra-lo mesmo que não tenha nada. Aí as marcas se aproveitam da situação e barganham os brasileiros, que são iludidos facilmente. A Renault tentou mudar a concepção do brasileiro oferecendo Airbag de série em alguns modelos. Mas o que mais vende, e isso a Renault aprendeu aqui, são acessórios. Então porque oferecer item de segurança sendo que o brasileiro valoriza acessórios? É por essa e outras que estamos nessa situação. O cara compra rodas, som, bota insulfilm, mas nem liga se seu carro é um “pé-de-boi”.  É lógico, afinal itens de segurança não se vê, não ganha status.

Então é isso pessoal, essa é a nossa realidade. Queremos dignidade. E expressamos nossas necessidades de modos diferentes. Quando é que nos tornaremos inteligentes? Não que sejamos burros, mas talvez ignorantes ao que acontece entre os muros. Muros que cercam e cegam a visão dos brasileiros. Muros que impedem que os brasileiros vejam e avancem rumo à realidade. Vamos abrir os olhos de nossos amigos e parentes, derrubar o muro que os cercam, para que possamos ter mais dignidade e um futuro melhor.


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