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Panhard 24 foi o último da lendária marca francesa

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Panhard 24 CT

A Panhard foi o primeiro fabricante mundial de automóveis em volume, tendo-se sido fundada em 1890. Desde os primórdios do carro, a marca sempre se destacou pelos elegantes sedãs e carros de competição famosos, mas a partir de 1955, 25% da operação automotiva ficou nas mãos da Citroën.

A partir de então, a marca francesa passou a sofrer pressão da associada, ávida por mais e mais capacidade de produção. Afinal, seus clássicos 2CV e DS estavam vendendo muito e o apetite do mercado exigia mais esforço do fabricante parisiense. No meio do fogo, a Panhard foi apanhada em cheio.

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Panhard 24 CT

Desde o começo dos anos 60, a Panhard vinha sofrendo restrições de evolução por parte da Citroën e o modelo 24 se tornou o último carro de passeio da marca a existir formalmente. Tudo conspirava contra, inclusive o mercado, que cada vez mais a deixava em troca das revoluções proporcionadas pela marca do duplo chevron.

O sedã PL17 foi um bem-sucedido sedã de quatro portas da Panhard, mas estava incomodando a Citroën. Seu sucessor, o modelo 24, deveria seguir o mesmo caminho se tivesse as mesmas características do anterior.

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Panhard 24 CT interior

Assim, sob influência da acionista, o novo carro acabou chegando ao mercado como um cupê duas portas, que depois virou um sedã duas portas. Além disso, a produção tinha que ser dividida com o Citroën 2CV Fourgonette, que estava vendendo muito. Para não concorrer com produtos da sócia, o modelo 24 teve um motor de quatro cilindros à água vetado.

Assim, o antigo motor boxer a ar de dois cilindros e 848 cm3 dos anos 40, que já havia sido usado nos modelos anteriores da Panhard, foi coloca no cupê, que assim teve a frente rebaixada e aerodinâmica digna de elogio. O estilo envolvente era atraente e muitos elementos estéticos foram herdados pelo Citroën GS de 1970.

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Panhard 24 CT motor

A plataforma tinha chapas de aço planas e estrutura tubular integrada, tendo ainda subchassi traseiro, bem como suspensão com amortecedores telescópicos na frente e eixo de torção na traseira. Os freios inicialmente eram a tambor na frente, mas logo foram substituídos por discos. O espaço interno era considerado bom para a época. Cintos de segurança, por exemplo, eram opcionais. Uma novidade na época.

O Panhard 24 tinha também variantes de entre eixos curto (cupê CT) ou longo (sedã BT). O cupê media 4,26 m de comprimento e tinha 2,28 de entre eixos, enquanto o sedã media 4,55 m e tinha 2,55 m de entre eixos.

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Panhard 24 BT

Já o motor boxer 850 entregava 42 cv no início e posteriormente 50 cv. O câmbio de quatro marchas era sincronizado. A máxima variava de 135 a 150 km/h, mas a versão Tiger S chegou a 160 km/h. Ele tinha desempenho mediano, bem diferente de quando movia os sedãs anteriores da Panhard, feitos com carroceria de alumínio.

Com 28.651 unidades, o Panhard 24 foi fabricado de 1963 a 20 de junho de 1967, quando a planta de Ivry teve sua linha de montagem desativada para o modelo. A Citroën optou por elevar a produção das vans 2CV do que manter o 24 e a marca Panhard no mercado, pois esta já vinha vendendo muito pouco. A divisão militar, no entanto, continuou a existir.

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Panhard 24 BT

Originalmente, o Panhard 24 deveria ter chegado não só como cupê e sedã de duas portas, mas também tinha versão com quatro portas, perua e conversível nos planos da empresa, que foram cancelados logo após o lançamento do modelo.

Com aquisição total da marca pela Citroën em 1965, ficou evidente o fim. O GS de 1970 é considerado o sucessor do 24, herdando muito deste último Panhard, inclusive a característica de ter motor boxer a ar, mas com quatro cilindros. Esse DNA durou até 1986, quando o GS saiu de linha.





  • Tosoobservando

    Ja pode aparece alguem pra revitalizar e relançar a marcar, carro top, tem prototipo?

    • Matheus Ulisses P.

      Se alguém quisesse reviver a marca de modo semelhante que estão fazendo com a Borgward, não sei se seria legal.
      Os saudosos Panhard eram de uma época onde os carros podiam dar-se ao luxo de serem diferentes e as marcas podiam ter suas próprias soluções mecânicas. Um VW era todo diferente de um Citroen, por exemplo. Seja em estilo ou aspectos construtivos, só um Panhard era semelhante a outro Panhard. Acredito ser isso que as tornavam tão especiais! Hoje em dia, todos seguem a mesma receita básica, só mudam o tempero. Dificilmente alguém conseguiria criar algo tão icônico como eles eram.

      • Pedro Rocha

        Já não está fácil para a PSA manter 2 marcas (Peugeot e Citroen). A tendência natural das empresas é diminuir as marcas, visando economia de escala, por isso não vejo mais espaço para marcas “focadas em nichos”, por assim dizer.
        Basta vermos o que aconteceu com a Maybach e tantas outras.

        • Matheus Ulisses P.

          Seu comentário só vem a somar com o que eu quis dizer! Se já é difícil alguém novo reviver a marca, que o diga uma marca já estabelecida…

  • Tosca16

    “Cintos de segurança eram opcionais para época …” Sinceramente não duvido não que se não fossem obrigatórios por lei haveria muita gente que não os colocaria ainda nos dias de hoje. Agora voltando aos modelos, interessantes e bonitos .

  • Maçaranduba o Porradeiro.

    é bonito…

  • Jorge Osório Cortese Magalhães

    Beleza e personalidade marcantes!

  • Ricardo Santos

    Elegante e atemporal.

  • Ramon Oliveira

    Esse roxo com o teto branco é bonito d+. Será que tem algum 24 no Brasil?

    • Matheus Ulisses P.

      Não sei se existe, nunca vi ou ouvi dizer sobre algum. Uma pena, pois seria destaque em qualquer encontro de antigos por aí!

  • Wall André

    Esse carro é muito bonito, bem ousado, sem exageros, de muito bom gosto!

  • Matheus Ulisses P.

    Franceses entendem de automóvel, e não é de hoje! Marca fantástica!

  • Ricardo Blume

    Que design!

  • Jackson

    Caramba que belo carro para os anos 60. O da primeira foto vinho e teto branco é o mais bonito.

  • mjprio

    Ele tem um que de ds 19 na frente