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Desde a invenção da linha de montagem, as montadoras sempre seguiram um padrão para construir automóveis, utilizando-se de diversas plataformas para construir modelos individuais, sendo que muitas linhas de montagem só podem ser exclusivas para determinados tipos de veículo.

Hoje em dia a maioria dos fabricantes consegue ter uma mesma linha de montagem para carros diferentes, como acontece, por exemplo, na fábrica da Honda, em Sumaré/SP. Lá, tanto Civic quanto Fit ou City compartilham a mesma linha, sendo que depois de determinado lote produzido, as máquinas são reprogramadas automaticamente para fazer outro tipo de carro, e isso inclui até a solda.

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No entanto, os carros acima e todos os demais até recentemente compartilhavam em número reduzido de peças entre si e isso fazia o processo de montagem e também o desenvolvimento de novos produtos caros e demorados. Assim, surgiu a ideia de criar uma plataforma única para diversos modelos de veículos, englobando os segmentos compacto, médio e grande, incluindo também SUV e comerciais leves.

Quem deu o início a essa revolução, que permite produzir em menor tempo e com custo de desenvolvimento e montagem mais baixos foi a Volkswagen através de Ulrich Hackenberg, que por 30 anos, incluindo duas passagens pela Audi, uma pela VW e uma pela Rolls-Royce, entre outras empresas, sonhava com um carro feito como um Lego, utilizando os mesmos componentes para fazer carros diferentes.

Assim, em 2007 ele retorna para a Volkswagen com uma missão, desenvolver a plataforma modular, que no caso da marca alemã é a MQB (Modularer QuerBaukasten ou Matriz Modular Transversal). Para isso, ele teria em suas mãos nada menos que US$ 70 bilhões da montadora para criar um sistema capaz de dar origem a 40 modelos diferentes, que representarão mais de 6,3 milhões de unidades ao ano do grupo germânico.

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A MQB consiste em 22 partes que podem ser montadas de acordo com o veículo desejado, possibilitando que uma única linha faça do próximo Polo ao futuro Passat, mas com tempo 30% menor e custo 20% inferior. Além disso, ela permite maior flexibilidade na criação de novos produtos e menores recursos para isso.

Formas e tamanhos não estão mais limitados, assim como uma boa redução de peso, na ordem de 100 kg em média. Um bom exemplo são os recentes conceitos CrossBlue, que medem cinco metros e tem dois de largura. Note que a mesma base servirá ao futuro Polo, que não deverá passar de quatro metros e pouco além de 1,70. A economia até 2019 será de US$ 19 bilhões anuais.

Além da MQB, que já pode ser testada no recente Audi A3 Sport e Sportback no Brasil, e lá fora nos Skoda Octavia e Seat Leon, além do próprio Volkswagen Golf, que deverá liderar as vendas da nova base. A VW ainda terá mais duas modulares: MLB para carros de motor longitudinal e tração dianteira/integral (Phaeton, Touareg, A8, Q7, Cayenne, Bentley SUV) e MSB com motor dianteiro/central e tração traseira/integral (911, Aventador,R8).

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Com o santo-graal da produção de automóveis nas mãos, a Volkswagen já sabia que seria seguida nesse sentido. Ford e Toyota já preparam suas bases modulares, sendo que a marca japonesa ainda parece estar bem devagar, apesar de ter ela própria, iniciado o processo de compartilhamento de peças entre veículos, obtendo redução de custos que a tornaram a maior do mundo.

No entanto, duas empresas francesas, mergulhadas na crise européia, trabalharam em segredo em suas próprias plataformas modulares e só recentemente, quando a panorama financeiro já indicava outro caminho, elas revelaram suas armas para segurar as rédeas dos alemães.

A PSA foi a segunda empresa do setor automotivo a anunciar sua plataforma modular. Ela não o fez com muita antecedência em relação ao primeiro lançamento, mas depois já havia sido visto o Citroën C4 Picasso da nova geração. Ele foi o primeiro modelo com a EMP2 (Efficient Modular Platform), seguido da versão de sete lugares da minivan e agora do Novo Peugeot 308.

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A EMP2 foi anunciada junto com o sistema Hybrid Air, que pode revolucionar o conceito de carros híbridos daqui para frente, sendo que os dois anúncios praticamente pegaram todos de surpresa, no momento em que a PSA está em sua pior situação financeira.

Se nada de ruim acontecer daqui para frente, a PSA terá seis tipos de modelos sendo feitos com a EMP2, sendo sedã, perua, hatch, SUV, minivan e comercial leve. A nova base permite instalação de sistemas híbridos, grades móveis, materiais compostos (alumínio e fibra de carbono) e sistemas eletrônicos avançados, reduzindo em até 70 kg o peso total. Ela é feita em aço de alta resistência, assim como os modelos com origem nela. O bom é que ela será feita na Argentina com o próximo 308, que deverá enfrentar o Golf “MQB” feito aqui, junto com o A3.

Em 2011, engenheiros da Renault-Nissan teriam ficado surpresos com o nível de compartilhamento de peças nos carros da Volkswagen. Isso foi antes da MQB. No entanto, os franco-nipônicos não se deram por vencidos e começaram o processo de globalização de componentes, chegando agora ao anúncio da CMF (Common Module Frame).

A CMF divide o carro em cinco partes, sendo motor/transmissão, habitáculo, suspensão dianteira/subframe, suspensão traseira/estrutura e sistema eletroeletrônico. A nova base francesa permitirá criar 14 modelos até 2020, sendo 11 da Renault e 3 da Nissan. É pouco para o tamanho do grupo, especialmente a Nissan, mas representará economia de 20% a 30% dessa nova linha de produtos.

Essa semana, a Renault anunciou na Índia a CMF-A, versão da plataforma modular CMF voltada para projetos de mercados emergentes, onde o grupo tem maior crescimento nas vendas. Assim, projetos de baixo custo a que estamos acostumados, não utilizarão mais chassis de modelos antigos ou bases criadas especificamente para cá, sem a devida segurança e qualidade das plataformas de mercados maduros. O primeiro modelo com CMF deverá ser o Nissan Qashqai.

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VW, PSA e Renault-Nissan saíram na frente no que diz respeito à plataforma modular, mas como nós já dissemos, outras empressas também estão fazendo as suas. A Daimler apostou na MFA e a BMW na UKL. A MFA equipa os modelos Mercedes-Benz Classe A, Classe B, CLA e o futuro GLA, entre outros. Ela tem tração dianteira ou integral com motor transversal, itens não inéditos na marca alemã, mas agora em um nível mais elevado de sofisticação.

A UKL foi criada pela BMW para servir a uma nova geração de modelos da alemã com tração dianteira, motor transversal e menor custo de produção e desenvolvimento. Ela também permite à MINI ter toda sua próxima gama de produtos feitos na mesma base, reduzindo ainda mais os custos. Do Cooper à Active Tourer, as duas empresas terão um ganho expressivo de economia, assim como possibilidade de criação de novos produtos.

Enfim, a plataforma modular chegou para reduzir custo e tempo para criar e montar com carro, elevando os ganhos dos fabricantes, racionalizando o pacote de autopeças e tornando os produtos mais sofisticados e eficientes. Infelizmente não necessariamente baratos ao consumidor. Por outro lado, o risco de um mega recall é enorme, já que se uma peça der defeito, milhões de unidades de diversos modelos terão de ser chamados, prejudicando a imagem da marca e consequentemente as vendas.



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