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Porsche, a marca dos cobiçados superesportivos alemães

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Porsche 356 com Ferdinand Porsche ao lado

Em 3 de setembro de 1875, a pequena cidade de Maffersdorf (hoje Vratislavice nad Nisou, República Tcheca) via nascer mais um de seus cidadãos. Localizada na Bohemia e integrante do então Império Austro-húngaro, ela ficaria lembrada no mundo como a terra natal de um dos mais importantes engenheiros automotivos da história, Ferdinand Porsche.

Terceiro filho de Anton Porsche, Ferdinand desde cedo mostrou aptidão pela mecânica. Em Reichenberg, ele frequentou aulas de Escola Técnica Imperial e aos 18 anos, começou a trabalhar na companhia de energia Béla Egger, em Viena. Ele cursou a universidade, mas nunca aprendeu engenharia em nível superior. Mesmo assim, no período de cinco anos, fez seu primeiro motor elétrico.

Em 1898, Porsche entrou para a empresa Jakob Lohner & Company, que dois anos antes começara a produzir automóveis. Adotando o motor elétrico da Egger e o carro da Lohner, Ferdinand criou seu primeiro veículo, chamado P1. Três anos mais tarde, ele desenvolve um novo veículo, o comercial leve Lohner-Porsche Mixte Hybrid.

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Lohner-Porsche Mixte Hybrid

No começo do século 20, o Mixte Hybrid já compreendia o uso de motor a gasolina e dois elétricos, montados nos cubos das rodas. O propulsor era da Daimler e funcionava como gerador. Foi o primeiro híbrido registrado na história. Foram mais de 300 exemplares construídos e Porsche recebe em 1905 um prêmio como o mais notável engenheiro automotivo da Áustria.

A fama do Porsche chegou à Austro-Daimler, que o contratou como engenheiro-chefe em 1906. Nos anos seguintes, Ferdinand desenvolveu projetos de carros para a realeza imperial e também veículos de corrida, chegando a Doutor Honoris Causa em 1916, pela Universidade de Viena. A partir de então, passou a ser nomeado Dr. Ing. Hc Ferdinand Porsche.

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Ferdinand Porsche

As corridas continuaram a dominar a vida profissional de Porsche até 1923, quando após divergências sobre o desenvolvimento de automóveis, deixa Austro-Daimler e entra na DMG (Daimler Motoren Gesellschaft), mas continuou nas competições e desenvolveu motores com compressor, especialmente para o Mercedes SSK.

Em 1926, a Daimler Benz compra a DMG e a marca Mercedes-Benz passa a ser utilizada oficialmente. No entanto, Porsche queria criar um carro popular, mas sua ideia não era bem vista dentro da companhia. Assim, ele retirou-se em 1929, indo para a Steyr, onde foi despedido no mesmo ano por conta da Grande Depressão.

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Porsche com o protótipo do Volkswagen

Dr. Ing. hc F. Porsche GmbH

Em abril de 1931, Ferdinand Porsche decidiu seguir seu próprio caminho fundando a empresa Dr. Ing. hc F. Porsche GmbH. Parte do dinheiro para abertura do negócio veio do Dr. Anton Piëch, um advogado de Viena que o havia defendido no caso da Daimler e marido de sua filha Louise Porsche. O sobrenome se tornaria famoso em tempos recentes do Grupo Volkswagen.

Fundada em Stuttgart, a Porsche começou os trabalhos de desenvolvimento de veículos para outros fabricantes, sendo o primeiro para a Wanderer. Ainda assim, decidiu tocar seu projeto pessoal, que teve apoio da Zündapp (motos) e depois da NSU (automóveis). Ferdinand criou uma divisão para competições, mas sem grande êxito.

No ano de 1932, a Auto Union é formada e Porsche é convidado para projetar um carro para o Salão de Berlim de 1933. Nesse evento, Adolf Hitler anuncia um programa nacional para desenvolvimento de um carro popular, a fim de motorizar a Alemanha, o chamado “carro do povo” ou Volkswagen.

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Porsche Typ 64

Porsche acabou ganhando a tarefa, assim como a de outros projetos militares para a Wehrmacht. O primeiro protótipo do Volkswagen surgiu em 1935 e daria origem ao lendário Käfer, também chamado Beetle, Fusca e Coccinelle, por exemplo. A partir daí, direta ou indiretamente, Ferdinand e sua companhia estariam ligados definitivamente com aquele projeto e seu legado.

A Porsche continua seu curso e, em 1939, surge o Porsche 64, um carro esportivo com aerodinâmica apurada. Este é considerado por muitos como o primeiro carro da marca, mas a própria empresa diz o contrário. Durante a Segunda Guerra Mundial, Ferdinand assume a posição de presidente da Volkswagen, voltada quase que exclusivamente para atender a Wehrmacht.

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Porsche Typ 155

Após o conflito, ele é substituído pelo Coronel Britânico Ivan Hirst, concentrando assim suas ações na Porsche. Mas antes disso, ele foi acusado de crimes de guerra e preso por 20 meses. Nesse período, seu filho Ferry assume a companhia e decide fazer seu próprio carro, pois não havia nenhum disponível na Alemanha do pós-guerra.

O projeto tomou forma e só foi revelado após a libertação de seu pai, em agosto de 1947. O primeiro carro oficial da Porsche surgiu no ano seguinte, sendo feito em Gmünd, Áustria. O 356 foi originalmente construído pela Porsche Konstruktionen GesmbH, mas em 1950 passou para a Dr. Ing. hc F. Porsche GmbH.

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Porsche 356 Speedster

356

O Porsche 356 foi um elegante esportivo, cujo desenvolvimento foi baseado na experiência da empresa com o projeto Volkswagen, que nessa altura tomava seu próprio rumo, embora já ligado à Ferdinand também por laços familiares (Anton Piëch entra para a VW em 1948).

Como cupê e conversível, essencialmente equipado com motor traseiro boxer a ar, o 356 projetou a marca no disputado mercado americano. A partir de 1950 em Zuffenhausen, a Porsche utilizou os brasões de Weimar-Württemberg e Stuttgart em seu logotipo.

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Porsche 550 Spyder de James Dean

No ano seguinte, Ferdinand Porsche se despede da vida aos 75 anos em 30 de janeiro. Em 1953, a marca apresenta um carro voltado para as pistas, que se tornaria igualmente famoso, o 550 Spyder. Com a evolução do 356, no entanto, a Porsche se encaminhou na direção de seu maior best seller e um dos ícones dos carros esportivos, o 911.

911

O projeto, liderado por F. A. Porsche, filho mais velho de Ferry, não foi aprovado pelo designer-chefe Erwin Komenda, que o alterou, gerando um atrito dentro da empresa. O projeto deveria ser chamado de 901, mas a designação pertencia à Peugeot.

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Porsche 911 Targa

A concepção era parecida com a do 356, mas com motor boxer a ar de seis cilindros. Ainda assim, o Porsche 911 ganhou um irmão mais fraco, equipado com quatro cilindros do 356 e chamado 912.

A Porsche lançou carros específicos para competições desde 1949 com o 360 Cisitalia, tendo ainda um F1 em 1962 (804), além dos Gran Turismos a partir do 904 até o 917, este último no começo dos anos 70. Em 1969, surge o “popular” 914, feito em parceria com a Volkswagen.

Em 1972, a Porsche muda sua estrutura jurídica para eliminar membros da família das decisões da empresa, fruto da experiência de Shoichiro Honda, que não queria nenhum familiar em sua companhia nipônica.

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Porsche 928 em raio-X

V8

Nessa mudança, F. A. Porsche e Ferdinand Piëch saem da montadora. As mudanças não pararam por aí. Cinco anos depois, surge um modelo que quebrava com a concepção histórica do propulsor a ar da marca, o Porsche 928. O 928 era equipado com motor V8 refrigerado a água.

Na época também existiu o 924, de concepção parecida, mas equipado com motor de quatro cilindros 2.0 ou 2.5. Este substituiu o 914. Já no começo dos anos 80, surgiu o 944, também com quatro pistões, mas volume que chegava a 3.0.

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Porsche 959

No fim da década, surge o 959, icônico superesportivo, que até participou do Rali Paris-Dakar. Nos anos 90, o 968 foi o último de uma linhagem de esportivos de quatro cilindros da Porsche que nasceu com o 356.

O 968 durou de 1992 a 1995, quando foi substituído pelo Boxster. A empresa passa por uma reestruturação nessa época, mas já sofrendo uma pressão financeira por parte da Volkswagen. A geração 993 encerra a linhagem clássica do 911 em 1994. Surge o GT1 de competição, que sobrepôs nas pistas o 962 de 1984.

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Porsche Cayenne

SUV, a nova moda

Em 2002, a Porsche entra em um segmento inédito, apesar das características clássicas do 911 no fora de estrada. O Cayenne surge como o primeiro SUV da marca e, compartilhando a linha de montagem com o VW Touareg, torna-se um sucesso comercial.

Dois anos depois é lançado o Carrera GT, herdeiro do GT1 e que seria tristemente lembrado alguns anos depois com a morte de um ator famoso (igualmente americano e ligado aos automóveis), assim como foi no caso do 550 Spyder décadas antes. Em 2007, a relação histórica e familiar entre Porsche e Volkswagen chega ao ponto de fusão, literalmente.

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Porsche Panamera

A Porsche SE surge como uma nova holding que detém 50,1% da Porsche e 50,7% da Volkswagen. Nos anos seguintes ouve uma intenção da marca de Stuttgart assumir a VW, mas o papel se inverteu e a troca de ações acabou gerando um Grupo Volkswagen com a Porsche fazendo parte dele. Hoje, 50,76% do grupo é controlado pelas duas empresas.

Outro modelo de sucesso da Porsche chega em 2009, o Panamera. Este se tornou o primeiro esportivo da marca com quatro portas. Ele foi seguido pelo hiperesportivo 918 Spyder e pelo segundo SUV, o Macan, este derivado do Audi Q5. O 919 Hybrid de 2014 inovou ao usar um propulsor híbrido 2.0.





  • V12 for life

    Faltou falar que o 2.0 do 919 Hybrid é um V4 e os futuros motores turbo de Boxster e Cayman são flat 4, retomando a tradição dos 4 cilindros da Porsche.

    • Thiago

      E que esse motor 2.0 tem 507cv.

  • Diego Lip

    Faltou falar do Porsche C88 Weissach, um protótipo de carro popular para a China.

  • Luis Burro

    Qndo algm disse me q a porshe pertencia a vw,acabei lendo a historia da montadora e o ocorrido em 2008.Nunca imaginei q o Piech eh neto do Porshe,e consequentemente tudo a ver com a volks.Por isto ele fez tantas proezas pelas duas,soh nao entendi muito bem como ocorreu a fusao,e se a porshe eh independente nas decisoes ainda.

  • Tosoobservando

    Incrivel que no meio de uma guerra os kras tavam la produzindo, mesmo com o dono preso. Incrivel estas historias e so demonstra como o Brasil é atrasado e parece que vai continuar sendo, pois sem ter passado por grandes guerras ou catastrofes, nao teve capacidade pra construir nada disso.

    • José Eduardo Borba

      É simples, lá é a Alemanha! Até Hitler o maior tirano da História, como a mídia diz, investiu rodos de dinheiro em educação, principalmente na área técnica, e moveu mundos e fundos pela industria local. Aqui, pra abrir um quitanda, vc leva 128 dias pra ter a firma aberta.

  • Freaky Boss

    Bom artigo. Faltou muita coisa, mas para caber em uma “página” de internet, ficou bom.
    Ferdinand Porsche foi um gênio da mecânica e sem dúvida um dos grandes “patronos/patriarcas” da indústria automobilística mundial. Era antes de tudo um projetista.
    Ele projetou também o famoso e temido tanque TIGER para o exército alemão, no fim da 2a guerra.

    Não sei como está hoje, mas há uns 5 anos atrás a Porsche (sozinha, sem a VW) era a montadora mais rentável do mundo, isto é, tinha uma ótima margem de lucro. Isso porque a montadora investiu bastante em programas de eficiência operacional. Ou seja, empresa com ótimos produtos e ótima gestão. Tem tudo para seguir no topo.

    E para mim os Porsches tem estilo e pegada mais interessantes que as Ferraris. Gosto pessoal, não me ataquem ferraristas!!

    • Pedro Rocha

      A Porsche participou da concorrência para o Panzer VI mas foi preterida pelo projeto da Henschel, que foi o vencedor.
      Entretanto, as unidades já prontas foram convertidas nos modelos “Ferdinand”, depois renomeados como “Elefant”.

  • José Eduardo Borba

    356, o carro mais lindo do mundo! NA podia fazer um teste do Chamonix!



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