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chevrolet opala Qual é o melhor carro brasileiro de todos os tempos?




É difícil conseguir uma unanimidade para um assunto tão apaixonante! Primeiramente, o automóvel tem que ser ou ter sido montado no Brasil com maior índice de nacionalização possível. E quando do seu lançamento, ele deveria ainda estar sendo fabricado no país de origem, caso não tenha sido um projeto exclusivo para o Brasil.

E caso o projeto tenha sido adaptado ou criado para o gosto do brasileiro e – o que parece difícil mas não impossível – aperfeiçoado com relação ao carro que o originou, claro que isto o tornará ainda mais elegível. Outro critério muito importante para mim é que o carro tenha uma qualidade humana: maturidade, capacidade de gerar uma família, oferecendo pelo menos duas versões além da versão original de lançamento – duas portas, quatro portas, perua, picape, hatchback, cupê, conversível etc.

Boas vendas e desejo do público em ter um também são fundamentais. De que adianta um carro que só fez bonito na vitrine, mas que não aguçou o desejo de compra do consumidor? Ou que custava tão caro que poucos puderam ter? Por isto, outro critério é o fator “preço justo” dentro de seu segmento. E por fim, deve oferecer catálogos variados (básico, luxo, intermediário, superluxo, esportivo).

chevrolet monza Qual é o melhor carro brasileiro de todos os tempos?

Opcionais disponibilizados de maneira prática e inteligente, sem fazer parte de um pacote em que para se ter um motor mais potente ou vidros elétricos fosse preciso comprar ar condicionado, direção hidráulica, retrovisor elétrico, revestimentos especiais, rodas de liga leve, sistema de som e alarme também são fatores decisivos aqui.

Séries especiais memoráveis também contam pontos (Ex. Santana e Quantum Sport, Monza Hi-Tech e 500 EF, Fusca Série Prata, Saveiro Sunset 1.8/S, Stilo Connect). A esta altura, estou certo que você já elencou em sua mente alguns candidatos. Estamos juntos.

Ainda não tenho finalistas em minha cachola, mas posso admitir que presente e passado povoam meus pensamentos. É impossível não pensar na família VW a ar (Fusca, Variant, Variant II, Brasília, Kombi, TL) e até no Fusca isoladamente, modelo este cujo apelido virou nome, o que indica proximidade, carinho junto ao público.

fusca Qual é o melhor carro brasileiro de todos os tempos?

Neste ponto meu lado “fã clube” começa a se manifestar, na tentativa de tornar a análise menos fria e mais emocional. Tomo o controle do meu raciocínio, sem, claro, afastar de todo a emoção. Para alguns, já digo: Sinto muito. Meu eleito não é o Fusca ou outro membro da família VW a ar.

E então, dando continuidade ao meu critério preço justo, versões, opcionais e família de produto, lembro imediatamente de Gol e família (Voyage, Parati, Saveiro) e suas altas vendas e inúmeras versões, incluindo aí esportivas (GTi, TSi, GT e Turbo). Ao mesmo tempo lembro de Chevette e família (Chevy 500, Marajó, Hatchback e Sedan de duas e quatro portas e esportivas SR e GP). São igualmente confiáveis e trazem consigo uma virtude para quem adora carros: tração traseira.

Mas como havia dito anteriormente, por razões emocionais, critérios mecânicos próprios, recordações pessoais e pura preferência, muita gente deve ter pensado em Corcel, Belina, Del Rey e Pampa; Fiat 147, City, Oggi, Panorama (Por que não?) e, claro, Uno, Elba, Prêmio, Pick-Up e Fiorino. O mesmo raciocínio vale para Palio, Fiesta, Corsa e Peugeot 206/207 e agregados.

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Aos que dirão que o duelo aqui parece pender para o lado das quatro grandes (Chevrolet, Fiat, Ford e VW), não posso deixar de concordar. O que ocorre porém é que décadas de história acabam contando também, pois estamos falando do melhor carro nacional de todos os tempos. E, logicamente que novas gerações já nasceram e cresceram em Toyotas, Hondas, Hyundais, Subarus, Renaults, Audis e Peugeots, entre outros, – mas este não foi o meu caso.

Será que toda regra merece uma exceção? Creio que não, a não ser que tenha no currículo um feito muito grande. O Chevrolet Monza, embora tenha oferecido versões hatchback, Sedan 2 portas, Sedan 4 portas e versões que iam do elementar SL ao elegante e refinado Classic, com direito a carroceria com pintura saia-e-blusa, ar condicionado, trio elétrico, motor 2.0, injeção eletrônica ainda na primeira geração e tudo o mais…pecou por não oferecer uma Station Wagon (perua, para os íntimos).

A Sulam, que transformava picapes cabine simples em dupla e carros comuns em conversíveis, deu uma mãozinha e lançou uma Perua Monza em 1985 com quatro portas e também um Monza Coversível. Porém, não era equipamento original de fábrica.

chevrolet chevette 81 Qual é o melhor carro brasileiro de todos os tempos?

O grande feito no currículo do Monza? Ter sido o carro mais vendido do País em 1984, 1985 e 1986. Além de Fusca, Gol e Chevette, que foi o mais vendido por dois anos, o Monza conseguiu subir ao pódio, mesmo sendo um carro de categoria superior. Eu peguei esta febre do Monza, que chegou a ser vendido com ágio e que levou muita gente a adiar o sonho da casa própria para ter um!

A esta altura do campeonato me vejo tentado a criar duas categorias: A do Melhor Carro Brasileiro de Todos os Tempos 1) Com Tração Dianteira e 2) Com Tração Traseira. Mas resisto. Afinal, o Melhor é o Melhor! Number One só tem um.

E, aplicando meus critérios de família de produto, motorizações, recordações pessoais (memórias e viagens), índice de nacionalização muito alto, preço justo para a categoria,versões variadas incluindo uma inesquecível esportiva de verdade, projeto bem elaborado e melhorado em relação ao que lhe deu origem, anuncio aos Senhores que o Melhor Carro Brasileiro de Todos os Tempos foi construído tendo como base um carro alemão.

 Qual é o melhor carro brasileiro de todos os tempos?

E teve mecânica e design inspirados em carros americanos (motores 2.5 de 4 cilindros, 3.8 e 4.1 de 6 cilindros, todos a gasolina e depois a etanol), receita que o deixou melhor que o Opel Reckord, que levava motores 1.8 e 2.2 de 4 cilindros. Seu nome, damas e cavalheiros, é: OPALA!

Carro este que oferecia bons torques a partir da motorização básica, mecânica confiável, lista de opcionais e versões que possibilitavam ao comprador levar um motor 6 cilindros em um carro básico ou um motor 4 cilindros em uma versão luxuosa. E um esportivo de verdade na versão SS-6 4.1 (250-S) de 6 cilindros, capaz de encarar muitos V8.

A versão SS-4 com motor 4 cilindros e 2.5 litros oferecia o mesmo visual com desempenho mais comedido, mas que não envergonhava devido ao bom torque. Esta “alma” mecânica, incluindo as transmissões, aliás, foi a mais utilizada em esportivos fora de série (Puma, Santa Matilde, Envemo Camper), adaptações de hot-rods, jipes e importados fora de linha.

Com relação ao “corpo”, na versão duas portas era um belo cupê. Com quatro portas era um belo carro executivo. Sua Station Wagon, a Caravan, com os bancos deitados, levava um colchão de solteiro. Foi a cama de muitos pescadores de ocasião. Também foi muito utilizada como ambulância e carro funerário devido às boas proporções internas. Houve estudos para uma picape Opala, que não veio à luz.

O Opala é como um mestre ou professor daqueles austeros que, mesmo não agradando a todo mundo, recebe o respeito geral. Quando aposentou há quase exatos vinte anos, saiu de cena com o glamour da versão Collectors e com direito à manifestação de fãs e admiradores na porta da fábrica. Ficou no mercado de 1968 a 1992. Sr. Opala e sua Senhora agora frequentam encontros de clássicos aos domingos e feriados, encantando a muitas gerações!

Então, caro leitor, feliz por ter sido o Opala meu eleito para o posto de melhor carro brasileiro de todos os tempos?

Por Gerson Brusco Gonzalez



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