Home Etc Qual é o problema das cores?

veloster laranja amarelo Qual é o problema das cores?




Quando você entra em uma loja de roupas, é bem provável que encontrará uma variedade absurda de cores entre os modelos de camisetas. Infinitas tonalidades de todos os espectros possíveis que o olho humano consegue captar. Algumas delas que somente mulheres conseguem diferenciar, como vermelho-licor, azul-paixão e por aí vai.

No quesito vestuário, tanto os homens quanto as mulheres dificilmente vão deixar de comprar uma peça por conta da cor, talvez até haja uma preferência entre elas e uma chegue a prevalecer, mas diferente do que acontece com os carros, ninguém que eu conheço tem 90% do guarda-roupa na cor branca ou preta.

Aqui no Brasil, um país conhecido pela alegria e descontração de seu povo, a coloração das roupas é algo que não existe limite, ainda mais em cidades do litoral. Somos uma sociedade que gosta de coisas chamativas, não no sentido ofensivo, mas no aspecto emocional da palavra. Quer outro exemplo disso? Lojas de reforma, construção e decoração. Para quem deseja pintar sua casa, há uma seleção imensa de cores para se escolher, o mesmo se repete para pisos, cadeiras e sofás.

Novamente, também desconheço uma casa que ausente cores além do tradicional branco e cinza, sempre tem algum cômodo ou móvel da casa que se diferencia do restante. Curiosamente, mesmo as cores estando presente em quase todos os momentos de nossa vida, isso não acontece com aquilo que estacionamos dentro da garagem.

Desde que me conheço por gente, todos os meus parentes tiveram carros prata ou preto. O vermelho é considerado difícil de achar a tonalidade certa em caso de reparos. O branco sempre foi conhecido como cor de taxi. Por parte das montadoras, o azul foi deixado de lado e passou demonstrar uma tonalidade de “preto sujo”, assim como o verde, sem falar que o preço cobrado (além da espera adicional) não induzia ninguém a ceder para o lado colorido da força, se é que vocês me entendem.

Somente nos dias de hoje alguns carros contam com cores de verdade, como o Ford New Fiesta, Fiat Bravo, Nissan March e alguns modelos como Gol, Vectra GT (R.I.P) e Agile que chegaram com cores inovadoras (e.g. amarelo, azul cobalto e verde-limão), mas desistiram rapidamente.

Especialistas vão dizer que tais medidas são essenciais na divulgação do produto, tal qual o VW Crossfox, que teve o marketing feito em cima da pintura laranja, mas quando chegou às vendas, a representatividade foi tão baixa que descartaram o tom abóbora da palheta de cores. Fora isso, quando analisamos a oferta dessas pinturas em si, a culpa cai no colo do consumidor, pois elas são comumente conhecidas como “difíceis de revender”, ou seja, é legal na hora de comprar (paga-se caro por isso) e na hora de trocar de carro, o prejuízo é em dobro.

Eu sou do tipo que não se importa muito com isso, quando penso em comprar um automóvel, eu foco no que eu vou usar e no que eu gosto, ou seja, tenho consciência de que estou pagando por algo que é meu e que vá me satisfazer por completo, desde a escolha da cor até dos opcionais, diferente de comprar algo pensando no que o próximo dono irá gostar ou não. Mas como tudo na vida, opinião é igual placa de carro, cada um tem a sua.

Eu seria muito grato à GM se ela oferecesse para um Celta, por exemplo, o belíssimo azul que tinha no Vectra GT, ou até mesmo se a Fiat disponibilizasse as cores do Cinqueciento, Punto T-Jet e Bravo em toda a linha de veículos dela. Também expando meu encarecido pedido à Ford, nada seria mais lindo do que um Ford Focus na tonalidade de azul que oferecem para a Ranger.

Essa seria uma lista infinita e que dificilmente seria atendida, mas cá entre nós, olhar para as ruas brasileiras é um tanto deprimente nos últimos anos. Um mar de prata, preto e branco que mais parece uma cozinha contemporânea. É até curioso analisar alguns casos no qual a pessoa é extremamente extrovertida no vestuário e o mesmo não acontece no carro que ela dirige, algo que lembra bastante um comportamento bipolar.

E você, leitor, já chegou a cogitar adquirir um carro com alguma cor “excêntrica”? Há algum motivo que realmente justifique a falta de apetite visual por parte dos consumidores? E quanto ao saudosismo, existe algum carro no mercado nacional que teve uma cor “marcante” e acabou virando mico?

Por Julio Cesar Molchan de Oliveira





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