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Renault, a história da famosa francesa

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Renault Voiturette Type A

Em 24 de dezembro de 1898, um amigo de Albert Renault ficou maravilhado após andar no primeiro veículo fabricado pelo filho deste, Louis Renault. De imediato ele adquiriu o carro, chamado Voiturette. Com a venda, o intrépido francês iniciou uma sociedade com seus irmãos Marcel e Fernand, a Societè Renault Frères.

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Renault Type AG 1

Não tardou para que mais veículos da Renault começassem a ganhar as ruas da França, da Europa e especialmente de Nova Iorque, onde se tornou a marca mais vendida alguns anos depois. Nos primeiros anos do século 20, Louis comando uma rápida ascensão da empresa, que se tornou popular entre os taxistas de Paris e Londres.

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Louis Renault

Louis percebeu que as corridas geravam um bom marketing e decidiu participar de várias ocasiões, mas viu seu irmão Marcel perecer em uma delas. Ainda na década de 10, viu também Fernand se afastar e falecer logo em seguida. Assim, em 1909, ele fica sozinho no negócio é rebatizada a empresa como Societè des Automobiles Renault.

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Renault Vivasix Cabriolet

Societè des Automobiles Renault

Como os carros era um artigo de luxo, Renault logo começou a fazer muito dinheiro e também fama, tanto no mercado de carros de passeio quanto em comerciais, produzindo muitos táxis e caminhões. Aumentou a produção e adotou técnicas de manufatura mais desenvolvidas antes da Primeira Guerra, quando teve que parar a produção para fabricar motores para aviões militares e o famoso tanque FT.

Após o conflito, a Renault apostou também na fabricação de equipamentos agrícolas e tratores. Uma característica interessante dos automóveis da marca francesa era o radiador posicionado atrás do motor, produzindo uma silhueta elegante na parte frontal. O estilo só foi abandonado nos anos 30, quando o radiador passou para frente. Em 1925, o logotipo passou a ser um losango.

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Renault 4CV

Vários modelos fizeram sucesso entre os anos 20 e 30, destacando-se os Monasix, Vivasix, 18/22, a linha luxuosa Stella, entre outros. Enormes motores de seis e oito cilindros se tornaram populares. No entanto, a empresa estava envolvida com outros setores, especialmente o bélico, pois ainda produzia tanques. Também começou a fazer aviões, tendo a AirFrance como principal cliente.

Assim, viu a rival Citroën se tornar a maior montadora da França, título até então da companhia de Louis desde o começo. Mas então veio a Grande Depressão e a marca parisiense faliu, sendo comprada pela Michelin. Com seus muitos ativos, a Renault sobreviveu e voltou ao topo, de onde não sairia até os anos 80. Em 1931, surgiu o primeiro caminhão diesel.

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Renault Frégate

Segunda Guerra, morte e estatização

Quando a França capitulou diante da Alemanha Nazista, Louis se recusou a produzir tanques para a Wehrmacht. Suas fábricas foram tomadas pelos alemães. Durante o conflito que se seguiu, os aliados destruíram a fábrica de Billancourt, que foi rapidamente reconstruída por Louis. Quando a França foi libertada, a produção foi retomada, mas o novo governo de De Gaulle lembrou do histórico político do local nos anos 30 e acreditou ser um reduto de comunistas.

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Renault Alpine A110

Assim, o estado expropriou todas as fábricas da Renault. Louis foi acusado de colaborar com os alemães e foi preso. Enquanto aguardava julgamento, morreu no cárcere em 24 de outubro de 1944. No ano seguinte, a empresa foi nacionalizada pelo governo e família ainda tentou a indenização por duas vezes sem sucesso.

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Renault 12

O primeiro carro da Renault no pós-guerra foi o 4CV, desenvolvido secretamente por Louis durante a guerra. Logo depois surgiu o Frégate. Nos anos 50, retornaram com a produção de caminhões e também ônibus, formando sociedades com outras empresas francesas. Os Renault 4, 6, 8 e 16 se tornaram populares nos anos 60.

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Renault 5

Em 1970 com o Renault 12, a marca conseguiu produzir pela primeira vez mais de um milhão de carro por ano. Este modelo viria a ser o Ford Corcel no Brasil, mas com carroceria diferente. Dois anos depois, surge o grande sucesso da empresa, o Renault 5. Vários modelos designados por numeral apareceram nos anos 70, destacando-se o R20.

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Renault 20 TL

Diante da Crise do Petróleo, os negócios nos EUA começam a dar problemas. Com associação à Nash e depois AMC nos anos 60, a Renault tinha uma boa posição no mercado americano, mas foi perdendo espaço até o fim da década. Na Europa Oriental, seu principal parceiro era a Dacia da Romênia.

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Renault Encore

Na década de 80, a Renault ainda sustentava a AMC e continuava a sinergia com a Jeep, a fim de elevar as vendas e tornar a operação rentável. Vários desenvolvidos em conjunto foram feitos, incluindo a famosa série XJ do Jeep Cherokee. Vários carros da marca foram vendidos nos EUA, mas em 1987, a Jeep foi vendida para a Chrysler. Ainda assim, a história da francesa na América do Norte continuou com a AMC-Eagle até meados dos anos 90.

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Renault Espace

Nos anos 80 e 90, a Renault passou por um alonga reestruturação e ainda mantinha muitas operações em parcerias. A empresa tinha quase metade da americana Mack, fabricante de caminhões pesados, associações com Volvo e PSA, entre outras. Em 1996, a empresa é finalmente privatizada. Assim, a Renault pôde expandir-se para outros países, entre eles o Brasil.

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Renault Fuego GTS

Renault-Nissan

Nos anos 90, a gama de modelos tinha como destaque o compacto Clio, que surgiu em 1990, bem como o R19. Megane, Laguna e Safrane também ganharam o mercado europeu e mundial nessa época. As minivans Scénic e Space tornaram-se muito populares também. Vice-presidente na nova gestão, o brasileiro Carlos Ghosn ficou responsável para ajustar as finanças da empresa, que entrava em crise.

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Renault Twingo

Sanados os problemas mais graves, a Renault procurou uma nova associação após a saída da Volvo e fechou uma fusão com a combalida Nissan em 1999. A então Renault-Nissan começou uma dura reestruturação com que salvou a montadora japonesa da falência certa e projetou o grupo para um novo patamar. Nas competições, a empresa tinha forte presença na F1 como equipe e depois como fornecedor de motores, tendo retornado após anos de ausência.

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Renault Logan

Olhando os mercados emergentes, mas começando antes pelo Leste Europeu, a Renault compra a Dacia e cria o Logan, um sedã extremamente barato para a realidade europeia e assim cria uma divisão de baixo custo que daria bons resultados no futuro. Na mesma época a empresa partia para a Coreia do Sul, adquirindo a divisão de automóveis da Samsung.

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Renault Twizy

Com o lineup atualizado, mas ainda baseado em nomes surgidos nos anos 90, a Renault começou a traçar um novo caminho a partir da crise econômica mundial de 2009. O foco nos carros elétricos se tornou uma bandeira para a empresa, que fez surgir modelos exclusivos, tais como Twizy e Zoe, além de modelos eletrificados, como Kangoo e Fluence.

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Renault Zoe

Mais recentemente, a marca passou a adotar um conceito de plataforma modular (CMF), mas ao contrário de outros fabricantes, a utilizou também para carros extremamente baratos. Em busca de ampliar seus mercados, a Renault lançou recentemente os modelos Captur e Kadjar, focando nos segmentos de utilitários esportivos e crossovers.

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Renault Clio Hatch e Sedan

Brasil

Antes dos anos 80, a Renault esteve próximo do mercado nacional com alguns produtos licenciados em projetos em comum, tais como Gordini, Willys Interlagos e Ford Corcel, por exemplo. Nos anos 90, com a reabertura das importações, a marca francesa chegou oficialmente ao Brasil através da CAOA.

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Renault Duster Oroch

No final da década, a Renault assumiu a operação e inaugurou uma fábrica em São José dos Pinhais/PR, onde começou a produzir o Clio. Além deste, a empresa comercializou a linha Megane, Scénic, Kangoo, Master, entre outros. Os mais recentes Logan, Sandero, Duster e Oroch deram uma guinada nos rumos da marca no país, que ficou perto das quatro grandes montadoras do mercado.





  • Tosoobservando

    kkk triste fim da Renault-Brasil, que agora é DAcia apenas.

  • Luis Burro

    Curioso, este renault 5lembra muito um peugeot.

  • Paulo

    Parabéns pela matéria, quem curte marcas, detalhes da indústria e sua história curte esse tipo de artigo.

  • kikofar

    Que venham mais matérias históricas assim. Fiz pôsteres (em PowerPoint mesmo) e mandei enquadrar com frases e fotos emblemáticas retratando a história de várias empresas de automóveis para colocar na parede da garagem de casa. Essa matéria vai dar uma ajuda boa quando for fazer o pôster da história da Renault. Valeu, NA!!!

    • Pedro Rocha

      Cuidado com o pôster histórico da VW, senão vão pensar que você é nazista.
      =D

      • Hox

        É mesmo, vai acabar sendo preso por apologia ao nazismo. kkkkk

      • kikofar

        Não fiz da VW. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Tenho de 5 empresas apenas: Ford, Mercedes, BMW, Audi e um sobre Diesel e Otto e seus motores respectivos.

    • Holandês Louco

      Mostre pra gente como ficou…

      • kikofar

        Eu hein… postei mas não foi… vamos novamente. Holandês Louco, por sorte tinha uma cópia no meu e-mail. Confesso que não fica tão legal assim na tela do computador, mas impresso, na moldura e vidro, além das luzes direcionadas pra eles, ficam bem bacanas!

  • Rafael Barroca

    Esse R5 foi fotografado em Brasília? Parece tanto que estou encafifado aqui.
    Pena que hoje não temos os carros mais legais da montadora aqui. Nem os caminhões que são vendidos na Argentina. São lindos. Sinto falta de uma mini van no line up, apesar do baixo volume de vendas.

    • mjprio

      Da pra matar um pouco da vontade de ter os caminhoes Renault no jogo eurotruck simulator 2 onde ha dois modelos da francesa. O premium que tem a carroceria do Volvo VM/FM e o Magnun quadradao!!! Com motores dCi 11 e 13 de ate 520CV

    • Vagnerclp

      A divisão de caminhões Renault não é mais da francesa e sim da Volvo Sueca (divisão de caminhões/ônibus).

  • Pedro Rocha

    O envolvimento de Louis Renault com o regime nacional-socialista alemão rende controvérsias até hoje. Enquanto uns confirmam o envolvimento dele, outros o absolvem. A questão fica mais obscura porque o pós-guerra é um dos maiores tabus da História, onde usa-se os crimes do regime alemão (verdadeiros, aumentados e mesmo inventados) para encobrir os crimes dos Aliados.
    Muita gente não sabe, mas especificamente na França ocorreu um movimento chamado “Épuration Légale”, que nada mais foi do que uma caça a todas as pessoas supostamente ligadas ao nazismo. Nesse tristíssimo episódio, as forças terroristas francesas (no idioma politicamento correto chama-se “resistência” ou “partisans”) cometeram atrocidades contra cidadãos franceses que nem mesmo os nazistas chegaram a cometer! Nesse contexto, Louis Renault pode ter sido uma das muitas vítimas dessa barbárie, já que não haviam julgamentos independentes, isso quando haviam julgamentos…

    • kikofar

      Na França era cheio de gente alinhada ou pelo menos simpática ao Hitler/Nazismo. Tem muita coisa que é mal contada até hoje. A França como coitadinha que foi invadida, assim como o Japão, coitadinho porque recebeu dois ‘traques’ na cozinha de casa… Pergunte pra um chinês e a outros ‘vizinhos’ asiáticos o que pensam dos japas pra entender melhor a história… E tem gente que acha que o ISIS é muito violento… ai…ai…

      • Pedro Rocha

        Muita gente se aliou a Hitler por motivo semelhante ao que muita gente vota no PSDB no 2º turno: escolheram o mal menor.
        Uma coisa que temos que ter em mente é que no âmbito mundial também existem cidadãos de 1ª e 2ª classe. A aliança de Churchill e Roosevelt com Stálin protegeu a Inglaterra e libertou a França, mas para os povos do Leste Europeu foi uma tragédia! Se os anglo-saxões realmente estivessem lutando pela liberdade e não contra os povos que se levantaram contra a Liga das Nações (ainda que sendo manipulados por Hitler e Mussolini), teriam jogado as bombas atômicas em Moscou em vez de um já derrotado Japão.

        • kikofar

          Pelo General George Patton, o negócio era rumar pro leste, mas como você bem disse, a aliança entre Churchill e Roosevelt não deixou. Tanto que o aposentaram logo que acabara a guerra. Muito boa a sua colocação.

  • Anderson Moraes

    Só eu acho os carros da Renault muito ruins de DESIGN??? E olhando as fotos da matéria, isso é desde o lançamento da empresa… credo

    • Holandês Louco

      Alpine A110 é lindo…

    • Vagnerclp

      O que ocorre é que a indústria automotiva francesa sempre ousou no desenho de seus carros.

      • Anderson Moraes

        quem ousa é a japonesa… esses desenhos da renault são feios p krl!

  • kikofar

    Rapaz… O problema é que até o Porsche tá nessa foto… Quando fizer um da Porsche também ‘terei problemas’ pra editar! kkkkkkkkkkkkkkkk

  • Kadu

    Bacana a matéria! Parabéns!

  • Tarcio

    Essa RENAULT ESPACE serviu de inspiração da minivan GRANCAR FUTURA aqui no Brasil



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