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O Sandero é um daqueles carros de amplo espectro. Como a linha Renault no Brasil é pouco povoada, seus modelos devem brigar em diversos segmentos. Por exemplo: na versão de entrada, Authentique 1.0 16V, o hatch da Renault começa em R$ 28.700 e encara rivais como Fiat Uno, Ford Fiesta e Volkswagen Gol.

No outro extremo, com a configuração mais cara Privilège, a partir de R$ 40 mil, tem de enfrentar compactos mais bem equipados, que oferecem confortos como câmbio automático ou automatizado, que aliviam os inconvenientes das cidades cada vez mais abarrotadas de automóveis. Recurso que a marca francesa passou a oferecer com a chegada do Sandero Automatic.

Até agora, a Renault era uma das poucas montadoras instaladas no país que só oferecia câmbios mecânicos em seus compactos – as outras são Ford e Chevrolet. Por isso, aproveitou a ótima fase no mercado brasileiro, principalmente após o face-lift que sofreu em maio, para lançar esta versão do compacto com transmissão automática. Com este equipamento, a versão Privilège ganha status, conforto e passa a brigar em pé de igualdade com modelos automáticos – como Citroën C3, Peugeot 207 e Honda Fit – ou automatizados – como Volkswagen Fox e Gol e Fiat Palio.

O Sandero Automatic chegou ao mercado em meados de julho e já representa cerca de 10%do mix do modelo. Deve-se levar em conta que desde a reestilização, o hatch teve suas vendas fortemente alavancadas. Pulou das 5.300 unidades mensais para mais de 8 mil carros/mês – um crescimento de surpreendentes 47%. Em agosto, o hatch da Renault foi elevado à condição de oitavo carro de passeio mais vendido do país, com 8.693 exemplares emplacados.

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Para lançar uma configuração automática para o seu hatch, a fabricante francesa ressuscitou a transmissão quatro velocidades utilizada na linha Mégane. Para tentar amenizar o roubo de ímpeto que os câmbios automáticos costumam impor aos carros, a Renault usou o motor 1.6 16V no modelo – antes, este cabeçote só era usado no aventureiro Stepway e na extinta versão esportiva GT-Line. Com isso, são 112 cv de potência a 5.750 rpm e 15,5 kgfm de torque a 3.750 rpm. Isso significa um aumento de 17 cv e 1,4 kgfm ao Sandero “comum”, que usa o propulsor com oito válvulas.

No campo visual, quase nada denuncia que esta versão é a automática. Apenas um discreto logotipo na traseira. No resto, tudo igual à configuração Privilège manual. Ou seja, carroceria cheia de cromados e rodas de liga leve de 15 polegadas e cabine com plásticos pintados de cinza. Tudo isso adicionado ao visual que o Sandero recebeu na sua reestilização, que deixou o carro com um aspecto mais moderno e atual.

Entre os equipamentos, a Renault segue sua estratégia no Brasil: carros bem equipados, poucos opcionais e preço bem competitivo. Estão lá o ar-condicionado, rádio/CD/MP3/USB/Bluetooth com comandos na coluna de direção, banco do motorista com regulagem de altura, direção hidráulica, regulagem de altura do volante, trio elétrico, computador de bordo, rodas de liga leve de 15 polegadas e faróis de neblina.

Para levar isso é preciso desembolsar R$ 43.900 – R$ 3.500 a mais que o carro com câmbio mecânico. Como opcionais, o Sandero só tem a pintura metálica e o kit de segurança, com airbag duplo e ABS. Ambos elevam o preço para R$ 47.300 – quase R$ 20 mil a mais que a opção de entrada 1.0. Nesse caso, é a versatilidade que torna o modelo um sucesso de vendas.

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Ponto a ponto

Desempenho – A decisão da Renault em usar o motor 1.6 com cabeçote de 16V no Sandero automático faz todo o sentido. O ganho de potência oferecido pelo motor multiválvulas é quase todo consumido pelo câmbio automático. Com isso, o carro fica com um desempenho parecido com o modelo com câmbio manual. Ou seja, sem pretensões esportivas. As acelerações e retomadas são feitas de maneira correta. O câmbio automático não é excelente – tem buracos e hesita em algumas mudanças –, mas faz trocas suaves. Nota 7.

Estabilidade – O hatch compacto mostrou o velho bom acerto de sempre nas curvas. O modelo tem bastante aderência e mostra um comportamento previsível nas mudanças bruscas de direção. Nas retas e frenagens, a direção também é bem precisa. Nota 8.

Interatividade – Foi um dos pontos em que a Renault mais melhorou o seu modelo na reestilização. Os botões dos vidros elétricos, por exemplo, finalmente saíram do painel e foram para as portas. Na versão automática, no entanto, o Sandero tem algumas falhas. Para colocar no modo manual da transmissão, é preciso colocar a alavanca para a esquerda, fazendo com que a perna direita do motorista fique encostando na manopla. O volante conta com regulagem de altura. Nota 7.

Consumo – O Renault Sandero Automatic marcou uma média de 7,2 km/l de etanol em um percurso misto. Apenas razoável para um modelo com câmbio automático. Segundo o InMetro, o Fox i-Motion percorre 7,9 km/l, enquanto o Citroën C3 Automatic, nas medições de Auto Press, consomiu um litro a cada 7 km redondos. Nota 7.

Conforto – O Sandero se vale de seu bom espaço interno para deixar os seus ocupantes sempre com boa dose de conforto. Por ser um veículo “altinho” ele dá uma boa visibilidade do trânsito. Os bancos são macios e o isolamento acústico recebeu melhoras significativas durante a reestilização do modelo. Na hora de enfrentar os corriqueiros buracos das grandes cidades brasileiras, o hatch se comporta bem e a suspensão filtra boa parte das pancadas. Nota 8.

Tecnologia – Engenheiros da Renault brasileira deram vários palpites no desenvolvimento do Sandero. O modelo usa a moderna plataforma B0, de 2005 – desenvolvido pela romena Dacia, que faz parte da aliança Renault-Nissan – e é aplicada em vários veículos compactos dirigidos a países emergentes, como Nissan Tiida e Renault Logan. A versão Privilège adiciona uma boa lista de equipamentos de série e bons recursos de conectividade, além do câmbio automático “inteligente”, que se adapta ao modo de conduzir do motorista. Nota 8.

Habitabilidade – Outro destaque do modelo. O teto alto dá bom espaço para cabeça e ombros para todos os ocupantes do carro, enquanto os 2,59 metros de distância entre-eixos garantem o conforto para as pernas. As portas são grandes e os acessos acabam sendo facilitados. O bagageiro de 320 litros está na média do segmento. Nota 8.

Acabamento – O quesito era uma das maiores reclamações do antigo modelo e melhorou com o face-lift, mas não passou por uma revolução. Ainda há excesso de uso de revestimentos em plásticos rígidos A parte central do painel ganhou um aplique em laca preta e há um ou outro detalhe cromado. Nota 7.

Design – O face-lift aproximou o Sandero da proposta de design da Renault – a parte frontal se assemelha à do sedã Fluence, principalmente pelo desenho dos faróis. O nome do carro na traseira foi centralizado e as lanternas ganharam molduras cromadas no limites das seções. Foram poucas, mas efetivas alterações, que deixaram o hatch renovado e mais interessante. Nota 7.

Custo/benefício – A briga mais direta do Sandero Automatic é com hatch altinhos como Volkswagen Fox i-Motion e Citroën C3 Automatic. E nessa disputa, os três se equivalem em desempenho, mas o hatch da Renault leva a melhor no preço. Por R$ 43.900, ele leva vantagem sobre o Fox – que sai por R$ 44.810 com câmbio automatizado e vem menos equipado – e supera também o compatriota C3, que custa R$ 47.990, com equipamentos semelhantes. Embora perca na qualidade de acabamento para os dois rivais, é o que oferece maior espaço interno. Nota 8.

Total – O Renault Sandero Privilège automático somou 75 pontos em 100 possíveis.

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Impressões ao dirigir – Câmbio de valor

A incorporação de câmbios automáticos ou automatizados em carros compactos tem se mostrado um tanto quanto traumática. Nem sempre o entrosamento de transmissão e propulsor é dos melhores e o resultado costuma ser um carro irritante no trânsito e hesitante em manobras em baixíssimas ou altas velocidades. O Sandero Automatic reitera em parte esta história. As quatro velocidades não dão muitas possibilidade de escalonamento. Os buracos aparecem entre as marchas, sendo que aos 120 km/h na última marcha o motor “grita” a 3.500 giros. Ao menos, o câmbio não “briga” com o motorista. Mesmo que a indecisão do câmbio entre as marchas esteja presente, as trocas manuais não se fazem necessárias para se obter uma resposta decente do carro.

Para prevenir a perda de “ânimo” do Sandero com o câmbio automático, a Renault usou um propulsor mais forte, o 1.6 16V, usado nas versões esportivas – a Stepway e a finada GT-Line. E, de fato, uma coisa compensou a outra. Tanto é que a montadora divulga acelerações de zero a 100 km/h idênticas para os modelos mecânicos 1.6 8V e o automático 1.6 16V: razoáveis 11,7 segundos. Outra coisa que pode ser percebida com o propulsor, é a sua suavidade. O Sandero Automatic ganha giros de forma mais comedida, sem fazer tanto barulho e sem incomodar os ocupantes.

Já o comportamento dinâmico do modelo é dos melhores. Com uma suspensão bem acertada, ele se comporta muito bem nas curvas. Mesmo tendo uma carroceria ligeiramente alta, não rola muito nas mudanças de direção. O que tira um pouco da animação de pegar um trajeto sinuoso com o Sandero é o volante. É muito grande e torna a tarefa de contornar curvas em sequência um tanto atrapalhada. Melhor respeitar a vocação mais comportada do modelo e aproveitar o amplo espaço interno.

Ficha técnica – Renault Sandero Privilège Automatic

Motor: A etanol e gasolina, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Câmbio automático de quatro marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.

Potência máxima: 112 cv e 107 cv a 5.750 rpm (etanol e gasolina).

Aceleração 0-100 km/h: 11,7 s e 11,9 s (etanol e gasolina).

Velocidade máxima: 171 km/h e 169 km/h (etanol e gasolina).

Torque máximo: 15,5 kgfm e 15,1 kgfm a 3.750 rpm (etanol e gasolina).

Diâmetro e curso: 79,5 mm X 80,5 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.

Suspensão :Dianteira do tipo McPherson, com triângulo inferior, amortecedores hidráulicos telescópicos com molas helicoidais. Traseira com rodas semi-independentes, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos verticais com barra estabilizadora. Não possui controle eletrônico de estabilidade.

Pneus: 185/65 R15.

Freios: Discos sólidos na frente e tambores atrás. Oferece ABS como opcional.

Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,01 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,52 m de altura e 2,59 m de entre-eixos. Oferece somente airbags frontais como opcional.

Peso: 1.087 kg com 500 kg de carga útil.

Capacidade do porta-malas: 320 litros.

Tanque de combustível: 50 litros.

Produção: São José dos Pinhais, Paraná.

Lançamento no Brasil: 2008.

Reestilização: 2011.

Itens de série: Ar-condicionado, rádio/CD/MP3/USB/Bluetooth com comandos na coluna de direção, banco do motorista com regulagem de altura, direção hidráulica, regulagem de altura do volante, trio elétrico, banco traseiro bipartido, computador de bordo, tomada 12V, rodas de liga leve de 15 polegadas e faróis de neblina.

Preço inicial: R$ 43.900.

Opcionais: Pintura metálica, airbag duplo e ABS.

Preço do modelo testado: R$ 47.300.

Preço completo: R$ 47.300.

Por Auto Press





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