Saab 96, o primeiro da marca a sair da Suécia

28/02/2016

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Saab 96

Após a Segunda Guerra, a Saab decidiu fabricar seus próprios automóveis, partindo de um projeto que seguia a numeração de aeronaves feitas anteriormente. Assim, surgiu o 92 no final dos anos 40. Este foi renomeado 93 alguns anos depois e finalmente substituído por um modelo melhor, o 96.

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Saab 96

Até a década de 60, a Saab produzia automóveis apenas para o mercado sueco. Com o 96 a partir de 1960, a marca nórdica começou a exportar. Com 4,05 m de comprimento, 1,57 de largura, 1,47 de altura e 2,49 de entre-eixos, o modelo era classificado como um sedã duas portas, tendo estilo bastante aerodinâmico.

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Saab 96 – Raio-x

Pesando até 950 kg, dependendo da versão, o Saab 96 tinha motor dois tempos de três cilindros, herança do 93. Ele tinha 841 cm3 e entregava 38 cv. Esse propulsor foi evoluindo até alcançar 57 cv. No entanto, mostrou-se ultrapassado nos anos 60. Por isso, a Saab procurou um projeto de motor de quatro tempos.

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Saab 96 – Raio-X

Roda livre

A transmissão tinha três marchas e o motor dianteiro possuía um sistema de lubrificação forçada de óleo 2T, que exigia mais pressão durante a condução. Em declives longos, o condutor podia acionar a roda livre, característica existente apenas na Saab.

Assim, a tração não ficava atrelada ao câmbio, ganhando mais giros que o motor e mantendo a lubrificação. O problema era manter o carro “na banguela” sem poder usar o freio-motor. Além disso, condutores não habituados com a tecnologia e seu acionamento, encontravam muita dificuldade durante a condução.

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Saab 96 V4 -interior

O motor era dianteiro e em longitudinal, assim como o câmbio. No entanto, era muito avançado e, por isso, seu radiador era posicionado atrás, próximo da parede de fogo. Já a suspensão dianteira tinha braços duplos e a traseira um eixo de torção em U, tendo ainda amortecedores telescópicos e freios a tambor.

A empresa selecionou alguns fornecedores entre as montadoras da época, que podiam oferecer motores quatro tempos com quatro cilindros. A Volvo tinha o B18, enquanto a Ford disponibilizava o V4 do Taunus. Concorriam também o Lancia, Triumph, Hillman, Opel e Volkswagen.

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Saab 96 V4

Operação Kajsa

Em segredo, a Saab descobriu que o B18 da rival Volvo era o mais confiável, mas o V4 do Ford Taunus cabia melhor no 96. Assim, a tarefa de testar o V4 no sedã sueco ficou a cargo de uma equipe de sete pessoas, que em sigilo mudaram-se para outra cidade, abriram uma empresa de fachada e testaram o veículo no norte da Itália.

Na fase final da chamada Operação Kajsa, 40 pessoas conheciam o projeto dentro da empresa. As suspeitas começaram a surgir após um pedido (negado) de corte de fornecimento de componentes para fabricação do motor três cilindros dois tempos. Por fim, faltando cinco meses para o lançamento, um jornalista viu uma carreta com unidades do Saab 96 com a inscrição “V4”.

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Saab 96 V4

O motor V4 1.5 da Ford entregava 65 cv no Saab 96. No diminuto capô, ele possuía o radiador já colocado diante da grade. Ele também dispunha de freios dianteiros a disco e câmbio manual de quatro marchas, mas a roda livre foi retirada. Sua produção durou até 1980, quando pouco menos de 550 mil unidades do 96 saíram da linha de produção da Saab.

Legado

O Saab 96 foi muito importante para a marca escandinava, que projetou-se no mercado exterior. O modelo tinha aerodinâmica aeronáutica e algumas soluções interessantes. Ele gerou uma evolução, o Saab 99. Este foi feito entre 1968 e 1984, quando foi substituído pelo famoso Saab 900.













  • Matheus Ulisses P.

    Sou apaixonado por esses carrinhos!
    Só faltou dizer que o powertrain era DKW antes de ganhar o Ford V4.

  • Clovislauro

    O Estado sueco deveria ter promovido, de alguma forma, a venda da Saab para algum grupo forte, mesmo que fosse chines ou indiano.

  • Mr. Car

    De uns tempos para cá, toda vez que leio ou ouço a palavra “legado”, tenho aquele sentimento ruim que uma bomba atômica vai estourar nas minhas costas de contribuinte.

  • Fico imaginando como é dirigir um carro com 38 CV de potência. Isso que muitos consideram um carro 1.0 atual impróprio para uso. Algo que discordo totalmente.

  • Tosoobservando

    A Embraer podia seguir a ideia..