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Skoda, o custo-benefício da Volkswagen

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Laurin & Klement Modelo A

Em 1859, surgia no então Império Austro-húngaro a Skoda Works, um fabricante de armas. No ano de 1894, Václav Klement era um livreiro em Mladá Boleslav, Reino da Boêmia. Ele tinha uma bicicleta alemã, que ao quebrar, não pôde ser reparada por não haver oficinas capacitadas na cidade.

O fabricante da bicicleta, Seidel & Naumann, não compreenderam a letra da carta enviada por Klement, que pedia uma reparação de sua bicicleta. Como os alemães responderam que ele deveria se comunicar em uma língua que pudessem entender, desistiu do intento e percebeu que poderia ganhar dinheiro com seu prejuízo.

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Laurin & Klement 200

Klement decidiu então abrir uma oficina na cidade, mesmo sem experiência e conhecimento técnico. Para isso, se associou com Václav, que era aprendiz de serralheiro, mas já havia fabricado bicicletas na vizinha Turnov. Juntos, formaram a empresa Laurin & Klement em 1895.

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Václav Klement

Laurin & Klement

Três anos depois, comprou a fabricante de motocicletas Werner e lançaram sua primeira moto própria. No ano seguinte, conseguiram de Robert Bosch um novo sistema de ignição e o modelo pôde então ser comercializado em 1899. A transição das motos para os carros foi rápida e em 1905 já produziam automóveis.

Tida como segunda marca de automóveis mais antiga da região tcheca, após a Tatra, a Laurin & Klement começou a se destacar no cenário automotivo mundial, tendo sobrevivido à Primeira Guerra e iniciado a fabricação de caminhões em 1924. Mas, nesse mesmo ano, um incêndio tomou conta da fábrica, em Mladá Boleslav.

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Václav Laurin

Para se reerguer, a L&K se associou à Skoda Works, que continuava a fazer armas, mas recentemente havia feito uma parceria com a espanhola Hispano-Suiza. No ano seguinte, o grupo tcheco adquire totalmente o fabricante de automóveis, que se tornou a Skoda Auto.

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Skoda Popular

Skoda Auto

Após a crise de 1929, a Skoda lança uma nova linha de carros com chassis feitos de tubo central e suspensão independente nas quatro rodas, uma tecnologia que se tornaria muito popular nas mãos de um fabricante alemão. Hans Ledwinka já havia introduzido algo semelhante na Tatra pouco tempo antes.

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Skoda 420

O Skoda 420 de 1933 foi o primeiro a ter um chassi tipo escada, outra inovação da época. Além disso, a base deu origem aos clássicos Popular, Favorit, Rapid e Superb. Durante a Segunda Guerra, a Alemanha nazista invade a Tchecoslováquia e utilizou Skoda Works e Skoda Auto para abastecer a Wehrmacht.

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Skoda 1101

Pós-guerra

Com o fim da guerra, o país entrou no regime comunista e a série 1101 surgiu como uma remake do antigo Popular. A divisão de carros foi separada daquela de armas, de acordo com as diretrizes da época.

No processo, a Skoda Auto perdeu o contato técnico com os fabricantes do lado ocidental da Europa, mas ainda assim continuou lançando produtos, entre eles os Skoda 440 Spartak, 445 Octavia, 1000 MB e Felicia. O 1000 MB tinha motor traseiro e já foi destaque aqui no NA.

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Skoda 1000 MB

Já o Felicia chegou a ser exportado para os EUA em 1959, custando por lá US$ 2.700. O preço era alto demais para a realidade americana, que podia comprar um grande carro V8, já que o consumo não era problema, uma vez que o preço do galão era de meros US$ 0,30. Problemas de manutenção e confiabilidade mataram o tcheco.

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Skoda 110

Nos anos 70 e 80, a Skoda ganhou o Rally RAC em sua categoria com seus modelos de motor traseiro por 17 anos consecutivos. Isso ajudou muito nas vendas da marca no Reino Unido e em outros países da Europa Ocidental. O Novo Favorit foi lançado em 1987 e tinha muito em comum com o Lada Samara.

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Skoda Favorit Foreman

Volkswagen

Com que queda do comunismo e a separação do país em República Tcheca e Eslováquia, a Skoda foi adquirida pela Volkswagen em 1991. O percentual comprado pelos alemães era de 30%. Em 1994 essa participação subiu para 60,3% e no ano seguinte, atingia 70%. A VW começou a utilizar a marca para competir com a Renault.

O Skoda Felicia apareceu em 1994, mas ainda não fazia parte da sinergia com a Volks, mas apesar disso, o modelo era um dos carros de melhor índice de satisfação dos clientes na Europa, especialmente no Reino Unido.

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Skoda Felicia

Então, somente a partir de 1996, as duas empresas começaram a compartilhar plataformas, sendo o Octavia o primeiro deles. Era em essência um Golf. O Fabia de 1999 adiantou as gerações seguintes de Polo e Ibiza.

Nos anos 2000, a Skoda lançou-se com mais força nos mercados da Europa e o Superb ressurgiu como topo de linha. Com um custo-benefício atraente e confiabilidade, a marca começou a se destacar fora do velho continente, atingindo China, Rússia e Índia. Os mais recentes lançamentos foram Rapid, assim como o Citigo, irmão do up!.

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Skoda Laura – Nome do Octavia II na Índia

Nos demais, as gerações atuais são essencialmente baseadas em correspondentes da Volkswagen e Seat, embora tenha design próprio e um custo-benefício bem mais atraente que das irmãs alemã e espanhola. A VW sempre manteve a marca tcheca longe das Américas, embora o cosmopolita Chile seja uma exceção.

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Skoda 440

Brasil

Apesar de nunca ter sido comercializada pela Volkswagen no Brasil, diferentemente de Seat, Audi ou mesmo a Porsche, a Skoda já teve presença garantida no mercado brasileiro entre 1947 e 1957.

Um importador do Rio de Janeiro, a Auto Central, trouxe os modelos 440, 1100, 1201 e Octavia. Nunca foram fabricados no país. Se o fossem, certamente teriam enriquecido ainda mais a história do automóvel no Brasil.





  • PEDAORM

    O carro do povo do grupo VW, não são mais os VWs.

    • th!nk.t4nk

      Produzir na Alemanha se tornou caro demais. Os Skoda sao basicamente projetos alemaes, com fabricaçao mais em conta no país vizinho. Por conta disso o percentual de defeitos de fábrica sobe um pouquinho, mas sao mais detalhes de montagem, já que as peças em si sao em sua maioria compartilhadas (incluindo o mais importante, a mecânica).

  • Eduardo Brito

    Se vc ver o Favorit, vai ver que é um Samara com outro nome. Olha só a frente!

    • th!nk.t4nk

      Sim, o visual foi roubado pelos russos. Vale lembrar que o Samara nada mais é que o FIAT 124 com outro design. O oposto ocorre com o Seat 127, que é exatamente o Fiat 127, sem tirar nem pôr (só deram uma mexida no motor, aumentando a cilindrada).

      • Eduardo Brito

        Mas a Seat era da Fiat na época.

  • Poperon

    Tragam o Fabia como Gol G6, e pronto!

    • th!nk.t4nk

      Se o Fabia sai uns 25% mais caro que um Up, ainda custaria uns 20% a mais que o Gol. Isso significa um Golzinho com o “kit Brasil” passando de 40 pra 48 mil. Lembre-se de que o Fabia nada mais é que um Polo com outro visual, e sofre do mesmo problema do aperto no banco de trás (mesmo problema do Fiesta, e custaria na mesma faixa, mas com visual pior).

  • Bruno Silva

    Hehe, como meu avô diz “Skoda é fod*a”. Hoje não sei se teria espaço no Brasil, já que há redundância em relação a VW.

    • Eu acho que teria espaço sim, até mesmo como versões ‘premium’ dos carros da VW.
      Um Fabia está muito à frente do Gol, por exemplo. Eu diria que são um intermediário entre VW e Audi.

  • HENRY ME

    Acho interessante alguns carros da marca terem nomes de mulheres,parece que é uma homenagem.

    • th!nk.t4nk

      Toda aquela regiao era império romano. Esses nomes vêm do latim falado na época, uma homenagem aos nomes da antiga realeza.

      • HENRY ME

        Interessante,não sabia disso.

  • Eu recentemente comprei um Octavia III aqui no Chile, e estou gostando muito. Tem a comodidade da mecânica compartilhada VW, e ao mesmo tempo detalhes exclusivos da marca.

  • celso

    Há revisor de textos no NA ? Se houver, mandem embora.
    Se não houver, tratem de contratar…

  • Diego Lip

    Eu já vi um Skoda rodando na minha cidade, mas com placas do Paraguai.

  • Freaky Boss

    Há SKODA em vários lugares da Europa…Taxis inclusive.
    A antiga checoslováquia tinha uma indústria poderosa já no começo do século 20. Tinha até vanguarda em algumas coisas. Tanto é que o Hitler quis invadí-la (e invadiu) antes mesmo de começar a 2a guerra! Queria usar a indústria a favor dele.
    Depois veio o comunismo e aí vcs imaginam..O país perdeu. Hoje não tem a importância que antes (sua indústria) tinha.

    • Pedro Rocha

      Hitler começou pelos Sudetos, território originalmente alemão, e terminou a invasão da Thecoslováquia porque o governo desse país, dada a inação da Liga das Nações (que só fazia o que interessava à França e à Inglaterra, mais ou menos como a ONU e os membros do Conselho de Segurança hoje) perante a agressão, aproximou-se da União Soviética e permitiu a instalação de aeródromos soviéticos no seu território. A conivência internacional da Liga das Nações na época não foi à toa, por isso deixaram os nazistas fazerem o trabalho sujo que eles não fariam.
      Sobre tecnologias, a Whermacht usou um blindado thecoslovaco, o Panzer 38(t), que mesmo depois de obsoleto teve seu chassi usado para outros modelos, como o Hetzer.