Europa História SMART

Smart: O pequenino da Daimler foi inspirado em marca de relógio

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Smart City-Coupé

Nicolas Hayek era CEO do fabricante de relógios Swatch em 1982, quando percebeu que poderia existir um carro urbano, pequeno e híbrido, vendido sob a mesma estratégia de marketing que os produtos da marca suíça. O nome provisório era Swatchmobile.

Então, decidiu desenvolver a ideia, mas em certa altura, desconfiou que sua ideia poderia encontrar rivais poderosos entre as marcas de automóveis. Temendo pelo futuro do projeto, Hayek começa a buscar um parceiro entre as montadoras e faz um acordo com a Volkswagen.

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Smart Crossblade

No entanto, após dois anos de acordo com a VW, Ferdinand Piëch assume o grupo alemão em 1993. Imediatamente o herdeiro de Porsche põe fim à parceria com a Swatch, alegando que a marca já possuía um projeto de carro urbano classificado como mais eficiente que o Swatchmobile, no caso, o Lupo 3L.

Mas antes que Piëch tomasse a decisão, Hayek – já desconfiado de suas intenções – procurou secretamente outros fabricantes. BMW, Renault, Fiat e GM recusaram a proposta, mas a Daimler-Benz concordou. Após a quebra de contrato com a VW, as duas empresas partiram para a definição do projeto em 1994, que resultou na empresa Micro Car Company, com 49% da Swatch e 51% da Daimler.

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Smart Roadster

Smart

Passados quatro anos, a MCC desenvolve seu primeiro e principal produto. Este passou a ser fabricado na chamada Smartville, uma planta dedicada em Hambach, França. O chamado Smart City-Coupé aparecia como um microcarro com 2,69 m de comprimento (quase a mesma largura padrão de um caminhão ou ônibus, mas a versão de produção saiu com 2,50 m) e espaço para dois.

O projeto foi desenvolvido em torno de uma plataforma de produção modular e uma estrutura única, chamada Tridion, o Smart City-Coupé tinha suspensão traseira De Dion, câmbio automatizado e motor de três cilindros 0.6 turbo, cuja concepção lembrava os kei cars japoneses. Essa configuração de motor a gasolina no lugar de híbrido desagradou Hayek, que decidiu vender a parte da Swatch para a Daimler em 1998.

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Smart ForFour

A partir de 2000, não havia mais nenhuma participação da fabricante de relógios e de empresas de Hayek na MCC. O Smart City-Coupé foi fabricado até 2002, quando a empresa partiu para uma nova ideia, mas agora como Smart. Tratava-se do Roadster, que utilizava a mesma plataforma, só que esticada, formando um interessante roadster e sua versão targa.

No ano seguinte, a Daimler-Chrysler fecha um acordo com a NedCar da Holanda para produção do ForFour, um hatch de quatro portas e quatro lugares, desenvolvido sobre a plataforma do Mitsubishi Colt, fabricado localmente pela empresa holandesa. Nessa época, as perdas da Smart já preocupavam os alemães e no ano seguinte, a proposta de compra de 50% da Nedcar foi recusada.

O ForFour foi finalizado em 2006, após dois anos de produção. Desde 2003, a Smart havia perdido € 4 bilhões. O projeto ForMore já estava definido, mas foi cancelado também. Assim, a Daimler decidiu reestruturar a marca com dois produtos novos e definitivos em 2007, os Smart Fortwo Coupé e Cabriolet.

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Smart ForTwo NYPD

ForTwo

A dupla tinha origem no Smart City e são considerados uma segunda geração deste. O modelo evoluiu para 2,69 m (conforme ideia original) e ainda assim poderiam ser estacionados em perpendicular nas vagas paralelas das ruas, pelo menos em alguns países, entre eles a Itália.

Mais moderno e seguro, o Smart Fortwo ganhou várias versões, inclusive a famosa da Brabus, além de um motor 1.0 de três cilindros com ou sem turbo, bem como um diesel 0.8. O projeto se deu muito bem e foi mantido por sete anos em produção. Com o passar dos anos, a Daimler-Chrysler passou a ser Daimler e a Renault – outrora uma das que recusaram a ideia – juntou-se aos alemães em muitas áreas.

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Smart ForTwo Electric

Para substituir a dupla do ForTwo, seria necessário o desenvolvido de um novo carro em parceria com outro fabricante, a fim de amortizar custos. A Renault, por sua vez, procurava substituir o famoso Twingo e dessa vez abraçou a ideia, que um dia havia sido oferecida por Hayek (que jamais o viu concretizada, pois morreu em 2010 aos 82 anos).

Assim, matando dois coelhos de uma vez, Daimler e Renault desenvolveram os novos ForTwo e Twingo, além de marcar também o retorno do ForFour. Assim como os anteriores da Smart, os carros lançados em 2014 também possuem motor traseiro, embora com uma concepção não tão revolucionaria quanto a vista antes.

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Smart ForMore – Protótipo encontrado em 2009

ForMore, o brasileiro natimorto

Aparentemente, o Brasil não deveria ter nenhum tipo de envolvimento com a marca Smart, haja visto que – embora fosse comercializada no país – não havia qualquer desenvolvimento feito a partir das plantas da Mercedes-Benz instaladas aqui ou produtos específicos para nosso mercado.

No entanto, quando o antigo lineup da Smart estava sendo desmantelado por conta da reorganização diante do enorme prejuízo da empresa, o projeto ForMore foi cancelado. Este consistia em um crossover feito a partir do Mercedes-Benz MLK, mas com base encurtada.

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Smart ForMore – Protótipo encontrado em 2009

O interessante do Smart ForMore é que ele seria inteiramente feito pela Daimler-Chrysler em Juiz de Fora/MG, que então havia deixado de produzir o Classe A. A motorização iria variar de 1.8 a 3.0 V6, tendo ainda opções diesel. O veículo foi apresentado em Frankfurt no ano de 2005 e depois eliminado.

Mas, em 2009, um protótipo foi encontrado em um depósito da Mercedes na Alemanha. Assim, o único Smart que seria feito exclusivamente no Brasil, apareceu natimorto. Quanto ao ForTwo, este chegou a ganhar uma versão mhd denominada Brazilian Edition e foi o carro com Start&Stop mais barato do mercado nacional.





  • Bruno Silva

    Tenho curiosidade para dirigir um desses.

    • Rude Voleur

      Dirigi um Fortwo certa vez numa concessionária de usados. Foi um trajeto bem pequeno, mas foi uma experiência curiosa. Eu ficava o tempo todo me perguntando cadê o “restante” do carro.

    • th!nk.t4nk

      É um pouco desconfortável. Pula bastante e o isolamento acústico é fraco, mas anda bem. Dizem que no novo melhoraram bastante estes pontos. Na Europa custa o mesmo que um Polo básico, logo a única vantagem é pra quem precisa muito de um carro que caiba em qualquer vaga. A grande maioria dos Smarts são de empresas, usados em delivery (pizza, farmácia, etc), onde estacionar é o maior problema e não há necessidade de espaço. Algumas pessoas que dirigem muito mal também optam pelo Smart com a expectativa de que isso vá facilitar a vida. A depreciação dos Smarts é bastante forte no mercado.

  • leitor

    Esse modelo de carro urbano deveria ser bem mais explorado. Muita gente anda sozinha nos carros. Seria bem mais prático e econômico, poluindo menos. Além de cooperar com o trânsito em parte. E fica a pergunta, por que carros tão grandes como os que vemos?

    • ViniciusVS

      Brasileiro compra carro pelo tamanho, Tem gente que acha por exemplo Siena superior a um palio só por ser mais longo… Nosso mercado é estranho, UP micando e Onix líder.

      • Daniel dos Santos

        Para Brasileiro, carro é investimento

      • pedro rt

        se tamanho fosse documento o logan deveria vender bem mais nao acha?

        • th!nk.t4nk

          Tamanho sim, mas beleza também. É tudo aparência. Se for grande e bonitão, vai chamar a atenção do vizinho e dos colegas, dando status. É tudo o que o brasileiro médio quer.

      • leitor

        Brasileiro compra carro por tamanho, Então UP e Ônix deveriam vender menos.

    • É a “síndrome” do “Vai que”. Compramos aquilo que não precisamos porque “vai que” precisemos um dia, não é? Mas a escolha não sai de graça: Compramos algo que gasta mais recursos naturais para ser construído, maior consumo porque podemos precisar do que aquele carro tem a mais, mas muitas vezes vendemos sem nunca usar um item que pagamos por ele. Já vi pickup cabine dupla que nunca usaram a caçamba, sedã que as pessoas ficaram 3 anos e nunca abriram o porta-malas…

    • pedro rt

      eu mesmo compraria um BRABUS se o preço fosse mais acessivel ou se ganhasse mais

    • Vinícius

      A minha percepção (não estou querendo ser o dono da razão) é que como a maior parte da população não pode ter mais de um carro, então busca comprar um veículo que atenda a sua necessidade de uma forma mais integral. Creio que a maioria deseja um carro para a família, para viagens mais longas e um carro para a família. O Smart se enquadraria, na minha opinião, como terceiro carro, mas o problema é que ele tem no Brasil um preço muito elevado para carregar somente duas pessoas e pouquíssima carga. A ideia dele é genial, se eu tivesse condições de adquirir e manter um (vide os comentários abaixo)…

      • Guilherme Eduardo

        Concordo com o colega. No Brasil, parte devido ao preço, geralmente as pessoas compram um carro que atenda mais de uma necessecidade. Um exemo prático é o VW Up que foi esticado para ter porta malas maior.

  • leitor

    Poderia se fazer outros modelos de carros assim mais populares e preço compatível. Com certeza venderiam bastante. Eu mesmo pensaria em ter um desse como segundo carro para ir a certos lugares.

    • ViniciusVS

      Tem o UP, mas…

      É igual perua, todo mundo elogia mas ninguém quer na sua garagem… exemplo é o Golf Variant, ótimo carro que não vende nada.

      • leitor

        Eu se pudesse teria os dois. Up pra mim e Golf Variant para andar com a família, numa boa e sem grilo nenhum.

        • Matheus Marques da Silva

          Somos dois. Minha noiva que precisa de mobilidade e baixo consumo ficaria com o Up (ou Fortwo – que ela ama) e eu com a Variant, já que frequentemente preciso de porta-malas (integralmente é a palavra certa, na verdade) e dirijo nas constantes viagens, ainda mais agora que planejamos aumentar a família em curto prazo. (E ainda tem o cão na história, que tem o volume e bagagem de criança! Haha)

          • leitor

            Somos quatro. Você, sua noiva, eu e minha esposa. E se contar com filhos e cachorros vai aumentar.

  • Luccas Villela

    A ideia é sensacional, mas é um carro muito frágil, minha mãe teve um por quase dois anos, deu problemas diversas vezes. A Mercedes (Smart) tem um atendimento sensacional, premium de verdade, mas as revisões são um roubo. Além disso, a suspensão é infernalmente desconfortável e o nível de ruídos é surreal. Acredito que essa versão do Twiingo seja melhor.

    • pedro rt

      nao e questao de ser fragil e q o piso brasileiro e um lixo tanto por ter buracos como por ter desnivelamento, e dificil vc achar uma rua q seja toda asfaltada e plana

      • Luccas Villela

        De acordo. Mas então que não vendessem aqui. Minha mãe teve problemas diversas vezes. Claro que o atendimento era maravilhoso e davam um Jetta enquanto ela estava sem carro, mas ainda assim, quem compra um Smart quer andar num Smart. O Jetta fazia 4km com um litro de etanol. O smart 15 com gasolina, as vezes mais.

  • pedro rt

    sempre tive curiosidade de dirigir um smart, nao e a toa q esse carrinho faz sucesso pelas ruas e vielas da frança, italia, alemanha e holanda

    • th!nk.t4nk

      Hoje quem ocupou o espaço do Smart entre os consumidores moderninhos da Europa é o FIAT 500. O preço é o mesmo, mas o 500 oferece mais conforto e espaço, além do visual estar mais na moda.

  • Daniel

    Carrinho muito interessante e diverte bem até. Citaria como único ponto negativo o câmbio automatizado ao pior estilo Dualogic de ser. Outro ponto que merece ser mencionado é a incompatibilidade do carrinho com as nossas vias lunares.

  • Bittencourt

    Mercedes MLK?!