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Tesla Motors poderia vender sua plataforma para outros fabricantes?

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Poderia a Tesla Motors vender sua plataforma para outros fabricantes? Essa questão está sendo levantada pelo site Jalopnik e parece muito interessante do ponto de vista estratégico da marca americana.

Como já se sabe, a Tesla Motors oficialmente (e também não oficialmente) prepara pelo menos quatro modelos de volume, sendo que dois já foram lançados: Model S e Model X. O Model 3 conheceremos na próxima quinta (31). O último é alegadamente um crossover menor que o X e conhecido como Y.

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Com as iniciais que lembram a palavra “SEXY” (que Elon Musk descarta veementemente), a Tesla Motors teria um bom quarteto nas mãos, que pode ainda ser ampliado para um Model T (picape) e um Model R (Roadster). Seja como for, o lineup da marca será pequeno com essas ofertas.

Mas, suspeita-se que os modelos de carros elétricos “by Tesla” serão muito mais do que os citados acima. A ideia é que a empresa estaria se preparando para vender futuramente sua plataforma para outros fabricantes, já que ela consiste em uma base que lembra um chassi, podendo receber vários estilos de carroceria. É mais ou menos o que a Faraday Future está propondo com sua base modular. Propulsor, transmissão, bateria plana, suspensão, direção, freios, etc, fazem parte de um conjunto único.

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Com a enorme Gigafactory, a Tesla Motors poderia fornecer a plataforma completa ou apenas peças e componentes do sistema de propulsão e armazenamento de energia. Dessa forma, os custos de desenvolvimento de carros elétricos seriam bem menores para novas marcas, ainda mais se tratando de um tipo de veículo normalmente muito mais caro.

Elon Musk já quebrou a patente de seu Model S com o objetivo de fomentar a tecnologia de carro elétrico no mercado mundial. Os custos de forma geral cairiam, poupando-se bilhões de dólares. Para atender essa demanda, a Tesla ganharia – além da eventual produção do “chassi” ou licenças de fabricação – também com a venda de pontos de recarga Supercharger e carregamento doméstico Powerwall.

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A economia em escala permitiria uma grande redução de preço nos carros elétricos, acelerando sua introdução e posteriormente a diminuição ou retirada completa de incentivos fiscais, algo bom para quem quer ver o dinheiro público aplicado em áreas mais importantes. No passado, duas empresas apostaram na mesma ideia e com resultados parecidos.

A Volkswagen percebeu que o chassi do Beetle começou a ser utilizado por fabricantes menores, em especial aqueles que faziam carros esportivos, réplicas, kit cars, bugies, veículos comerciais e outros tipos, sempre compartilhando igualmente a motorização boxer a ar. No Brasil, Gurgel, Puma, Chamonix, BRM, entre outras, se beneficiaram muito dessa política.

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Mais recentemente, quando surgiu a MQB – plataforma modular de motor transversal – a Volkswagen novamente pensou em licenciar sua base para outros fabricantes. A estimativa era de que após três anos, a tecnologia poderia ser vista em outras marcas.

Outro exemplo foi a Microsoft, que ao invés de fabricar seu próprio computador, licenciou MS-DOS e Windows para outras marcas, praticamente dominando o mercado. Será esse o caminho que a Tesla Motors pretende trilhar daqui para frente?

[Fonte: Jalopnik]





  • Rude Voleur

    Será uma ótima jogada seguir os passos de Bill. De repente, teríamos a mesma plataforma em inúmeros veículos de várias marcas diferentes. Isso geraria uma redução de custos que poderia ser revolucionária para a indústria dos elétricos.

    • Louis

      A princípio pode reduzir custos, mas resultaria em um monopólio perigoso para o consumidor.

      • Vicente

        Exatamente o que pensei.

      • th!nk.t4nk

        Nao creio nisso. Se o produto nao atender perfeitamente a todos os consumidores, outros fabricantes aparecerao, utilizando os mesmos princípios. O Wallmart é um ótimo exemplo disso: todo mundo morria de medo do monopólio. O que aconteceu? O Whole Foods se aproveitou pra oferecer um modelo de supermercado mais personalizado, com produtos orgânicos e atendimento de primeira, e hoje é a rede que mais cresce nos EUA. Sempre haverá brecha pra outros crescerem. A Microsoft também perdeu mercado pra Apple, e com o tempo o jogo até se inverteu. O mercado tem uma capacidade incrível de se auto-regular nesse aspecto.

        • Marcos Medeiros

          Não somente para a Apple como para a Google e O linux (o android é um sistema baseado no linux) no mercado de smartphones e agora luta para tentar ser relevante nesse mercado, voltando para os carros, a BMW poderia oferecer a mesma ideia com a sua plataforma Life-Drive para concorrer com a tesla, mas acredito que quem mais ganharia com isso seria a tesla pois teria mais a oferecer em outros pontos já citados (bateria para casas, pontos de recarga…).

      • DiMais

        Elon Musk na verdade quer vender suas baterias e popularizar as estações de recarga, somente ele vendendo carros não vai dar conta do recado e por isso ele se interessou tanto que a VW fosse ‘punida’ no caso do Dieselgate investindo nesse tipo de tecnologia ao invés de receber as multas do governo sem um fim específico.
        num caso semelhante ao da Microsoft que até produz hardware de referência, mas ganha dinheiro mesmo é vendendo software e computação na nuvem.
        sim, Elon Musk quer dominar o mundo.

        • th!nk.t4nk

          Você finalizou bem. O Elon Musk nao tá olhando só mercado automotivo. Ele quer se capitalizar pra investir em outras áreas. Se um dia ele simplesmente vender a Tesla nao se espantem. É porque o cara tem planos muito maiores.

      • Rafael Trindade

        De acordo!

  • Franco da Silva

    Seria legal ver a adaptação de clássicos sobre essa plataforma, de Kombi à Ford de todas as épocas.

  • Fernando Bento Chaves Santana

    Ao tornar sua tecnologia open source e com a construção de uma fábrica de baterias capaz de suplantar à demanda da própria fabricação de carros acredito que as pretensões de Elon Musk estão para além de ceder a base de seus carros para outros fabricantes acredito que ele pretenda iniciar o processo de conversão da cadeia produtiva norte-americana de automóveis para a produção em larga escala de automóveis elétricos. Assim ao invés de ser um concorrente dos grandes fabricantes estabelecidos o sul-africano pretende ser um parceiro para efetuar a conversão de toda uma indústria para bases tecnológicas mais avançadas que implicará no processo de simplificação da cadeia de suprimentos, na padronização de componentes como as baterias. Também adequará os automóveis à convergência do consumo de energia na forma de eletricidade. Além disto o automóvel elétrico como padrão possibilitará a definitiva interação entre a Mobilidade e a Tecnologia da Informação, viabilizando não apenas autonomia do transporte individual, mas principalmente, a autonomia do transporte de massa e de materiais. Será um salto comparável aos dados pela Ford e pela Toyota nos processo de produção.
    A pesar do grande peso que detém, a industria automobilística já não representa a vanguarda tecnológica e seus CEOs sabem que precisam de novas bases estruturais para recuperar a rentabilidade. O recente flerte do Marchione oferecendo a FCA como parceira para a Apple seus “iCar” é um exemplo. A industria automobilística sabe que precisa perseguir novos paradigmas por que estratégias como as megafusões para reduzir custos e a busca de nichos de mercado de luxo para obtenção de maiores margens estão praticamente esgotadas. A Tesla pode uma peça importante nesta mudança.

  • Hadson Nobre

    A empresa da maçã curtiu esta matéria. Uma notícia assim só reforça a idéia de que o carro da Apple usará um Tesla como base.

  • DiMais

    lembrando que a variante elétrica do MB Classe B utiliza tecnologia da Tesla.