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Pelo menos uns 70% dos carros vendidos no Brasil são pequenos como Gol e Palio e pouca coisa maiores como SpaceFox, Montana e Honda City, por exemplo. E as construtoras de prédios de apartamento parecem saber muito bem disso por conta das ridículas vagas que oferecem em seus lançamentos imobiliários.

Para começar, nos prédios de apartamento existe o privilégio das vagas cobertas. Nem todas são. Mas na maioria das vezes as cobertas acabam sendo parcialmente cobertas – sempre fica um “rabicho” pra fora se seu carro for maiorzinho como um Corolla ou uma antiga S10 cabine simples.

Há casos em que a construtora oferece duas vagas: uma coberta e uma descoberta, igual e ridiculamente insuficientes. Mas aqui entra o bom senso de quem vive em apartamento para que a situação não fique ainda pior. Saber até onde começa e termina sua vaga já é um bom começo. E, além disso, ter ciência que ter direitos e ter bom senso são coisas bem diferentes.

Mutas das vezes o cidadão muda de uma casa para um apartamento pela primeira vez e pensa que é a mesma coisa, que um apartamento nada mais é que uma casa em cima da outra. Assim, crê que é normal fazer churrasco na varanda (não estou falando de espaço gourmet, mas de varanda mesmo). E também acha que é normal ocupar um metro a mais do que sua vaga permite, invadindo a área comum.

Tenho um vizinho no prédio, a quem chamo “carinhosamente” de Seu Zé Carroça, não apenas pelo gosto pessoal – tem uma L200 cabine dupla ano 1995 e um prisma 1.0 – mas sim pelo ruido que sua picape faz devido ao motor diesel de antiga geração e ao tamanho número de manobras que tem que fazer para encostá-la (mal). Quem já teve o desprazer de ter dirigido uma L200 velha sabe que elas esterçam muitíssimo pouco. Continuando: o sistema das vagas é tipo gaveta, então seu Prisma fica coberto e a L200 descoberta.

É um direito dele, mas se o morador do outro bloco decidisse ter dois carros do mesmo tamanho, as traseiras das picapes encostariam uma na outra e ninguém passaria no meio, pois tomariam todo o pátio. O espaço da vaga segundo a planta é de 4,30 m. Então, o cidadão teria 8,60 m seus. Acontece que uma L200 mede 5,23 m eum prisma 4,12 m, o que dá 9,35 m, mais um espaço de uns 50 cm que ele deixa para que sua esposa abra o porta-malas do Prisma e para ele poder passar pela frente do carro sem dar a volta. No total são quase 10 metros. Não há uma linha amarela que delimite seu espaço. Então ele está legalmente certo.

Mas e em matéria de bom senso? Aí já é outra história. Até porque Seu Zé Carroça é um dos últimos que chegam e um dos primeiros que saem do prédio, assim como a esposa. Juntos discutem às 6 da manhã em voz alta, competindo com o ruído do motor diesel que esquenta, a rotina de cada um e quem vai fazer supermercado ou pegar a criança na casa da sogra no fim do dia.

Estive vendo plantas e medindo algumas vagas do jeito mais rudimentar possível, com trena. No meu prédio, que é novo e de padrão médio, elas têm 4,30 m X 2,30 m. Para visualizarmos melhor a largura, vamos usar exemplos de carros e suas medidas laterais.

Um Gol ou Clio têm 1,66m, um Cruze 1,80 m, um Captiva 1,85 m e uma Amarok 1,94 m. Então dá e sobra, certo? Errado. Você precisa de uns 40 ou 50 cm de espaço lateral, para cada porta quando aberta. Assim, se você e seu carona se esticarem como um felino e conseguirem utilizar só 40 cm de cada lado, seu carro terá 80 cm a mais. Se for um Gol, a esta altura você estará utilizando 2,46 (a vaga tem 2,30 m).

Se seu carro for uma Amarok, com portas maiores, você precisará de meio metro de cada lado, o que vai levá-lo a usar 2,94 m de espaço lateral. Sendo assim concluímos que 3 m de espaço lateral seriam o ideal. E pelo menos 5,5 m de comprimento – tamanho de vaga que vi apenas em apartamentos de mais de 120 m2, que no interior de SP custariam por volta de R$ 500 mil e em São Paulo Capital, perto de R$ 1 milhão.

Em apartamentos de menos de R$ 200 mil (interior de SP como Taubaté, São José dos Campos, Ribeirão Preto, por ex), a vaga é como a minha; em apartamentos de até R$ 400 mil na mesma região, as vagas têm por volta de 2,50 m x 4,50 m, segundo minhas pesquisas.

Com relação às motos, geralmente elas ficam em um espaço destinado a elas atrás dos carros. Mas se todos tivessem uma, seria uma embolação só e ninguém conseguiria chegar ao lobby do bloco do edifício. É óbvio que existem questões legais de proporção que as vagas devem ter num projeto, preço do metro quadrado de determinada região e tudo o mais, mas será que não está ocorrendo um certo Lucro Brasil da construção?

Em que lhe vendem o mínimo cobrando o máximo? E, diferentemento dos carros, em que se pode optar por equipamentos opcionais, não há nem possibilidade de se optar por vagas maiores, nem pagando mais caro. O que já vi foram vagas lado a lado, no caso três vagas ruins em que se pode fazer duas boas, mas aí você pagou três e levou duas! Uma anti-promoção.

Como disse um amigo meu, a engenharia “boa” hoje é aquela que corta custos, não a que cria soluções inteligentes. E ele completa: Se um grupo de 50 engenheiros civis se reunissem para elaborar um prédio de apartamentos para eles morarem com suas famílias, aí sim sairia um prédio com soluções decentes incluindo vagas de garagem cujos carros cabem nelas, sem colunas que atrapalhem e por aí vai!

Mas economia nos projetos parece ser uma tendência em qualquer ramo, vide a quantidade nunca vista de recalls na indústria automobilística nos últimos anos. Mas a questão das vagas poderia ser ainda pior. No Japão, que é um arquipélago, devido ao grande número de carros e ao reduzido espaço para construções, conforme a região onde você resida, primeiro você tem que provar que tem a vaga para depois poder adquirir o carro!

Bem, amigos, de certa forma essa matéria foi um desabafo de quem defende a cidadania habitacional e as relações de consumo justas. E que adora carros e não quer se conformar com os amassadinhos e picadinhos de porta que acabam acontecendo nas vagas de hoje em dia. Ter um clássico numa garagem dessas nem pensar! Já pensou guardar seu Maverick GT, Karmann-Ghia ou Opala SS numa dessas? Dói só de pensar, não é?

Fico pensando também no transtorno futuro, já que a classe média está investindo em carros cada vez maiores, principalmente picapes e SUVs. E carros como Hyundai Sonata, Ford Fusion e Santa Fe tendem a ser um bom negócio quando usados. Como irão guardá-los não sei.

Aliás tenho curiosidade de saber se as garagens são maiores em cidades grandes de estados como Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, por exemplo, onde as picapes médias são muito vendidas. Vocês que são dessa região podem me contar.

O que sei é que passarei a analisar a compra de um apartamento a partir da vaga. O que acabou surpreendendo um corretor que disse que foi a primeira vez que alguém chegou e disse que se a vaga não prestasse não queria nem ver o apartamento decorado e que pediu para ver a planta do subsolo, onde se encontram as garagens.

Você que mora em prédio ou que pretende mudar-se para um, já analisou esta questão? Como guarda o seu xodó atualmente? Fique atento ao alugar ou adquirir sua próxima morada!

Grande Abraço,

Por Gerson Brusco Gonzalez





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