Volkswagen LT, a super Kombi que nunca tivemos

30/01/2016

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Volkswagen LT28 Furgão

O mercado de veículos comerciais no Brasil viu as primeiras unidades da Volkswagen Typ 1 (T2 originalmente) em 1950, quando acabavam de chegar ainda importadas da Alemanha. Três anos depois foram montadas em CKD pela Brasmotor e, por fim, construídas em versão nacional na recém-construída fábrica da Anchieta.

Desde então, a Kombi começou a ser desejada pelos donos de pequenos e grandes negócios por aqui. Na Alemanha também não era diferente e logo o modelo precisou ser atualizado, quando então surgiu a segunda geração a definitiva Typ 2 (ainda T2). No entanto, para algumas aplicações, sua plataforma de motor traseiro era limitada demais.

Assim, a Volkswagen começou a planejar um veículo maior que a Kombi, que tivesse PBT entre 2,8 e 3,5 toneladas. Dessa forma, a empresa poderia atender exigências de carga e volume muito maiores. No projeto, a empresa decidiu que o mesmo teria tração traseira e motor dianteiro sobre o eixo.

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Volkswagen LT35 Furgão e Cabine Dupla

LT

No Salão de Berlim de 1975, a Volkswagen apresentou o LT, que significava Lasten-Transporter ou Transporte de Carga. O veículo lembrava muito o caminhão 6-90 que seria feito pela empresa no Brasil alguns anos depois, quando a Chrysler do Brasil foi adquirida pela VWB. Mas, o LT era menor e apareceu nas versões LT28, LT31 e LT35, sempre levando em conta o PBT.

O LT tinha versões com cabine simples e dupla, caçamba de aço ou chassi, furgão (teto alto ou baixo) e duas opções de entre-eixos. Na mesma ocasião, surgiu a interessante LT Westfalia Camper, uma espécie de Super Kombi Safari, referência ao modelo feito pela Karmann-Ghia anos depois no Brasil. Da mesma forma, este veículo para camping com a família era feito pela Karmann na Alemanha.

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Volkswagen LT Westfalia Camper

Mas para mover a LT, a Vokswagen utilizou o motor 2.0 usado no Audi 100. O conjunto de motriz havia sido desenvolvido pela Porsche para um cupê de tração traseira da VW, mas esta desistiu da ideia por conta da nova família de carros compactos de tração dianteira. Ainda assim, o trem de força continuou a ser desenvolvido e agora aplicado na LT. Ele entregava 75 cv.

No ano seguinte surgiu o Perkins 2.7 diesel com 65 cv, mas este foi substituído pelo pouco conhecido (no Brasil) seis cilindros diesel D24 da Volkswagen, que tinha 2.4 litros e oferecia 75 cv. Mais tarde ele seria usado em carros da Volvo. Em 1979, a VW fecha um acordo com a MAN para fabricar caminhões da série G e a cabine era inspirada no LT.

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Volkswagen LT31 Picape

Em 1983, o modelo ganhou muitas mudanças que incluíram tração 4×4, facelift, chassi mais longo, versões LT40 e LT45 com PBT maior e eixo dianteiro rígido, motor seis cilindros 2.4 a gasolina e o desejado motor diesel D24T, que passava a entregar 102 cv. Com o passar dos anos 80, o LT foi ganhando mais versões, chegando ao LT55.

O ano de 1993 marcou o fim do acordo com a MAN na Série G e o LT ganhou um novo D24TC com apenas 95 cv, porém, mais eficiente que o anterior de 102 cv. O modelo já se encaminhava para o fim, que aconteceu em 1996.

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Volkswagen motor D24 diesel

Ao longo dos anos, a primeira geração do LT viu nascer também versões especiais para as mais variadas funções, bem como microônibus feitos por encarroçadores europeus, tais como a Ikarus, por exemplo. No mesmo ano de 1996, a Volkswagen fechou um acordo com a Daimler-Benz para um novo veículo comercial.

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Volkswagen LT35 2.5 TDI (segunda geração)

Sprinter

O acordo fez surgir a segunda geração do LT, que em realidade se tratava de uma variante da van Mercedes-Benz Sprinter, modelo tão conhecido no Brasil. Apesar disso, a motorização da Nova LT incluía o propulsor de cinco cilindros 2.3 a gasolina da Volkswagen Eurovan e entregava 143 cv.

No caso dos diesel, a oferta era bem maior e baseada no propulsor de cinco cilindros 2.5 TDI que variava de 75 a 110 cv. Em 2002 surge o 2.8 TDI de quatro cilindros de 125 a 158 cv. Após 350.000 unidades produzidas, o LT de segunda geração saía de linha em 2006. Nesse momento, um novo acordo fez surgir a Crafter.

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Volkswagen Crafter Van Passageiros Teto Alto

Crafter

O Volkswagen Crafter, também chamado LT3, continuava a ser uma Sprinter, mas da segunda geração desta. A motorização continuava a ser basicamente os 2.5 TDI de 88 a 163 cv e do novo 2.0 TDI de 109 a 163 cv, o mesmo usado pela picape Amarok. O modelo continua em produção nas fábricas da Mercedes na Alemanha.

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Volkswagen Kombi Diesel Cabine Dupla

Brasil

Até 1981, quando adquiriu a Chrysler do Brasil, a Volkswagen só contava com a Kombi para seus clientes comerciais. O modelo já era um sucesso de vendas, mas não havia nada acima dela. Depois do fim dos caminhões Dodge, a VWB passou a produzir caminhões equivalentes a Série G, mas o salto entre os dois comerciais dentro da empresa era grande.

Então, não houve um intermediário. Da Kombi, o cliente comercial da VW deveria ir direto para o caminhão leve 6-80/6-90. Provavelmente, se o LT tivesse sido feito na fábrica da Chrysler (em frente da VW Anchieta), o modelo seria o intermediário perfeito, embora com algum prejuízo para as vendas da Kombi. Além disso, teria antecipado a chegada das vans ao Brasil, fato que só ocorreu após a liberação das importações a partir de 1990.

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Volkswagen 6-90

Não há, porém, como saber se a van LT original (LT1) ficaria em produção no Brasil após a chegada da Sprinter. Se não houvesse acordo regional, provavelmente a segunda geração (LT2) seria de desenvolvimento local e com fabricação em Resende/RJ. Caso contrário, a produção ficaria em uma joint-venture com a Mercedes na Argentina.









  • Eduardo Brito

    Interessante essa “Super Kombi”. Esse trailer feito pela Karmann é bem interessante. Seria legal importar uma 6 cilindros pra cá.

    • Pacheco

      Teve a Kombi Safari fabricada aqui, a versão MotorHome. Hoje custa mais caro que uma Kombi Last Edition. KKKKK

  • JAC

    A velha Kombi ante a essa Super LT ficou moderna.

  • Minerius Valioso

    Atualmente no Brasil existe um veículo que substitua a Kombi em categoria, à venda?

    • jkpops

      Não. pelo preço em si e pelo custo-beneficio ainda não temos um substituto…nem sprinter,ducato,boxer Jac T8,jumper,Renault master todas na casa de 80 a 110 mil uma kombi custava de 42 até 50 mil as ultimas séries. Já fiorino Renault kangoo não se enquadram na mesma categoria pois o volume de carga e o PBT são bem inferiores 600 quilos ante 1000 da kombi.Também desconsideramos as picapes como saveiro e Fiat strada por serem picapes e pelo PBT também ser inferior. e nem deveria mencionar as chinesas towner,shineray,chana e Lifan foison essa ultima tem motor 1.3 e dizem que tem PBT de 700 quilos mesmo assim não carrega o mesmo que uma velha e boa kombosa. As outras chinesas alem de ter um motorzinho 1.0 pífio se carregadas com mais de400 quilos quase não se movem do lugar.. Ainda esperamos um carro comercial à altura da Kombi….

      • Tosoobservando

        Nessa nova politica de preços do Inovar Auto nao tera tao cedo, nem hatch de entrada vc vai achar por 40 mil mais.

      • Minerius Valioso

        O que seria muito bom por sinal.

    • pedro rt

      quem tinha kombi hj compra fiorino e essas vans chinesas

    • Denis

      Desde que a Kombi foi descontinuada em 2014, ate agora a VW não se pronunciou uma sucessora a sua altura, o que indica que a velha van de fato é insubstituivel. Para ocupar a mesma lacuna da deixada pela Kombi, a VW teria que quebra regras barateando o custo de produção da linha T5 que na época foi cogitado a ser fabricado no país. Mas como a van alemã é bastante moderna e de recursos semelhantes a da linha Golf e Passat, seu custo aqui era equivalentes a 2 kombi, o que fez derrubar a sua vinda ao país.

      A própria VW brasileira chegou realizar uma receita caseira improvisada, que era transmutar os par de airbags e freios ABS na velha Kombi, devido a obrigatoriedade dos recursos em 2014. Mas por conta do projeto atrasado da nossa velha van, os dispositivos eram inviáveis para a proteção dos ocupantes, derrubando mais uma vez sua longevidade aqui no país. Até o Contran deu seu alvará que a Kombi seria um perigo sem os airbags e freios ABS, e por esse decreto fez que a VW teve que retirar a van do seu catalogo da linha.

      Oportunidade de sucessão da Kombi tem, caso a VW do Brasil adapte por um modelo totalmente novo, feito sobre os mesmos moldes da antiga van, mas de custo simples e amplitude comercial. A Crafter também seria um tapa buraco, mas assim como a Mercedes-Benz Sprinter (modelo da qual deriva) seu custo final aqui seria muito alto. Ou quem sabe, criar uma fibra bau para a picape Saveiro em formato Furgão, assim atenderia os órfãos compradores da Kombi, a um custo da qual ela obtinha. Sejam qual for o destino, a Kombi sempre sera lembrada por seu empenho uso.

    • Kaian Reis

      Acho que só essas mini vans xing-ling

  • jaspion

    Carros da Volks estão atrasados

  • pedro rt

    seria uma boa a VW produzir na argentina a crafter

  • Omega

    VW do Brasil perdendo espaço…

    • jkpops

      perdendo espaço desde 90 quando em 95 desistiu do voyage somente o trazendo à cena em 2008 depois de 12 longos anos para a Fiat tornar o sinena em um dos seus maiores trunfos. E o que dizer do santana logo quando começavam a engrenar as vendas de carros flex a volkswagen como uma das preferidas dos taxistas tira o santana de produção,este que é fabricado até hoje na china nas duas versões a primeira e a segunda todas contando com ABS air bags etc… estavam tentando trazer um novo modelo mas já desistiram de dar vida ao santana novamente,tiraram a Vw van de linha e não colocaram outro carro no lugar pra concorrer com a fiorino.Por fim a parati e a kombi esses diretores se são tão intelectuais e estudados fazem burradas com decisões erradas que nem um analfabeto tomaria uma decisões tão estupidas assim…

  • Kaian Reis

    A VW podia trazer a Caddy para o Brasil para brigar com a Fiorino e Dobló cargo

  • mjprio

    Aqui no Líbano vejo alguns desses rodando ja meio desgastados. Em viagens que fiz para europa tambem vi muitos, em especial os derivados da sprinter

  • Rafael Trindade

    Eu sonhava em ter uma Volkswagen LT Westfalia Camper. Hoje, vejo as mesmas modificações nas Sprinter e acho genial. Uma pena o valor ser proibitivo aqui na terra das bananas!