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Volvo, a nórdica que tem segurança em primeiro lugar

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Volvo OV4

Assar Gabrielsson era gerente de vendas da fabricante de rolamentos SKF em 1916. Um ano antes, a empresa criou a divisão Volvo. Apesar disso, apenas em 1927 Gabrielsson efetivamente tornou a subsidiária um fabricante de automóveis, tendo ajuda de Erik Gustaf Larson, que projetou o primeiro carro da marca, o OV4.

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Volvo LV4

A Volvo – cujo nome de origem latina significa “eu rodo”, sendo uma referência ao rolamento fabricado pela SKF – tinha como proposta fabricar carros que fossem resistentes às estradas precárias da Suécia do começo do século 20, assim como capazes de suportar o rigoroso inverno.

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Assar Gabrielsson e Erik Gustaf Larson

Ao lado do OV4, a Volvo lançou no ano seguinte o primeiro caminhão, o Série 1. Com baixo volume, a montadora escandinava foi gradualmente aumentando o volume até iniciar as exportações em 1929. Quatro anos depois, surge o primeiro ônibus, o B1. Em 1935, a SKF comprou a fabricante de motores Pentaverken, o que garantiu o abastecimento dos propulsores.

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Volvo B1

No mesmo ano, a Volvo é introduzida na Bolsa de Valores de Estocolmo, mas logo em seguida a SKF vende todas as ações da empresa. Além de carros, caminhões e ônibus, a empresa também fabricava motores aeronáuticos. A marca sueca lança o sedã PV36, apelidado de “Carioca” e cujo design era americano. Em 1937, a Volvo introduz o ônibus B41 e o caminhão LV29. No ano seguinte aparece o ônibus B50.

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Volvo PV444

Com a Segunda Guerra, a produção da Volvo é voltada para abastecer as forças armadas suecas, reforçando também as aeronaves da força aérea. Em 1944, a montadora começa a inovar em segurança automotiva, lançando o modelo PV444, o primeiro com para-brisa laminado. Em 1948, a Volvo inicia a produção de tratores agrícolas e pouco tempo depois passa a atuar no ramo de construção civil. O caminhão L485 de 1953 teve sucesso em várias partes do mundo.

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Volvo P1800

P1800

Em 1959, a Volvo chama atenção do mercado automotivo com o belo P1800. O modelo inaugurou uma nova fase em segurança, portando cintos de três pontos nos bancos dianteiros. Em 1967, a Volvo modifica os modelos Amazon e apresenta um novo 144, agora com cadeira infantil posicionada de costas para a frente, algo inédito no mundo e que se tornaria padrão posteriormente. Foram adicionados os Volvo 142 Coupé e 144 Estate.

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Volvo 164

No ano seguinte, surge o primeiro sedã executivo da Volvo, o 164. Em 1970, a produção do Amazon é encerrada após mais de 667 mil unidades vendidas. Em paralelo, a montadora continua a evoluir sua linha de caminhões e ônibus, além de tratores agrícolas e de construção. Há também a produção de motores marítimos, industriais e aeronáuticos. Em 1972, a Volvo adquire a holandesa DAF, pois precisava de motores compactos. A empresa expande as operações de veículos comerciais para Escócia e Austrália.

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Volvo 245 DL

Em 1974, a Volvo lança a série 240 e o B55 se torna o ônibus de dois andares nas ruas de Londres e na Irlanda. Os pequenos 66 são feitos sobre plataforma DAF. Com três milhões de carros produzidos, a Volvo ganha o primeiro reconhecimento internacional em segurança automotiva no ano de 1976. No ano seguinte, os caminhões F10 e F12 iniciam sua jornada, que dura até os dias atuais, fazendo sucesso em vários mercados do mundo.

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Volvo 66 GL

Uma fusão com a Scania é proposta pelo conselho da Volvo, mas a Volvo Saab-Scania AB acabou não sendo efetivada. Nesse mesmo ano, a marca desenvolve um assento elevado retrátil para crianças, um item presente até hoje nos carros da Volvo. A Renault adquire parte da empresa e no início dos anos 80, a sueca amplia suas operações nos EUA com veículos pesados. O Volvo 760 surge em 1982 e se torna sucesso em todo o mundo. As séries 340 e 360 aparecem no ano seguinte. O 440 é lançado junto com alterações na série 300 em 1988.

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Volvo 760 GLE

Nos anos 90, a Volvo lança o 960 e o 850 chama atenção pelo sistema SIPS de proteção lateral. Em 1993 surge a série de caminhões FH e dois anos depois aparecem os modelos S40 e V40, inaugurando uma nova fase para os carros da marca. Os S70/V0/C70 surgem logo depois, assim como o S80. Após joint-ventures bem-sucedidas anteriormente com Renault e Peugeot, tendo produção na Holanda (DAF) e Suécia, a Volvo Cars é vendida para a Ford em 1999.

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Volvo 440 GL

Ford

Em 2002, a Volvo apresenta sua primeiro utilitário esportivo de fato, o XC90. Em 2006, surge a segunda geração do S80 e o compacto de duas portas C30, este sobre base do Ford Focus. A Ford propõe sinergia entre a empresa sueca e as demais marcas do grupo, incorporando motores FoMoCo no lineup.

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Volvo NL (EUA)

Em 2008, surge outro modelo de destaque, o XC60. Ele apareceu um ano depois da Volvo ter criado a versão aventureira XC70 com base na perua V70. Nos caminhões, a Volvo continua independente e adquire a divisão de veículos comerciais da Renault.

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Volvo 960

Geely

Em 2008, a crise econômica mundial abala o Grupo Ford, que para reagir rapidamente, vende praticamente todas as marcas não-americanas, incluindo a Volvo. Algo quase impensável acontece então, quando a gigante de Detroit fecha um acordo histórico com a chinesa Geely, que adquire a Volvo Cars com garantia de que não se aproveitaria da tecnologia da sueca.

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Volvo F12 Globetrotter

Sob a Geely, saem de cena dos S40 e V40 (perua), aparecendo em 2012 o V40, um hatch de quatro portas que substitui o C30, ainda feito sobre plataforma FoMoCo. Antes disso, porém, a terceira geração dos S60/V60 chama atenção pelo estilo. Os motores de origem Ford continuam sendo usados livremente. A Geely propõe expansão da marca para a China, onde o S80L feito pela Changan-Ford já estava sendo feito.

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Volvo Amazon

O sistema City Safety ativa automaticamente os freios ante veículos, pedestres e ciclistas. A Volvo também apresenta tecnologias de condução semi-autônoma e reconhecimento de animais. Nos caminhões, a divisão “original” lança sistema de navegação GPS topográfica e compartilhada para frotas. O caminhão mais potente do mundo surge na forma do FH16-750.

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Volvo 850

A Volvo decidiu apostar no S60L e na exportação chinesa para os EUA. Da mesma forma, a marca aposta no S60 Cross Country. A plataforma escalável SPA surge para criar os novos XC90 e S90/V90. Em 2016, a nórdica apresenta a plataforma modular CMA em conjunto com a Geely.

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Volvo N12

Brasil

Embora a conterrânea Scania estivesse no Brasil desde os anos 50, a Volvo só se estabeleceu no Brasil em 1980. A fábrica foi erguida em Curitiba/PR e começou a fabricar o caminhão N10, enquanto o ônibus era o B58 de motor central. Com o passar dos anos, a marca introduziu os modelos N12 e B10M (igualmente de motor central), passando para o FH12 e B12R/M. Posteriormente surgem os caminhões das séries VM e FM, assim como os ônibus B7 e B9.

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Volvo B58E Marcopolo III

Desde o começo dos anos 90, a Volvo Cars importa seus carros para o mercado brasileiro. Em 1999, uma empresa chamada Emme Lotus se estabelece em Pindamonhangaba/SP e tenta fabricar um sedã inspirado no conceito Volvo ECC de 1992, mas a operação falha. Atualmente não há planos de fábrica para o Brasil, além da produção de caminhões e ônibus.





  • Ricardo Blume

    Falando da Suécia e não da Volvo em si, o país é de grande destaque. Não me surpreende a Volvo chegar onde chegou. Um dos maiores investimentos que o país fez, foi no seu próprio povo através da educação. Considerado um melhores países do mundo em qualidade de vida, desenvolvimento e mundialmente conhecido por produtos de qualidade, a Suécia está simplesmente colhendo os frutos de tudo que plantou. Empresas como Scania, SKF, ABB, ESAB, Sandvik, Volvo e muitas outras são exemplos de um país que investe e não rouba. A diferença entre nós e eles? Aqui roubar da status, por lá dá cadeia.

    • Zé Mundico

      Sem falar na Electrolux, a maior fabricante de eletrodomésticos do mundo,para a qual trabalhei há muitos anos atrás.

    • Tosoobservando

      A Rainha da Suecia ja morou no Brasil e fala portugues! A família Sommerlath viveu em São Paulo, Brasil, entre 1947 e 1957, onde Sílvia estudou no tradicional colégio alemão Colégio Visconde de Porto Seguro.

    • Tomtilt

      Os países nórdicos (Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca e Islândia) são exemplos que deviam ser seguidos por todos os outros países. São sociedades extremamente igualitárias, respeitosas com seus membros. Há corrupção, como em praticamente todos os lugares do mundo, mas de uma forma bem menos violenta. Na Suécia, por exemplo, que é o mais “caótico” dos cinco, políticos não recebem regalias e deputados e vereadores não recebem salários altos, apenas uma ajuda de custo se resolverem sair dos trabalhos que exerciam para dedicação exclusiva, tanto que alguns preferem conciliar os empregos que exerciam antes com a função pública.
      Ano passado houve um escândalo enorme no país porque uma deputada pegou táxi com dinheiro do contribuinte, foi uma coisa tão comentada quanto o escândalo do governo Dilma aqui.
      A Finlândia era um país paupérrimo quando ganhou independência da Rússia. Na década de 50 os governantes resolveram investir em educação para tentar melhorar a situação da nação e da população, cuja maioria vivia na miséria, praticando agricultura de subsistência, era analfabeta e educação, saúde e acesso a bens de consumo eram restritos a pequena elite que existia na época. Hoje é um dos mais avançados do mundo.

    • Artur

      Acho que não é nem questão de roubar “dá status”, mas sim em razão da certeza da impunidade.
      Nem quando há investigação, processo criminal e condenação de políticos, logo conseguem cumprir a pena em regime de prisão domiciliar, dentro de suas confortáveis mansões adquiridas com dinheiro público desviado.
      Aqui é complicado. Acho que nem se investissem forte em educação esse país teria jeito.

      • Tosoobservando

        É aquela velha historia, se os politicos brasileiros fossem pra Suecia, nao roubariam como aqui, pois la nao tem privilegios nem regalias, alem de serem julgados como cidadaos comuns. Ja se os politicos da Suecia viessem pra ca, começariam a roubar, inclusive o pais ja foi no passado bem corrupto.

        • Artur

          Tens toda razão.

      • Até porque a maioria dos crimes de corrupção no Brasil são cometidos por pessoas com alto grau de instrução. Acho que a grande diferença entre a Suécia e o Brasil é que lá moram suecos e aqui brasileiros. Dói, mas tô começando a concluir que é a pura verdade.

  • celso

    O P1800 é belíssimo.

  • Diego Lip

    ônibus Volvo são os mais interessantes do mercado, muito resistentes, porém caros. Volvado seja!

    • Felipe

      Li uma vez, na época da obrigatoriedade do Euro V, que os chassis Volvo B380R, Scania K380 e Mercedes Benz O-500RSD tinham custo de aquisição e manutenção muito próximos. Porém, o custo do Volvo era apenas ligeiramente mais alto pois exigia o treinamento dos motoristas para os sistemas de segurança da Volvo.

      • Diego Lip

        Os preços das peças da Volvo e da Scania também são ligeiramente mais altos.

      • Zetros1833

        O custo maior da manutenção da Volvo se dá pq alguns de seus componentes são importados. No caso da Mercedes e Scania é mais baixo pq muita coisa é fabricada aqui.

        Os sistemas de segurança como ABS, ASR, EBS e ESP, normalmente são produzidos pelo mesmo fornecedor para as três marcas.Esses sistemas agem independente da ação do motorista.

        • Felipe

          Sim, mas para a maioria deles, não acostumados à reação do veículo em situações de emergência, necessitam de treinamento. Lembro de quando a Itapemirim comprou uma leva de Volvo B12R, no início não eram todos os motoristas da empresa que tinham certificação pra operar os novos veículos. Mas com o tempo, todos foram recebendo o treinamento necessário.

          • Zetros1833

            É que a Itapemirim só usava chassi Mercedes. Aqui onde moro, tem uma empresa que só usava chassis VW. Em 2012 por conta do Euro 5, eles compraram chassis Mercedes e todos os motoristas receberam treinamento para operar os chassis Mercedes.

            Isso é comum, quando uma empresa tem a frota de uma marca e compra veículos de outra marca. Esse treinamento é chamado de Condução Econômica e é feito para que os motoristas obtenham desempenho com o máximo de economia de combustível.

            Nesse caso da Itapemirim, além do treinamento para codnução econômica, houve treinamento também para a utilziação do câmbio I-Shift, presente nos chassis B12R. Já que na época, os chassis Mercedes só tinham câmbio manual.

            Um outro exemplo foi a Cometa quando saiu dos chassis Scania para os chassis Mercedes.

      • Tyrion Lannister

        Alguns dizem no meio de transporte pesado aqui no BR: Scania e Volvo só quebram se bater, Mercedes tem facilidade na manutenção e nas peças, mas quebra mais.

        • Zetros1833

          Isso é lenda que nasceu na época dos caminhões Mercedes médios e dos Scania pesados. Atualmente é comum ver Mercedes aí com mais de 1 milhão de km rodados sem abrir o motor.

          A empresa Xavante, tem um ônibus Mercedes com 3 milhões de km rodados.A Andorinha tbm tem ônibus com mais de 1 milhão de km rodados sem ter aberto o motor pra retífica.

  • Diogo Oliveira

    Acho engraçado como as peruas da Volvo são gigantes.

    • Pacheco

      Eu sou apaixonado pela XC70 Cross. Aquele carro me pega de um jeito, que um dia ainda faço uma loucura e compro.

      Ela é mega espaçosa e tem porta-malas que é capaz de fazer mudança. Oh carro legal viu.
      Sem falar o motor 5 cilindros Turbo e a tração AWD.

  • Mumm Rá

    Sempre achei esses carros ” quadradões ” da Volvo muito lindos

  • Redpeak77

    “(…) Algo quase impensável acontece então, quando a gigante de Detroit fecha
    um acordo histórico com a chinesa Geely, que adquire a Volvo Cars com
    garantia de que não se aproveitaria da tecnologia da sueca.”
    Como assim? A Geely não pode ter acesso a tecnologia da Volvo, sendo dona dela?
    Alguém sabe como funciona isso?

    • Zé Mundico

      Na verdade a Geely detem grande parte do controle acionário da Volvo e até influi no aspecto comercial da coisa, sendo mais uma “sócia”. Mas a Ford e outros grupos também tem controle acionário e podem definir regras, entre elas a de que a Geely não pode ter acesso ao processo industrial e de pesquisa tecnológica, que é o coração de qualquer empresa. Eles “administram” o negócio mas não interferem na produção, mais ou menos isso.

      • Zetros1833

        Pelo que foi noticiado na época, a Geely adquiriu 100% da Volvo Cars incluindo os direitos de propriedade intelectual. E se não fosse 100%, sendo sócia majoritária, creio que ela teria poderes pra determinar os procedimentos de suas subsidiárias, incluindo aí a Volvo Cars.

  • Tyrion Lannister

    O que eu sempre achei muito interessante na Volvo são os chassis de ônibus B58, B10M e B12M e hoje o B340M com motores na posição central. Muito interessante o modo como ficou disposto o motor com cilindros deitados e a altura do mesmo é quase a altura das longarinas em U do chassi, uma baita inteligência para liberar espaço. Sou fã desta empresa e da sua conterrânea (Scania) desde pequeno.

  • Luis Burro

    Até q enfim a história da montadora não só da parte automotiva.Apesar q parece faltar muita informação ainda.Não entendo como a divisão de caminhões se destacou tanto da outra a ponto de vende-la pra Ford.Geralmente a subsidiria é a q surge depois.



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