A abertura comercial de Milei barateia os carros na Argentina e acelera a BYD, que já vende mais que Jeep, Honda e Nissan

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A redução de 26% no custo relativo de comprar um automóvel tornou a abertura comercial uma peça importante da estratégia de Javier Milei contra a inflação argentina.

Preços mensais dos carros chegaram a cair na região de Buenos Aires em junho, resultado incomum para um país recentemente marcado por inflação próxima de 200%.

Parte dessa mudança vem da cota anual sem tarifa para 50 mil EVs, volume equivalente a cerca de 10% das vendas argentinas de veículos novos.

O governo também estabeleceu um teto baixo de preços para os modelos participantes, condição que acabou favorecendo fabricantes chineses capazes de oferecer opções mais acessíveis.

Revendas iluminadas com marcas como BAIC, MG e Chery agora se espalham pelo país, alterando rapidamente a paisagem comercial do setor automotivo argentino.

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Presente no mercado local somente desde setembro do ano passado, a BYD já entrou na lista das dez fabricantes com mais vendas na segunda maior economia sul-americana.

Dados da associação de concessionárias ACARA indicam mais de 8.200 unidades da BYD vendidas neste ano, acima de Jeep, Honda e Nissan.

A fabricante chinesa ainda permanece distante de nomes consolidados como Toyota e Volkswagen, mas o total das marcas chinesas supera em mais de duas vezes seus emplacamentos.

Esse avanço aproxima a Argentina de uma tendência já visível na América Latina, onde a BYD fabrica veículos no Brasil e cresce do México a São Paulo.

A China também ultrapassou o Brasil como principal origem das importações argentinas neste ano, depois de registrar no ano passado seu maior volume em pelo menos cinco anos.

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Décadas de preferência por marcas americanas, europeias e japonesas começam a dar lugar a uma nova percepção sobre preço, tecnologia e qualidade dos modelos chineses.

Carlos Cristofalo, especialista responsável pelo Autoblog Argentina, afirma que antigos preconceitos foram quebrados após consumidores encontrarem veículos modernos por valores consideravelmente menores.

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Iker Rosales, vendedor de uma unidade da BYD em Puerto Madero, recebe diariamente entre dez e 15 interessados, muitos ainda cautelosos diante dos modelos.

Segundo Rosales, clientes costumam examinar a carroceria para avaliar a qualidade da montagem, mas demonstram entusiasmo depois de realizar uma volta de avaliação.

O vendedor deixou a francesa Peugeot antes de começar na BYD em janeiro e acredita que as marcas chinesas poderão superar fabricantes tradicionais já estabelecidas.

A expansão contrasta com o apoio de US$ 20 bilhões (R$ 102,2 bilhões) oferecido pelo governo de Donald Trump para ajudar Milei nas eleições legislativas.

Naquele período, o secretário do Tesouro Scott Bessent declarou na televisão que Milei estava comprometido em afastar a China da Argentina, sem citar diretamente os automóveis.

Patricio Giusto, professor universitário e diretor do Observatório Sino-Argentino, avalia que Washington não estabeleceu uma barreira comercial específica para as relações com Pequim.

Para Giusto, a abertura econômica planejada por Milei criou uma oportunidade natural para fabricantes chineses de EVs ampliarem sua presença em território argentino.

A Tesla, comandada pelo aliado de Milei Elon Musk, ainda não possui uma concessionária própria no país, embora já tenha contratado um gerente local.

Adversários de Milei associam a maior concorrência ao enfraquecimento da indústria automotiva argentina, concentrada principalmente na fabricação de picapes e outros veículos comerciais.

O ministro da Economia Luis Caputo sustenta que a cota ampliou as escolhas, trouxe tecnologias diferentes e reduziu os custos de manutenção para os consumidores.

Caputo também afirma que uma futura rede de recarga poderá estimular a fabricação local de picapes elétricas, transformando a demanda importada em produção nacional.

A aproximação comercial ocorre apesar dos frequentes elogios de Milei a Washington e de seus encontros divulgados com empresários como Peter Thiel e Harold Hamm.

Durante a campanha presidencial, Milei chegou a questionar se alguém negociaria com um assassino ao responder sobre o comércio mantido entre Argentina e China.

Já na Presidência, ele passou a elogiar publicamente Pequim como parceira, enquanto a China continua entre os maiores destinos das commodities exportadas pela Argentina.

Pequim também ofereceu apoio ao banco central argentino mais de uma década antes da ajuda americana, reforçando uma relação econômica difícil de abandonar.

O chanceler argentino informou na quarta-feira que Milei pretende visitar Pequim, embora ainda não exista uma data divulgada para a viagem.

Para o governo, a entrada de sedãs, SUVs e picapes chinesas não representa o problema, mas uma ferramenta para aumentar a concorrência e conter preços.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook