
Robôs com braços gigantes já são parte do cenário de qualquer fábrica moderna, mas a BMW quer ir além e colocar robôs humanoides trabalhando ao lado de robôs.
No começo deste ano, a marca iniciou um programa piloto na planta de Leipzig com seu primeiro “trabalhador” humanoide, dizendo que o objetivo é aliviar funcionários e melhorar condições.
O robô se chama Aeon e foi produzido pela Hexagon, empresa de tecnologia sueca que entrou no centro da conversa sobre automação industrial com cara de gente.
Para treinar o Aeon, a BMW adotou o termo Physical AI, um rótulo corporativo para um processo que, no fundo, faz a máquina aprender reproduzindo movimentos humanos.
Segundo a BBC, os robôs da Hexagon aprendem ao imitar uma pessoa executando a tarefa, usando vídeo ou sensores de movimento para copiar gestos com precisão.
Arnaud Robert, presidente de robótica da Hexagon, afirma que estamos a “um ou dois anos” de robôs aprenderem ações apenas assistindo humanos, reduzindo muito o tempo de treinamento.
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Esse detalhe muda o jogo porque, quanto mais rápido o robô aprende, mais fácil fica escalar a ideia para funções diferentes sem reprogramação longa e cara.
Só que a realidade ainda tem freios bem concretos, e o primeiro deles é energia, porque a bateria do Aeon dura apenas três horas.
A promessa é que o robô consiga andar até uma estação de recarga e trocar a própria bateria, numa rotina que lembra pausas obrigatórias de turno, só que automatizadas.
Mesmo com limitações, a BMW defende a aposta, e o vice-presidente sênior Michael Nikolaides disse que em alguns anos faltará pessoal e robôs “humanizados” podem ajudar.
Ele também recorreu ao argumento clássico de que, quando a indústria automatizou produção nos anos 1970, houve medo de demissões, mas novos empregos apareceram com a tecnologia.
O paradoxo é que a justificativa mistura escassez de trabalhadores com promessa de criação de vagas, como se substituir tarefas repetitivas não tivesse impacto no emprego real.
Uma leitura mais dura é que a preocupação não é só disponibilidade de gente, e sim o custo dela, especialmente em um ambiente de salários subindo.
A Reuters citou que o sindicato IG Metall garantiu aumento de 5,5% para trabalhadores em 2024 ao longo dos 25 meses seguintes, e ele representa milhões de industriais na Alemanha.
Entre as empresas cobertas estão Mercedes-Benz e a própria BMW, e isso torna inevitável notar que o Aeon não é sindicalizado e não negocia convenção coletiva.
No fim, o piloto de Leipzig parece menos sobre um robô que “ajuda” hoje e mais sobre preparar o terreno para quando ele aprender rápido, trabalhar mais e redefinir o que é posto de trabalho amanhã.
