
Uma mudança silenciosa na mobilidade urbana está ajudando a China a reduzir sua exposição às oscilações do petróleo: o avanço dos táxis elétricos.
As viagens de táxi e por aplicativos somaram 3,05 bilhões em maio, refletindo uma procura crescente por alternativas ao automóvel particular movido a gasolina.
Dados governamentais indicam avanço de 6% nas corridas desde o início do conflito envolvendo o Irã, no fim de fevereiro, ante março a maio anteriores.
O crescimento chama atenção porque as tarifas cobradas pelos motoristas estão recuando justamente durante um período de elevação nos preços da gasolina.
Analistas atribuem o movimento à combinação entre EVs acessíveis e grande entrada de condutores em busca de renda diante do ritmo econômico mais fraco.

A maior oferta intensifica a concorrência, reduz os valores das viagens e atrai passageiros interessados em evitar gastos elevados com combustível e estacionamento.
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Li, motorista de aplicativo em Pequim, afirma que as tarifas diminuíram entre 10% e 15% desde que iniciou a atividade há seis meses.
O condutor de 36 anos relatou à Reuters, durante uma parada para recarga, que a disputa por passageiros se tornou bastante intensa.
Relatos publicados nas redes sociais mostram que muitos consumidores passaram a considerar táxis e aplicativos mais econômicos do que utilizar seus próprios carros.
Yang, proprietária de um automóvel a gasolina, prefere chamar um motorista nos trajetos longos demais para serem realizados de bicicleta.

A mulher de 45 anos destaca que essa escolha elimina tanto a necessidade de procurar vagas quanto o pagamento direto pelo combustível utilizado.
Essa flexibilidade ganha importância porque aproximadamente metade dos 1,3 milhão de táxis chineses já utiliza propulsão elétrica, segundo o Ministério dos Transportes.
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Táxis elétricos e aplicativos mais baratos mostram custo-benefício melhor que carro a gasolina na China?
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Nas principais cidades, a participação dos modelos elétricos se aproxima de 100%, reduzindo de maneira relevante o consumo de derivados de petróleo no transporte urbano.
A Didi informou ter registrado mais 2 milhões de veículos híbridos ou elétricos no ano passado, levando sua frota sem combustível fóssil a 8 milhões.
Segundo a plataforma, os EVs já respondem por 75% de toda a distância percorrida pelos automóveis cadastrados em seu serviço.
O efeito aparece nos dados energéticos: a China consumiu em maio 10% menos gasolina e 14% menos diesel que no mesmo período anterior.
A redução ocorreu apesar de o transporte rodoviário de cargas ter crescido 2% e das viagens no feriado de maio atingirem um recorde histórico.
A Greenpeace projeta que 90% da distância percorrida por táxis e veículos de aplicativos no país será elétrica até 2035.
Daizong Liu, diretor para o Leste Asiático do Institute for Transportation & Development Policy, observa uma migração para táxis, metrôs e outros meios coletivos.
Segundo ele, preços elevados levam proprietários de carros a gasolina a dirigir menos, embora a demanda total por deslocamentos continue aumentando.
Essa transformação ajuda a explicar a queda de 41% nas importações chinesas de petróleo em junho, sem uso amplo das reservas estratégicas do país.
A menor necessidade chinesa também libera carregamentos para outros compradores em um mercado limitado pelo conflito e contribui para conter os preços internacionais.
Natasha Kaneva, analista do J.P. Morgan, avalia que o cenário pode ter acelerado hábitos já em desenvolvimento e reduzido estruturalmente a dependência chinesa.
A permanência desse comportamento será testada à medida que os combustíveis para transporte retornarem aos níveis registrados antes do conflito.
O J.P. Morgan prevê nova redução da demanda por gasolina em 2027, embora em ritmo inferior ao observado durante este ano.
A projeção aponta queda anual de 50.000 barris por dia, diante de uma diminuição estimada em 150.000 barris por dia neste período.
Zhang, proprietária de um EV e de um híbrido, utiliza normalmente o segundo em modo elétrico durante fases de combustível mais caro.
Após perceber a recente redução dos preços, porém, a motorista de 45 anos decidiu abastecer novamente o tanque de seu modelo híbrido.
