
A montadora chinesa Dongfeng está numa situação difícil no Brasil e o motivo não está relacionado com potenciais vendas de seus carros e nem mesmo sobre sua capacidade de operar no mercado nacional.
No entanto, quando se fala em produção, aí é que a coisa está complicada para a Dongfeng por um motivo importante. Aliás, dois.
A empresa havia fechado um acordo com a Nissan para utilizar a planta de Resende, no Rio de Janeiro, de modo a produzir alguns modelos eletrificados para se inserir no mercado nacional.
Sócia da Nissan na China, a Dongfeng é quem produz a Nova Frontier Pro, bem como os sedãs elétricos N7 e N8, assim como o SUV NX8, por exemplo.

A relação da Nissan com a Dongfeng é antiga e inclusive se refletiu na presença de produtos feitos pela chinesa que chegaram à América Latina, em especial a picape ZNA Rich, fruto de uma joint venture entre as duas.
Assim, o acordo feito em abril e conhecido da imprensa em maio, estabelece a produção de carros da Dongfeng na planta fluminense da Nissan.
Últimas notícias
Mas acontece que a Dongfeng esqueceu ou ignorou o acordo feito no Brasil e fechou uma parceria internacional com a Stellantis, da qual tem pequena participação.
O acordo com a Stellantis criou, a exemplo da Leapmotor, uma joint venture com 51% do grupo sediado na Holanda, com os 49% restantes com a companhia de Wuhan.

Nessa parceria com a Stellantis, a Dongfeng terá sua inserção no mercado europeu e em outras regiões, como se espera no Brasil, com produções localizadas e suporte do grupo ítalo-francês.
Segundo a Stellantis, a Dongfeng terá papel importante no retorno do grupo ao mercado chinês e também no reposicionamento das marcas francesas em nossa região.
No entanto, como já dito por Herlander Zola ao site AutoData, presidente da Stellantis na América do Sul: “Ou os chineses terão um acordo com a Stellantis ou com a Nissan. As duas coisas não será possível na região.”
O recado já foi dado pelo chefe da Stellantis por aqui e agora caberá à decisão a Dongfeng, que pode sim utilizar plantas do grupo liderado pela Fiat, como planta vizinha de Porto Real, uma opção viável para produtos da chinesa. E agora? Stellantis ou Nissan?
