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A evolução dos carros adaptados ao GNV de fábrica no Brasil

monza-gnv A evolução dos carros adaptados ao GNV de fábrica no Brasil

A primeira montadora brasileira a olhar para o GNV com outros olhos foi a GM, em especial os modelos Monza e Kadett. Os dois veículos eram dotados de motor 2.0 a álcool e era possível a instalação do Kit GNV em uma concessionária da marca.



Para isso bastava o cliente ir a uma concessionária GMB credenciada e solicitar a conversão do veículo _novo_, para uso de gás e álcool (o carro torna-se bicombustível) a única ressalva é que em 1993 o uso de GNV era restrito a frotistas, táxis e empresas, sendo vedado às pessoas físicas. O Kit da GMB custava na época US$ 2.500 contra US$ 1.600 do kit disponível no mercado.

“O kit de conversão apresentado pela General Motors difere dos demais pela utilização de muita tecnologia e eletrônica. Para injetar o gás nos cilindros é usada uma válvula de distribuição com injetores, um para cada cilindro. Isso, porque o sistema é de injeção multiponto de gás, independente da alimentação do motor ser EFI (monoponto) ou MPFI (multiponto), para o álcool.

Além disso, há uma sonda lambda no escapamento, para medir a porcentagem de emissão de CO nos gases queimados. São usados também sensores de pressão na linha de alimentação por gás e um de rotação do motor, mais um módulo eletrônico de controle. Esse módulo tem a função de integrar ao módulo eletrônico de injeção de álcool, mais um controle, que permite manter constante a relação estequiométrica (proporção da mistura ar/gás aspirada pelo motor) o que possibilita um controle rigoroso de emissão de poluentes, não alcançado, por exemplo, em um sistema de alimentação a gás por carburador.

Ao mesmo tempo, a colocação dos injetores de gás bem próximo das câmaras de combustão, praticamente na base do coletor de admissão, permite reduzir a perda de potência do gás em relação ao álcool. A GMB calcula essa perda entre 5% e 10%, dependendo do motor, enquanto numa conversão para gás tradicional a perda é bem maior, de pelo menos, 20%. “

O motor é ligado normalmente e a luz-espia da tecla GNC (Gás Natural Combustível) pisca durante alguns segundos, indicando que o motor está funcionando com álcool (ou gasolina, na partida a frio). Em seguida, ocorre automaticamente a passagem para gás e a luz-espia permanece acesa, mas com baixa intensidade.

Quando a pressão de gás estiver baixa, ou sua composição estiver alterada (o que afetaria o nível de emissões) o sistema muda automaticamente e passa a funcionar com álcool, enquanto a luz-espia vermelha fica piscando. Isso indica que o motor não está mais usando gás: basta o motorista apertar uma tecla e a lâmpada deixa de piscar. Dada então a partida e iniciada a operação com gás, o motor atua normalmente, não sendo possível, sem a indicação da luz-espia, saber com qual combustível está funcionando.

Isso só acontece ao se observar o desempenho do veículo: com gás rende um pouco menos que com álcool, isso, por exemplo, se verifica na aceleração de zero a 100 km/h, feita em 10,2 segundos usando álcool e em 14,2 segundos com gás. Da mesma forma, a retomada de velocidade é mais lenta: de 40 km a 120 km/h em quinta marcha, com álcool são necessários 21,9 segundos enquanto com o gás esse tempo aumenta para 33,2 segundos.

A diferença se verifica também na velocidade máxima, mas não na mesma proporção: com álcool consegue-se 178 km/h e com gás 169 km/h. Assim, pode-se concluir que a perda de desempenho não é tão drástica, sendo até compatível com a utilização a que o carro se destina: rodar no perímetro urbano gastando menos.

Astra_Multipower A evolução dos carros adaptados ao GNV de fábrica no Brasil

Anos mais tarde, em 2004, a GM lançou o Astra Multipower capaz de rodar com álcool gasolina e GNV sob desenvolvimento da Bosch. O veículo era vendido sob encomenda nas versões Comfort e Elegance. O preço do Astra Multipower era aproximadamente R$ 4.000,00 maior do que o modelo “convencional”, Flexpower, em qualquer das versões oferecidas (Comfort e Elegance).

Devido ao acréscimo de 90kg oriundos do equipamento a suspensão traseira recebeu molas de maior altura livre. Segundos os dados de fábrica o Astra Multipower atinge a velocidade máxima de 203Km/h, rodando com 100% de álcool, 198 km/h com 100% de gasolina e 185Km/h no GNV. A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 9,1 segundos (álcool), 9,8 segundos (gasolina) e 13 segundos (GNV).

A potência máxima é de 128 cavalos com uso exclusivo do álcool, 121 cv com gasolina e 106 com o uso do GNV, sempre na faixa de 5.200 rpm. Ainda de acordo com a fábrica, o torque é de 19,6 kgfm com álcool, 18,3 kgfm com gasolina e 16,4 kgfm com GNV. A taxa de compressão permanece a mesma dos FlexPower, de 11,3:1. A partida é feita usando o gás. O porta malas do Astra de 460 litros teve seu volume reduzido em 40% passando a ter 275 litros.

astra-multipower-botao-gnv A evolução dos carros adaptados ao GNV de fábrica no Brasil

A seleção de combustível é feita por meio de uma tecla seletora no painel central do veículo, abaixo do comando de ar-condicionado, e também traz um led vermelho que indica quando o GNV está na reserva. O sistema de injeção de gás, fornecido pela Rodagás, é de quinta geração e utiliza bicos injetores seqüenciais. Com expectativas de vendas para 200 unidades/mês o Astra ficou devendo a GM…nos seus primeiros 7 meses de vida a GM admitiu ter vendido apenas 300 unidades.

Apresentada no final de 2006 e comercializada em fevereiro de 2007 foi a vez da picape da Ford estrear tal recurso. A adaptação foi feita em cima do motor 2.3 16v, e este teve seu cabeçote retrabalhado com aumento de a r para os cilindros, e as válvulas ficaram mais resistentes.

ranger-gnv A evolução dos carros adaptados ao GNV de fábrica no Brasil

Com o GNV o motor Duratec 2.3 16V perde cerca de 11% de potência. Desenvolve 133 cv (cavalos) a 5.250 rpm e 19,7 kgmf de torque (força) a 3.750 rpm. Com gasolina são 150 cv e 22,2 kgmf às mesmas rotações.

Com um cilindro de 25m³ na caçamba seu consumo urbano declarado pela Ford é de 8,9 km/l com gasolina e 9 km/m³ com GNV. A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 14,5 e 15,3 segundos, respectivamente. A velocidade máxima é a mesma e limitada a 147 km/h. A partida é sempre feita com gasolina e, mesmo que o botão no painel esteja selecionado para o uso do gás, e passagem acontece somente quando o motor atinge a temperatura ideal de funcionamento.

O kit custa R$ 5.700 e pode ser solicitado por intermédio de uma central de atendimento específica. O consumidor então é encaminhado a uma oficina credenciada pelo fabricante do sistema. A conversão demora de quatro a cinco dias e a garantia de dois anos ou 50 mil quilômetros é mantida pela Ford. Em fevereiro de 2007 a Fiat apresentou o Siena Tetrafuel capaz de rodar com álcool, gasolina brasileira, gasolina pura e GNV.

A escolha do motor

Fire 1.0
Não precisa nem dizer que o Fire 1.0 foi descartado logo de cara, afinal com a perda aproximada de 20% com o uso de GNV o carro simplesmente não sairia do lugar ainda mais com o ar ligado e com carga.

Powertrain 1.8
Não seria muito inteligente lançar uma nova tecnologia no motor do concorrente… apesar da parceria existente entre as duas no fornecimento de motores.

Fire 1.4
Eis aqui o escolhido dos escolhidos… sem saída os engenheiros adaptaram o novo sistema no Fire 1.4 O sistema de gerenciamento eletrônico, desenvolvido pela Magneti Marelli, seleciona a melhor opção de combustível para cada condição. Quando a central faz a mudança entre combustíveis, ela acontece sem trancos, garantindo um desempenho constante em qualquer condição de rodagem.

fiat-siena-tetra-fuel-2 A evolução dos carros adaptados ao GNV de fábrica no Brasil

As modificações no motor 1.4 do Siena Tetrafuel foram:
* Novo coletor de aspiração com 4 bicos injetores exclusivos para GNV – nas adaptações encontradas no mercado é utilizado apenas um bico injetor;
* Novo material e nova geometria das sedes das válvulas;
* Novos componentes: manômetro, tubulações, válvulas de abastecimento, galerias e injetores de gás natural veicular.

Com um aumento de 74 quilos do equipamento a suspensão, dianteira e traseira, foi dotada de molas específicas, visando manter a altura livre do solo do modelo (igual à do sedã na versão ELX 1.4 Flex) Foram alteradas as forças de atuação dos freios traseiros, a fim de garantir a mesma eficiência presente nos freios da versão 1.4 Flex.

Os quatro injetores específicos para GNV injetam seqüencialmente, de acordo com a ordem de ignição, e o gás natural entra puro, ainda sem a mistura com ar. A partida é sempre feita com combustível liquido. Com os cilindros de GNV, o volume do porta malas que é de 500litros cai para 370 litros, que ainda pode ser considerado bom. Só como comparação o Corsa Classic possui porta malas com volume de 390 litros.

A velocidade máxima fica em 165 km/h rodando com 100% de gasolina/ 165 km/h rodando (gasolina com 20% de álcool= gasolina brasileira) 165 km/h rodando com 100% de álcool e 153,0 km/h rodando com o GNV. O 0 a 100 km/h fica em 15,3 s (gasolina 100%) / 15,1 s (gasolina com 20% de álcool) 15,0 s (álcool) / 17,0 s (GNV)

No Siena Tetrafuel, são 81 cv de potência com álcool, 80 cv com gasolina pura ou comum e 68 cv com GNV, sempre a 5.500 rpm — ante os 85/86 cv a 5.750 rpm da versão apenas flex. Já o torque máximo é de 12,4 kgfm com álcool, 12,2 kgfm com gasolina pura ou comum e 10,4 kgfm com GNV, sempre a 2.500 rpm – contra os 12,4/12,5 kgfm a 3.500 rpm da versão 1.4 para álcool e gasolina.

Passado-se um tempo donos de Siena Tetrafuel começaram a reclamar de falhas no funcionamento do veículo. Técnicos da fábrica mineira detectaram que os problemas são decorrentes do GNV adulterado! What? Os técnicos detectaram presença de óleo no gás. Esse óleo estaria se misturando ao gás nos tanques dos postos e viria dos compressores com manutenção incorreta, ou sem manutenção.

O problema do óleo não afeta os sistemas adaptados porque eles são mais simples. O da Fiat conta com injetores individuais (eletroválvulas) que têm o funcionamento prejudicado pelo óleo. Assim a marca realizou o famoso recall branco… os novos veículos saem com um separador de óleo para as linhas do gás.

Texto do membro Sebastião, do Fórum NA – usando como fontes Quatro Rodas, Mecânica Online, Webmotors e Fiat

  • vrferraz

    É verdade, o Siena Tetrafuel mesmo tendo o famoso recall com o filtro para eliminar o óleo que contamina o sistema de GNV ainda sofre muito com isso, tenho um Siena Tetrafuel e a cada 10 mil Km tenho que fazer uma limpeza no sistema de injeção de GNV, o bom é que eu mesmo desenvolvi um método simples e barato de fazer a limpeza do sistema de GNV, resolve de verdade, o carro volta a ficar potente novamente, pára de engasgar, pára de falhar, pára de morrer.
    Quem quiser conhecer o sistema que desenvolvi escrevam para mim vrferraz@gmail.com ou acesse este link do mercadolivre http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-233494259-

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