
A era dos painéis sensíveis ao toque dentro dos carros ganha um limite importante na China, que decidiu recolocar comandos físicos em funções ligadas à segurança.
A nova exigência mira uma tendência que se espalhou pela indústria nos últimos anos, com marcas levando cada vez mais recursos para telas centrais.
A lógica parecia atraente para as fabricantes, já que uma única tela simplifica componentes, favorece cabines mais limpas e facilita atualizações remotas da interface.
O problema é que telas podem responder devagar, esconder funções em menus e exigir atenção visual justamente nos momentos em que o motorista precisa focar na via.
A Tesla ajudou a empurrar esse movimento desde o primeiro protótipo do Model S, criado ao redor de uma grande tela posicionada no centro do painel.
Ao longo do tempo, a marca levou para a interface digital recursos que antes tinham comandos próprios, incluindo seletor de marchas e controles do limpador de para-brisa.
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O restante do setor seguiu caminho parecido, e essa estratégia ficou especialmente comum entre startups chinesas de EVs, conhecidas por interiores minimalistas e altamente digitais.
A reação começou a aparecer nos últimos anos, com alguns fabricantes trazendo de volta botões e hastes após reclamações de clientes incomodados com comandos escondidos.
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Agora, a decisão deixa de depender apenas do consumidor ou das próprias empresas, pois o governo chinês passa a exigir controles físicos para itens específicos.
As mudanças surgiram em uma proposta regulatória divulgada em fevereiro, mas foram finalizadas nesta semana com uma lista clara de funções obrigatórias.
A regra cita 19 funções do veículo que precisam ter controles físicos dentro da cabine, além de requisitos sobre tamanho e facilidade de uso dos botões.
Entre os itens estão setas, luzes de alerta, buzina, seletor PRND, assistência ao motorista quando houver, limpadores de para-brisa e desembaçador dianteiro.
A lista também inclui vidros elétricos, sistema de chamada de emergência e chave de desligamento para EVs, reforçando o foco em recursos essenciais de uso imediato.
O ponto comum entre esses comandos é a ligação direta com segurança, pois uma tela travada pode ser inconveniente para o som, mas crítica para visibilidade.
A nova norma passa a valer em 1º de julho de 2027, dando à indústria apenas cerca de um ano para adaptar projetos e interiores.
A pressa mostra que a China quer corrigir rapidamente o excesso de dependência das telas, sem longos prazos de transição para as fabricantes.
Essa medida se soma a outra decisão recente dos reguladores chineses contra maçanetas embutidas, cuja regra entra em vigor em 1º de janeiro.
A Europa também adotou uma abordagem parecida, ao exigir comandos físicos para que um veículo consiga alcançar a classificação máxima de segurança do Euro NCAP.
Nos Estados Unidos, porém, ainda não há definição semelhante, e a dúvida é se os reguladores locais seguirão o caminho aberto pela China.
O ritmo americano costuma ser mais lento nesse tipo de mudança, especialmente diante de uma indústria que continua disputando espaço com concorrentes chineses cada vez mais agressivos.
Caso Washington decida agir, poderá exigir mais botões em carros novos, mas por enquanto a reação mais concreta vem de Pequim e do sistema europeu.
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